Depois de chegar a Washington, dediquei-me à informação sobre o estado de saúde do Império, lendo o Washington Post, assistindo canais de informação e debate, conversando com alguns interlocutores.
Um diagnóstico: o Império não tem justamente um diagnóstico preciso sobre o que vai mal e se esse mal é uma simples gripe ou alguma pneumonia galopante. Ninguém espera que o gigante venha a ser posto por terra, mas o fato é que temos hoje um grandalhão com sérias dúvidas sobre seu futuro imediato e sobretudo o de médio e longo prazo.
Os comentaristas de TV e jornal -- basicamente jornalistas bem informados, economistas, observadores internacionais -- não conseguem se colocar de acordo sobre o diagnóstico e, portanto, sobre o receituário a ser aplicado, que prescrição fazer e que dose de qual remédio aplicar. Não há consenso sobre a natureza da doença e não existe acordo sobre os remédios: o Plano Geithner, por exemplo, tem defensores (mitigados) e críticos acerbos, e na verdade ainda não passou por nenhum teste prático.
Conversas 1: almocei, nesta segunda-feira 30.03, com Murilo Portugal, vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, no próprio restaurante do FMI -- aparentemente sem mais subsídios, como no passado, pois os preços me pareceram de mercado, ou pelo menos comparáveis a restaurantes de nível médio -- com a conta gentilmente coberta pelo meu anfitrião. Conversamos basicamente sobre a crise americana, a próxima reunião do G20 em Londres -- e as posições dos principais países --, e a situação no e do Brasil, obviamente. Eu era mais ouvinte do que propriamente um parceiro, tanto porque sou um observador distante de processos decisórios, justamente, e meu interlocutor ocupa uma posição importante no principal órgão monetário do planeta (o que aparentemente não impressiona muita gente, pois a única coisa que se discute é como dar mais recursos ao FMI, não mais poder...).
Como disse Murilo, a regulação que vem por aí -- e alguma, mais reforçada, vai ter de ser implementada, pois a demanda dos regulacionistas, entre eles França, Brasil, Rússia e China, vai nesse sentido -- será feita com olho no retrovisor, como sempre ocorre nesses casos: os reguladores levam em conta o que deu errado na presente conjuntura. Obviamente, a próxima crise -- tenham certeza de que virá, em alguns anos -- terá outros elementos, não os mais os responsáveis pela crise atual.
Conversas 2: jantei com Otaviano Canuto, que em duas semanas assume como vice-presidente do Banco Mundial, tendo tido a mesma posição (mas com outras funções) no BID. Conversamos bem mais sobre o Brasil, a política e a economia, do que sobre os EUA e a agenda mundial. Falamos (mal) da academia brasileira, como não podia deixar de ser, e bem sobre nossos filhos, como eles são maravilhosos e estudiosos (mas isso faz parte). Basicamente, trocamos idéias sobre os desafios econômicos do próximo governo brasileiro, em face das não-reformas não-executadas pelo governo Lula. Concordamos em que a herança fiscal será pesada, além de outras coisinhas mais não publicáveis.
Conversas 3: Na noite de domingo, dia da chegada em Washington, havia conversado com um jornalista brasileiro, Francisco Mendez, que está terminando os créditos de mestrado na Georgetown University, e se prepara para voltar ao Brasil no mês de maio. Abordamos, basicamente, temas da vida universitária, nos EUA e no Brasil. Como era de se esperar, fomos impiedosos (com razão) sobre o estado lamentável do debate intelectual no Brasil, para o que muito contribui a pobreza da vida universitária e a miséria acadêmica, de modo geral (mas miséria no sentido moral, não material).
Abstenho-me de comentar a gastronomia americana, uma contradição nos termos, pois ela é lamentável: eles conseguem estragar qualquer culinária reputada, francesa, italiana, etc... Enfim, parece que quanto mais poderoso o império, pior se torna a sua comida.
Esperemos que o mesmo não ocorra com a China, aliás apontada em todas as matérias de imprensa que li como o parceiro indispensável que pode salvar este império em dificuldades. Se a China cortar os suprimentos (em dólares), os americanos caem no abismo, e vai ser uma queda bonita (ops, horrível, quero dizer). Acho que os americanos deveriam virar budistas, ou confucionistas, whatever...
