Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
A matéria que o Estadão publicou no seu caderno de Economia, no dia 29/12, da analista Marianna Gualter, intitulada “Diante da incerteza global, BC aumenta reserva de ouro em 33%”, revela a crescente consolidação de uma tendência global determinante nestes tempos de incerteza “trumpista”.
Conforme a matéria, esta tendência – recente – “alinha o Banco Central do Brasil a outros pelo mundo na busca por reduzir a exposição a títulos da dívida americana”, que, como sabemos, é cotada em US dólares. Ainda segundo ela, “a participação total de ouro no nível das reservas internacionais do BC também aumentou no período de janeiro a novembro, de 3,6% para 6,5%.” Para acalmar o mercado, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, observou que esta política “não tem como objetivo, no curto prazo, um retorno ao padrão ouro”...
Para a economista Luíza Pinese, da XP Investimentos, esta política “reflete uma estratégia de diversificação das reservas internacionais alinhada a uma tendência global observada nos últimos anos....o ouro é considerado como um ativo de proteção, especialmente em períodos de maior incerteza geopolítica e volatilidade nos mercados financeiros.” Ela assinala, ainda, que “o Brasil possui hoje um colchão sólido de reservas internacionais para poder enfrentar choques externos”.
Este fenômeno não é aparentemente um caso isolado brasileiro. No levantamento feito junto aos bancos centrais das economias emergentes foi constatado que o desempenho das reservas em ouro é fator principal: ou seja, trata-se de um ativo seguro. Tal avaliação é também compartilhada por 77% das economias avançadas. Segundo os analistas “esta política ocorre em meio a um cenário de aumento da incerteza global e de recorde da alta do preço dos ativos (em dólares) considerados seguros. A mesma percepção é corroborada pelo Banco Central Europeu (BCE), o qual indicou num relatório que, “no ano passado, os BCs pelo mundo, em geral, aumentaram suas reservas de ouro em mais de 1 mil toneladas, pelo terceiro ano consecutivo...o volume representa o dobro do nível médio anual observado na década anterior.” Segundo a “London Bullion Market Association” (LBMA), “o ouro acumulou uma variação superior a 60% em 2025”.
Para alguns analistas esta tendência sinaliza que a “era do dólar” estaria paulatinamente cedendo espaço para um outro paradigma geoeconômico e refletindo as profundas mudanças que o cenário internacional vem registrando, sobretudo desde que Donald Trump voltou à Casa Branca.
Para entender o processo recorramos, como sempre, à História. O chamado "gold exchange dollar system" nos remete a um momento conturbado na História moderna, mais especificamente a 1971, quando os Estados Unidos da era Nixon abandonaram o padrão-ouro e romperam com o sistema de Bretton Woods que “lincava” o valor das moedas internacionais ao ouro. Esta atitude deu início à política de câmbios flutuantes baseada num sistema centralizado no dólar; este foi, de acréscimo, um dos momentos mais críticos da economia mundial, sobretudo em 1973/74 quando o preço do petróleo quadruplicou devido ao embargo da OPEP em retaliação ao apoio ocidental a Israel, causando inflação global e recessão. De “positivo” estimulou o surgimento de políticas energéticas alternativas, como o Proálcool no Brasil.
Obviamente o que segurou a política do dólar ao longo dos tempos foi a percepção, em esfera mundial, da supremacia política e econômica dos Estados Unidos, ou seja, a certeza de que o dólar e a economia americana seriam o sustentáculo sólido da ordem mundial...
