segunda-feira, 6 de abril de 2026

Um mineiro que retorna: Resenha de: Seis Gigantes que Retornam e outros estudos por Bolívar Lamounier (SIMON SCHWARTZMAN)

Um mineiro que retorna

Resenha de:
Seis Gigantes que Retornam e outros estudos
Bolívar Lamounier (Edicon, São Paulo, 2025)

SIMON SCHWARTZMAN
ABR 5

Seis Gigantes que Retornam e outros estudos, de Bolívar Lamounier (Edicon, 2025), não deve ser lido como uma apresentação erudita de clássicos das ciências sociais, e sim como uma coleção de pistas sobre as ideias e contribuições do autor para o debate político brasileiro ao longo de sua carreira. A parte mais substancial é um belo ensaio sobre Minas Gerais no período colonial, que não aparece no título, mas revela não só as origens do autor como também sua interpretação sobre as características do Estado e do sistema político brasileiro, objetos de suas preocupações. Nascido em Dores do Indaiá, no interior do estado, Lamounier estuda sociologia e política em Belo Horizonte no início dos anos 1960, vai para Los Angeles para seus estudos de doutorado, interrompidos por uma prisão pela ditadura militar em uma visita a Belo Horizonte, e escreve uma tese sobre as ideologias políticas autoritárias que vicejavam no Brasil. De volta, organiza os cursos de pós-graduação em Ciência Política e Sociologia do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e depois se muda para São Paulo para trabalhar com Fernando Henrique Cardoso no Centro Brasileiro de Planejamento — CEBRAP. Acompanha de perto as eleições dos anos 1970 e 1980 e, em 1985, integra a Comissão Afonso Arinos, que preparou o anteprojeto da Constituição brasileira. Desde então, pesquisa, escreve e participa ativamente dos debates sobre a consolidação e funcionamento da democracia brasileira.

No ensaio sobre Minas Gerais, Lamounier descreve o processo tumultuado de ocupação da região para a exploração do ouro no século XVIII, com a população que chegava para trabalhar nas minas, o esforço cada vez maior do Estado português para controlar a riqueza que se produzia, e as tensões e conflitos que surgiam não só entre a administração portuguesa e os mineradores, mas também entre estes e os escravizados e libertos que vinham de toda parte e faziam o trabalho pesado. O que sobrou no século XIX, quando o ciclo do ouro se encerrou? Nem uma economia de subsistência e pobreza extrema, nem uma sociedade tradicional de tipo feudal, mas uma sociedade complexa e viva, apoiada sobretudo na agricultura e na pecuária, combinando uma elite rural empobrecida com trabalhadores escravizados e libertos vivendo nas fazendas e aldeias que haviam sobrevivido ao ciclo do ouro.

Um dos “gigantes” da primeira parte do livro, Victor Nunes Leal, dá a chave principal para entender Minas Gerais a partir do século XIX, na figura do “coronel”. Ele não é simplesmente um chefe local, mas um ponto de contato e transição entre a sociedade rural e o Estado que, aos poucos, vai crescendo de importância, não só na capital, no Rio de Janeiro, mas também nos governos provinciais, que se afirmam sobretudo com a inauguração de Belo Horizonte, em 1897. O coronel manda seus filhos estudar nas cidades, vai à capital negociar cargos e simboliza, não a força do atraso, mas o enfraquecimento do poder privado ante um país que se moderniza. Outro gigante, Celso Furtado, é louvado pela contribuição decisiva que deu à constituição da moderna história econômica do Brasil e à reflexão sobre os caminhos do desenvolvimento econômico, mas é criticado pela ênfase quase exclusiva que atribuía à industrialização, sem perceber a vitalidade existente também no meio rural. O terceiro dos brasileiros, Sérgio Buarque de Holanda, é visto sobretudo de forma negativa, ao interpretar a cultura brasileira como avessa à racionalidade e à modernização, sem perceber o dinamismo e a racionalidade que também ocorriam de outras formas.

Dos três “gigantes” da literatura internacional, o mais importante para Lamounier é o espanhol Juan Linz, um dos fundadores dos modernos estudos de sistemas políticos comparados dos anos 1970 e 1980, acompanhando os processos de democratização que ocorriam em tantos países naqueles anos, inclusive no Brasil. Os estudos pareciam indicar que os regimes parlamentaristas tinham mais chance de dar certo do que os presidencialistas, e Lamounier também defendeu essas ideias para o Brasil naqueles anos. O segundo, Mancur Olson, entra somente pelo axioma central de sua obra: o de que indivíduos racionais não agem espontaneamente para promover o interesse comum quando os benefícios são públicos. No papel, democracias são regimes governados pelo povo, mas, na prática, elas dependem de elites que se mobilizam para o bem ou para o mal. Regimes democráticos efetivos são aqueles que conseguem administrar sem violência a pluralidade de interesses da sociedade e fazer com que os interesses das elites coincidam com os interesses comuns.

