Mostrando postagens com marcador comentário inicial de Paulo Roberto de Almeida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comentário inicial de Paulo Roberto de Almeida. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O mundo sob as regras do PT - Editorial Estadão (comentário inicial, Paulo Roberto de Almeida)

O chanceler de fato CA é objeto de um editorial do Estadão, neste domingo 1/02/2026. Ele costuma ser conhecido pelo slogan que cunhou para a diplomacia lulopetista: “ativa e altiva”. Cabe também recordar outros feitos do ex-chanceler que não são mencionados frequentemente pelos canais de comunicação; vou apenas lembrar dois dos casos mais sórdidos. Em 2005, durante jogos esportivos panamericanos no RJ, dois boxeadores cubanos pediram asilo no Brasil, pois não pretendiam mais voltar à ilha-prisão. CA providenciou com Chávez o envio de um jatinho venezuelano, para levar os boxeadores cubanos de volta a Cuba. Um deles depois se refugiou na Alemanha. Em 2022, as tropas invasoras russas cometeram crimes de guerra na cidade ucraniana de Bucha, assassinando a sangue frio dezenas de residentes. As provas eram irrefutáveis, com ampla documentação comprobatória. Na única vez que visitou a Ucrânia, meses depois, CA foi levado a uma exposição de fotos sobre os crimes de guerra cometidos em Bucha. Ainda assim, negando as aplastantes evidências sobre os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra perpetrados pelas forças invasoras, CA continuou protegendo os criminosos, com a seguinte frase: “Não se pode saber: são apenas fotos”. Creio que basta. PRA

OPINIÃO DO ESTADÃO

O mundo sob as regras do PT
Celso Amorim está escandalizado com a subversão das regras internacionais pela força. Mas sua conivência com tiranias sugere que o real incômodo é com o uso da força contra seus ‘companheiros’

Notas & Informações
01/02/2026

Em artigo na revista The Economist, o chanceler de facto do governo Lula, Celso Amorim, lamenta a erosão das normas internacionais e pergunta, em tom dramático: como viver em um mundo sem regras?
Mas quais regras? As de ideólogos petistas como ele são peculiares. Conforme Luiz Inácio Lula da Silva, a democracia é “relativa” e tudo é uma questão de “narrativas”: princípios cedem lugar à conveniência ideológica, e o Direito Internacional é maleável como retórica de palanque. Segundo esses parâmetros, ditaduras que não sejam do “Sul Global” são sempre detestáveis, e as únicas violações intoleráveis são as dos países “ricos”. Nessa mitologia geopolítica, o verdadeiro problema não é a ausência de normas, mas a presença incômoda de princípios universais que limitam o arbítrio dos comissários que estão “do lado certo da História”.
A queda do ditador Nicolás Maduro ofereceu a Amorim um pretexto para defender o que realmente importa: não os direitos do povo venezuelano, mas a imunidade de um déspota aliado. O problema não é tanto o que Amorim diz, mas o que não diz. A abdução de Maduro pelos EUA é de fato questionável sob qualquer ótica jurídica. Mas as prisões de milhares de opositores venezuelanos pela cleptocracia chavista, o êxodo de 8 milhões de refugiados, as execuções, a censura, a fome, o colapso institucional e econômico seguem sem reparos por parte dos petistas, como acontece há anos. Como se vê, o que inquieta Amorim não é o uso arbitrário da força em si, mas seu uso contra aliados ideológicos.
Enquanto Amorim clama por diálogo e respeito ao Direito Internacional, seu governo se abstém de votar resoluções na ONU exigindo o retorno de crianças ucranianas sequestradas por Moscou ou condenando massacres e torturas de dissidentes e minorias no Irã. Enquanto rompe relações diplomáticas e lança acusações hiperbólicas contra a democrática Israel, prestigia a posse presidencial de um fantoche da teocracia dos aiatolás do Irã, a principal patrocinadora do terrorismo global – ao mesmo tempo em que seu partido celebra as inúmeras eleições fraudulentas na Rússia e na Venezuela como verdadeiras festas da democracia. Enquanto abraça entusiasticamente a conversão do Brics em um sindicato de autocracias revisionistas, sabota o ingresso do Brasil na OCDE, o fórum das democracias desenvolvidas que exige compromissos com transparência, pluralismo e racionalidade institucional – regras indisfarçavelmente inconvenientes para o lulopetismo.
Ao longo de suas gestões, o PT abastardou os padrões morais da diplomacia brasileira para acomodar regimes que partilham de seus rancores de grêmio estudantil e sua repulsa ao pluralismo liberal. O “mundo com regras” que Amorim se propõe a restaurar é o de um multilateralismo para ditadores de estimação, onde a “soberania” é escudo para abusos internos, o “diálogo” é sinônimo de inação e a cumplicidade é travestida de “neutralidade”.
Os mesmos que denunciam com fervor missionário o “imperialismo estadunidense” contemporizam o roubo de territórios ucranianos pela Rússia. Os que escrutinam com lupa quaisquer desvios de democracias liberais fazem vista grossa quando direitos fundamentais são ignorados em Pequim, Havana ou Manágua. Sob o comando de Amorim, a política externa brasileira tornou-se um exercício de cinismo metódico: o valor de uma norma depende de quem a viola.Seu artigo ecoa o discurso lulista que se pretende voz moral da humanidade, mas sob os governos do PT o Brasil é menos vítima de um mundo em colapso do que cúmplice do caos – toda vez em que se omite, silencia e justifica atrocidades em nome de afinidades políticas. Amorim apenas disfarça com um luto performático pela ordem global o seu incômodo com o fato de que o uso arbitrário da força deixou de ser apanágio de ditadores “companheiros” para atingir um deles, o tirano Maduro.
Talvez o mundo esteja mesmo sem regras. Mas sabemos como o petismo joga o jogo das relações internacionais: relativismo para amigos, intolerância para críticos e silêncio para vítimas inconvenientes à sua “narrativa”. Amorim não quer um mundo com regras. Quer um mundo com as regras do PT.