Só que…o tempo passou e o processo de globalização das economias tomou um ritmo distinto. Novos atores assumiram papel protagonista no cenário planetário, sobretudo os asiáticos, com a China e a Índia liderando o processo. Grupos de países também se firmaram, isoladamente ou em grupo, como o BRICS, a ASEAN, o MERCOSUL/União Europeia, que hoje lideram o impulso desenvolvimentista da economia – e por que não – da política planetária... Cito sempre o exemplo da minha geração (nasci no final da Grande Guerra, em 1945). Desde então, ela conviveu com cinco hegemonias no prazo de oitenta anos: 1) a queda do Império Britânico, que dominara o cenário internacional desde o espraiamento do colonialismo europeu, no final do século XVII; 2) a hegemonia compartilhada a partir de então entre os Estados Unidos e a União Soviética, sob a ameaça do holocausto nuclear; 3) a supremacia absoluta americana após a queda da URSS, em 1991; 4) no início deste século, a reemergência da China - que fora a principal potência econômica mundial durante séculos -, em “tandem” com os Estados Unidos; e 5) e atualmente as hegemonias compartilhadas entre EUA, RPC, os grupos geoeconômicos -BRICS...ASEAN...- e...a Índia (?), o país mais populoso do planeta, já a 5ª maior economia, e a passos largos para tornar-se a 3ª até o final deste século, segundo as previsões.
Como sabemos os chineses e os membros do BRICS, entre outros, advogam cada vez mais que as transações entre eles se façam por parâmetros e moedas próprios. Nós, mesmos, já estamos considerando esta hipótese...Neste cenário, ainda haveria espaço para a supremacia inconteste do dólar / EUA (?), sobretudo num planeta tão conturbado???
Licença pouco poética para espezinhar quem merece (com desculpas às almas sensíveis)
Jornalistas diversos e até psiquiatras (que não deveriam comentar sobre a debilidade mental de personagens públicos) já deixaram entender que DJT é um imbecil completo, embora os últimos recorram a um conceito com aparência de credibilidade: ele seria um “narcisista maligno”.
Certamente, mas muitas outras coisas mais, sem qualquer dúvida.
Chefes de Estado, de governo, suas diplomacias não podem obviamente vir a público para dizer exatamente o que pensam do cara mais estúpido que já alcançou à presidência do país mais poderoso do mundo, e não se tem notícia de algum outro dirigente nacional que reúna todos os dados, requisitos e características de ser um imbecil consumado, um idiota confirmado e um estúpido ao mais alto grau possível, ademais de ser um ignorante atestado em cartório. Passo sobre outros traços de um caráter doentio, malévolo, mesquinho e megalomaníaco, que chega a ser assustador para quem trabalha com ele, para ele, ou quem é obrigado a tratar, oficialmente ou socialmente com personagem tão vil e desprezível, repelente para ser mais exato.
Feitas essas considerações objetivas e apoiadas em evidências as mais enfáticas, fico imaginando o dia em que a maioria do povo americano vai, finalmente convencer o GOP que vai ser preciso enviar uma ambulância, com enfermeiros parrudos, dotados de uma camisa de força para levar o desequilibrado dirigente a um asilo de alienados mentais.
Se Machado fosse vivo já teria encontrado o personagem ideal para um follow-up do seu Alienista. Quem sabe algum romancista psiquiatra?
O que 'nova' biografia de Marquês de Pombal revela sobre uma das figuras mais controversas da História do Brasil
CRÉDITO, DOMÍNIO PÚBLICO
Legenda da foto, Pombal deixou sua marca em Portugal e no Brasil — onde, inclusive, nunca pisouArticle Information
Author, Edison Veiga
Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
Figura de destaque nos livros de História do Brasil, o diplomata e estadista Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), conhecido como Marquês de Pombal, deixou marcas no território brasileiro que acabaram moldando a organização do país independente que haveria de se formar.
Marquês de Pombal foi secretário de Estado do reino português entre 1750 e 1777, durante o reinado de dom José 1º (1714-1777).
Ele era adepto do "despotismo esclarecido", a combinação de princípios da monarquia absolutista com o racionalismo iluminista.
Nessa linha, monarcas e seus homens de confiança implementaram reformas como limitações ao poder da Igreja Católica, desenvolvimento de indústrias e aprimoramento do sistema judiciário, mas mantiveram o controle sobre a sociedade, adaptando as ideias iluministas às suas necessidades.
Apesar de controversa, sua gestão com mãos de ferro foi marcante e imprimiu mudanças indeléveis na sociedade lusitana e brasileira — apesar de ele nunca ter pisado no Brasil.