Mas como conseguir esse milagre? Aí entraria o primeiro da série dos gigantes, Max Weber. Weber deixou uma obra enorme, difícil e inacabada, e é natural que diferentes leitores enfatizem coisas distintas. Em seu texto, Lamounier fala de suas conhecidas contribuições sobre tipos ideais de dominação política, os textos famosos sobre ciência e política como vocação e a relação entre a religião protestante e o capitalismo. Mas a ênfase é a interpretação das escolhas políticas que Weber fez nos anos confusos da Alemanha da década de 1910, baseada no livro de Wolfgang Mommsen de 1959, publicado em inglês em 1984 (Mommsen, 1984). Por esta interpretação — questionada depois por muitos outros autores, abrindo uma discussão que perdura e não vem ao caso aqui —, Weber professava valores nacionalistas e elitistas que o tornariam um “proto-nazista”, salvo por ter morrido em 1920. Com isto, Lamounier, na prática, descarta Weber como mais um representante do pensamento autoritário que ele tanto repudia — e, ao fazê-lo, deixa de lado o que me parece ser a contribuição mais importante e duradoura de Weber: sua análise da dinâmica das hierarquias de classe, status e poder, e a transformação histórica das formas de dominação — da autoridade tradicional e carismática para a dominação racional-legal — como o processo estrutural que define a modernidade política. Foi essa interpretação que utilizei quando trabalhei em meu livro sobre as bases do autoritarismo brasileiro (Schwartzman, 1975; 1982).

* * *

Aproveito o espaço que não teria em um artigo de jornal para uma pequena digressão sobre a herança intelectual de Max Weber (com a ajuda de Claude).

Existem pelo menos três linhas principais de interpretação de suas ideias.

A primeira, mais antiga, adotada tanto por Sérgio Buarque de Holanda quanto por Raimundo Faoro, é de Weber como sociólogo da cultura, tanto das sociedades capitalistas quanto das sociedades e religiões tradicionais, como no tema do patrimonialismo. É possível que a fonte desta interpretação sejam os trabalhos de Talcott Parsons, responsável pela edição inglesa de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de 1930 (Parsons, 1930) — embora Buarque de Holanda tenha vivido na Alemanha nessa época e lido os escritos de Weber no original, e Faoro tenha tido como fonte principal a tradução espanhola de José Medina Echavarría, publicada no México em 1944 (Weber, 1944).

A segunda é a de Weber como analista dos sistemas burocráticos modernos, que aparece nos escritos de Alberto Guerreiro Ramos a partir da década de 1950, também pela leitura da edição mexicana (Guerreiro Ramos, 1966).

A terceira — a que mais me interessa — é a de Weber como pioneiro da análise comparada dos sistemas políticos, tendo como referência principal os ensaios traduzidos e publicados em inglês por H. H. Gerth e C. Wright Mills, considerados à esquerda a sociologia norte-americana, em 1946 (Gerth e Mills, 1946). Esta linha foi desenvolvida sobretudo por Reinhard Bendix, autor de uma grande síntese da obra de Weber (Max Weber: An Intellectual Portrait, 1960) e de Nation Building and Citizenship (1964), onde, incorporando também as ideias do liberal inglês T. H. Marshall sobre cidadania (Marshall, 1950), mostra que a construção do Estado nacional moderno não é um fenômeno uniforme nem linear, mas um processo de extensão gradual — e sempre conflituosa — da autoridade central sobre territórios e populações que antes viviam sob lealdades particularistas, senhoriais ou comunitárias. O que está em jogo, nessa perspectiva, é a questão de como a legitimidade se desloca: de vínculos pessoais e tradicionais para normas impessoais e institucionais, e de como, nesse processo, emergem — ou não — os direitos de cidadania como contraparte da submissão ao Estado. É aí, nestes processos, e não nas interpretações essencialistas de Buarque de Holanda e Raimundo Faoro, que estão as chaves para entender o percurso complicado e inacabado de construção do Estado e da sociedade brasileira — e de todas as demais —, como se vê no próprio ensaio de Lamounier sobre Minas Gerais.