sábado, 31 de janeiro de 2026

“Capitalismo de laços. E que laços! – Editorial da revista Será?; comentário inicial de Paulo Roberto de Almeida

 Transcrevo o editorial da revista Será?, com a qual colaboro, sobre a promiscuidade crescente, invasiva e talvez avassaladora, do ponto de vista reputacional, entre altos mandarins do Estado e altos representantes do capitalismo predatório, aquele que se vale dessas relações para lucrar a partir de manobras politicas clandestinas com recursos públicos ou simplesmente ao explorar possibilidades de ganhos extraordinários contando com a complacência de autoridades políticas. 

O titulo do editorial remete so livro do economista Sérgio Lazzarini, “Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões”, que foi publicado vários anos atrás, e que evidencia a existência de conexões, nem sempre inocentes, entre os donos do capital e os donos do poder. Mas, se tratava apenas de favores recíprocos, não necessariamente de atos ilegais, como por exemplo a concessão de recursos do BNDES a certos pedidos de modo excepcionalmente rápido e generoso. O que estamos contemplando no Brasil atual é uma colaboração mútua entre as duas esferas tangenciando os limites da lei, ou já ingressando no domínio da ilegalidade explicita, até que a realidade se impõe, como no caso do exagero com benesses aos mandarins em troca de proteção e resguardo contra a aplicação da lei. Creio que já chegamos no Brasil à degradação do interesse da sociedade no confronto com esse capitalismo promiscuo de laços beirando a criminalidade.

Vivemos há décadas o espetáculo de casos emblemáticos que, apenas por um incidente menor, se tornaram públicos ao serem exposto pela imprensa e se convertersm em casos rumorosos na Justiça e nos espaços de diversos governos. Existem muitos outros que subsistem no silêncio dos envolvidos, a começar pelas amorais e ilegais “rachadinhas” de parlamentares até o estupro orçamentário contínuo dessas emendas impositivas propostas pelos “vereadores federais”, que são os atuais deputados e senadores, desviadas ao nivel municipal — sem esquecer que metade dos 5.600 municípios não sobreviveriam sem essas transferências do alto — e enriquecendo feudos politicos.

O Brasil está doente pela corrupção derivada desses laços impróprios do patrimonialismo, mas que já se elevaram à categoria de comportamento mafioso.

Não existe solução fácil a esse desafio da corrupção normalizada, pois ela pode se cobrir hipocritamente com a edição de “códigos de ética” que nunca funcionam.

Proponho uma primeira medida de simples proibição de laços financeiros entre partidos políticos — que inexistem de verdade — e os recursos públicos: como eles são entidades de direito privado NÃO PODERIAM EXISTIR fundos governamentais a sustentá-los, como o fundo partidário e o eleitoral, ambos exacerbados a cada legislatura. Eles não são mais toleráveis, mas apenas um movimento cidadão de peso — como foi historicamente o abolicionismo, por exemplo — poderia extinguir edsa excrescência. Está na hora de fazê-lo, assim como de eliminar os exageros de recursos públicos oara o exercício de atividade parlamentar, o que acaba atraindo os gatunos para a competição eleitoral, transformando o conjunto de representantes políticos— nos três níveis da federação— numa poderosa casta politica. 