Pombal colecionava admiradores e detratores.
Um de seus grandes críticos contemporâneos, o cardeal dom José Francisco António de Mendonça (1725-1808), patriarca de Lisboa, chegou ao ponto de escrever uma minuciosa biografia — possivelmente a primeira escrita sobre Pombal — feita para circular apenas em um grupo restrito.
Tudo indica que ela foi escrita entre 1777 e 1786.
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Descoberta por dois pesquisadores brasileiros, uma das versões do inédito manuscrito estava guardada na clausura do Mosteiro de São Bento de Salvador.
O texto foi analisado, ganhou referências contextuais e agora saiu em livro: Primeira Biografia do Marquês de Pombal (Bertrand, 2025).
Tudo indica que o autor da biografia não visava à publicação.
"O documento não circulou na época porque visivelmente não foi feito para ser publicado, mas para ir para as mãos exatas. Era um relatório com feitos e fatos com um tom pesadamente negativo em alguns pontos", comenta a paleógrafa Alícia Duhá Lose, professora na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenadora do projeto e do livro.
"Era para ser entregue nas mãos da rainha, do príncipe, dos dirigentes da época, para fazer o linchamento público da imagem do Pombal."
O fato de a obra ter sido escrita pelo patriarca de Lisboa, dom Mendonça, é um fato importante, ressalta Lose: "Não foi escrito por um 'zé ninguém', mas por alguém de grande influência, uma pessoa muito ouvida nas instâncias de poder de Portugal."
O manuscrito com a biografia de Pombal inicialmente pertencia a uma coleção particular no Rio de Janeiro e foi doado pelo então proprietário ao Mosteiro de São Bento de Salvador.
Segundo os pesquisadores, a intenção era que o material fosse melhor guardado e estudado.
Mas o manuscrito ficou arquivado sem que ninguém atentasse para seu valor histórico — até que, em 2010, um princípio de incêndio causado por um desumidificador de ar danificou algumas obras raras.
Especialistas em livros antigos foram chamados para analisar o estrago e trabalharem na recuperação.
Foi quando Lose e o filólogo Rafael Magalhães se depararam com o manuscrito, rubricado apenas como "códice 132", sem título ou autoria.
O material foi pesquisado por Magalhães na iniciação científica, no mestrado e no doutorado. Ao longo dos anos, foram descobertos a autoria, o ineditismo e a relevância histórica do material — além de obras-irmãs.
Lose conta que a Universidade de Coimbra, em Portugal, tem outra versão do documento — "suja", ou seja, com emendas, observações e rasuras, como se fosse o rascunho da versão definitiva.
A Brasiliana, coleção que era do bibliófilo José Mindlin (1914-2010) e hoje fica na Universidade de São Paulo (USP), tem outra cópia, um pouco mais avançada.
E o manuscrito encontrado no Mosteiro de São Bento foi avaliado, pelos pesquisadores, como a obra finalizada.
Nos dez anos de pesquisa, descobriu-se que o texto não foi redigido por uma só pessoa. Muito provavelmente, como era comum naquela época, o cardeal português incumbiu uma equipe de redigir o material, sob sua supervisão.
Lose explica que é possível identificar a "mão da autoridade" — uma caligrafia menos apurada esteticamente mas que sinaliza, na versão primária, as alterações que depois são seguidas nas versões seguintes. Seria a caneta de dom Mendonça.
O historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), comenta que a descoberta, agora publicada em livro, "enriquece o conhecimento e pode elucidar questões pontuais" a respeito de Pombal e do período em que ele esteve no poder.
Martinez não fez parte da equipe responsável pelo livro.
"Chama a atenção para a importância da preservação da documentação histórica e para o incentivo à pesquisa em arquivos brasileiros e portugueses", comenta, acrescentando que as políticas públicas para arquivos e documentação estão "defasadas e sucateadas" no Brasil.
Mais do que curiosidades históricas — como o fato de que, até então, não se sabia o local de nascimento de Pombal, que segundo o livro foi em Sernancelhe, no Douro, em uma família de posses —, a biografia detalha o papel do então secretário de Estado em um momento importante para a Coroa portuguesa e para a formação do Brasil.