Referências

Bendix, Reinhard. Max Weber: An Intellectual Portrait. New York: Doubleday, 1960. [Edição brasileira: Max Weber: um perfil intelectual. Brasília: Editora UnB, 1986.]

Bendix, Reinhard. Nation Building and Citizenship: Studies of Our Changing Social Order. New York: Wiley, 1964. [Edição ampliada: Berkeley: University of California Press, 1977.]

Faoro, Raimundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre: Editora Globo, 1958. [2ª ed. ampliada, 2 vols. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1975.]

Gerth, H. H. e Mills, C. Wright (orgs. e trads.). From Max Weber: Essays in Sociology. New York: Oxford University Press, 1946.

Guerreiro Ramos, Alberto. Administração e Estratégia do Desenvolvimento: elementos de uma sociologia especial da administração. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1966.

Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936.

Lamounier, Bolívar. Seis Gigantes que Retornam e outros estudos. São Paulo: Edicon, 2025.

Leal, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1948.

Marshall, T. H. Citizenship and Social Class, and Other Essays. Cambridge: Cambridge University Press, 1950. [Edição brasileira: Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.]

Medina Echavarría, José (trad.). Economía y Sociedad: esbozo de sociología comprensiva, de Max Weber. México: Fondo de Cultura Económica, 1944.

Mommsen, Wolfgang J. Max Weber and German Politics, 1890–1920. Chicago: University of Chicago Press, 1984. [Original alemão: Max Weber und die deutsche Politik, 1890–1920. Tübingen: Mohr, 1959.]

Olson, Mancur. The Logic of Collective Action: Public Goods and the Theory of Groups. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1965.

Parsons, Talcott (trad.). The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, de Max Weber. London: Allen & Unwin, 1930.

Schwartzman, Simon. São Paulo e o Estado Nacional. São Paulo: Difel, 1975.

Schwartzman, Simon. Bases do Autoritarismo Brasileiro. Rio de Janeiro: Campus, 1982. [4ª ed. revista: Rio de Janeiro: Publit, 2007.]

Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Original alemão publicado em Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, 1904–1905. Publicado em livro: Tübingen: Mohr, 1920.

Weber, Max. Wirtschaft und Gesellschaft: Grundriss der verstehenden Soziologie. Tübingen: Mohr, 1922. [Edição espanhola: Economía y Sociedad, trad. José Medina Echavarría et al. México: FCE, 1944. Edição inglesa: Economy and Society, ed. Guenther Roth e Claus Wittich. Berkeley: University of California Press, 1978.]

A Noruega ficoui rica demais para se preocupar em ficar não mais rica, mas mais eficiente? - The Economist

 A Noruega já era rica antes de se tornar imensamente rica, com o petróleo. Parece que está tratado de construir uma riqueza pós-petróleo...


... mais de 70% dos trabalhadores não qualificados do setor de serviços (como baristas e atendentes de call center) nascidos na Noruega possuem mestrado...

THE ECONOMIST
05abr26

É possível um país ficar rico demais?

A Noruega mostra os potenciais perigos de uma prosperidade incomum
The Economist

A homenagem da Noruega a Edvard Munch, o pintor mais famoso da Escandinávia, é uma impressionante estrutura de 13 andares feita de alumínio e vidro reciclados, construída na orla do porto de Oslo. Concluída em 2021, ao custo de US$ 350 milhões, sua obra foi ainda mais impressionantemente
atrasada (em uma década) e com um estouro de orçamento (de US$ 200 milhões). Erguendo-se acima da densa névoa que cobre o mar em uma tarde de inverno, o museu encapsula o país que o financiou: sofisticado e tão rico que dinheiro não é problema.

O petróleo norueguês construiu uma economia que é a inveja de outros países ricos, para não mencionar os pobres. O PIB per capita é de impressionantes US$ 90 mil, ficando atrás apenas de cidades-Estado, paraísos fiscais e da Suíça. Desde 1991, o governo acumulou um fundo soberano no valor de US$ 2,2 trilhões, ou US$ 400 mil para cada um dos 5,6 milhões de habitantes da Noruega. Os rendimentos sustentam um dos estados de bem-estar social mais generosos do mundo.