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 31/01/2026

===========

“Capitalismo de laços. E que laços! – Editorial

Por Revista Será? | jan 30, 2026 | Opinião

A promiscuidade entre grupos econômicos e o poder político no Brasil, analisada e criticada por Sérgio Lazzarini em Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões, ganhou contornos particularmente delicados quando passou a frequentar os corredores da mais alta instância do Judiciário. A liquidação do Banco Master desencadeou investigações e denúncias de supostos interesses cruzados entre o proprietário da instituição financeira, o banqueiro Daniel Vorcaro, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A excessiva e inadequada exposição pública de ministros do STF — seja por meio de declarações políticas, seja pela participação em eventos de natureza política — já vinha despertando críticas quanto à crescente politização da Corte. O caso do Banco Master expõe, agora, a face mais opaca dessas relações, revelando vínculos entre ministros do STF e um empresário do setor financeiro, em especial o ministro Dias Toffoli.

O episódio começa com a estranha decisão monocrática de Toffoli, que concedeu foro privilegiado a processos envolvendo corrupção e desmandos do banco, trazendo o caso para sua própria relatoria. Desde então, multiplicaram-se reportagens e indícios oriundos de investigações da Polícia Federal apontando o relacionamento do ministro com negócios do Banco Master, bem como a existência de contrato de consultoria jurídica entre a instituição financeira e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Na tentativa de conter o desgaste institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa de Dias Toffoli, que vem, de forma cada vez mais evidente, extrapolando suas prerrogativas e tomando decisões pouco republicanas. Ao proteger um erro, corre-se o risco de lançar toda a instituição na lama.

Em nota pública, Fachin revelou ainda a indisposição do STF em conviver com notícias incômodas e com as críticas legítimas da sociedade e da imprensa. Qualquer questionamento passa a ser tratado como ataque à democracia; a denúncia de eventuais desvios de conduta de seus membros, como tentativa de desmoralização da instituição. Ocorre justamente o contrário: quem desmoraliza o STF são os ministros que, eventualmente, se comportam de maneira incompatível com a dignidade do cargo que ocupam.

Diante da gravidade do caso e para evitar maior deterioração da imagem e da legitimidade do Supremo, Dias Toffoli deveria ter-se declarado suspeito para relatar os processos envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Seria o mínimo. Ao não fazê-lo, apenas reforça a suspeição. E, diante disso, o presidente Fachin recorre a um artifício: remeter o processo à primeira instância, onde ele deveria estar desde o início, não fossem os atropelos cometidos pelo próprio Toffoli.

Resta ainda uma questão central: como ficam as provas já produzidas? Inicialmente, Toffoli determinou o acautelamento de todo o material recolhido pela Polícia Federal, mantendo-o sob custódia direta do STF — ou seja, sob sua própria guarda. Recuou apenas após fortes pressões e críticas públicas. Desde o princípio, deveria ter se afastado da relatoria.

Qual é, afinal, o temor do ministro?”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Como o Master invadirá o ano eleitoral - Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico); comentário inicial de Paulo Roberto de Almeida

 Comentário inicial a este importante artigo de Maria Cristina Fernandes, traduzindo meu horror pessoal com a política brasileira, contaminada no mais alto grsu, e em quase todas as instituições, pelos interesses espúrios de grande parte da casta política.

Este artigo de Maria Cristina Fernandes confirma, uma vez mais, que a política brasileira é uma grande promicuidade de interesses pessoais essencialmente pecuniários prevalecendo sobre o interesse público. Dificilmente o meio político do país deixará de ser nos anos à frente essa pocilga na qual os porcos se refestelam nos despojos do Estado.  Não creio que tenha qualquer solução regeneradora a curto ou s médio prazo. Acredito mesmo que uma nova vitória da extrema-direita em outubro de 2026, será, como a vitória de 2018, a volta de todos os horrores a que já assistimos entre 2019 e 2022, inclusive na política externa, se por acaso Trump ainda estiver no poder. A degradação da política, em todas as suas vertentes, será a consagração da pocilga da qual temos ainda apenas uma dominação parcial do poder dos piores elementos da casta política que enlameia as atividades do Estado na vida da nação. Se achamos Trump um horror e uma degradação no caso da democracia americana, um trumpista na presidência do Brasil representará algo ainda pior: a promiscuidade com s submissão ao império corruptor.

Paulo Roberto de Almeida 

==========

Como o Master invadirá o ano eleitoral

Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico, 23/01/2026

Se, em 2016, a blindagem do Centrão se deu pela derrubada de Dilma, a de 2026 pretende se dar pela derrota de Lula

A liquidação do Will, braço do grupo Master com clientela nas classes C e D, amplia as faixas de renda afetadas pelo desmonte de um banco cuja teia de interesses se infiltrou no Estado. Dos três Poderes saem as informações que os enredam, num filme parecido com o da Lava-Jato. O Executivo é o Poder menos envolvido, mas, paradoxalmente, é aquele que mais tem que se preocupar. A efeméride ganhou um ponto de interrogação: 2026 repetirá 2016?

