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domingo, 19 de janeiro de 2020

Cai o secretário, fica o projeto - Miriam Leitão (O Globo)

Cai o secretário, fica o projeto

Miriam Leitão
O Globo, 18/01/2020

Roberto Alvim caiu. O ex-secretário de Cultura era até caricato. Não apenas plagiou Joseph Goebbels, o ideólogo de Hitler, ele imitava seus trejeitos, seu penteado e o reverenciava em objetos na sala. Alvim estava à vontade na transmissão da noite da quinta-feira, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que o elogiou. Ele não é mais o secretário. Foi derrubado pela imprudência de ter copiado e colado a fala de Goebbels. O projeto que ele estava colocando em prática permanece e não era só dele. A ideia de que a cultura possa ser limitada, censurada, dirigida e usada para alavancar uma delirante e perigosa visão de mundo, de país e de poder continua nos editais, decisões e nas ideias de muitos integrantes do atual governo.
Goebbels era o ministro da mentira. Ele sabia a força estratégica da mentira e a usou para deflagrar perseguições contra os adversários políticos. Ele foi o agente que criou o ambiente social em que o nazismo prosperou e que permitiu a mais hedionda das tragédias do século XX: o assassinato em massa dos judeus em campos de concentração. O que aconteceu aos judeus no holocausto afeta cada pessoa, seja de que etnia ou credo for e em que país esteja. É a lição mais cara que a História nos deixou. Não se brinca com um crime dessa dimensão. Jamais. 
Não é aceitável ouvir o que ouvimos na boca de um integrante do governo brasileiro. A lei 9.459 de 1997 pune com a pena de dois a cinco anos a divulgação de símbolos do nazismo. A liberdade de expressão é total numa democracia, mas isso está na categoria do inadmissível.O fato de ele ter sido demitido, após a natural comoção que provocou no país, não elimina as muitas dúvidas que nos rondam. Roberto Alvim não tinha evidentemente a força que teve o ministro da propaganda de Adolf Hitler, mas a dúvida é: o que quer um governo em que um secretário se sente à vontade para fazer a evocação de um notório genocida? E isso logo depois de ser coberto de elogios pelo presidente da República.

— Ao meu lado, o Roberto Alvim, o nosso secretário de cultura. Depois de décadas, agora temos sim um secretário de cultura de verdade. Que atende o interesse da maioria da população brasileira. População conservadora e cristã. Muito obrigado por ter aceito essa missão. Você sabia que não ia ser fácil né? — disse Bolsonaro, tendo de um lado o então secretário de Cultura e do outro o ministro da Educação. Os dois braços de qualquer projeto totalitário.
A transmissão inteira da quinta-feira à noite com Weintraub e Alvim foi deprimente. O ministro da Educação defendeu, sendo ecoado pelo presidente, as escolas cívico-militares como se fossem a única e milagrosa solução para todos os complexos problemas da educação brasileira. Alvim contou ao presidente que lançaria ao final de fevereiro um edital de cinema. “Cinema sadio, ligado aos nossos valores, aos nossos princípios.”
Tanto na transmissão, quanto no video em que declamou Goebbels, o ex-secretário fez um movimento recorrente neste governo, que é se apropriar politicamente do sentimento de família, do amor à pátria e da devoção a Deus. Como se Deus, a família, e o país fossem monopólios do atual governo e só agora estivessem sendo defendidos. Esta é a estratégia mais perversa para falar com uma parte grande da população, capturar evangélicos, manipular as pessoas como se esse governo fosse a encarnação dos valores do cristianismo.
A arte, como disse a imensa Fernanda Montenegro, resistirá nas catacumbas. Ela é múltipla, ela é diversa, ela explode, frutifica e surpreende. Mas o que Alvim estava dizendo, quando foi interrompido, é que existe um plano para despejar milhões em obras encomendadas. O que Bolsonaro disse na transmissão foi em reescrever a história do Brasil, como todos os projetos totalitários fizeram. “Vamos contar a história verdadeira do Brasil de 1500 até agora”, disse Bolsonaro, ao lado de Alvim. O ex-secretário repetiu: “Vai ser a maior política cultural do seu governo e ouso dizer uma das maiores políticas de incentivo à cultura da história do Brasil. É um edital que vai patrocinar em várias categorias obras inéditas. Vamos escolher e lançar.” A cultura sob encomenda, a arte fabricada para um projeto de poder, a história reescrita e num governo que exalta torturadores. O secretário se foi, mas todo o projeto ficou. A questão central é simples: Roberto Alvim não estava só, nem falava sozinho.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Duzentos anos de capital diplomático jogados fora - Andre Motta Araujo

Ao se colocar o clic sobre a foto dos dois, a indicação é a seguinte: Bozo Arnesto.
Quem colocou foi o fotógrafo...