No entanto, nem todos os noruegueses estão satisfeitos com isso. Em 2025, o livro de não ficção mais vendido no país foi O País que Ficou Rico Demais, uma crítica ao modelo econômico escrita por Martin Bech Holte, economista e ex-consultor da McKinsey. Bech Holte captou um sentimento emergente. Nas eleições de setembro passado, o partido Progresso, de centro-direita, que argumentou que a Noruega “joga mais dinheiro nos problemas” e precisa parar, foi o partido que mais ganhou terreno. A preocupação é que a riqueza da Noruega esteja distorcendo o comportamento de todos, desde políticos a trabalhadores de escritório e estudantes. Confiantes em receber generosos auxílios, poucos se preocupam o suficiente com o futuro. Será que a riqueza de um país pode comprometer suas perspectivas?

Com os lucros inesperados do petróleo e os retornos dos investimentos, que dobraram o tamanho do fundo soberano na última década, os políticos noruegueses tornaram-se perdulários, acredita Bech Holte. Embora o fundo invista apenas no exterior, para evitar prejudicar o setor privado nacional, ele canaliza dinheiro de volta para o governo, que o utiliza para cobrir a diferença entre gastos e impostos. Em 2008, esse pagamento foi de modestos 36 bilhões de coroas norueguesas (US$ 6,4 bilhões na época), ou menos de 5% das despesas. Em 2025, 414 bilhões de coroas norueguesas (US$ 40 bilhões), um quinto dos gastos, vieram do fundo petrolífero.

Isso está tendo consequências perversas. Os políticos podem adiar decisões difíceis. Os eleitores veem poucos motivos para moderar as demandas por mais gastos. Considere a saúde, a maior despesa do governo. Em média, os serviços médicos custam 30% a mais na Noruega do que na União Europeia.

Mas por que reformar hospitais quando se pode simplesmente investir mais dinheiro no problema? A Dinamarca, que gasta quase o mesmo por pessoa que a Noruega, reduziu o tempo de espera para cirurgias de rotina duas vezes mais rápido que seu vizinho do norte.

Poucos parlamentares se preocupam em avaliar os benefícios e custos econômicos de suas propostas, lamenta um deles. Essa é uma fraqueza em outros lugares, mas a Noruega parece especialmente propensa a ela. Assim como no caso do Museu Munch, as reformas do prédio do parlamento em Oslo levaram quatro anos, em vez de um, e custaram seis vezes mais do que o previsto. Em 2023, o governo destinou 250 bilhões de coroas norueguesas (US$ 25,25 bilhões), metade da arrecadação de impostos sobre o trabalho e o capital, para ajuda externa e para instituições de caridade nacionais. Esse é um preço alto a se pagar para conquistar boa vontade no exterior e aliviar a culpa climática interna. No Reino Unido, esse valor é inferior a 10% dos impostos sobre o trabalho e o capital.

Os cidadãos noruegueses não são menos perdulários que seus
representantes. A dívida média das famílias é de 250% da renda anual, a mais alta da Europa. Quando se pode contar com a riqueza nacional para socorrer, a necessidade de poupar para tempos difíceis parece menos urgente.

Assim como a necessidade de gerar renda. Quase um em cada dez noruegueses na faixa dos 20 anos está desempregado, em comparação com um em cada 20 dinamarqueses. A taxa de evasão escolar no ensino médio e na universidade na Noruega está entre as mais altas da Europa. O sistema de ensino superior oferece quantos diplomas o estudante desejar, gratuitamente, além de generosos empréstimos estudantis. Isso incentiva as pessoas a adiarem seus cursos, mudarem de área e prolongarem seus estudos.

Consequentemente, a população é altamente qualificada: mais de 70% dos trabalhadores não qualificados do setor de serviços (como baristas e atendentes de call center) nascidos na Noruega possuem mestrado. Pessoas de origem imigrante ocupam 100 mil vagas de pesquisa em ciência, tecnologia e engenharia, metade do total. Outras 100 mil vagas precisarão ser preenchidas até 2030.

Esse hedonismo financeiro já está prejudicando a economia. O Banco Central reluta em aumentar as taxas de juros diante do alto endividamento das famílias, o que enfraqueceu a coroa norueguesa e afastou investidores estrangeiros. A produtividade dos trabalhadores parou de crescer. Os salários reais estão começando a cair.

Poderíamos argumentar que nada disso importa, desde que o país consiga prover para a população atual e as gerações futuras. O PIB importa, politicamente falando, porque é uma forma de garantir o bem-estar dos cidadãos: diretamente, por meio do trabalho remunerado, e indiretamente, por meio de auxílios financiados por impostos. Em teoria, esse bem-estar pode ser financiado com rendas, e não com produção. Enquanto a riqueza nacional crescer mais rápido do que os gastos do governo, isso pode continuar indefinidamente.