Pombal implementou medidas que racionalizaram a administração colonial, transferiu a capital de Salvador para o Rio, criou um departamento real para tratar a questão indígena e determinou a obrigatoriedade do uso do português na vida cotidiana da colônia.
Ao fim do reinado de Dom José 1º, ele passou a acumular tanto poder que muitos o definem, nesta fase, como ditador.
Oponentes do regime passaram a ser perseguidos e presos no Forte de São João da Junqueira, nos arredores de Lisboa.
Quando o rei morreu, em 1777, e assumiu o trono sua herdeira Dona Maria 1º (1734-1816), a Coroa mudou de rumo, instituindo a política que ficaria conhecida como "viradeira": uma verdadeira gestão antipombalina.
Os detratores do Marquês foram soltos e ele acabou se tornando uma carta fora do baralho da nova administração. A nova rainha decidiu abrir um inquérito contra Pombal, acusando-o de abuso de poder, enriquecimento ilícito e diversas outras ilegalidades.
Ele acabou condenado a "castigos corporais" — mas a rainha, por clemência, decidiu comutar a pena para "desterro perpétuo", obrigando-o a ficar longe da corte.
No ostracismo, Pombal passaria o fim da vida na sua propriedade, na província da Beira Litoral.
Mas Martinez destaca que o legado do marquês ultrapassou esta derrocada.
"A política pombalina, que sobreviveu à queda política do próprio Pombal, buscou assegurar a sobrevivência do reino e da monarquia em Portugal, diante da crescente agressividade de potências como França e a Inglaterra", afirma o historiador.
CRÉDITO, ACERVO DA PROFESSORA ALÍCIA DUHÁ LOSE
Legenda da foto, Alícia Duhá Lose com o manuscrito, na versão da Universidade de Coimbra: 'Não foi escrito por um 'zé ninguém', mas por alguém de grande influência'
Luiz Eduardo Oliveira, coordenador da cátedra Marquês de Pombal na Universidade Federal de Sergipe (UFS), chama a atenção também para a "influência decisiva" do português no que "viria a ser o Estado brasileiro".
"Ele foi o primeiro a projetar a colônia como um espaço único, homogêneo e rentável, antecipando em parte o que depois seria a estrutura do Estado imperial brasileiro."
Ao mesmo tempo, a gestão de Pombal tornou a sociedade colonial no Brasil "mais lusitana", diz Martinez — por exemplo, com a expansão de órgãos administrativos e da presença militar, além de pesquisas, já baseadas na ciência moderna, sobre as potencialidades do território e da força de trabalho.
"Novas áreas de expansão foram abertas, como a lavoura canavieira em São Paulo, posteriormente sucedida pela cafeicultura", ressalta.
Para o pesquisador Paulo Rezzutti, autor de diversos livros de História do Brasil, a marca de Pombal foi impor uma "centralização do poder" que perdura até hoje.
"Na contemporaneidade você tem mais ou menos isso como legado: o governo federal influencia as demais partes da federação, os Estados federados que compõem o Brasil".
Outra semelhança com os tempos atuais é a "polarização" causada por Pombal, segundo os pesquisadores que descobriram o manuscrito.
"Uma das principais descobertas que fiz [durante meus estudos] é que, se uma pessoa procurar bem, encontrará alguém que falará exatamente o oposto daquilo que essa pessoa sabe ou acredita saber sobre Pombal", afirma Magalhães.
Afinal, o que o Marquês de Pombal fez para ser tão controverso?
'Quinto dos infernos'
CRÉDITO, DOMÍNIO PÚBLICO
Legenda da foto, Retrato de Pombal feito em 1766; marquês teve influência mesmo depois de sua derrocada, aponta especialista
Magalhães aponta que as "reformas pombalinas" buscaram otimizar a máquina estatal portuguesa — e, para o Brasil, isso significava ter que ser uma colônia mais produtiva em benefício da Coroa.