Duzentos anos de capital diplomático jogados fora, por Andre Motta Araujo

Reprodução Tv Globo

Duzentos anos de capital diplomático jogados fora

por Andre Motta Araujo

Uma das diplomacias mais profissionais do mundo, uma das duas nas Américas que tem Escola de Diplomatas (a outra é os EUA), cuja marca  secular foi o EQUILÍBRIO, a sensatez, a capacidade de dialogar com todos os regimes sem se comprometer com eles, uma ESPECIAL qualificação de bem se colocar, bem se representar nas grandes conferências e eventos, nos organismos multilaterais, na alta capacidade de entender e se posicionar em conflitos, razão pela qual o Brasil era (dificilmente será mais) o País MAIS REQUISITADO para compor Missões de Paz da ONU porque aceito por todos os lados, sem vetos, uma diplomacia SEM IDEOLOGIA e sempre pronta a arbitrar e a representar o espírito civilizatório, com grandes nomes de  espíritos refinados, treinados.
No início, com José Bonifácio, depois figuras como o Visconde de Sepetiba, o Visconde do Rio Branco (pai), o Barão de Cotegipe (João Mauricio Wanderley), o Marques de Abrantes, o Visconde do Abaeté, o Visconde de Caravelas, o Marques de Paranaguá. Já na República com Quintino Bocayuva, o Barão do Rio Branco por quase dez anos, na 2ª, 3ª e 4ª Republicas com Oswaldo Aranha, Leão Velloso (4 vezes), Afonso Arinos, Evandro Lins e Silva, Gibson Barbosa, Azeredo da Silveira, Saraiva Guerreiro, Luís Felipe Lampreia, grande parte deles acadêmicos, escritores, intelectuais de escol. As memórias de diplomatas brasileiros já publicadas formam uma biblioteca, como as de Heitor Lyra em dois volumes, os grandes nomes quase todos escreveram suas memórias, Saraiva, Gibson, Leitão da Cunha, Afonso Arinos, diplomatas são bons escritores pela cultura e conhecimento do idioma.
A DIPLOMACIA DOS GOVERNOS DO PT
Dirão alguns que a diplomacia dos governos do PT também tinha viés. Sim, havia um viés progressista, MAS jamais de nível extremado e prejudicando relações com outros blocos e países. Nos seus dois mandatos, de 2003 a 2010, Lula foi aos EUA por SETE VEZES em viagens oficiais: a primeira antes da posse em 9 de dezembro de 2002, a segunda em 30 e 31 de março de 2006, quando foi recebido na casa de campo presidencial, Camp David, uma deferência rara, quando o Presidente Bush está com a família para descansar, depois em 24 de julho de 2007, depois em 14 de novembro de 2008, em 14 de março de 2009, logo em seguida em 24 de setembro de 2009 e finalmente em 12 de abril de 2010.
Lula tornou-se um Presidente querido nos EUA. George Bush o admirava, sendo ele a quintessência do Republicano conservador, havia notável empatia de Bush Jr. com Lula.
A Presidente Dilma foi aos EUA por três vezes em viagens oficiais, sempre recebida no mais alto nível.
As boas relações do Governo Bush com o PT e com Lula começaram antes da posse, ainda em 2002, com uma reunião sigilosa em São Paulo entre o então Subsecretário de Estado Otto Reich, personagem muito próximo à família Bush e José Dirceu, quando se traçaram as linhas básicas de convívio do novo governo com os EUA. José Dirceu passou a ser a “pessoa de relacionamento” com os EUA, a tal ponto que mesmo depois de sua queda, em 2005, a Secretária de Estado Condolezza Rice, quando veio ao Brasil, quis almoçar com ele antes de começar a viagem oficial. Dirceu esteve muitas vezes nos EUA e sempre foi recebido na cúpula do governo e de Wall Street.
Portanto o “viés progressista” do governo do PT jamais implicou em conflito com a cúpula dos países ocidentais, ideologia nunca foi elemento desagregador de diplomacia, os interesses do País sempre prevaleceram.
Outro símbolo evidente da qualidade das relações diplomáticas do Governo do PT foi o Prêmio CHATAM HOUSE, do Royal Institute of International Affairs, conferido em 2009 ao Presidente Lula. Esse Prêmio é a mais alta honraria conferida a um Chefe de Estado por um organismo de relações internacionais que tem o maior prestígio entre todos no mundo. A instituição tem como patrona a Rainha Elizabeth II, e Chatam House é o palácio onde funciona o instituto, presidido por Lord Fraser. O prêmio foi entregue em um jantar com a presença de 450 convidados, a nata da aristocracia de Estado e de negócios do Reino Unido. Nenhum outro brasileiro recebeu esse prêmio, conferido a uma só pessoa a cada ano, uma honraria de excepcional qualidade.
UMA DIPLOMACIA ECLÉTICA – A diplomacia brasileira teve ciclos menos e mais próximos aos EUA, houve fases chamadas “independentes” nos governos Goulart e Janio Quadros. Notavelmente nos governos militares, a diplomacia no Governo Geisel se afastou dos EUA por razões estratégicas, especialmente em relação à política nuclear. MAS a diplomacia brasileira sempre manteve um alto nível de convívio com todos os países, de esquerda ou direita, tradição antiga de equidistância e proteção dos interesses nacionais.
Conflitos gratuitos por razões ideológicas só ocorreram antes, no governo Dutra, com o rompimento de relações com a então URSS e volta agora em escala muito maior e primitiva no atual governo, com a provocação de conflitos ideológicos gratuitos e pueris com países chaves de nossas relações tradicionais como França e Argentina, com evidentes prejuízos de longo prazo.
Nesta fase diplomática, o Brasil perde seu imenso capital geopolítico de País de equilíbrio na América do Sul, deixa de ser interlocutor em conflitos regionais, não pode operar como influenciador em crises de seus vizinhos, passa a ser evitado até em consultas, uma espécie de pária diplomático.
Também há notáveis prejuízos em relações especiais com países da África e do Oriente Médio, lembrando que nesse teatro o Brasil já foi grande ator em crises no Egito (caso Suez) e parceiro número um do Iraque, onde o nosso Embaixador era um general da ativa do Alto Comando do Exército, Samuel Alves Correa e o Iraque garantiu por quatro anos o suprimento de petróleo para o Brasil sem pedir o pagamento em dólares.
Para um País que precisa crescer, a diplomacia eclética e sem preconceitos é um ativo fundamental, hoje muito danificado por um primarismo indigno de um grande País com interesses globais complexos e que hoje se perde em picuinhas e bobagens muito abaixo do interesse estratégico nacional.
AMA