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 31 de março de 2009
domingo, 29 de março de 2009
1048) Turismo academico (6): terrorismo meteorologico e contabilidade da viagem
Depois de todo o alarmismo da sexta e sábado, em torno de tornados e chuvas fortes, feito pelo Weather Channel, em relação ao tempo ao longo da costa leste, sobre a I-95, onde eu estava viajando, confesso que pensei até em comprar equipamento de mergulho, mas nao foi preciso. Na verdade, só comprei um guarda-chuva e um casaco de chuva, Nautico, supostamente de marinheiro, e portanto impermeável.
Mas, o dia neste domingo 29 de março não podia ter sido melhor: sol em toda a estrada, por muitas milhas, apenas um pouco de vento, ou brisas mais fortes, o que aliás fez o tempo ideal para viajar.
Saimos de Lumberton e seguimos sem problemas pela I-95, chegando a Washington as 16h30, desta vez num hotel de Alexandria, perto do aeroporto de Washington.
Chuva forte ocorreu, de fato, mas na própria Flórida, de onde já tinhamos saído na sexta, e nas planícies centrais.
Conferindo agora o contador do automóvel, verifico que deixei Miami com o contador a 11.504 milhas, e cheguei ao hotel com 12.680 milhas, o que perfaz um total de 1.176 milhas, ou 588 milhas por dia. Convertido em quilometros, daria 946 quilometros por dia, ou 1.892 no total. Está na minha média histórica do viagens, incluindo visitas interessantes pelo caminho.
Vou jantar com um jornalista conhecido e conversar sobre as novidades brasileiras e americanas.
PRA, 29.03.2009, 19h5.
Mas, o dia neste domingo 29 de março não podia ter sido melhor: sol em toda a estrada, por muitas milhas, apenas um pouco de vento, ou brisas mais fortes, o que aliás fez o tempo ideal para viajar.
Saimos de Lumberton e seguimos sem problemas pela I-95, chegando a Washington as 16h30, desta vez num hotel de Alexandria, perto do aeroporto de Washington.
Chuva forte ocorreu, de fato, mas na própria Flórida, de onde já tinhamos saído na sexta, e nas planícies centrais.
Conferindo agora o contador do automóvel, verifico que deixei Miami com o contador a 11.504 milhas, e cheguei ao hotel com 12.680 milhas, o que perfaz um total de 1.176 milhas, ou 588 milhas por dia. Convertido em quilometros, daria 946 quilometros por dia, ou 1.892 no total. Está na minha média histórica do viagens, incluindo visitas interessantes pelo caminho.
Vou jantar com um jornalista conhecido e conversar sobre as novidades brasileiras e americanas.
PRA, 29.03.2009, 19h5.
1047) Relações Rússia-EUA no novo cenário estratégico
O jornalista Boris Volkhonski, editor do Russia Journal, publicado por uma das mais influentes organizações não-governamentais russas, "Fundação da Política Efetiva" (Foundation for Effective Policy), contatou-me a propósito de uma pesquisa sua, segundo ele, sobre o "sentido não-Ocidental dos negócios estrangeiros da Rússia".
Não sei dizer o que ele quer dizer com isso, exatamente, mas ao lado de diversas outras questões sobre a América Latina e suas relações com o império -- qual, exatamente?; bem, só sobrou um... -- ele me colocou uma questão sobre as relações da Rússia com os EUA, depois que a Secretária de Estado Hillary Clinton fez sua primeira visita ao inimigo cordial dos americanos, levando um "botão" de restart -- aliás, traduzido erradamente para o russo, como sabem os mais informados. Apressadamente, em viagem de Brasilia a Miami, respondi o que vai transcrito (parcialmente) abaixo.
A Rússia: não quer ser o que é, mas não pode ser o que quer... [O título é meu, obviamente, retirado de uma antiga peça de teatro espanhola, sobre um noivo pobre que não consegue convencer o pai da donzela rica a deixá-la casar com ele...]
Pergunta de Boris Volkhonski (em Inglês):
1. Do you think that the intention to press the ‘reset’ button in US–Russian relations expressed by Barack Obama’s administration means a beginning of a new ‘détente’, or is it just a kind of a tactical game aimed at achieving some short-term purposes?