"Isso implicava necessariamente ir contra os interesses de quem estava se beneficiando com o estado anterior das coisas. E essa é uma das principais causas de divisões entre adoradores e detratores de Pombal", explica o filólogo.
Essa decisão, no futuro, contribuiria para o protagonismo econômico da região brasileira que viria a ser conhecida como Sudeste.
Martinez explica que a transferência foi implementada em um contexto em que a mineração crescia em importância econômica — e, com isso, a necessidade de maior controle militar, combate ao contrabando e fiscalização para arrecadação de impostos.
"Daí a abertura de novas estradas, trajetos obrigatórios e postos de vigilância nas vias de acesso e de circulação no interior de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro", exemplifica.
Rezzutti ratifica a importância do Rio nesse contexto.
"Colocar a administração no Rio fortalecia o estabelecimento de cidades e povoações mais ao sul, justamente a área de conflito maior com a fronteira com a América Espanhola", pontua o pesquisador.
"Também facilitava escoar a principal riqueza do Brasil, na época, que era o ouro e as pedras preciosas, ao levar a administração do Brasil para próximo dessa riqueza."
A arrecadação de impostos também foi aprimorada.
Antes de circular, o ouro minerado precisava passar por um reconhecimento governamental. Então, ele era fundido e 20% do total — um quinto — já acabava automaticamente retido com a cobrança de impostos.
Era o chamado "quinto dos infernos", na expressão popular.
A cobrança da taxa fiscal já existia desde o século 16, mas a logística se tornou mais eficiente na segunda metade do século 18 — tudo para evitar sonegação e contrabandos.
"Pombal não criou o sistema, mas ele reforçou", ressalta Rezzutti.
Segundo Martinez, o controle da circulação de mercadores, pessoas, traficantes de escravos, roceiros e artesãos completavam "o cerco" ao contrabando de minérios.
Repressão a línguas indígenas
Outra decisão bombástica de Pombal foi expulsar a Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, do reino português.
A justificativa tinha como pano de fundo a ideia iluminista de separação entre Igreja e Estado, mas, na prática, também havia o objetivo de diminuir o poder dos católicos na colônia.
No início da colonização, esses religiosos tiveram papel preponderante.
Missionários desde a primeira leva, os jesuítasdominavam idiomas indígenas e acabaram controlando o trato europeu junto a estes povos.
A pretexto de catequese e uma suposta proteção, acabaram tendo a tutela inclusive sobre a mão de obra dessas pessoas.
Com a expulsão dos jesuítas, Pombal criou o chamado Diretório dos Índios, para suprir essa lacuna.
O órgão promoveu o incentivo ao comércio entre nativos e colonos, além do casamento entre indígenas e brancos.
Esse tipo de "integração", muitas vezes forçada, acabou contribuindo para o extermínio de alguns povos e culturas.
"Com isso, as terras indígenas passaram a ser mais facilmente adentradas pelos brancos", explica Rezzutti.
"De certa forma, esse cenário criado por Pombal vai desaguar nos problemas que temos hoje com questões de terras indígenas."
A escravização dos indígenas também passou a ser proibida.
"Essa integração tem um verniz iluminista: era algo como 'civilizar o selvagem'. Ao mesmo tempo, tirava-se da mão dos fazendeiros os escravizados indígenas", diz Rezzutti.
"Esses indígenas vão trabalhar para o Estado português, como assalariados, mas não deixavam de ter de trabalhar para o europeu. Eles serão mão de obra essencial para a retirada dos produtos coloniais levados para a Europa."
Oliveira pontua que, com o discurso de "civilizar" e "integrar" os povos indígenas, o Diretório dos Índios acabou suprimindo as estruturas comunitárias dos povos nativos.
"O casamento misto foi estimulado como forma de 'miscigenação civilizadora', mas acabou resultando em etnocídio e na destruição de muitos povos, pois os brancos passaram a habitar as antigas aldeias, agora alçadas a vilas", diz o professor.
"O Diretório revela um paradoxo pombalino: um discurso iluminista de 'inclusão' mascarando uma prática colonial de dominação."
Na mesma toada de fortalecer o controle português, Pombal proibiu o uso de línguas indígenas na colônia.