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Reforma agraria: uma das obsessões equivocadas do Brasil

O Brasil, ou melhor, certos brasileiros continuam alimentando obsessões equivocadas no plano econômico e das dinâmicas sociais. Uma delas é a tal de "casa própria", que congela e desvia muito capital privado e público, por um atavismo com pouco realismo em relação a um mercado imobiliário flexível e dinâmico.
Outra obsessão, totalmente superada atualmente, é com a famosa "reforma agrária", tema já anacrônico nos anos 1960, quando ela continuou a ser agitada por movimentos bolcheviques como o MST ou outros.
Se existe concentração da propriedade, em poucos proprietários, é muito fácil aos órgãos de fiscalização o controle da utilização dessas terras, a cobrança dos impostos devidos e eventuais demandas para atender a essa outra loucura constitucional que é a "função social da propriedade", uma grande bobagem, pois uma indústria, um comércio, um outro estabelecimento qualquer não precisa cumprir nenhuma "função social". Empresas, agrícolas ou outras, são feitas para produzir, vender, e lucrar, de forma totalmente livre. Se algum proprietário "ecologista" preferir deixar suas propriedades entregues ao mato, aos animais, à cosnervação do bioma original, o Estado não tem nada a ver com isso, pois propriedade é propriedade, não cabendo ao Estado dizer como o seu proprietário deva cumprir esta ou aquela função.
Apenas Estados fascistas pretendem se imiscuir em propriedades privadas.
Paulo Roberto de Almeida
 
O Globo, 25/10/2019

O Brasil registrou recorde na concentração de áreas rurais nas mãos de grandes produtores: 1% das propriedades ocupa quase metade do território agrícola do país, segundo o Censo Agropecuário, divulgado pelo IBGE. Em contrapartida, 50% dos estabelecimentos com até 10 hectares representam apenas 2,3% do campo. De todas as regiões, somente no Nordeste houve redução do índice que afere a desigualdade.

Em detalhes: 77% dos estabelecimentos brasileiros são de agricultura familiar. Mas o setor tem perdido trabalhadores. Ao todo, no país, 1,5 milhão de pessoas deixaram de trabalhar nas lavouras e na pecuária.

Em paralelo: a pesquisa também mediu o uso de agrotóxicos no campo. Mais de 1,6 milhões de produtores utilizam defensivos agrícolas. Só que três em cada cinco aplicam o produto sem ter orientação técnica.

sábado, 12 de outubro de 2019

Trump dá uma banana ao Brasil na questão da OCDE - O Globo e Bloomberg

EUA não endossam proposta do Brasil na OCDE após apoiá-la publicamente

Secretário de Estado declara apoio só a candidaturas da Argentina e da Romênia e ignora uma das principais apostas da política externa do governo Bolsonaro; Trump e Pompeo garantem que apoio americano ao Brasil segue válido