PRA (resposta elaborada em Português, depois vertida para o Inglês):
Provavelmente ambos, mas analistas responsáveis não se prendem a conceitos do passado, ou de uma conjuntura determinada – como o de détente, por exemplo – para expressar e analisar realidades do presente e os desafios do futuro. A história decididamente não se repete, e as circunstâncias e configurações das relações internacionais em geral, das relações ‘especiais’ entre as duas superpotências da era da Guerra Fria, bem como os ‘problemas’ de enfrentamento global daquela época – grosso modo de 1946 a 1991 – não são mais os mesmos, e isso por um fator relativamente simples. A Rússia não é sequer a herdeira da finada União Soviética, embora ele gostaria ou pretendesse sê-lo, mas ela não tem mais o poder e a liberdade de ação de que dispôs a URSS nos tempos do socialismo, muito embora a atual Federação Russa empreenda enormes esforços para recuperar não apenas o prestígio perdido, mas sobretudo o poder – mais aparente do que real – dos tempos de Guerra Fria.
Mesmo que o mundo não seja absolutamente unipolar, como alguns acreditam, e que os EUA deixem de ser arrogantemente unilateralistas, como muitos acreditam que eles sejam, sobretudo nos anos George W. Bush, os EUA são, ainda, o grande definidor da agenda internacional em termos estratégicos e de segurança; eles são a única potência capaz de projetar poder em qualquer cenário estratégico que se conceba, o que a Rússia nem de longe é capaz de fazer. Esse poder não é exercido em sua plenitude, mas o conjunto de bases militares e a presença física dos EUA no mundo – por soldados, diplomatas, agentes diversos, e também via algumas organizações internacionais – aproximam esse país o mais possível do que poderia ser chamado de ‘império universal’. Não se trata de um império ‘extrator’, como os velhos impérios dominadores do passado – chinês, romano, islâmico, espanhol, britânico, inclusive russo-soviético – mas de um império baseado no soft power da dominação econômica indireta, ou seja, um império do livre comércio e dos investimentos.
A crise atual, que deve ser vista numa perspectiva de longo prazo, imporá alguns limites a esse império, traduzindo-se numa provável perda de poder econômico relativo: não haverá declínio tecnológico ou retrocesso econômico substantivo, mas haverá uma ausência temporária de recursos – alguns deles drenados de economias satélites, como a própria China – o que constrangerá a liberdade de ação imperial. No longo prazo, haverá uma redistribuição do poder econômico no mundo, que pode ou não beneficiar a Rússia, dependendo de como esta se insere na economia globalizada.
Atualmente, a Rússia se insere basicamente de duas formas: como grande fornecedora de commodities energéticas e como fonte de poder militar em sua região específica, a Eurásia, especialmente a Ásia central, onde o seu poder de pressão é maior, assim como sobre seus ex-satélites da MittelEuropa. Ou seja, ela pode ‘chantagear’ um pouco os países dependentes de seu suprimento de energia – basicamente os europeus ocidentais e os penduricalhos de seu ex-império imediato – e pode denegar cooperação aos EUA e à OTAN para fins de resolução de problemas regionais ou locais, alguns deles cruciais, no contexto da luta contra o terrorismo de base islâmica, os problemas do Oriente Médio, o Irã, e todos os países no entorno do Mar Negro e do Mar Cáspio.
O botão de ‘reset’ é meramente simbólico, apenas um gesto de boa vontade ao início de uma nova gestão imperial. Mas deve-se ressaltar também que a administração Obama possui uma visão não confrontacionista do mundo, diferente da postura unilateralista por princípio da administração Bush. Se esta foi agressiva, pode-se caracterizar a nova como de détente, mas isso é apenas um conceito, impróprio para os tempos atuais: o mundo já não se organiza apenas em torno dos dois grandes pólos da era da Guerra Fria e a Rússia não tem mais condições de fixar ou estabelecer a agenda do mundo como ela fazia nos tempos da URSS.
Mesmo assim, esse ‘reset’ não se destina apenas a atingir objetivos de curto prazo, limitados às relações EUA-Rússia, e sim objetivos sistêmicos, ou estruturais, da nova política externa dos EUA: estes não têm interesse numa attitude confrontacionista com a Rússia simplesmente porque a maior parte dos problemas que os EUA enfrentam na região e em torno dela, assim como alguns problemas mais distantes, passam por uma cooperação política razoável com a Rússia. Isto envolve Irã, Coréia do Norte, Oriente Médio, Conselho de Segurança da ONU, atuação da OTAN no Afeganistão e vários outros problemas.