Esse tem sido o caso na Noruega. Embora o Tesouro tenha extraído dez vezes mais dinheiro de sua principal fonte de renda em 2025 do que em 2008, essa parcela representava uma parcela menor da avaliação total do fundo. Enquanto os retornos anuais (ajustados pela inflação) ultrapassarem 6%, o governo poderá reduzir a arrecadação de impostos e aumentar os gastos no ritmo atual, mesmo depois que seus poços de petróleo se esgotarem, o que poderá acontecer em 50 anos.

Doença norueguesa
Essa visão é complacente por dois motivos. Primeiro, na prática, a menos que a inteligência artificial impulsione drasticamente a produtividade global, retornos de 6% podem se mostrar inatingíveis. Segundo, e mais importante, uma economia próspera beneficia as sociedades de maneiras que vão além da subsistência. Os políticos são mais responsabilizados se tiverem de pedir dinheiro aos eleitores por meio de impostos. Investidores estrangeiros trazem novos conhecimentos. Muitas pessoas encontram satisfação no trabalho. Tudo isso contribui para o florescimento humano. Ninguém deveria invejar a riqueza da Noruega - exceto, se forem sábios, os próprios noruegueses.


domingo, 5 de abril de 2026

Madame IA e a Ciência - via Airton Dirceu Lemmertz

Grato a Airton Dirceu Lemmertz por me remeter material sempre útil:
Sérgio Sacani em um novo podcast ("Além Da Ciência"): https://www.youtube.com/watch?v=RmbtafUwhEA (https://www.youtube.com/watch?v=TXdCjjY6nv8)
- Abaixo, uma lista de vídeos onde Sacani analisa a resposta dada pela IA (inteligência artificial). A maioria das questões é ligada à ciência. Confira:
Computadores quânticos analisando o Universo: https://www.youtube.com/watch?v=zi16FVn2QzU
Cometa, asteróide, meteorito: quais as diferenças? https://www.youtube.com/watch?v=Aax3-IEzeIE
Na equação final do número de empregos, a IA tende a criar mais desempregados (de funções já existentes) do que a criar mais empregos (de novas funções laborais). Assim, indaga-se: a renda mínima (talvez até universal) seria a solução? https://www.youtube.com/watch?v=FcJmlHt638w
A sombra de um buraco negro: https://www.youtube.com/watch?v=dK5vjEm3k5Y
Física: relatividade x quântica. https://www.youtube.com/watch?v=oWuliKKV3Hc
Há cinco anos, IA pilotou veículo em Marte: https://www.youtube.com/watch?v=m_Cn0yNp3so
O Palmeiras tem Mundial [de Clubes de Futebol]? https://www.youtube.com/watch?v=ts6Q-1CF2Ro
Uma explicação extremamente simples: como uma IA funciona? https://www.youtube.com/watch?v=7GoQDHpOyT0 (https://www.youtube.com/watch?v=PkUGuroPWZ4)
O ambiente acadêmico (Universidades) é o meio 'mais tóxico' (de relações interpessoais) que existe! https://www.youtube.com/watch?v=96GdNRVYt38
Nikola Tesla x Thomas Edson: https://www.youtube.com/watch?v=tFFjAOsfogI
Qual a teoria mais complexa de Einstein? https://www.youtube.com/watch?v=AXwbm7hlOzE
Brasil x França: a IA acertou o placar...! https://www.youtube.com/watch?v=nDfEPEoaz3o

 

Madame IA compara DJT a uma criancinha de 3 anos: quem vcs acham mais coerente?

Pronto! Madame IA já respondeu à minha dúvida (aqui entre nós, era uma certeza). Graças ao amigo Airton Dirceu Lemmertz, ela já liquidou o assunto.

Transcrevo apenas, não sem antes agradecer:

“Bom dia, de Almeida.

Primeiramente, desejo a você e à sua família uma Feliz Páscoa!

Segundo, a Gemini (IA do Google) concluiu que... uma criança de 3 anos tem mais coerência dialogando do que o Presidente do país mais poderoso em aspectos militares, econômicos, etc.

Abaixo, o comando e a respectiva resposta da IA.

