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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Contra o consenso "patriótico": meu contrarianismo habitual - Paulo Roberto de Almeida

 Contra o consenso "patriótico": meu contrarianismo habitual

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 18 junho 2026

  
Política externa estridente e falas de improviso não são as melhores receitas de uma diplomacia equilibrada para qualquer país bem posicionado no mundo real.


Leio esta manchete na imprensa deste dia:
"Trump diz que Brasil está ‘complicado’, e Lula rebate: ‘Não se meta na eleição’. Duas afirmações despropositadas.

Lula aproveitou o foro final da reunião do G7 de 2026 em Evian para desafiar diretamente o presidente americano, com um discurso tomado por invectivas, reclamações e desafios.
Desde ontem, li manifestações ainda mais estridentes da esquerda lulista, saudando a postura de Lula em Evian, como uma grande mostra de soberania nacional e de defesa corajosa da postura do Brasil no atual cenário de ameaças generalizadas e de conflitos bilaterais.
Assisti no correr da noite ao discurso de Lula na ocasião.
Mais uma vez me convenço de que a ausência de um conselheiro corajoso em matéria diplomática poderia ter feito a diferença nesse foro internacional restrito. Um discurso calibrado pelo bom tirocínio da diplomacia profissional poderia produzir efeitos positivos para o Brasil, no plano global e na arena bilateral.
O desafiador discurso improvisado não é um bom método de se fazer diplomacia, permito-me repetir. Acredito que os lulopetistas entusiastas vão continuar saudando a "corajosa postura" de Lula, assim como aqueles patriotras anti-imperialistas, que acham que Trump é realmente um desmantelador das relações internacionais que merece, de vez em quando, que um "líder do Sul Global" responda à altura as provocações.
Não creio que esse tipo de interação ofensiva, das duas partes, possa deixar o Brasil em melhor situação, e aqui eu penso nas centenas de milhares de empresas, e nos milhões de trabalhadores ,que poderão sofrer as consequências de uma confrontação direta entre as duas maiores "democracias do Hemisfério americano"(embora eu faça restrições à qualidade da democracia nos dois países).
Discursos de improviso deveriam ser PROIBIDOS a chefes de Estado e de Governo; uma diplomacia não submissa deveria dizer isto ao seu chefe maior.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 18 de junho de 206


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