domingo, 28 de junho de 2026

Os marxistas brasileiros não leem Marx - Paulo Roberto de Almeida

Os marxistas brasileiros não leem Marx.

Se lessem saberiam da opinião de Marx sobre a Rússia e os russos: a pior possivel!

Se Marx fosse vivo hoje e visitasse ou tivesse informações fiáveis sobre a Rússia de Putin ele imediatamente recordaria o que já tinha escrito sobre a Rússia, confirmaria todos os termos bastante desairosos sobre o país, seus lideres e seu povo e acrescentaria outras informações já pertencentes ao século XX, o que também aprendeu nesse retorno ao mundo.

Marx imediatamente reconheceria na Rússia da atualidade a repetição dos Estados fascistas do século XX.

Ele escreveria sem qualquer hesitação: a Rússia é um Estado fascista, além de terrorista.

Os marxistas precisam ler Marx.

sábado, 27 de junho de 2026

A autobiografia do Estado relida e reinterprada por Demoiselle IA

 A pedido desse abusador do trabalho de senhoritas elegantes, chamado Airton Dirceu Lemmertz, demoiselle IA relê e reescreve um capitulo de minha história, já como dono do Brasil (muito antes que aquele idiota do Trump tentasse a sua sorte por aqui):


Acesse o texto no link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/autobiografia-de-um-fora-da-lei-4-de.html (título da postagem, entre aspas: "Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente - Paulo Roberto de Almeida") e reescreva o texto em uma linguagem coloquial. Na reescrita, mantenha a linha de pensamento e as ideias centrais originais. O texto reescrito deverá ter, no máximo, 5000 caracteres. 

Aqui está uma reescrita do texto do Embaixador Paulo Roberto de Almeida em uma linguagem coloquial e direta, mantendo o tom irônico e a linha de pensamento original:

A História do Brasil de um Jeito Diferente: De Colônia a Império Independente
No capítulo anterior dessa minha "autobiografia" enquanto Estado brasileiro, comentei sobre os meus perrengues iniciais: o nascimento abençoado pelo Papa, o crescimento enfrentando invasores e vizinhos folgados, e a audácia dos meus navegantes que acharam uma terra nova e promissora onde "em se plantando, tudo dá". No começo, deixei aquele canto quieto, cheio de nativos, mas quando outros reinos começaram a crescer o olho, decidi ocupar o espaço doando terras para uns nobres sem grana.
E não é que funcionou? Primeiro, exploramos o pau-brasil (que deu nome à nova casa), depois plantamos cana-de-açúcar trazida dos Açores e, por fim, achamos aquela "relíquia bárbara": o ouro. Esse ouro encheu os cofres da Coroa, construiu palácios na Europa e igrejas na colônia. Mandei governadores e vice-reis para controlar a dinheirama e punir os contrabandistas, mas os ingleses — espertos que só — acabaram ficando com uma boa parte do bolo sob o pretexto de me proteger.
Aí a Europa azedou de vez. Um sujeito baixinho e metido a conquistador chamado Napoleão resolveu peitar todas as monarquias e invadiu Portugal. Sem saída e escoltado pela marinha britânica, arrumei as malas com a corte e os livros e rumei para o Novo Mundo. Foi o meu segundo nascimento. Escapamos de virar reféns, mas ficamos sob as asas dos chatos dos ingleses. Na descida, parei na Bahia e abri os portos às nações amigas, o que na prática só ajudou a Inglaterra, que começou a inundar o Rio de Janeiro com mercadorias absurdas para o clima tropical, como patins de gelo!
Na capital, faltava teto para tanto nobre encostado. Começamos a despejar os moradores locais e carimbar as portas com "PR" (Príncipe Real), mas o povo, que não perde a piada, dizia que significava "Ponha-se na Rua". Aguentando deboches e revoltas, e com a rainha Dona Maria I afastada por problemas mentais, só virei rei oficialmente dez anos depois. Com o fim da bagunça de Napoleão na Europa, o Brasil foi elevado a Reino Unido. Eu queria ter ficado por lá, mas os comerciantes de Portugal se revoltaram e exigiram minha volta à terrinha. Fui obrigado a retornar e deixei o Brasil nas mãos do meu filho Pedro, um jovem bem impulsivo.
Por sorte, Pedro chamou para ajudar um cara genial nascido em Santos: José Bonifácio. Junto com a esposa de Pedro, a austríaca Leopoldina, ele percebeu que as cortes em Portugal queriam rebaixar o Brasil de volta a colônia. O povo não aceitou e veio a separação.
De repente, eu tinha a chance de criar um Estado do zero. Mas a herança colonial era braba: quase nenhuma fábrica e nenhuma escola. Mesmo assim, tínhamos um território gigante e rico, sem precisar de guerras sangrentas ou revoluções. Só que a grana estava curta. Meu pai me deixou dívidas com os banqueiros de Londres e ainda exigiu pagamento pelas propriedades reais deixadas para trás. Para piorar, a escravidão continuava a todo vapor, mesmo com o Bonifácio avisando que precisávamos acabar com o tráfico e adotar o trabalho livre.
Para completar a dor de cabeça, os políticos locais tentaram criar uma Constituição que tirava os meus poderes. Não tive dúvidas: fechei a Assembleia, bani os irmãos Andrada e fiz uma Carta Magna do meu jeito, com o "Poder Moderador" para eu mandar e desmanchar.
Lá fora, o reconhecimento da independência demorou. Os primeiros a aceitar foram os norte-americanos. Depois, tive que pagar uma fortuna para Portugal aceitar a separação, o que me rendeu críticas pesadas dos republicanos locais. Teve até revolta no Nordeste, a Confederação do Equador, que precisei sufocar.
Para fechar o combo de problemas, enfrentamos jornalistas abusados, uma guerrilha na Cisplatina que virou guerra contra os argentinos, e a intromissão dos ingleses, que forçaram a criação do Uruguai e exigiam o fim do tráfico de escravos. Nós até assinamos uma lei proibindo o tráfico, mas era só "para inglês ver". No fim, com tanta briga interna e externa, Pedro jogou a toalha após oito anos de governo e voltou para Portugal. O Império ficou nas mãos de regências bagunçadas e revoltas por todos os lados, até que precisei bolar um novo plano para voltar ao comando por muito tempo. Mas isso eu conto depois, quando recuperar minhas forças...