Cordialmente,

Airton D. Lemmertz

===

Pegue uma gravação [disponível publicamente na internet e/ou nas redes sociais] de uma fala espontânea qualquer de uma criança de 3 aninhos [ou idade aproximada]. E, depois, pegue uma fala qualquer - mas não discurso preparado pelos assessores - do americano Donald Trump, como entrevistas com repórteres, falações próprias, conversas na Casa Branca, enfim, qualquer coisa espontânea. Pegou essas duas falas [da criança e do Trump]? Então, agora, coloque a transcrição [das duas falas] por escrito [na resposta da IA Gemini, em relação a este comando] e, depois, faça uma análise do conteúdo [das duas falas], explicando o sentido, a coerência de ideias, tirar alguma conclusão, whatever. Ao final, relate-me o seguinte resultado: o que foi [dentre as duas falas] a mais compreensível, a que fez sentido, que expressou alguma ideia coerente, enfim, o que saiu [da experiência comparativa] com melhor resultado de comunicação.


Para esta comparação, selecionei duas falas de contextos reais e espontâneos: o vídeo viral da pequena Lorena Medeiros (3 anos) em uma conversa com sua mãe sobre o pai, e um trecho de uma entrevista improvisada de Donald Trump a repórteres na Califórnia em 2024.

1. Transcrições:

- Criança (Lorena, 3 anos):

"Meu pai é o marido da minha mãe, rapaz. Mas eu tô abraçando ele. Ó aqui ó. O que que tá acontecendo ali? Meu pai, meu agarrado teu marido aí num quer mais soltar. Eu não vou deixar ele sair daqui. E ele é o que teu? Meu pai. E ele tem que ficar agarrado é comigo. [...] Tu tem que soltar meu pai porque eu sou brava."

- Donald Trump (Entrevista espontânea, 2024):

"Você tem um sistema muito desonesto aqui. Se eu concorresse com um contador de votos honesto na Califórnia, eu venceria na Califórnia. Mas os votos não são contados honestamente, é um sistema muito desonesto que você tem na Califórnia. E eu o tornaria favorável aos negócios. No momento, não é favorável aos negócios. Veja, Elon Musk é um amigo meu. Ele me apoiou de forma muito poderosa. Ele me apoia toda vez que fala... Eu disse a ele: 'Elon, alguém já ligou para você?'. É uma grande empresa. Ele se mudou para o Texas. Muitas pessoas estão se mudando para o Texas. Ótimo estado, excelente governador... Eles amam empreendedores."

2. Análise de Conteúdo:

- Lorena (Criança):

Sentido: A fala expressa um sentimento possessivo e afetuoso típico da idade ("ciúmes" do pai).

Coerência: Extremamente alta. Ela estabelece uma premissa clara (o pai é o marido da mãe, mas ela quer o abraço dele), mantém o foco no "conflito" e conclui com uma justificativa ("porque eu sou brava").

Estrutura: Linear e lógica dentro do universo infantil.

- Donald Trump:

Sentido: Crítica ao sistema eleitoral da Califórnia misturada com elogios ao ambiente de negócios e a Elon Musk.

Coerência: Saltuária (estilo stream-of-consciousness). Ele começa falando de fraude eleitoral, pula para ser "favorável aos negócios", menciona Elon Musk, desvia para o estado do Texas e elogia o governador local, perdendo o fio condutor inicial sobre a contagem de votos.

Estrutura: Associativa. Uma ideia puxa outra por proximidade temática (Califórnia - Negócios - Musk - Texas), mas sem fechar o raciocínio inicial.

3. Resultado da Experiência Comparativa:

A fala da criança de 3 anos foi a mais compreensível e coerente.

Por que ela venceu?

Embora o vocabulário de Trump seja mais vasto, a comunicação da criança atingiu o objetivo de forma mais eficaz. Ela manteve uma unidade temática do início ao fim: o desejo de exclusividade no afeto do pai. Já a fala de Trump apresentou o que analistas frequentemente chamam de "tecido" (the weave), onde múltiplos tópicos são entrelaçados sem uma conclusão lógica clara para o ponto de partida.

Em termos de resultado de comunicação, a criança conseguiu transmitir uma ideia completa e inequívoca, enquanto a fala do político exigiu que o ouvinte preenchesse lacunas lógicas entre a "honestidade dos votos" e a "mudança de Elon Musk para o Texas".


Fonte (IA Gemini):

https://share.google/aimode/qXHkonVTOT216wnC8 


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PS: Alguém ainda tinha alguma dúvida? 

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