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terça-feira, 16 de junho de 2026

Von Blog: Clausewitz e a estratégia blogueira da defesa - Paulo Roberto de Almeida, + Madame IA

 2119. “Von Blog: Clausewitz e a estratégia blogueira da defesa”, Brasília, 26 fevereiro 2010, 2 p. Comentários sobre o papel de meu blog na defesa de certos valores democráticos e morais, em face das imposturas intelectuais. Postado sob n. 1716 no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/02/1716-von-blog-clausewitz-e-estrategia.html


Von Blog: Clausewitz e a estratégia blogueira da defesa

Paulo Roberto de Almeida

Clausewitz, o militar e teórico prussiano do fenômeno militar, que ele analisava pelo seu lado social e político, considerava a boa preparação para a defesa como uma condição necessária para se vencer uma guerra. Ou seja, a dissuasão, baseada numa excelente defesa, já constituía, por si só, boa parte de uma estratégia militar consequente e efetiva.
Ele também valorizava a meritocracia, e se posicionava contra a aristocracia e seu monopólio dos postos superiores no exército prussiano, onde qualquer aristocratazinho incompetente poderia ser nomeado oficial, em detrimento das patentes inferiores, com melhor preparação no terreno, mas que não ascendiam por falta de "sangue azul" (ou pedigree).

Pois bem, aplicada ao fenômeno blogueiro, o que os ensinamentos de Clausewitz querem dizer?

Um blog é como uma linha de defesa, uma trincheira de resistência contra ataques inimigos.
No caso específico deste blog, imagino-o como uma trincheira clausewitziana, isto é, meritocrática, contra a insensatez, a burrice, a desonestidade intelectual, a má fé, a fraude deliberada, a enganação dos incautos e dos mal-informados, enfim, uma barreira contra a submissão indevida e eticamente duvidosa a idéias erradas e atitudes moralmente condenáveis.
Por exemplo: defender ditaduras, me parece uma atitude não apenas suspeita, mas moralmente abjeta. Observar um tratamento seletivo dos direitos humanos também me parece não apenas questionável, como digno de repúdio e de censura moral.

Tenho a impressão de que Clausewitz concordaria com os meus argumentos e estaria de acordo em que eu use este blog de acordo com o seu manual sobre a guerra.
Minha guerra é contra a mediocridade, a estupidez, a mentira, a fraude e a falta de transparência nos assuntos públicos.

Como não tenho tropas, a não ser minha própria capacidade pensar e escrever, com a ajuda de minhas únicas armas que são dois computadores, fico na minha trincheira fazendo meu trabalho de defesa de certos valores e princípios.
Não tenho sequer capacidade de dissuasão, apenas o poder do convencimento pela aplicação de algumas evidências evidentes (se me permitem a redundância), a lógica elementar, a observação dos fatos, a reflexão ponderada, e a exposição de argumentos que espero condizentes com a realidade do mundo; la verità effetuale delle cose, como diria Maquiavel.

Meu blog é uma trincheira clausewitziana da verdade...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
1716) Von Blog: Clausewitz e a estrategia blogueira da defesa 

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E agora Madame IA:

A Trincheira Clausewitziana contra as Imposturas Intelectuais
No ensaio intitulado "Von Blog: Clausewitz e a estratégia blogueira da defesa", o embaixador e cientista político Paulo Roberto de Almeida estabelece um paralelo inventivo e rigoroso entre a teoria militar clássica e a atuação no debate público digital. Escrito originalmente em 2010 e revisitado no contexto do vigésimo aniversário de seu blog Diplomatizzando, o texto utiliza as formulações do general prussiano Carl von Clausewitz para justificar a existência de seu espaço virtual como uma ferramenta de resistência e combate cultural. A análise a seguir decompõe os pilares dessa argumentação e avalia criticamente suas implicações conceituais e éticas.
A Doutrina da Defesa e a Descentralização Meritocrática
O argumento central do autor repousa sobre dois conceitos fundamentais extraídos da obra de Clausewitz: a primazia da postura defensiva e a necessidade da meritocracia no desenvolvimento estratégico. Almeida recupera a premissa clausewitziana de que uma preparação defensiva de excelência constitui, por si só, uma sólida estratégia de dissuasão capaz de pavimentar o caminho para a vitória. Ao transpor essa lógica para o universo dos blogs, o diplomata passa a enxergar sua página não como um mero diário de opiniões, mas como uma verdadeira trincheira armada contra o avanço do que ele define como insensatez, burrice, fraude deliberada e desonestidade intelectual.
Adicionalmente, o texto destaca a visão progressista de Clausewitz em oposição ao monopólio aristocrático dos postos de comando no exército prussiano da época. O autor traça uma analogia direta entre o combate ao "pedigree" nobiliárquico ineficiente e a democratização do debate propiciada pela internet. Na visão de Almeida, o ambiente blogueiro rompe com os privilégios das elites institucionais, permitindo que a relevância e a autoridade sejam conquistadas estritamente pelo mérito da argumentação, pela densidade do conhecimento exposto e pelo rigor analítico.
Valores Universais e o Combate à Mediocridade Pública
Na delimitação do seu "teatro de operações", o embaixador confere um forte teor ético e moral às suas manifestações públicas. Ele define que a finalidade última de sua trincheira virtual é a proteção de princípios democráticos e humanitários fundamentais. O autor é categórico ao classificar a defesa de regimes ditatoriais e a aplicação seletiva dos direitos humanos como atitudes moralmente abjetas e dignas de repúdio.
Reconhecendo as limitações de sua força material por não possuir exércitos ou tropas à disposição, Almeida aponta que suas únicas armas são dois computadores e sua capacidade de articulação intelectual. O poder de persuasão de sua escrita, portanto, não emana da coerção ou da dissuasão bélica, mas sim do compromisso com a exposição de evidências factuais, a aplicação da lógica elementar e a busca pelo que Maquiavel denominava la verità effetuale delle cose — a verdade efetiva das coisas. O blog assume, assim, a identidade de um bastião voltado à transparência e ao enfrentamento da mentira nos assuntos de interesse público.
Análise Crítica do Posicionamento Estratégico
Sob uma perspectiva crítica, a construção discursiva de Paulo Roberto de Almeida revela-se altamente eficaz na autojustificação do papel do intelectual na era digital, mas também carrega tensões inerentes à metáfora militar escolhida. Ao enquadrar o debate de ideias sob a ótica estrita da guerra clausewitziana, o autor assume uma postura de polarização epistemológica na qual o interlocutor divergente corre o risco de ser sumariamente rotulado como "inimigo" ou portador de "má-fé" e "estupidez". Essa abordagem combativa, embora compreensível dentro de um espírito de resistência a narrativas autoritárias, pode eventualmente enrijecer o espaço de mediação e o pluralismo que caracterizam as democracias saudáveis.
Por outro lado, o mérito inegável do texto reside na sua defesa intransigente da racionalidade e do rigor factual em um ecossistema digital crescentemente marcado pela desinformação e pelo esvaziamento do debate público. Ao reivindicar Maquiavel e Clausewitz, Almeida eleva o padrão das discussões na blogosfera, demonstrando que a agilidade e a fragmentação da internet não precisam resultar no sacrifício da profundidade intelectual. A longevidade de seu projeto editorial, mencionada nas notas periféricas da página, serve como um testemunho prático da eficácia de sua estratégia defensiva, consolidando o espaço como um ponto de referência para o pensamento independente e de oposição à mediocridade política e cultural.




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