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Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente - Paulo Roberto de Almeida: 


O texto analisa de forma crítica o processo de consolidação do Estado brasileiro desde o período joanino até o fim do Primeiro Reinado, utilizando a metáfora de uma autobiografia em que o próprio Estado assume o papel de narrador das suas memórias institucionais. O ensaio expõe as contradições estruturais da transição do Brasil de colônia a império independente, evidenciando como as pressões externas da Grã-Bretanha e as heranças socioeconômicas moldaram uma autonomia frágil e financeiramente dependente.
Capítulo I: O Deslocamento da Corte e a Dependência Britânica
O início do século dezenove impôs uma reconfiguração drástica para a monarquia portuguesa quando o avanço das tropas de Napoleão Bonaparte na Península Ibérica forçou a transferência da corte para o Novo Mundo. Esse movimento estratégico, apoiado diretamente pela marinha britânica, é classificado pelo autor como o segundo nascimento do Estado, preservando as instituições dinásticas a um custo político e econômico elevado.
A contrapartida para a proteção inglesa materializou-se de forma imediata na assinatura do decreto de abertura dos portos às nações amigas na Bahia, uma medida que extinguiu o pacto colonial, mas que na realidade beneficiou primordialmente os interesses comerciais da Grã-Bretanha. O impacto da influência comercial inglesa na nova capital, o Rio de Janeiro, é ilustrado pelas distorções no fluxo de mercadorias importadas, que incluíam itens completamente incompatíveis com as necessidades e o clima tropical da região, expondo a submissão do mercado interno nascente aos excedentes industriais europeus.
Ao mesmo tempo, a chegada massiva da fidalguia europeia gerou profundos conflitos urbanos e sociais na colônia devido à falta de infraestrutura habitacional adequada para acomodar a nova burocracia real. A requisição compulsória das melhores residências particulares locais, marcadas com a insígnia do Príncipe Real, desencadeou forte descontentamento popular e escárnio público, simbolizado pela interpretação irônica da população local que traduzia a sigla da Coroa como uma ordem de despejo sumária.
Capítulo II: A Elevação a Reino Unido e o Dilema da Legitimidade
Após a derrota definitiva das forças francesas na Europa e as deliberações do Congresso de Viena, o domínio americano foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves, conferindo uma nova personalidade jurídica e autonomia política ao território brasileiro. Essa transformação estrutural estimulou o desejo do monarca de centralizar o império ultramarino a partir da sede americana, mas esse projeto de consolidação de um império luso-brasileiro foi bruscamente interrompido pelas exigências da Revolução Liberal do Porto na metrópole.
As pressões das cortes constituintes de Lisboa, motivadas pelos interesses da burguesia mercantil e pelo desejo de restaurar o absolutismo monárquico na Europa, colocaram o soberano sob constante ameaça de destituição caso recusasse o retorno imediato. Diante da necessidade de preservar a Coroa europeia, a regência do território americano foi delegada ao príncipe herdeiro, iniciando um período de intensa disputa política em que as elites coloniais se articularam para evitar o rebaixamento do Brasil ao antigo estatuto de subordinação colonial.
A reação local contra o projeto recolonizador das cortes portuguesas culminou no processo de emancipação política, fortemente impulsionado pela articulação estratégica de lideranças intelectuais locais e pela influência dinástica estrangeira na corte. Esse arranjo permitiu a fundação de um novo Império na América do Sul, contornando a necessidade de uma ruptura revolucionária radical e mantendo a continuidade da dinastia de Bragança no poder.
Capítulo III: Os Desafios Econômicos e a Arquitetura Constitucional
O nascimento do Estado independente revelou o peso das carências estruturais herdadas do período colonial, caracterizadas pela ausência quase total de um parque manufatureiro relevante e pela precariedade crônica do sistema educacional público. No plano financeiro, a nova administração soberana iniciou suas atividades em severa penúria econômica devido aos passivos ocultos e às dívidas contraídas junto ao sistema bancário de Londres para indenizar as propriedades da antiga metrópole.
No cenário político interno, a consolidação do poder central enfrentou forte resistência da primeira Assembleia Constituinte, cujos projetos buscavam limitar significativamente as prerrogativas do monarca em favor de um modelo de forte teor parlamentarista. A resposta do soberano a essa descentralização política foi a dissolução violenta do parlamento, o banimento das lideranças oposicionistas e a outorga da Carta Constitucional de dezoito de vinte e quatro, que instituiu o Poder Moderador como ferramenta de centralização e arbítrio imperial.
A legitimação internacional da independência exigiu concessões financeiras pesadas aos antigos colonizadores e a aceitação de tratados desiguais com o governo britânico, alimentando o descontentamento das correntes republicanas no país. O endividamento contínuo, as rebeliões provinciais repressivas, o desgaste na Guerra da Cisplatina e a relutância em extinguir o tráfico transatlântico de escravos minaram de forma irreversível a sustentabilidade política do Primeiro Reinado, resultando na abdicação do imperador e na abertura de um período de forte instabilidade sob o regime das regências.


Uma pequena nota rememorativa - Paulo Roberto de Almeida

Uma pequena nota rememorativa

Paulo Roberto de Almeida

Desde meu ingresso, não previsto e não planejado, na carreira diplomática,  num período já agonizante da ditadura militar, no final de 1977, eu não deixei de ser surpreendido sobre como certos traços daquele regime haviam sido incorporados ao mores diplomático, como aquele slogan especialmente perturbador, repetidamente lembrado pelos barões da Casa, da “hierarquia e disciplina”. Não que eu pensasse que uma corporação eficiente pudesse trabalhar sem ordem e regulação. Mas aquilo sempre me perturbou como uma espécie de impedimento a que aqueles encarregados do encaminhamento de assuntos específicos, do último escalão, pudessem argumentar a respeito de um assunto que poderia apresentar várias facetas, vistas sob ângulos diferentes.

Minha constante preocupação no jogo da diplomacia não era exatamente a diplomacia em si, a mecânica da coisa, mas seus efeitos concretos sobre o processo de desenvolvimento econômico e social do Brasil, visto numa perspectiva mais larga, que fui adquirindo ao longo de muitas leituras, estudo atento das experiências de outros povos, assim como observações recolhidas ao fio de muitas viagens exploratórias em diversos paises diferentes, desenvolvidos e em desenvolvimento.

A reflexão comparativa me induziu a reconsiderar certas políticas macro e setoriais em função de seus efeitos reais e concretos sobre os avanços logrados do ponto de vista da vida dos brasileiros mais humildes, aos quais eu mesmo pertenci em minha infância e juventude e me julgava pertencer.

Outro traço que chocou, talvez ainda mais profundamente, foi o grande conformismo e acomodação pessoal justamente em relação às ordens superiores, que poderiam mudar de forma visivel segundo certas opiniões vindas do alto, ou seja, do poder politico. O estilo autoritário, assimilado ao “centralismo democrático” de feição leninista, a partir de certo momento, foi algo chocante ao se pensar conviver num ambiente esclarecido, de grande desempenho intelectual, mas sujeito a certas orientações simplórias, ou defasadas no tempo, ou claramente inadequadas às novas circunstâncias da economia mundial.

O traço, porém, mais perturbador foi a aliança estreita com certas ditaduras execráveis, apenas que supostamente identificadas a certas causas do passado que tinham a ver com a resistência à arrogância imperial dos donos do mundo, em lugar de um exame ponderado dos novos requerimentos no plano econômico e educacional que poderiam impulsionar o país a um estilo diplomático inserido num ambiente democrático dos valores ocidentais derivados do Iluminismo kantiano.

Minha produção a partir de certa fase foi essencialmente didática e não mais executiva, mas nunca tive uma clara percepção do efeitos reais dessa produtividade puramente redacional, não dotada de outros canais de transmissão se não aqueles próprios.

A nação ainda não conheceu algum grande salto qualitativo nos padrões de vida da grande maioria dos cidadãos, talvez bem mais súditos do Estado do que seres livres e independentes. 