O Globo e Bloomberg
10/10/2019 - 12:00 / Atualizado em 10/10/2019 - 23:07
O presidente Jair Bolsonaro aperta a mão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após sessão da Assembleia Geral da ONU Foto: Alan Santos / Presidência da República 24-9-19
O presidente Jair Bolsonaro aperta a mão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após sessão da Assembleia Geral da ONU Foto: Alan Santos / Presidência da República 24-9-19
WASHINGTON —  O governo dos EUA não endossou a proposta do Brasil de ingressar na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE), após as principais autoridades americanas a apoiarem publicamente , revelou a Bloomberg nesta quinta-feira.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo , rejeitou um pedido para discutir mais ampliações do clube dos países mais ricos, de acordo com uma cópia de uma carta enviada ao secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, em 28 de agosto à qual a Bloomberg teve acesso. Ele acrescentou que Washington apoia apenas as candidaturas de adesão de Argentina e Romênia.
“Os EUA continuam a preferir a ampliação a um ritmo contido que leve em conta a necessidade de pressionar por planos de governança e sucessão”, afirmou o secretário de Estado na carta.
Segundo o Valor, Pompeo rejeitou um plano de Gurría que previa a ampliação da OCDE com seis países, com um cronograma definido para início de negociações: Argentina imediatamente; Romênia em dezembro; Brasil em maio de 2020; Peru em dezembro de 2020; e Bulgária em maio de 2021, com Croácia ficando para o futuro. Pompeo, sem dar explicações, aceitou apenas Argentina e Romênia, e o parágrafo que mencionava os prazos de Brasil, Peru e Bulgária foi cortado.
A mensagem se afasta da posição pública dos EUA sobre o assunto. Em março, o presidente Donald Trump disse em entrevista coletiva conjunta com o presidente Jair Bolsonaro na Casa Branca que apoiava à adesão do Brasil ao grupo de 36 membros, conhecido como “o clube dos países ricos”, um apoio que foi reiterado em maio . Em julho, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, reiterou o apoio de Washington ao Brasil durante uma visita a São Paulo.
Horas depois da divulgação da carta, porém, o presidente Donald Trump chamou de "f alsa " a informação publicada pela Bloomberg, falando sobre as intenções americanas. Segundo eles, o memorando assinado em março pelos dois presidentes "deixa absolutamente claro" que ele apoia o "início do processo do Brasill para uma admissão plena na OCDE". Mas também não deu prazos.
Mais cedo, o secretário de Estado, Mike Pompeo foi na mesma linha .
Os EUA apoiam a ampliação comedida da OCDE e um eventual convite ao Brasil, mas dedicam-se primeiro ao ingresso de Argentina e Romênia, tendo em vista os esforços de reforma econômica e o compromisso com o livre mercado desses países, disse uma autoridade sênior dos EUA, que pediu para não ser identificada por não ter autorização para discutir deliberações políticas internas em público.
Na tarde desta quinta, a embaixada americana informou, em nota, que os EUA continuam a apoiar a entrada do Brasil na OCDE . De acordo com o texto publicado em seu site, a expansão do organismo deve ocorrer de forma "gradual", e juntamente com um projeto de mudança na governança da organização. A nota, contudo, não fala em prazos e não comenta a decisão americana de priorizar a Argentina e a Romênia em detrimento da candidatura brasileira. 
O endosso dos EUA à entrada brasileira na OCDE no início deste ano foi um dos primeiros claros benefícios obtidos pelo estreito alinhamento de Bolsonaro com o governo Trump.  A entrada no grupo é considerada uma das principais apostas da política externa do Brasil. Ao GLOBO, o Ministério da Economia informou que não vai comentar o assunto.
Durante a viagem de Bolsonaro a Washington em março, o Brasil ofereceu acesso dos EUA à plataforma de lançamento de foguetes de Alcântara, no Nordeste do país, viagens sem visto para turistas dos EUA e cooperação na questão da Venezuela. O Brasil também  se comprometeu a abrir mão do status de nação em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio ( OMC ), o que lhe dava benefícios como prazos maiores para a adequação a acordos comerciais e regras mais flexíveis na concessão de subsídios industriais.
Trump, em troca, cumpriu a promessa de designar o Brasil como um aliado importante extra-Otan, status que permite a obtenção de material bélico a custos menores. Críticos do acordo questionaram se o apoio dos EUA se materializaria.
O governo brasileiro não respondeu a vários pedidos de comentários. Um funcionário da imprensa da OCDE em Paris também não comentou imediatamente.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil já tinha sido avisado que  não seria imediatamente apoiado pelos Estados Unidos, informou a jornalista Cristiana Lôbo, da Globonews. Segundo Guedes, o Brasil poderá ainda ser apoiado no futuro.
— Desde o encontro do presidente Bolsonaro com Trump, lá em Washington, isso já havia ficado claro — disse Guedes, tentando minimizar o impacto negativo interno da decisão dos Estados Unidos.
Ao site O Antagonista, Guedes explicou que Washington "por questão estratégica, não poderia indicar o Brasil neste momento, mas não é uma rejeição no mérito", e sim de "timing, porque há outros países na frente, como a Argentina". O ministro completou a justificativa dos EUA dizendo que "abrir para o Brasil agora significaria ceder à pressão dos europeus, que também querem indicar mais países para o grupo".
Em maio, no entanto, na reunião anual da OCDE em Paris em que os EUA e os países europeus retomaram as negociações para ampliação da organização, Washington voltou a expresar oficialmente apoio à candidatura brasileira, no que o chanceler Ernesto Araújo, presente a encontro,  já considerou "como o início do processo de adesão do Brasil". 
Como o processo de adesão, uma vez admitido, leva pelo menos três anos, dificilmente o Brasil se tornará membro da organização durante este mandato de Bolsonaro.