Na época, a chamada língua geral, uma evolução do tupi antigo, era a mais praticada no território.
Essa medida acabou fazendo com que o Brasil deixasse de ser, ao menos na esfera oficial, um país multilíngue — o que levou ao desaparecimento de centenas de idiomas nativos.
CRÉDITO, ACERVO DA PROFESSORA ALICIA DUHÁ LOSE
Legenda da foto, O filólogo Rafael Magalhães e uma pesquisadora portuguesa manuseando o manuscrito encontrado em Salvador, em foto de 2018
Filólogos contemporâneos acreditam que havia mais de mil línguas faladas no território há 500 anos — hoje, restam menos de 200.
A expulsão dos jesuítas teve como efeito colateral uma lacuna educacional — nas palavras de Rezzutti, houve "descontinuidade na educação", já que os colégios que havia então eram mantidos pelos religiosos da Companhia de Jesus e foram desativados em 1759.
Alguns deles voltaram a funcionar a partir do século seguinte — os primeiros jesuítas a retornarem ao Brasil chegaram em 1841.
No mesmo ano que Pombal determinou a expulsão dos jesuítas no Reino, a Coroa criou um instrumento chamado Aulas Régias. Foi o primeiro modelo a sistematizar um ensino laico em Portugal — e, por extensão, em suas colônias.
Em 1759, foi nomeado um diretor de estudos na Bahia, mas os primeiros concursos para professores só ocorreram em 1760 no Rio de Janeiro e no Recife. A primeira nomeação, apenas cinco anos mais tarde.
Ao trocar a roda do carro de bois com o veículo em movimento, foi inevitável que houvesse uma lacuna sem aulas formais na colônia. Além disso, o sistema de ensino capilarizado outrora comandado pelos religiosos se perdeu.
Mesmo diante de uma figura histórica que trouxe tantos impactos para o Brasil e para Portugal, Martinez afirma que as pesquisas contemporâneas têm acalmado os ânimos nas opiniões sobre Pombal.
"O desenvolvimento da pesquisa histórica, o debate e o conhecimento apurado da época, do Estado colonial e da monarquia portuguesa têm ampliado as perspectivas de análise e de interpretação dos significados do pombalismo e da figura do próprio Pombal. Há menos maniqueísmo e menor monocausalidade nos argumentos históricos."
Madame IA, provocada por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, sempre atento a minhas provocações, se mete, a pedido dele, a querer contrariar meus argumentos sobre os países supostamente democráticos que apoiam objetivamente um criminoso de guerra — procurado pelo TPI com um mandado de arresto por sequestro de crianças ucranianas — em seu morticínio diário contra o povo ucraniano.
Não vou aceitar as tergiversações de Madame IA em defesa de posições indefensáveis, inclusive porque tende a coonestar os crimes bárbaros que são perpetrados diariamente. Não, desta vez ela está errada, e temos amplas evidências de que ela tenta “passar pano“ para os bárbaros. PRA
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"Existem poucas democracias liberais no mundo, talvez menos de 1/4 dos países membros da ONU. Essas poucas democracias liberais apoiam, como podem, a Ucrânia, em sua resistência à invasão criminosa e ilegal da Rússia, por meios financeiros, militares, sanções contra o agressor, mediação diplomática, etc. Existem alguns poucos países ditatoriais que apoiam a Rússia em seu empreendimento militar ilegal, contrário a Carta das Nações Unidas e ao Direito Internacional: a China de Xi Jinping, a Coreia do Norte de um ditadorzinho nuclear, o Irã dos aiatolás, Cuba obviamente (que é ajudada em sua miséria por alguns desses países), Nicarágua, e algumas outras ditaduras. Algumas democracias também parecem indiferentes, mas na verdade apoiam objetivamente a potência agressora: a Índia, o Brasil, a África do Sul, entre outros, nenhuma delas uma democracia liberal. Na própria União Europeia existem os apoiadores de Putin, o que pode parecer estranho. Mas estranho mesmo é o caso do Brasil, embora seja possível, ou necessário, distinguir entre a diplomacia profissional, a política externa do governo Lula e as pressões dos partidos ditos de esquerda, que não escondem, esses últimos, o apoio ao agressor. Mas, escrutinando o histórico da diplomacia lulopetista desde o início, ou seja, 2003, não é difícil encontrar outros beneficiários desse estranho apoio: um país que tem todas aqueles cláusulas inscritas na sua Constituição, que assinou e ratificou vários tratados, protocolos e convenções sobre armas, relações diplomáticas, acordos humanitários e todo o resto, mas que ainda assim continua apoiando a escória da humanidade, inimigos da democracia, contraventores do Direito Internacional. Talvez não seja estranho, e sim a natureza protototalitária do PT e de seus líderes e militantes.".