Em todo caso, persistirei nos meus esforços didáticos, que constituem uma ferramenta talvez benéfica no uso de minhas poucas vantagens relativas e comparativas.

Vale!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 27 de junho de 2026

(aniversário de Gabriel, 14 anos)


O tempora, o mores - Paulo Roberto de Almeida

O tempora, o mores…

Paulo Roberto de Almeida

Antigamente, muito antigamente, na Velha República, os presidentes eram eleitos em eleições geralmente arranjadas pelas oligarquias regionais— os PRs estaduais — no mês de março a intervalos de quatro anos. Mas eles só tomavam posse em 15 de novembro.

Então, nos seis meses de espera, eles viajavam de navio para a Europa e aproveitavam para visitar banqueiros, com os quais eles renegociavam empréstimos, os famosos funding loans, ou pediam mais dinheiro e investimentos no Brasil para o seu quadriênio. 

Jair Bolsonaro inaugurou a submissão voluntária ao Império, primeiro recebendo no RJ, ainda em dezembro de 2018, o conselheiro de Segurança Nacional de Trump 1, John Bolton, um conhecido falcão. Depois, após a posse, em fevereiro de 2019, sua primeira viagem foi à Florida, para prestar vassalagem ao desequilibrado presidente americano, antes de proferir o famoso “I love you Trump“, na ONU, em setembro do mexmo ano.

O filhote 01 inaugurou um outro tipo de vassalagem: ofereceu, assim que fosse eleito, em outubro deste ano, a vinda de uma equipe trumpista para participar do processo de transição para o seu hipotético governo. Uma submissão já prometida e decidida.

Como diria um outro candidato, “nunca antes neste pais” (agora sim, de verdade). Os Bolsonaros são da tese da servidão voluntária: eles querem se colocar a serviço de Trump 2.

Se for assim , prefiro a volta das eleições fraudadas da Velha República.

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 27/06/2026

What the West doesn’t still understand about Russia - Olga Lautman (Substack)

What the West doesn’t still understand about Russia

Olga Lautman

Substack, June 26, 2026


Over the past few months, Western media have been flooded with headlines speculating that Vladimir Putin is under growing pressure, that a coup may be brewing, or that his grip on power is finally beginning to weaken. As Ukraine continues raising the costs of Russia’s genocidal war, systematically exposing vulnerabilities the Kremlin spent decades trying to hide, many are once again asking the same familiar questions: Could the regime be approaching a breaking point? Who might eventually replace Putin? And what comes after him?

Every time another one of those headlines appears, or someone asks me those questions, I give the same response. After repeating it for years, I decided to sit down and explain it in detail because it remains one of the biggest misconceptions shaping how journalists, policymakers, and people who closely follow Russia think about the country. Far too much of the analysis coming out still views Russia through a Western lens, assuming its institutions function like ours or that changing the face of the Kremlin somehow changes the system.

One of the things I have been saying for years is that Putin did not create this system. He is a symptom of a system that created the likes of Stalin, Brezhnev, and others. Long before Putin entered politics, Russia’s security services had already spent generations perfecting repression, bloody imperial conquests, information warfare, active measures, assassinations, agents of influence, corruption as an instrument of statecraft, and the systematic elimination of anyone viewed as a threat to the state. Putin inherited those institutions, strengthened and modernized them, and adapted them for the twenty-first century, but he definitely did not invent them. To understand Russia, you have to stop looking only at the man sitting behind the desk inside the Kremlin and start looking at the system that has survived tsars, revolutions, the collapse of the Soviet Union, and every leader who came before him.

The continuity becomes difficult to ignore once you begin looking for it. Even before the Bolsheviks seized power, the Tsarist Okhrana—the Russian Empire's secret police established in the late 1800s—had already developed an extensive security apparatus built around surveillance, infiltration, informants, political repression, covert operations, counterintelligence, espionage, and crushing dissent. The Bolsheviks seized it and simply expanded it. Felix Dzerzhinsky's Cheka institutionalized terror inside the country on an unprecedented scale before evolving into the GPU, NKVD, KGB, and eventually today's FSB and SVR. The names and uniforms changed, but the governing principles remained the same.

The security services were never simply intelligence agencies. They were the backbone of the Russian state. Another point Western policymakers have consistently failed to understand is that Russia’s security services are not the equivalent of Western intelligence or law enforcement agencies because they perform a fundamentally different role within the Russian state.

Over the course of more than a century, they embedded themselves into virtually every aspect of Russian society, extending their influence far beyond intelligence collection into politics, the military, law enforcement, the judiciary, state corporations, strategic industries, banking, the private sector, organized crime, the media, academia, think tanks, culture, the Church, and countless other institutions.

The same continuity can even be seen in institutions that many people would never associate with intelligence services. Long before the Bolsheviks seized power, the Russian Orthodox Church had already become deeply intertwined with the Tsarist state, with the Okhrana using clergy, informants, and church networks to monitor dissent and reinforce loyalty to the empire. After the Revolution, that relationship was violently dismantled as the new regime massacred thousands of clergy, burned, looted, and demolished churches, confiscated church property, and waged one of history's largest campaigns of state-sponsored persecution.

Joseph Stalin, an atheist, continued that persecution for years before abruptly reversing course during World War II, not because he suddenly discovered faith, but because he recognized the Church's value as another instrument for mobilizing patriotism, strengthening national unity during wartime, and projecting Soviet influence. The Church was restored under the watchful eye of the NKGB and, later, the KGB, which placed it firmly under state control by recruiting clergy, cultivating loyal hierarchies, and using religious institutions for intelligence gathering, espionage, influence operations, and propaganda both at home and abroad.

That relationship did not disappear with the collapse of the Soviet Union. It simply adapted once again. Today, the Moscow Patriarchate, led by Patriarch Kirill, who served the KGB during the Soviet era under the codename “Mikhailov,” remains one of the Kremlin's most effective tools of influence across Europe, the Balkans, the U.S., Africa, and beyond. Investigations in multiple countries have documented Russian Orthodox churches being used for espionage, influence operations, propaganda, and, in some cases, providing cover and logistical support for Russian intelligence officers.

The same pattern repeats itself throughout Russian history. Long before anyone had heard the phrase “hybrid warfare,” Soviet intelligence was cultivating agents of influence, financing front organizations, forging documents, interfering in democratic politics, manipulating foreign media, and conducting some of the largest disinformation operations. One example, decades before social media existed, was Operation INFEKTION, which falsely blamed the United States for creating AIDS. Today’s information warfare is not something Putin invented, but an evolution of methods that security services spent generations refining.

Soviet intelligence also supported many extremist movements and terrorist organizations across multiple continents while simultaneously portraying itself as a champion of “peace.” Even the methods of domestic repression have shown continuity. Under Stalin, then Leonid Brezhnev and Yuri Andropov, Soviet authorities diagnosed dissidents with “sluggish schizophrenia” and put them into psychiatric hospitals because criticizing the state was treated as evidence of mental illness. Decades later, psychiatric detention has returned under Putin, alongside the imprisonment, poisoning, assassination, and persecution of political opponents and journalists.