Frustração em Washington

Segundo o professor de Relações Internacionais da FGP-SP Oliver Stuenkel, a decisão de Washington de priorizar as candidaturas de Argentina e Romênia é um sinal da frustração de Washington com Brasília. No começo do governo Bolsonaro, afirmou Stuenkel, Trump esperava duas coisas do Brasil: ajuda de Brasília para retirar Nicolás Maduro do poder na Venezuela e também para reduzir a influência chinesa na América Latina.
À esta altura, está claro que Brasília não conseguiu tirar Maduro do poder e o que país é dependente da China, com viagem presidencial marcada para outubro. Com a frustração dos dois planos, encerra-se o interesse americano no Brasil — e, em consequência, os motivos da Casa Branca para apoiar pleitos brasileiros, disse Stuenkel.
— A aproximação de Brasília com Washington só funciona quando o Brasil consegue entregar algo aos EUA — afirmou Stuenkel. —  O que se fala em Washington é que o Brasil não conseguiu entregar nada na Venezuela, e a cada dia fica mais evidente que Brasil dificilmente conseguirá ajudar a conter a presença chinesa  na América Latina. Era óbvio, mas o que [o deputado federal] Eduardo Bolsonaro, [o chanceler] Ernesto Araújo e [o assessor internacional da Presidência] Filipe Martins diziam era que o Brasil teria como fazer algo, o que não aconteceu. Com isso, a aproximação de Bolsonaro com Washington se encerra, porque não há mais nada que Washington possa querer de Brasília.
A OCDE, fundada em 1961, diz em seu site que visa "moldar políticas que promovam prosperidade, igualdade, oportunidade e bem-estar para todos". A adesão ao grupo tem sido ultimamente considerada um selo de qualidade para países que buscam mostrar à comunidade internacional que suas nações estão abertas ao mercado internacional.
A adesão ao grupo também é utilizada por governos de países em desenvolvimento para promover reformas internas.
O Brasil apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017, durante o governo de Michel Temer.
Colaborou André Duchiade

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Diplomacia da canelada? (O Globo); ou da ignorância inconstitucional? (PRA)

Bolsonaro insiste na diplomacia da canelada

O presidente Jair Bolsonaro
Diplomacia da canelada 

Jair Bolsonaro entrou na fase de rasgar dinheiro. No domingo, ele disse não se importar com o corte nas doações alemãs para a proteção da Amazônia. “Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, desdenhou.
Em tempos de vacas magras, o presidente esnobou R$ 155 milhões oferecidos por um país amigo. O repasse seria destinado a ações de combate ao desmatamento. Para recebê-lo, o Brasil só precisava demonstrar empenho na proteção da floresta.
Bolsonaro já deixou claro que se lixa para a tarefa. Na semana passada, chegou a brincar com o apelido de “Capitão Motosserra”. A ministra alemã Svenja Schulze não achou graça. “Não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, disse. O 7 a 1 continua, mas agora a goleada é na arena diplomática.
Ontem o presidente deu outra canelada que pode custar caro ao país. Em visita a Pelotas, ele reclamou da derrota de Mauricio Macri nas prévias argentinas. Chegou a fazer terrorismo com a provável vitória da oposição peronista. “Se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima. E não queremos isso: irmãos argentinos fugindo pra cá”, afirmou.
A Constituição estabelece que as relações internacionais do Brasil devem seguir os princípios da não intervenção e da autodeterminação dos povos. Ao atacar a escolha dos argentinos, Bolsonaro descumpre a lei brasileira e desrespeita o eleitorado do país vizinho.
O discurso do presidente também afronta a inteligência alheia. Cristina Kirchner não é Nicolás Maduro, e Buenos Aires não é Caracas. Se o peronismo vencer, o Brasil poderá enfrentar represálias do seu maior parceiro comercial na região. E os argentinos continuarão fugindo para cá, mas só na temporada de férias.
Macri está em baixa porque a economia argentina vai mal. Seu choque liberal não deu certo: a pobreza cresceu, a inflação disparou e o país voltou a pedir socorro ao FMI. O apoio de Bolsonaro também parece não ajudá-lo. Os argentinos não têm saudade da ditadura militar, que o presidente brasileiro insiste em defender.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Foro de S.Paulo: importante ou desimportante? - Jornal Metropoles (Bsb), Paulo Roberto de Almeida

Meus comentários sobre o Foro de S. Paulo e o espantalho que a direita pretende criar
Paulo Roberto de Almeida