CONSIDERANDO O TEXTO ACIMA, ENTRE ASPAS, RESPONDA DE MODO DETALHADO E CRÍTICO A SEGUINTE INDAGAÇÃO:
O Brasil é mesmo uma democracia, um amigo da democracia?
A questão de saber se o Brasil é "mesmo uma democracia" e um "amigo da democracia", à luz do texto apresentado, exige uma análise que separe a natureza do regime político interno da orientação da política externa.
Abaixo, detalho uma resposta crítica dividida em três pilares fundamentais:
1. A Natureza da Democracia Brasileira (Interna vs. Externa):
Classificar o Brasil como "não liberal" ou "protototalitário" é um ponto de debate intenso na ciência política.
- Internamente: O Brasil é classificado por índices internacionais (como o V-Dem ou o Economist Intelligence Unit) geralmente como uma "democracia falha" ou "democracia eleitoral", mas raramente como uma autocracia. Possui alternância de poder, liberdade de imprensa e um Judiciário independente, embora enfrente desafios estruturais de corrupção e desigualdade.
- Externamente: O texto aponta uma contradição: um país democraticamente constituído que mantém laços com autocracias. Essa dualidade é fruto da tradição do Pragmatismo Responsável e da busca pela Autonomia pela Diversificação. Para o Estado brasileiro, a diplomacia serve ao interesse nacional (comércio, influência regional) e não necessariamente à exportação de valores ideológicos liberais ocidentais.
2. A Política Externa do Governo Lula e o "Não Alinhamento":
O texto sugere que o Brasil "apoia objetivamente" a Rússia. Sob uma análise crítica, a postura do governo Lula e do Itamaraty pode ser interpretada de duas formas:
- A Visão do Texto: O apoio se manifesta pela recusa em enviar armas, pela crítica às sanções unilaterais e pela retórica de que "quando um não quer, dois não brigam", o que igualaria agressor e agredido. Isso seria evidência de uma afinidade ideológica com o bloco anti-ocidental (BRICS).
- A Visão Diplomática: O Brasil adota a "Neutralidade Ativa". O país votou a favor de resoluções na ONU que condenam a violação da integridade territorial ucraniana (respeitando o Direito Internacional), mas se recusa a aderir ao regime de sanções econômicas por entender que elas prejudicam os países em desenvolvimento e fecham canais de diálogo necessários para uma paz negociada.
3. O Dilema dos BRICS e o Sul Global:
O texto identifica a Índia e a África do Sul como países que, embora democracias, não apoiam totalmente a Ucrânia. Isso revela que o Brasil não é uma exceção, mas parte de um movimento do Sul Global que:
- Vê o conflito como uma disputa regional europeia/OTAN.
- Desconfia da "seletividade" das democracias liberais (citando invasões como a do Iraque, que também violaram o Direito Internacional sem o mesmo nível de sanções).
- Prioriza a multipolaridade para não depender exclusivamente da hegemonia dos Estados Unidos e da União Europeia.
* Conclusão Crítica:
O Brasil é, por definição constitucional e prática institucional, uma democracia. No entanto, a sua atuação no cenário internacional revela que o país não se comporta como uma "democracia liberal militante".