Nowhere is this misunderstanding more blatant than in discussions about Ukraine. Every February, countless politicians, journalists, and pundits speak about "Russia's invasion of Ukraine" as though this began in 2022. The more informed correctly point out that the invasion and war actually began in 2014. Both perspectives miss the much larger historical reality that Russia has occupied, partitioned, colonized, and repeatedly attempted to erase Ukraine and the Ukrainian identity on and off for centuries. Stalin's Holodomor genocide deliberately starved upwards of five to seven million Ukrainians. This was decades before NATO even existed and long before the Kremlin could manufacture today's familiar justifications for its genocidal aggression.

The propaganda that Russia is responding to NATO expansion collapses under even the most basic understanding of Russian history because Moscow's imperial ambitions toward Ukraine predate Putin.


The same misunderstanding shaped Western thinking after the collapse of the Soviet Union. Boris Yeltsin was widely celebrated as the "democratic reformer" who had finally broken with Russia's repressive and imperial past. As the West celebrated what it believed was its victory in the Cold War, far less attention was paid to the fact that the security services survived largely intact. Furthermore, the First Chechen War demonstrated that Russia’s imperial ambitions had not disappeared.

The chaotic privatization of the 1990s gave rise to a new mafia state in which organized crime, corrupt state officials, and current and former KGB/FSB agents became so deeply intertwined that separating one from the other often became impossible. Protected by krysha (a roof) provided by security services and political connections, criminal networks, political insiders, and emerging business elites accumulated vast state assets, creating a new class of oligarchs whose fortunes ultimately depended not on the rule of law or free markets, but on their relationship with the state.

If the West misunderstood Yeltsin, it completely missed the boat on Putin. He was presented as a reformer and anti-corruption figure who would restore stability after the violent chaos of the 1990s. His rise to power came alongside an FSB-orchestrated series of terrorist attacks. The apartment building bombings killed hundreds of Russians and were immediately blamed on “Chechen terrorists.” This became the catalyst for launching the Second Chechen War, transforming the little-known former KGB agent and FSB director into a leader who promised to restore order and protect the nation.

The subsequent Ryazan incident, in which local authorities discovered FSB agents planting what appeared to be explosives in another apartment building, together with the revelations by FSB agent Alexander Litvinenko, showed that the bombings had been orchestrated by Putin and then FSB director Nikolai Patrushev. After fleeing Russia, Litvinenko publicly accused the FSB of carrying out the attacks to help install Putin into power. In 2006, he was murdered in London with radioactive polonium-210 in an assassination that the British concluded was carried out by Russia. Whether through political assassinations, poisonings, covert operations, or campaigns of intimidation, the use of violence and fear as instruments also did not begin with Putin.

Long before Putin entered the Kremlin, Russia's security services had repeatedly relied on provocations, fabricated conspiracies, manipulated narratives, covert violence, and other forms of deception to justify repression, consolidate power, silence dissidents, and manufacture public support for state policies. Those tactics appeared under the Tsars, evolved under the Soviet Union, and continue to shape the Kremlin’s policies today.

Another misconception lies in the understanding that Russia’s oligarchs have some sort of control over Putin. The relationship works entirely in the opposite direction. Many amassed enormous fortunes through the privatization of state assets during the chaotic 1990s, but they kept those fortunes only with the Kremlin’s approval. Property rights in Russia have never truly belonged to the individual, and exist only as long as the state permits them to exist.

When Putin came to power, he replaced much of Yeltsin's elite with loyalists from his St. Petersburg criminal and KGB/FSB networks. Loyalty was rewarded with enormous wealth, but only for as long as it served the interests of the Kremlin. In return, Russia's wealthiest businessmen were expected to advance state interests, finance Kremlin priorities, use their international business, political, and financial networks whenever called upon, carry out malign influence operations, and perform any other operations demanded of them. Those who refused were stripped of their riches, prosecuted, imprisoned, or driven into exile. Anyone who mistakes immense wealth for political independence misunderstands how the Russian system operates. Russia's oligarchs are not above the state, but are another instrument of it. And when the Kremlin decides one of them has outlived his usefulness, become politically inconvenient, or simply possesses assets someone more loyal wants, yesterday's billionaire quickly becomes today's criminal—or, in Russia's fashion, another prominent businessman manages to fall out of a window before the state redistributes or simply seizes his assets.

While many in the West believed they had won the Cold War, Russia's hardliners never accepted defeat. Humiliated by the collapse of the Soviet Union, they blamed the West rather than the corruption, repression, and failures of the communist system. They retreated, regrouped, adapted to the new political and economic realities, and quietly began restoring the system many in the West believed had collapsed. The post-Soviet transition allowed the security services, their networks, and many of their methods to survive, evolve, and eventually reemerge.

One of the most revealing symbols of that continuity stands outside Russia's intelligence headquarters. When protesters pulled Felix Dzerzhinsky's statue down from Lubyanka Square in 1991, many celebrated it as the symbolic end of the Soviet security state. But it wasn't. More than three decades later, Russia unveiled a new statue of Dzerzhinsky outside the headquarters of the SVR, while Putin restored Dzerzhinsky's name to the FSB Academy. Instead of treating the Cheka's mass-murdering founder as one of the darkest figures in Russian history, the Kremlin openly celebrates him as part of its institutional heritage.

None of this is meant to suggest that Putin is not a central figure. He has undoubtedly shaped modern Russia, dramatically expanded its aggression against Ukraine, the West, and beyond, intensified global information warfare and political interference, and bears responsibility for countless crimes, war crimes, and genocide. But the mistake is believing that Putin created this system or that post-Putin Russia will somehow be fundamentally different. Long before Putin entered politics, Russia's security services had already embedded themselves into virtually every major institution of the state, perfected repression, political violence, information warfare, imperial conquest, and active measures, and survived every political transformation the country has undergone for centuries. Removing one man from the Kremlin does not dismantle the system that produced him.

That is precisely the analytical mistake the West made after the collapse of the Soviet Union, and one it cannot afford to repeat. Russia has changed tsars, general secretaries, presidents, flags, constitutions, and the names of its security services, yet the institutions, networks, underlying principles, and imperial worldview have shown remarkable continuity across generations. Until those institutions change, replacing Putin with another face in the Kremlin will not transform the Russian state.

The West has spent decades searching for Russia's next reformer while Russia's security services have spent those same decades ensuring the system survives whoever comes next. Until policymakers stop asking who comes after Putin and start asking whether the system that produced him has changed, they will continue repeating the same mistake.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente - Paulo Roberto de Almeida

Mais recente artigo publicado: 


5342. “Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente”, Brasília, 6 junho 2026, 4 p. Continuidade da série sobre a história do Estado brasileiro, para a revista Será? (ano xiv, n. 715, 26 junho 2026; link: https://revistasera.info/2026/06/autobiografia-de-um-fora-da-lei-4-de-colonia-a-reino-unido-ao-de-portugal-e-uma-promocao-merecida-a-imperio-independente/ ). Relação de Publicados n. 1652.

Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente

Paulo Roberto de Almeida 

Revista Será? (ano xiv, n. 715, 26 junho 2026)


No episódio anterior de minha autobiografia – 3: do nascimento a tempos incertos, aqui: https://revistasera.info/2026/06/autobiografia-de-um-fora-da-lei-3-do-nascimento-a-tempos-incertos/ –, eu falei de minhas agruras iniciais: do parto por legitimação papal, do crescimento, enfrentando os pretendentes à ocupação, os mouros ao sul e os visigodos de Leão e Castela a oeste, assim como dos meus próprios desbravadores, saindo ousadamente por mares nunca de antes navegados, chegando a me brindar com novas terras prometedoras, aonde, como me informou um dos primeiros escribas que por ali arribaram, “em se plantando tudo dá!” Era uma terra de bugres, assim que eu a deixei quieta por alguns anos, até que pretendentes de outros reinos começassem a frequentá-la, sem a minha permissão. Tratei, portanto, de me instalar, dando terras para que fidalgos remediados a ocupassem.

Não é que deu certo? Primeiro começaram a retirar uma madeira cor de brasa – que acabou dando o nome ao meu segundo lar –, depois plantando uma doce gramínea que fiz vir dos Açores, depois encontrando aquela “relíquia bárbara”, da qual falou um economista de tempos mais recentes, que enriqueceu meu Real Tesouro e permitiu construir alguns palácios suntuosos na velha terrinha e várias igrejas nas novas terras. Para lá mandei um primeiro governador-geral e depois um vice-rei, que logo teve de garantir que toda aquela riqueza mineral fosse carreada sob minha guarda, mas que também ordenou devassas e algumas condenações bem-merecidas. Os rapaces ingleses se apropriaram de umas partes do ouro, a pretexto de me proteger de meus inimigos na velha Europa.

O fato é que essa velha Europa não me dava sossego. Não é que um corso metido a maioral, no reino dos antigos Capetos, resolveu atacar todas as monarquias estabelecidas e avançou ardilosamente contra os reinos estabelecidos à direita e à esquerda da França revolucionária e seu exército popular? Para se vingar dos irredutíveis ingleses, Napoleão, já convertido em imperador, mandou um dos seus generais investir contra o meu pequeno reino, que vivia à sombra do Leão britânico, depois de ter destronado um primo meu na Espanha, Fernando VII. Foi o que finalmente me “convenceu” a partir para minhas imensas terras no Novo Mundo. Foi, posso dizer, o meu segundo nascimento.

Tive de me transladar rapidamente, com meus livros e apetrechos, ajudado inclusive pela Royal Navy, carregando em todos os barcos requisitados o que havia de fidalguia no reino, sem saber ao certo o que eu encontraria na nova capital do meu imenso império marítimo, escapando assim do triste destino do meu colega espanhol, confinado na França, seu reino dado na bandeja a um irmão do usurpador. Meu Estado foi preservado, embora em novo endereço e sob a guarda dos intrometidos ingleses. Era o que dava para fazer naquele momento de angústia e incertezas. De passagem para a nova capital do vice-reinado, parei na antiga, São Salvador da Bahia de Todos os Santos, onde tive o auxílio de um funcionário local das alfândegas, José da Silva Lisboa (ah, minha perdida capital), para assinar um decreto de abertura dos portos, que na verdade só beneficiava aos comerciantes ingleses. Estes passaram a enviar todos os tipos de trastes para aquelas terras desconhecidas para eles (mas não de seus corsários), chegando inclusive a termos nas docas do Rio de Janeiro patins de gelo, vejam que absurdo!

O problema é que não tínhamos onde acomodar todos aqueles inúteis nobres do meu reinado europeu, e começamos a expropriar as melhores casas disponíveis, chegando até a aproveitar uma cadeia pública. Como meus súditos palacianos passassem a pintar nas casas requisitadas o indicativo PR, que elas estavam doravante ao serviço do Príncipe Real, os locais, conhecidos por suas zombarias, interpretavam com o impositivo “Ponha-se na Rua!” Não foram poucas as troças e rebeldias que meus súditos brasilienses protagonizaram contra a minha Regência – sim, esqueci de mencionar que a Rainha legítima, Dona Maria I, minha querida mãe, estava afastada das funções por algumas fraquezas da mente – e eu só tive a glória de ser entronizado como o novo rei de Portugal e domínio dez anos depois da chegada à maior e mais rica colônia de meu magnífico e imenso império ultramarino.

A essa altura, por imposições da paz enfim negociada em Viena depois da segunda derrota do usurpador francês, meu domínio americano foi elevado à categoria de Reino Unido ao do meu próprio Portugal, com o que ganhei nova personalidade e também novas pretensões a ser eu mesmo, finalmente, dono do meu próprio Estado. Eu até queria ficar na nova sede do Império, que seria uma espécie de “imenso Portugal”, mas os comerciantes do Porto, numa revolução inspirada nas ideias liberais que reivindicavam monarquias adeptas da recente moda constitucional – baseadas em doutrinas francesas mais uma vez, Montesquieu e um tal de Benjamin Constant, um hugenote franco-suíço além de tudo –, passaram a exigir que eu voltasse à terrinha. Eu não queria, mas as Cortes constituídas em Lisboa ameaçaram me destituir, assim que eu tive de deixar o meu novo grande Estado aos cuidados do meu primogênito Pedro, um rapaz muito afoito e dado a aventuras de duvidosa reputação.

A sorte foi que ele escolheu para auxiliá-lo um inteligente súdito nascido naquelas paragens, no porto de Santos se não me falha a memória, que tinha passado longos anos estudando na Europa, chegando a fazer parte das mais famosas academias de ciências. José Bonifácio, esse era o seu nome, foi o mais atilado ministro do último gabinete português no Rio de Janeiro, último não por minha decisão, ou do meu filho regente, mas por imposição das circunstâncias, que foram ingratas para meu glorioso Império. As Cortes, atuando por ganância dos comerciantes e de cortesãos desejosos de retornar ao Ancien Régime de corte absolutista, acabaram por impor ao Brasil uma volta aos tempos coloniais, com o que os meus súditos d’além-mar se decidiram pela separação, aliás por impulso do Bonifácio e da esposa de Pedro, a austríaca Leopoldina, que deve ter atuado sob influência de um astuto autocrata dos Habsburgos, um tal de Metternich.

Finalmente, eu me encontrava naquela situação relativamente inédita na vida dos povos do mundo, a oportunidade de construir um novo Estado, só para mim, a partir do zero, ou de quase nada, a não ser o pouco que tinha sido deixado pelos antigos colonizadores: nenhuma fábrica que prestasse, nenhuma escola para os antigos súditos, agora convertidos em cidadãos conscientes e orgulhosos de dar início a uma nova etapa num imenso domínio muito mais rico do que o da mais velha monarquia europeia, ainda que dominada por uma segunda dinastia, depois do interlúdio castelhano, a dos Braganças, iniciada de 1640. Agora, sim, eu poderia partir de um Estado só meu, sem precisar conquistar nenhum território (o que ficou me bastava, com alguns ajustes aqui e ali), nem fazer qualquer revolução – só poucas escaramuças contra tropas lusitanas que tardaram em reconhecer que havia um novo Senhor naquelas terras –, até que enfim eu não mais precisaria receber ordens de algum rei distante, nem me inclinar para aqueles ingleses arrogantes (ainda que eu precisasse do dinheiro deles).