O Foro de S. Paulo existe desde 1990, o ano em que os castristas descobriram que o "mensalão soviético", iria realmente acabar, e que tempos duros viriam pela frente. De fato, na primeira metade dos anos 1990, com a cessação dos subsídios soviéticos – a própria URSS desapareceu no final de 1991 – Fidel Castro teve de enfrentar o que eles chamaram de "período especial", uma espécie de "cura de emagrecimento" das mais duras enfrentadas por uma ilha já de ordinário miserável, por força do falido regime socialista, e totalitário, criado pelos irmãos Castro, mantido por repressão severa contra toda a população cubana.
Só uns poucos idiotas da esquerda – e alguns supostos "intelequituais" descerebrados – continuavam apoiando Cuba no Brasil, entre eles os companheiros petistas, cujos "guerrilheiros reciclados" na direção do PT seguiram fielmente as ordens dos comunistas cubanos para criar esse Foro.
O Foro de SP nada mais é do que uma espécie de Cominform castrista, tomando exemplo nessa organização do stalinismo tardio para tentar controlar os partidos comunistas (sobretudo na Europa, contra a dissidência titoista), depois que o Stalin teve de desmantelar o Komintern criado por Lênin.
Quem não souber nada disso pode ler o livro sobre o comunismo do Archie Brown, disponível no Kindle, em inglês, mas também publicado no Brasil.
O fato é que eu, conhecedor da história do comunismo mundial, e da esquerda brasileira, fui um dos primeiros a chamar a atenção para o papel do Foro de S. Paulo na estratégia cubana para os partidos de esquerda na AL. Vou buscar os meus textos do início dos anos 1990 para comprovar o que acabo de dizer. Reconheço que Olavo de Carvalho – que já tinha sido comunista e que portanto sabia das táticas dos comunistas cubanos – também foi um dos primeiros a denunciar esse instrumento dos comunistas cubanos, e continuou assim fazendo nos últimos 20 anos, mas com sua paranoia habitual, segundo a qual, os comunistas brasileiros, e seus aliados continentais, pretendem "implantar o comunismo no Brasil". 
Acho risível esse tipo de postura, uma vez que nem o PCdoB, muito menos os comunistas cubanos pretendem implantar o comunismo no país, e não por qualquer ideologia liberal, e sim por puro oportunismo e pragmatismo: de onde eles iriam tirar dinheiro para sobreviver se não junto aos capitalistas (e trabalhadores) que produzem riquezas, que eles podem extorquir? Se eles são minimamente espertos – e imagino que sejam –, sabem que o socialismo é uma porcaria completa, e se precisasse de alguma prova a Venezuela está aí mesmo ao lado para provar que ele só produz miséria e pobreza.
Tentei explicar tudo isso a uma jornalista do Globo, que me entrevistou na semana passada, para produzir sua matéria no último domingo, que reproduzi aqui neste espaço: 
https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/07/foro-de-s-paulo-um-espantalho-util.html

De tudo o que lhe disse, ela só conseguiu extrair duas frases, que obviamente não refletem toda a evolução histórica do comunismo mundial e do socialismo cubano, e o que o Foro realmente significa para o PT e para os demais partidos da região: apoio estratégico – diplomático, político, financeiro – ao falido regime da ilha escravizada pelos Castros, e também uma maneira de carrear recursos para a sobrevivência do nefando sistema, por meios legais (porto de Mariel, programa Mais Médicos, acordos internacionais diversos) e sobretudo ilegais (super e subfaturamento em dezenas de contratos comerciais privados, mas nos quais os companheiros têm alguma participação). 

O "anti-Foro de S.Paulo" que agora se pretende criar, com os bolsonaristas no poder significa apenas continuar a agitar o espantalho do comunismo, do marxismo, que é importante nessa mobilização que a extrema direita faz em apoio às suas teses. Ou seja, é um espelho exato do que eles pretendem combater, agitando a iniciativa de uma "Internacional Conservadora" que essa direita sem qualquer doutrina pretende fundar. 

Termino dizendo que o Foro de S. Paulo não tem nenhuma importância em si mesmo – mais do que a ação própria dos partidos nacionais – a não ser como correia de transmissão e mecanismo de controle que os comunistas cubanos exercem em direção dos partidos de esquerda na região. Eles precisam disso, para sobreviver e se abastecer financeiramente. Não tem absolutamente nada de ideológico: apenas necessidade de manutenção de uma "bolsa pró-Cuba" a ser generosamente concedida por regimes afins (chavismo na Venezuela, lulopetismo no Brasil) e pelos partidos da esquerda na AL que eventualmente cheguem ao poder. As fontes estão secando, mas os partidos continuam sob vigilância dos cubanos, e as quermesses – de esquerda e de direita – continuam agitando bandeiras.
Os dirigentes sabem bem o que fazem, manipulando esses foros, e os militantes ingênuos continuam se mobilizando de forma canhestra.
O PT continua em sua missão VERGONHOSA de defender as ditaduras castrista em Cuba e chavista-madurista na Venezuela, assim como todos os regimes totalitários no mundo.
A nova "direita" brasileira se engaja no mesmo circo para tentar se contrapor aos desmiolados da esquerda, mas usam o espantalhos para fins políticos próprios.
Considero ambos os grupos potencialmente totalitários – só que não conseguem, por motivos óbvios, implantar uma ditadura no Brasil – e tento manter um mínimo de racionalidade e de objetividade na avaliação dessas manifestações equivocadas.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 25 de julho de 2019


Foro de São Paulo começa na 6ª. Afinal, o que é realmente o grupo?

Encontro de partidos de esquerda marcado para este fim de semana na Venezuela é alvo de críticas da ala olavista do governo Bolsonaro

Jornal Metrópoles24/07/2019

Entre esta sexta-feira (26/07/2019) e domingo (28/07/2019), a capital venezuelana, Caracas, receberá o 25° encontro do Foro de São Paulo. O evento, que reúne cerca de 200 partidos considerados de esquerda da América Latina, entre eles PT, PDT, PCdoB, PCB e PSB, ocorre pelo menos desde 1990 e já passou por diversas cidades da região.
Nos últimos dias, contudo, o tema voltou ao centro das atenções da nova – e muitas extrema – direita brasileira, personificada no professor on-line de filosofia Olavo de Carvalho. O ideólogo bolsonarista e seus seguidores atribuem ao Foro de São Paulo uma espécie de “superpoder” comunista, veem o grupo como um instrumento maléfico da esquerda.
O “perigo” alertado pela militância olavista não é recente. O próprio escritor, por exemplo, fala do tema pelo menos desde a década de 1990, como gosta de destacar em seus vídeos.
Os discípulos do guru dão voz à pauta. Vários integrantes do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), entre eles o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), dão destaque ao Foro de SP e tratam constantemente do tema no Congresso e mesmo em conversas internacionais.