É outro o país, tanto que Luiz Inácio Lula da Silva voltou à Presidência. É outra a natureza do caso. Não há contratos estatais - o que não significa que o Estado não venha a ser lesado - e, sim, negócios sancionados por brechas regulatórias que permitiram de ganhos estratosféricos a lavagem de dinheiro até do crime organizado. As brechas se alargaram com a conivência de agentes públicos e até de braços dados com eles.

E é outra a arbitragem do rolo, se é que existe alguma. Em 2016, quem arbitrou (mal) o jogo foi o Supremo Tribunal Federal que, desta vez, para dizer o mínimo, está sem legitimidade para fazê-lo enquanto não tomar providências para afastar, para começo de conversa, o ministro Dias Toffoli do caso. Da visita do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, ao ministro Flávio Dino, no Maranhão, sobrou, como única conclusão, a que a questão Toffoli é incontornável.

Nesse jogo de várzea, os investigados tratam de jogar lama uns nos outros e naqueles que os investigam. Aliados do Master na política tratam de garantir um fôlego ali outro acolá nas instituições de controle para que ninguém pense em delação. Com seu questionamento à liquidação do Master pelo Banco Central, o ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, cumpriu esta função, mas acabou enquadrado. Se ainda não fizeram o mesmo no STF é porque Toffoli conta com aliados dentro do próprio tribunal.

A origem da lama explica quase tudo. Aliados de Daniel Vorcaro têm se engalfinhado com aqueles de seu ex-sócio, Augusto Lima. Ambos foram presos na mesma operação. Soltos com tornozeleira eletrônica, continuam sob investigação. Lima é casado com uma ex-ministra de Jair Bolsonaro, mas seu ingresso no Master se deu a partir de negócio decorrente de uma privatização na Bahia pela gestão petista.

Este vínculo sempre preocupou o Planalto, mas não impediu que as operações seguissem. O sinal mais evidente desta preocupação foi a nomeação do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. Antes de ocupar cargos sob Dilma Rousseff e Lula, Wellington foi o escolhido, de uma lista tríplice, para chefiar o Ministério Público da Bahia pelo então governador Jaques Wagner.

Ao fim de sua primeira reunião no Planalto, o novo ministro disse que o principal tema havia sido o Master, no que foi logo corrigido pelo ministro Sidônio Palmeira (Secom). Se é verdade que nenhum MJ controla a Polícia Federal, é razoável imaginar que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que não tem proximidade com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, cultive, pelo menos, a expectativa de ser melhor informado.

Na dita reunião, com Wellington, Sidônio, Costa, Andrei e Dario Durigan (Fazenda), Lula cobrou investigação. O presidente o faz com a mesma veemência de Dilma Rousseff no início da Lava-Jato. Como acredita que não tem nada a ver com tudo isso, manda ir pra cima, não sem antes garantir um melhor fluxo de informações.

Em 2016, os próceres do Centrão envolvidos derrubaram Dilma, subiram ao poder com Michel Temer e propiciaram a ascensão da extrema-direita bolsonarista. Entre os petistas presos, aquele que hoje governa o país é obcecado em vingar sua biografia. Se o presidente está escaldado, o Centrão sofisticou sua blindagem enredando o Legislativo e o Judiciário no crime e ampliou sua presença no Congresso tornando o Executivo mais dependente.

Basta ver como este bloco de poder foi capaz de envolver, na mesma trama, o escritório da família do ministro que enfrentou o golpismo, Alexandre de Moraes, e o filho que Bolsonaro quer colocar no Planalto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mora numa casa financiada a modestíssimos juros pelo BRB, sócio do Master.

Só será possível medir a temperatura com a qual o caso Master afetará a relação entre os Poderes neste ano eleitoral quando o Congresso voltar do recesso. Lula entregou o comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a quem não apenas cabe chancelar uma eventual CPI como conduzir a aprovação do ministro Jorge Messias (AGU) para o STF. É tão incerto o desfecho de uma CPI e tão grandes as contas a pagar de suas lideranças, que o Congresso tende a se acautelar. Já a pauta governista na Casa passará por barganhas sem fim.

Lula conta com dois ativos para evitar que a imagem de seu governo seja contaminada por esta crise. Um se pauta numa política externa que administrará o bônus do acordo do Mercosul com a União Europeia ante o avanço de Donald Trump. O outro são as próprias eleições presidenciais.

Se, em 2016, a blindagem do Centrão foi alcançada pela derrubada de Dilma, desta vez, a melhor maneira de fazê-lo será pela derrota de Lula. Para convencer o eleitor de que a alternativa à sua eleição é a entrega do Estado brasileiro para o crime, Lula não terá como tergiversar na garantia de que a PF vai até o fim.


Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...