A Semana em Revista - Desemprego volta a subir em maio
Pesquisa macroeconômica - Itaú, 26/07/2015
• Taxa de desemprego alcança 6,7% no mês
• Resultados fiscais fracos em maio
• Relatório de inflação indica que juros devem continuar a subir
Nova alta da taxa de desemprego em maio
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego atingiu 6,7% em maio, em linha com a nossa projeção e um pouco acima das expectativas de mercado (6,6%). Com ajuste sazonal, a taxa aumentou de 6,0% em abril para 6,3% em maio (Gráfico 1). A massa salarial real recuou 1,8% contra o mês anterior, demonstrando que o aumento de 0,3% de abril foi transitório. A contração da massa salarial reforça o cenário de enfraquecimento do consumo das famílias em 2015. À frente, esperamos que a taxa de desemprego continue em tendência de alta e termine o ano em 7,6%.
Resultados fiscais fracos em maio
Os dados fiscais de maio mostram dificuldades no lado da receita. A arrecadação federal foi de R$ 91,5 bilhões, resultado abaixo das expectativas e impactado pela fraqueza da atividade econômica. Com isso, o governo central teve um déficit primário de R$ 8,1 bilhões, o que representa um fraco resultado para o mês. Os dados do governo consolidado serão divulgados na semana que vem.
Câmara aprova medida de ajuste fiscal
A Câmara aprovou o projeto de lei que reduz a desoneração da folha de pagamentos, aumentando as alíquotas em 56 setores da economia. Esta medida é relevante para o resultado fiscal em 2016. Além desse projeto de lei, a Câmara aprovou a MP do salário mínimo e adicionou uma emenda que estende a regra de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados. Esta medida, caso seja implementada, eleva os gastos da Previdência em torno de R$ 10 bilhões por ano. Ambas as medidas seguem para análise do Senado.
CMN eleva a TJLP e reduz a banda para meta de inflação em 2017
O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou em 0,5 p.p. a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que parametriza boa parte dos empréstimos do BNDES. A alta, a terceira este ano, faz parte do conjunto de ajustes econômicos propostos pela equipe econômica. Projetamos que a TJLP alcance 7% este ano e 8% no ano que vem (Gráfico 2). O Conselho também decidiu a meta de inflação para 2017, que foi mantida em 4,5%, mas o intervalo de tolerância foi reduzido de 2,0 p.p. para 1,5 p.p.
Relatório de Inflação: Missão quase, mas ainda não, cumprida
O Banco Central divulgou o Relatório de Inflação do segundo trimestre. As previsões apresentadas no cenário de referência (juros e câmbio constantes) mostram inflação em 4,8% no final de 2016 - um pouco menor do que o 4,9% do Relatório de Inflação do primeiro trimestre, mas ainda acima do centro da meta de 4,5%. O BCB salientou que os avanços na luta contra a inflação “ainda não se mostram suficientes". Isso indica que o ciclo de alta deve continuar na próxima reunião. Acreditamos que seja a última elevação de juros. O relatório de inflação reforça nosso cenário de uma última alta de 0,50 p.p. em julho.
Aprovação do governo volta a recuar
De acordo com pesquisa Datafolha conduzida entre os dias 17 e 18 de junho, a aprovação do governo caiu de 13% em abril para 10% neste mês (Gráfico 3). Este é o nível de aprovação mais baixo registrado desde setembro de 1992. A pesquisa também perguntou sobre as perspectivas econômicas dos entrevistados: cerca de 77% dos respondentes acreditam que a inflação deve subir, enquanto 73% esperam um aumento do desemprego.
Confiança e utilização da capacidade instalada na indústria voltam a cair em junho
Segundo a prévia da sondagem empresarial da FGV, o índice de confiança do empresário industrial recuou 4,7% em maio e atingiu 68,2 (Gráfico 4). Caso o resultado seja confirmado, será o menor nível da série histórica. A prévia do nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) também aponta recuo de 79 para 78,7, com ajuste sazonal. Os dados preliminares da sondagem sugerem queda da produção industrial no mês, o que poderá ser confirmado na semana que vem com a divulgação final.
Confiança do consumidor volta a recuar
A confiança do consumidor (calculado pela FGV) recuou 1,4% em junho na comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal. O índice continua perto do mínimo histórico da série iniciada em 2005. O percentual de pessoas reportando que está difícil conseguir emprego aumentou de 82,2% em maio para 84,5% em junho, reforçando o cenário de enfraquecimento do mercado de trabalho.
Déficit em conta corrente menor do que esperado em maio
O déficit em conta corrente no mês de maio somou US$ 3,4 bilhões, bem abaixo da nossa projeção (US$ 5,0 bi) e do consenso do mercado (US$ 4,6 bi). Acumulado em 12 meses, o déficit recuou para US$ 95,7 bi (4,4% do PIB), o que reflete tanto o câmbio mais depreciado quanto a atividade em ritmo mais lento. Os principais destaques no mês foram, mais uma vez, as contas de viagens internacionais, transportes e remessas de lucros e dividendos. Do lado do financiamento, a situação permanece confortável, com o investimento direto no país cobrindo 87% do déficit em conta corrente. No entanto, houve arrefecimento nos fluxos de investimento em carteira e direto acumulados em 12 meses.
Caio Megale
Laura Pitta
Giulia Coelho
Pesquisa macroeconômica - Itaú
Ilan Goldfajn - Economista-Chefe
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
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