Visões conflitantesEduardo Grin, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), descreve o Foro de SP como um encontro que surgiu nos anos 1990, logo depois da queda do muro de Berlim, que tem por finalidade “preservar o legado de uma visão mais progressista e que reúne, portanto, vários governos, partidos e organizações de esquerda” da América Latina.
“Foi um espaço de encontro, de troca de ideias, com uma visão de um segmento mais progressista, que nem todos eram alinhados a uma visão a ‘la cubana’, mais radical. Mas havia um pensamento de que era possível criar fórmulas de acabar ou controlar com o capitalismo e de subverter várias formas de dominação política”, explica o professor.
Para Olavo de Carvalho, no entanto, o Foro de São Paulo é “a maior organização política que já existiu no continente latino-americano”, que reúne mais de 200 partidos políticos “e quadrilhas de narcotraficantes e sequestradores”, com o objetivo de “divulgar e implantar o comunismo”. Segundo Olavo, a função do PT é fornecer dinheiro para o movimento. “É um negócio monstruoso”, exclama.
“O Foro de São Paulo é um vasto plano de ocupação do continente inteiro pelo comunismo. E tudo o que está sendo roubado do Brasil é para financiar esse grupo”, disse em vídeo publicado no último final de semana. Em seguida, ele acusou os militares do governo, sobretudo o vice-presidente, Hamilton Mourão, de omissão.
Como de praxe no discurso olavista, as críticas voltam-se também à imprensa. Segundo o morador da Virgínia (EUA),há um “conluio” da imprensa para transformar o Foro em “uma reunião discreta”.

“Sem consequências”
Exagerado? Para o doutor cientista político David Fleischer, muito. Mestre em estudos latino-americanos pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, o especialista explica que o Foro de SP é, na verdade, apenas um pingo em um copo de água. Ou seja, não tem todo o valor que divulga a nova direita do país.
“O Foro de SP é encarado como o grande inimigo, mas não contribui para nada. Porque não se vê muitas consequências a partir dessa reuniões”, explica o americano naturalizado brasileiro. O cientista político lembra que a opinião de Olavo de Carvalho sobre a ida de Eduardo, “filho 03” do presidente, para a embaixada brasileira nos Estados Unidos teve como base essa ideia.
Na ocasião, o guru do bolsonarismo desaprovou a indicação pois o deputado teria uma “missão histórica” no Brasil bem mais importante que ser diplomata em Washington. Na sua opinião, Eduardo é o “guerreiro” responsável por eliminar o “esquerdismo maldito” através da “destituição do Foro de SP”.
Como deputado, Eduardo assinou, em junho deste ano, requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do Foro. O comitê, na realidade, é coordenado pela deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ), mas seria o deputado paulista o “verdadeiro líder”.

Assinei hoje requerimento para criação da CPI DO FORO DE SÃO PAULO junto com o Presidente Civil da Frente Cidadã, Maciel Joaquin. O Foro de SP, cujo um dos integrantes é o PT e aliado de Maduro e FARC.

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Os “antiforistas” culpam o grupo pela ascensão de governos de esquerda na América Latina nos primeiros anos do século 21. David Fleischer, entretanto, considera mais um exagero por parte da extrema-direita. Ele explica, paulatinamente, o que realmente teria motivado o crescimento da esquerda no continente, o que é uma “circunstância local de cada país”.
“O Foro não teve nada a ver com isso. Os governos de esquerda subiram ao poder devido às circunstâncias de cada país. No Equador e no Peru, por exemplo, foi por causa de gestões corruptas de conservadores. Na Argentina, os peronistas estavam governando há muito tempo, antes mesmo da criação do Foro”, explica o doutor em Ciência Política.
Para o deputado Ivan Valente (PSol-SP), o atual governo, junto a seus aliados, usa o Foro como um tipo de “contrapropaganda” bolsonarista para, assim, tentar criar certos fantasmas. “O Foro é muito mais uma troca de ideias do que uma articulação internacional que tenha peso”, disse o deputado.
Paulo Kramer, cientista político aposentado da UnB, nega, contudo, o caráter minimalista que os críticos dão ao Foro de SP. “Ele serviu como um espaço de troca de ideias e de informações que acabou fortalecendo em conjunto dessa esquerda, no momento em que ela protagonizou uma onda conquistando o governo de vários países. É um erro minimizá-lo”, avalia.
Segundo Kramer, o próximo encontro, em Caracas, servirá para “lamber as feridas de seu fracasso em vários países e articular uma estratégia de sobrevivência”.
Bolsonarismo e o 25° Foro de SPO evento, marcado para este final de semana, tem como slogan o título: “Pela paz, a soberania e a prosperidade dos povos: unidade, luta, batalha e vitória.” As reuniões contam com grupos de esquerda europeu, afrodescendentes, povos originários, mulheres, jovens, parlamentares progressistas do mundo, artistas, intelectuais e movimentos sociais.
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  • Igo Estrela/Metrópoles
  • Foto: Marcos Corrêa/PR
As pessoas interessadas em participar do 25º Foro de SP, em Caracas, devem pagar US$ 50 (cerca de R$ 187) pela entrada, segundo a organização do evento. Já o valor da entrada para partidos, movimentos e organizações é de US$ 250 (cerca de R$ 935). A Venezuela cobrirá os custos de hospedagem, alimentação e transporte interno para duas pessoas de cada delegação nacional.
Entre os temas que serão debatidos durante os três dias de encontro, estão a “elaboração de um plano comum de luta”; “Perspectivas e Enigmas da Economia Mundial”, “Experiências e Perspectivas dos Governos Progressistas da América Latina e Caribe” e “A Luta do Povo Venezuelano pela Democracia, a Paz e a Soberania Nacional”, dentre outros.
Para o chanceler Ernesto Araújo, “o Foro de São Paulo infelizmente está vivo e se reunirá em Caracas para fortalecer a coligação nefasta que fundamenta esse projeto de poder: socialismo-narcotráfico-corrupção-crime organizado-terrorismo”. O ministro diz, sem apresentar provas, que o “ataque insidioso ao ministro Moro e à Lava Jato obviamente faz parte dessa estratégia do Foro.”
O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o “filho 02”, concordou. “Fomos governados por décadas pelas diretrizes do Foro de SP. Se engana quem diz que estão mortos. Seus filhos maldosamente inteligentes, que sabem o que fazem para manipular, continuam sedentos pelo poder e evitar o término da roubalheira que nos destruiu financeira e moralmente”, tuitou.
A ideia levantada por integrantes do governo Bolsonaro logo é contestada por Eduardo Grin. O cientista político explica que, esse “combate” ao Foro de SP é muito mais político do que real. Ou seja, algo simbólico desenvolvido pela nova direita e que não tem efetividade alguma.