Mas o fato é que eu fiquei logo na penúria, pois meu augusto pai presumido me deixou algumas dívidas não declaradas – sobretudo a que ele mesmo havia contraído com os gananciosos banqueiros da City –, além de exigir que eu lhe pagasse umas propriedades que havia adquirido nas proximidades, coisas construídas pelos escravos que os seus aduladores continuava a trazer das costas d’África, a despeito da recomendação do Bonifácio para que se extinguisse imediatamente o tráfico e se substituísse a escravidão pelo trabalho livre, em médio prazo. O Bonifácio, José, e seus irmãos, sobretudo o Antonio Carlos, que se meteu a jurista, depois de andar a perturbar nas Cortes de Lisboa, começaram justamente a me causar alguns problemas, querendo, por exemplo, fazer uma Constituição de base excessivamente parlamentar, não me deixando muitos poderes, com o que eu tive de mandar fechar aquela nova bagunça, banir os Andradas do Brasil e ordenar que se fizesse uma Carta constitucional ao meu feitio, dando me “poderes moderadores” para poder controlar novos pretendentes a exercer o seu próprio arbítrio, não o meu, muito mais esclarecido.

Os reinos europeus tardaram a reconhecer a minha independência, não antes que o fizessem aqueles caipiras da América do Norte, uma república alegadamente democrática, mas separada em estados dotados de muita autonomia, o que não exatamente me convinha, pois poderia vir a ser a semente de alguma guerra civil no futuro. Ainda tive de pagar pelo reconhecimento diplomático da parte daqueles que primeiro mandaram nestas terras, o que abriu o caminho para que outros reinos, coalizados na Santa Aliança, também consentissem na formalidade, o que muito me custou em críticas de alguns recalcitrantes vocais, certamente republicanos enraivecidos, por não se ter adotado o seu regime favorito. Houve até um frade nas bandas do Nordeste que tentou uma confederação com outros tresloucados da região, o que teve de ser reprimido pouco meses depois que outorguei uma nova Carta do Império.

Se não bastassem os ruídos internos, causados por jornalistas muito abusados – aos quais eu tinha de aplicar uns corretivos volta e meia –, começou uma guerrilha lá pelos lados da Cisplatina, herança antiga dos tempos coloniais, que logo se transformou em guerra dos argentinos contra nós, uma das piores coisas na vida de um Império satisfeito de si mesmo. Os ingleses, metidos como de sempre, logo arranjaram para fazer daquela nossa província um “algodão entre cristais”, um Estadinho novo, pequeno, mas justo no caminho entre nós e os hermanos do outro lado do Prata. Os ingleses, aliás, continuavam a fazer exigências, com os seus tratados desiguais no comércio e nos privilégios de extraterritorialidade para os seus súditos, querendo que terminássemos de pronto com um comércio vital para a nossa vida e economia: os dos trabalhadores que comprávamos legalmente nas costas da África.

Nós até fizemos um “tratado para inglês ver”, mas eles não acreditaram na bazófia. Enfim, as querelas externas e domésticas foram tantas, que lá pelas tantas resolvi mandar de volta o rapazito importado com a família dos Braganças fugidos de Portugal, tanto mais que ele tinha umas pendências a resolver contra o irmão, metido a autocrata e usurpador. E foi assim que terminou, aos oito anos da autonomia conquistada, aquele meu primeiro reinado, passando o meu Império a viver sob constantes revoltas e regências das mais inconstantes, até que eu tratei de fazer um novo arranjo para governar por mais algum tempo, muito tempo. Mas isso é uma história que vou contar com mais vagar, assim que recompor meus poderes…

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5342, 6 junho 2026, 4 p.

Revista Será? Desde 2012 acompanhando o fluxo da história. ANO XIV Nº715 Recife, 26 de junho de 2026: artigos inteligentes é aqui mesmo

 

ANO XIV Nº715 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº715

 Recife, 26 de junho de 2026

 

Caro leitor,

Compreender o presente exige mais do que acompanhar os fatos: exige interpretá-los à luz da história, da cultura e das ideias. Nesta edição, a Revista Será? reúne autores que analisam alguns dos grandes desafios do nosso tempo, oferecendo reflexões que ultrapassam o noticiário e convidam ao pensamento crítico.

Abrimos com nosso Editorial, "O Brasil e a onda trumpista na América do Sul", uma análise da nova configuração geopolítica do continente e dos desafios à democracia brasileira.

Sérgio C. Buarque, em "O maior espetáculo da terra", revela como a Copa do Mundo transcende o esporte para se tornar expressão de cultura, identidade e globalização.

Em "A reforma tardia de Cuba", Hubert Alquéres examina os impasses do regime cubano e as reformas que chegam após décadas de resistência.

Elimar Pinheiro do Nascimento, em "Luzes Tenebrosas", analisa a ascensão do neorreacionarismo e sua influência sobre a política contemporânea.

Em "Voz e Política", Paulo Gustavo investiga como a voz molda lideranças, desperta emoções e participa da construção do poder.

No quarto capítulo de "Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido", Paulo Roberto de Almeida revisita, com originalidade e erudição, a formação do Estado brasileiro.

Em "Dom Luciano", José Paulo Cavalcanti Filho recupera um episódio marcante da redemocratização e presta homenagem a uma das grandes referências éticas do país.

Por fim, em "A menina Lyhanna", Rui Martins transforma um crime que chocou a França em uma reflexão sobre a proteção da infância e a responsabilidade da sociedade diante da violência sexual.

Na Última Página, a charge de Elson encerra a edição com o olhar crítico e bem-humorado que já se tornou uma marca da Revista Será?.

Boa leitura.

Os Editores

Índice

  1. O Brasil e a onda trumpista na América do Sul – Editorial
  2. O maior espetáculo da terra - Sérgio C. Buarque
  3. A reforma tardia de Cuba - Hubert Alquéres
  4. Luzes Tenebrosas - Elimar Pinheiro do Nascimento
  5. Voz e Política - Paulo Gustavo
  6. Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido -  Paulo Roberto de Almeida.
  7. Dom Luciano - José Paulo Cavalcanti Filho
  8. A menina Lyhanna - Rui Martins
  9. Última Página, a charge de Elson

 

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Ainda sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, Paulo Roberto de Almeida -Comentários recebidos de Demoiselle IA, via Airton Dirceu Lemmertz

Ainda sobre a mais importante questão diplomática da atualidade

Paulo Roberto de Almeida

Comentários recebidos de Demoiselle IA, via Airton Dirceu Lemmertz

        Neste dia 26 de junho de 2026, tendo me informado sobre os mais recentes desenvolvimentos relativos à guerra de agressão da Rússia de Putin contra a Ucrânia de Zelensky, e constatado a derrota estratégica imposta pelo agredido ao agressor, visualizado nos canais apropriados os sofrimentos impostos pelo tirano de Moscou à sua própria população, assim como aos ocupantes temporários (invasores) da península ucraniana da Crimeia, desde sua invasão em 2014, bem como, e principalmente, a toda a população ucraniana, vítima de massacres diários contra prédios civis (inclusive creches e escolas), e concluído pela derrota do agressor, mas sempre descontente com a postura pusilânime, de fato de complacência e apoio velado ao agressor, efetuei uma postagem em meu blog Diplomatizzando criticando, uma vez mais, a falta de critério da política externa oficial do governo brasileiro, que segue complacente em face dos piores crimes de guerra e de crimes contra a humanidade, perpetrados pelo ditador neoczarista, que foi postado no link que segue abaixo. Após essa postagem, recebi dois comentários de Demoiselle IA, viabilizados por consultas a ela por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, que tenho o cuidado de transcrever abaixo, para conhecimento dos interessados na mais importante questão da atualidade internacional, como designei o presente conflito, na verdade guerra de agressão.
Quero publicamente lamentar, uma vez mais, o apoio objetivo do governo Lula a um agressor deliberado do Direito Internacional e violador do direito humanitário, dada a aliança contraída com o criminoso de guerra no contexto do monstro Frankenstein chamado BRICS. Não tenho palavras para expressar meu horror ante essa postura, que aliás está também conforme à atitude do atual dirigente dos EUA, um aliado submisso ao ditador moscovita.