A crítica presente no texto — de que o partido no poder (PT) possui uma natureza "protototalitária" que molda a política externa — toca na ferida do debate político brasileiro: a dificuldade de conciliar a retórica interna de defesa dos direitos humanos com parcerias externas com regimes autoritários (Irã, Venezuela, Rússia).
Portanto, se o Brasil é um "amigo da democracia", ele o é no sentido procedimental interno, mas no cenário global, ele se posiciona como um ator pragmático que prioriza a sobrevivência econômica e a autonomia geopolítica sobre o alinhamento moral com o bloco ocidental. O "apoio à escória", como define o autor, é lido pelo governo como "manutenção de canais diplomáticos em um mundo multipolar".
Os pronunciamentos de Trump e da nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, após o sequestro de Nicolás Maduro, contêm indícios de uma humilhante capitulação do bolivarianismo venezuelano à pirataria política do presidente dos Estados Unidos. Em troca do domínio sobre o petróleo venezuelano, Trump não interferiria na estrutura de poder montada pelo chavismo, agora dirigida pela presidente encarregada. Ao menos por enquanto, o prepotente presidente estadunidense estaria satisfeito com a implantação de uma espécie de protetorado bolivariano.
Ou seja, os herdeiros de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro permaneceriam no poder sob a tutela de Washington, de modo que, como anunciado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, as decisões da presidente Delcy estariam — e continuariam estando — sob orientação direta dos Estados Unidos. Trump tem repetido que os EUA governarão o país e tomarão conta das reservas de petróleo venezuelanas, e já estaria convidando empresas petrolíferas norte-americanas para explorar o petróleo da Venezuela.
Ao mesmo tempo, o secretário de Energia afirmou, esta semana, que os Estados Unidos controlarão indefinidamente a venda de petróleo e que pretendem adquirir entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo cru venezuelano. “Este petróleo — disse Trump — será vendido a preço de mercado, e o dinheiro será controlado por mim, como presidente dos EUA, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos.” Além disso, os recursos provenientes da venda só poderiam ser utilizados para a compra de produtos norte-americanos.
Como os Estados Unidos pretendem tomar conta da Venezuela e de seu petróleo sem o envio de tropas ao território para ocupar os principais centros de poder do país? Apenas no grito, por meio do cerco econômico? Ou através de um grande acordo com os novos ditadores bolivarianos? O que Trump anuncia seria mais um blefe do megalomaníaco presidente ou, de fato, a Venezuela caminha para se tornar um protetorado dos Estados Unidos?
Esse acordo parece ganhar verossimilhança quando os herdeiros de Maduro no poder, apesar das bravatas nacionalistas — “não há agente externo que governe a Venezuela”, afirmou a presidente — não refutaram as declarações do governo estadunidense e chegaram a confirmar a venda de milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. A presidente Delcy Rodríguez manifestou ainda a intenção de “trabalhar conjuntamente com os Estados Unidos”, o mesmo país que atacou a Venezuela, sequestrou seu presidente e deixou mais de cem mortos.
Uma invasão direta da Venezuela para implantar um poder externo reacenderia o anti-imperialismo na América Latina e conduziria os Estados Unidos a um atoleiro político e militar semelhante a outras experiências desastrosas de ocupação, além de provocar elevado desgaste político-eleitoral para Trump nas eleições de meio termo.
Por outro lado, um eventual acordo da ditadura venezuelana com Trump, nos termos por ele anunciados, tende a provocar uma fissura profunda entre os dirigentes bolivarianos, além de intensificar a repressão interna para conter protestos e resistências. É difícil imaginar que o bolivarianismo difundido pela propaganda chavista ao longo de anos aceite, sem maiores rupturas, uma dominação tão humilhante por parte do arqui-inimigo agora comandado por Trump.
Também não parece plausível que milhares de militares comprometidos com a ditadura de Maduro, ocupando postos-chave na economia, renunciem a tudo para se submeter à força dos Estados Unidos. O futuro da Venezuela torna-se cada vez mais incerto, e uma explosão de violência não é improvável. O retorno à democracia não se encontra no horizonte e tampouco integra os planos de Trump para o protetorado que pretende implantar no país latino-americano.