2/O Foro de São Paulo infelizmente está vivo e se reunirá em 25/7, em Caracas, para fortalecer a coligação nefasta que fundamenta esse projeto de poder: socialismo-narcotráfico-corrupção-crime organizado-terrorismo.
3/De fato, o Foro de São Paulo hoje é isso: marxistas instrumentalizando traficantes e vice-versa, com o apoio de forças que, há 60 anos, tentam submergir a América Latina no totalitarismo e no atraso, destruindo a liberdade de nossos povos.

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“Esse é um governo que, se não tem algum inimigo, ele cria. Tem sempre uma força estranha e oculta, que não se sabe quem é, tentando fazer alguma coisa contra o país. Tem sempre o comunismo a espreita tentando de maneira clandestina se organizar. Estou usando essas expressões um pouco caricatas porque é dessa maneira que o governo vê o mundo”, diz o professor da FGV.
Para Eduardo Grin, o governo pensa, sobretudo, nas próximas eleições. “O bolsonarismo está retomando uma discussão de 30 anos atrás. Quem é que fala no comunismo hoje em dia? Mas, na construção ideológica do governo é importante manter esse discurso, pois temos que entender o contexto da luta política se está fazendo, já pensando nas próximas eleições”, complementa.
O PT no 25° Foro de SPA presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), não participará do encontro. Desde quando assumiu a presidência da sigla, em 2017, esta é a primeira vez que ela não participará. A assessoria de imprensa do partido informou que Gleisi não irá ao Foro por “questões de agenda”.
A direção nacional do PT, fundador do encontro, enviou uma nota, publicada nessa segunda-feira (22/07/2019), a respeito do 25º Foro de SP. A carta, postada em íntegra no site oficial do partido e no do encontro (leia), recomenda seis temas para debater durante o período. Entre eles, o recorrente “Lula livre!”.
Além de discutir a libertação do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril do ano passado, a sigla quer trabalhar com a paz na Venezuela e na Colômbia, pôr fim ao bloqueio econômico imposto pelos EUA contra Cuba e apoiar as candidaturas “progressistas e de esquerda” no continente.
Sendo assim, as diretrizes do PT para o 25º Encontro do Foro de São Paulo serão:
  1. Paz na Colômbia: pelo cumprimento dos Acordos de Paz de 2016, pelo fim do genocídio dos líderes sociais, pela apuração e punição dos responsáveis pelos 500 líderes sociais assassinados desde a assinatura dos Acordos;
  2. Paz na Venezuela: pelo fim da ingerência estadunidense nos assuntos internos da Venezuela, pelo fim das sanções econômicas, pelo direito à auto determinação do povo venezuelano e apoio aos Diálogos de Negociação entre as partes, auspiciados pelo Governo da Noruega, que ocorrem em Barbados.
  3. Fim do bloqueio econômico a Cuba e contra o acirramento das sanções econômicas recentemente determinadas pelo governo estadunidense (título 3 da Lei Helms-Burton).
  4. Apoio às candidaturas que representam os campos progressista e de esquerda nas eleições presidenciais de outubro deste ano na América do Sul: Alberto Fernández, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; e Daniel Matinez, da Frente Ampla, no Uruguai.
  5. Em defesa da democracia na região e contra a perseguição política e judicial das lideranças políticas e sociais da Região.
  6. Lula Livre!