 
Paulo Roberto de Almeida, 26/06/2026

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Comentários de Madame IA:

1) Primeiro comentário:


Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html

Capítulo 1: O Questionamento da Conduta Institucional Frente à Agressão Geopolítica
O ensaio examinado, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, de autoria do diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida, foi redigido e publicado em Brasília no dia vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis. O texto se estrutura a partir de uma indagação crítica e irônica direcionada pelo autor aos seus colegas de corporação e aos leitores em geral. Ele questiona se a Presidência da República ou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão articulando o envio de uma nota formal de solidariedade ao mandatário russo Vladimir Putin diante do avanço das contraofensivas na península da Crimeia. [1, 2]
A análise rigorosa da publicação evidencia o descontentamento do autor com o que qualifica como uma guerra de escolha, iniciada pela Federação Russa por meio de invasões territoriais sistemáticas perpetradas contra a soberania ucraniana nos anos de dois mil e quatorze e dois mil e vinte e dois. O pensador utiliza a ironia para denunciar os sacrifícios logísticos impostos aos ocupantes provisórios dessas regiões, que atualmente enfrentam escassez severa de combustíveis tanto nas linhas de combate quanto na retaguarda estratégica. [1, 2]
Capítulo 2: Decodificação do Viés Partidário e a Erosão do Patrimônio Jurídico
Subcapítulo 2.1: A Continuidade do Alinhamento Míope entre Diferentes Gestões
O núcleo da desconstrução conceitual do texto reside na denúncia de uma cegueira deliberada que acomete a formulação da política externa brasileira recente. O autor decodifica o comportamento do corpo diplomático profissional ao apontar a sua incapacidade crônica de convencer os sucessivos mandatários do Poder Executivo federal a respeito da existência inequívoca de um polo agressor e de um polo agredido no conflito do Leste Europeu. Segundo o diagnóstico crítico apresentado, tanto a administração de Jair Bolsonaro quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva operaram sob um desalinhamento normativo em relação ao Direito Internacional. Esta postura representaria uma transgressão direta aos preceitos elementares estipulados na Carta das Nações Unidas, rompendo com uma tradição de neutralidade legal que o Brasil preservava desde os períodos anteriores à consolidação da referida carta multilateral. [1, 2]
Subcapítulo 2.2: O BRICS como Anomalia Estratégica e o Ostracismo Profissional
O autor estende seu marco analítico retrospectivo para classificar o fenômeno histórico que denomina como lulopetismo diplomático, cujos efeitos teriam vigorado inicialmente entre dois mil e três e dois mil e dezesseis, retornando à atividade a partir do ano de dois mil e vinte e três. Ele estabelece uma equivalência crítica entre esse modelo corporativo e o período que qualifica como o horror diplomático da gestão de Bolsonaro, caracterizando ambos como manifestações de uma esquizofrenia institucional. No entendimento do especialista, a persistência dessas orientações resultou na inserção do Brasil em arranjos multilaterais disfuncionais, definindo explicitamente o bloco dos BRICS como um Frankenstein diplomático. A defesa intransigente dessa tese e a denúncia da perda de autonomia decisória frente aos interesses das grandes potências globais foram os fatores determinantes para que o autor fosse submetido ao isolamento acadêmico e ao ostracismo funcional dentro do Itamaraty. [1, 2, 3, 4]

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2) Segundo comentário:

Analise, de modo mais detalhado e mais crítico, o conteúdo da última postagem apresentada.

Capítulo 1: O Pragmatismo Deformado e a Crise de Identidade do Itamaraty
O ensaio do diplomata Paulo Roberto de Almeida, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade e datado de vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis, constitui um manifesto de ruptura intelectual contra o atual direcionamento da política externa brasileira. O cerne da crítica reside na denúncia de um pragmatismo deformado, que o autor identifica tanto no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva quanto na gestão anterior de Jair Bolsonaro. Para o ensaísta, a incapacidade do corpo diplomático em induzir os mandatários a reconhecer a distinção jurídica elementar entre o Estado agressor (Rússia) e o Estado agredido (Ucrânia) não representa apenas um erro de cálculo geopolítico, mas uma erosão civilizatória das bases normativas que fundamentaram a inserção do Brasil no mundo moderno.
A análise detalhada do texto revela que o autor enxerga o Itamaraty contemporâneo não mais como uma instituição guardiã da legalidade internacional, mas como um aparato burocrático capturado por simpatias ideológicas e conveniências personalistas. Ao classificar as ações da Federação Russa na Crimeia e no Donbas como uma guerra de escolha, Almeida desconstrói a narrativa de que o conflito no Leste Europeu é uma consequência inevitável da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ele reposiciona o foco sobre a soberania territorial e a violação flagrante da Carta das Nações Unidas, argumentando que a complacência brasileira desidrata o patrimônio jurídico que a diplomacia profissional construiu com rigor antes mesmo de mil novecentos e quarenta e cinco.
Capítulo 2: Decodificação Conceitual da Aberração Multilateral
Subcapítulo 2.1: O BRICS como um Frankenstein Diplomático
Um dos pontos de maior densidade analítica do documento é a desmistificação do bloco dos BRICS, classificado pelo cientista político como um Frankenstein diplomático. A decodificação dessa metáfora revela a contradição inerente a uma coalizão que costura, de forma artificial, democracias emergentes com regimes autocráticos e revisionistas dotados de ambições imperialistas. Almeida sustenta criticamente que a priorização desse arranjo desvia o Estado brasileiro de sua verdadeira urgência nacional, que deveria ser o desenvolvimento econômico e social interno amparado pela atração de investimentos produtivos e pela integração a mercados dinâmicos e transparentes. Ao atrelar-se ao bloco, o Brasil abdica de sua plena autonomia decisória para atuar, de forma satélite, em favor dos interesses de grandes potências autoritárias.
Subcapítulo 2.2: O Ostracismo como Preço da Racionalidade
A abordagem do autor assume um tom de denúncia institucional ao expor os mecanismos de cancelamento corporativo existentes na estrutura do serviço exterior brasileiro. O fato de suas posições rigorosamente pautadas no Direito Internacional terem culminado em seu ostracismo no Itamaraty e no distanciamento acadêmico evidencia uma patologia institucional contemporânea: a penalização do pensamento dissidente e o triunfo do conformismo burocrático. A crítica estende-se ao conceito de lulopetismo diplomático, um modelo que, segundo a exegese do autor, instrumentaliza a política externa para fins de projeção partidária e afinidades retóricas com o Sul Global, gerando um isolamento prático travestido de protagonismo.
Capítulo 3: A Ilusão da Neutralidade e o Desfecho Histórico Inevitável
O ensaio encerra-se com uma projeção sombria, porém confiante na força corretiva da história. O autor antecipa que um próximo desenlace da crise geopolítica global — a qual ele equipara em gravidade ao cenário de mil novecentos e quarenta e cinco — servirá como um choque de realidade capaz de desmascarar as orientações equivocadas adotadas pelo Brasil desde o início do século vinte e um. A neutralidade exibida pelo país é decodificada como uma omissão cúmplice que enfraquece a autoridade moral da diplomacia brasileira para atuar como mediadora em crises futuras.

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Fim dos comentários de Demoiselle IA:

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5372, 26 junho 2026, 2 p.


Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a derrota estratégica russa na sua guerra de agressão contra a Ucrânia e a postura pró-Rússia do governo Lula.

  

Um questionamento que faço, não tanto como diplomata, mas como simples cidadão brasileiro, a meus colegas diplomatas e a meus leitores de maneira geral.

Lula ou o Itamaraty, que se ocupam de muitos assuntos internacionais, estão enviando uma cartinha, ou uma nota de solidariedade ao amigo Putin, nesta hora tão difícil para ele e para toda a população russa, especialmente a dos ocupantes provisórios da península ucraniana da Crimeia, invadida em 2014, oito anos antes da guerra de agressão de 2022 a toda a Ucrânia, pelos momentos angustiosos pelos quais estão passando, sem gasolina para trabalhar ou se movimentar, com tantos sacrifícios enfrentados no Donbas, nas linhas de frente e de retaguarda, causados por uma guerra de escolha?

Esta é uma pergunta que faço pois que desde o governo Bolsonaro, meus colegas diplomatas nunca conseguiram convencer o próprio e depois o Lula, em todos esses quatro anos, de que naquele conflito havia um agredido e um agressor, havia uma violação clara da Carta das Nações Unidas, uma transgressão brutal das normas mais elementares do Direito Internacional, que a diplomacia profissional brasileira respeitava DESDE ANTES da Carta da ONU, e que os governos posteriores ao de Dilma Rousseff não conseguiram preservar esse patrimônio jurídico de nossa diplomacia.

Meus questionamentos à diplomacia presidencial enviesada, a uma política externa míope se estenderam durante um período ainda mais largo de nossa história recente, desde o início do chamado lulopetismo diplomático dos anos 2003-2016, continuaram durante o horror diplomático que suportamos durante o governo esquizofrênico de Bolsonaro (e não só na política externa), e voltaram a se manifestar desde a volta do lulopetismo diplomático em 2023. 

Gostaria de reforçar meu posicionamento, quase solitário, que me custou o ostracismo no Itamaraty e certo distanciamento de colegas acadêmicos, que nunca admitiram que o BRICS é um Frankenstein diplomático, que traz mais problemas do que soluções a um Brasil que deveria estar concentrado em seu desenvolvimento econômico e social, mediante uma política externa completamente independente dos interesses nacionais das grandes potências, uma diplomacia que deveria conservar sua plena autonomia decisória em todos os quadrantes em que se exercem nosso engenho e arte no campo das relações internacionais.

Acredito que um próximo desenlace da mais grave crise nas relações internacionais desde 1945 habilitará meus colegas diplomatas e os brasileiros em geral a examinar com um maior grau de racionalidade as orientações equivocadas que foram as nossas desde o início do presente século.

Vou elaborar sobre estas questões mais profundamente.

 

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 26/06/2026

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Comentários de Madame IA: 

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Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida: 

 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html 

 

Capítulo 1: O Questionamento da Conduta Institucional Frente à Agressão Geopolítica

O ensaio examinado, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, de autoria do diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida, foi redigido e publicado em Brasília no dia vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis. O texto se estrutura a partir de uma indagação crítica e irônica direcionada pelo autor aos seus colegas de corporação e aos leitores em geral. Ele questiona se a Presidência da República ou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão articulando o envio de uma nota formal de solidariedade ao mandatário russo Vladimir Putin diante do avanço das contraofensivas na península da Crimeia. [12]

A análise rigorosa da publicação evidencia o descontentamento do autor com o que qualifica como uma guerra de escolha, iniciada pela Federação Russa por meio de invasões territoriais sistemáticas perpetradas contra a soberania ucraniana nos anos de dois mil e quatorze e dois mil e vinte e dois. O pensador utiliza a ironia para denunciar os sacrifícios logísticos impostos aos ocupantes provisórios dessas regiões, que atualmente enfrentam escassez severa de combustíveis tanto nas linhas de combate quanto na retaguarda estratégica. [12]

Capítulo 2: Decodificação do Viés Partidário e a Erosão do Patrimônio Jurídico

Subcapítulo 2.1: A Continuidade do Alinhamento Míope entre Diferentes Gestões

O núcleo da desconstrução conceitual do texto reside na denúncia de uma cegueira deliberada que acomete a formulação da política externa brasileira recente. O autor decodifica o comportamento do corpo diplomático profissional ao apontar a sua incapacidade crônica de convencer os sucessivos mandatários do Poder Executivo federal a respeito da existência inequívoca de um polo agressor e de um polo agredido no conflito do Leste Europeu. Segundo o diagnóstico crítico apresentado, tanto a administração de Jair Bolsonaro quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva operaram sob um desalinhamento normativo em relação ao Direito Internacional. Esta postura representaria uma transgressão direta aos preceitos elementares estipulados na Carta das Nações Unidas, rompendo com uma tradição de neutralidade legal que o Brasil preservava desde os períodos anteriores à consolidação da referida carta multilateral. [12]

Subcapítulo 2.2: O BRICS como Anomalia Estratégica e o Ostracismo Profissional

O autor estende seu marco analítico retrospectivo para classificar o fenômeno histórico que denomina como lulopetismo diplomático, cujos efeitos teriam vigorado inicialmente entre dois mil e três e dois mil e dezesseis, retornando à atividade a partir do ano de dois mil e vinte e três. Ele estabelece uma equivalência crítica entre esse modelo corporativo e o período que qualifica como o horror diplomático da gestão de Bolsonaro, caracterizando ambos como manifestações de uma esquizofrenia institucional. No entendimento do especialista, a persistência dessas orientações resultou na inserção do Brasil em arranjos multilaterais disfuncionais, definindo explicitamente o bloco dos BRICS como um Frankenstein diplomático. A defesa intransigente dessa tese e a denúncia da perda de autonomia decisória frente aos interesses das grandes potências globais foram os fatores determinantes para que o autor fosse submetido ao isolamento acadêmico e ao ostracismo funcional dentro do Itamaraty. [1234]

 

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Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5372, 26 junho 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html ).

 

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