Ou seja, resumindo, o botão de reset é de fato substantivo, mas sua importância global, ou estratégica, não pode ser comparada às antigas relações EUA-URSS. Os dados da equação mudaram bastante, e não por ação unilateral, ou imposição dos EUA, e sim por retração, decadência econômica, incapacidade política e diplomática da Rússia. Esta, a despeito de sua recuperação militar e econômica, não consegue mais determinar a agenda mundial.
(...)
Brasília-Miami, 26.03.2009
Não sei dizer o que ele quer dizer com isso, exatamente, mas ao lado de diversas outras questões sobre a América Latina e suas relações com o império -- qual, exatamente?; bem, só sobrou um... -- ele me colocou uma questão sobre as relações da Rússia com os EUA, depois que a Secretária de Estado Hillary Clinton fez sua primeira visita ao inimigo cordial dos americanos, levando um "botão" de restart -- aliás, traduzido erradamente para o russo, como sabem os mais informados. Apressadamente, em viagem de Brasilia a Miami, respondi o que vai transcrito (parcialmente) abaixo.
A Rússia: não quer ser o que é, mas não pode ser o que quer... [O título é meu, obviamente, retirado de uma antiga peça de teatro espanhola, sobre um noivo pobre que não consegue convencer o pai da donzela rica a deixá-la casar com ele...]
Pergunta de Boris Volkhonski (em Inglês):
1. Do you think that the intention to press the ‘reset’ button in US–Russian relations expressed by Barack Obama’s administration means a beginning of a new ‘détente’, or is it just a kind of a tactical game aimed at achieving some short-term purposes?
PRA (resposta elaborada em Português, depois vertida para o Inglês):
Provavelmente ambos, mas analistas responsáveis não se prendem a conceitos do passado, ou de uma conjuntura determinada – como o de détente, por exemplo – para expressar e analisar realidades do presente e os desafios do futuro. A história decididamente não se repete, e as circunstâncias e configurações das relações internacionais em geral, das relações ‘especiais’ entre as duas superpotências da era da Guerra Fria, bem como os ‘problemas’ de enfrentamento global daquela época – grosso modo de 1946 a 1991 – não são mais os mesmos, e isso por um fator relativamente simples. A Rússia não é sequer a herdeira da finada União Soviética, embora ele gostaria ou pretendesse sê-lo, mas ela não tem mais o poder e a liberdade de ação de que dispôs a URSS nos tempos do socialismo, muito embora a atual Federação Russa empreenda enormes esforços para recuperar não apenas o prestígio perdido, mas sobretudo o poder – mais aparente do que real – dos tempos de Guerra Fria.
Mesmo que o mundo não seja absolutamente unipolar, como alguns acreditam, e que os EUA deixem de ser arrogantemente unilateralistas, como muitos acreditam que eles sejam, sobretudo nos anos George W. Bush, os EUA são, ainda, o grande definidor da agenda internacional em termos estratégicos e de segurança; eles são a única potência capaz de projetar poder em qualquer cenário estratégico que se conceba, o que a Rússia nem de longe é capaz de fazer. Esse poder não é exercido em sua plenitude, mas o conjunto de bases militares e a presença física dos EUA no mundo – por soldados, diplomatas, agentes diversos, e também via algumas organizações internacionais – aproximam esse país o mais possível do que poderia ser chamado de ‘império universal’. Não se trata de um império ‘extrator’, como os velhos impérios dominadores do passado – chinês, romano, islâmico, espanhol, britânico, inclusive russo-soviético – mas de um império baseado no soft power da dominação econômica indireta, ou seja, um império do livre comércio e dos investimentos.
A crise atual, que deve ser vista numa perspectiva de longo prazo, imporá alguns limites a esse império, traduzindo-se numa provável perda de poder econômico relativo: não haverá declínio tecnológico ou retrocesso econômico substantivo, mas haverá uma ausência temporária de recursos – alguns deles drenados de economias satélites, como a própria China – o que constrangerá a liberdade de ação imperial. No longo prazo, haverá uma redistribuição do poder econômico no mundo, que pode ou não beneficiar a Rússia, dependendo de como esta se insere na economia globalizada.
Atualmente, a Rússia se insere basicamente de duas formas: como grande fornecedora de commodities energéticas e como fonte de poder militar em sua região específica, a Eurásia, especialmente a Ásia central, onde o seu poder de pressão é maior, assim como sobre seus ex-satélites da MittelEuropa. Ou seja, ela pode ‘chantagear’ um pouco os países dependentes de seu suprimento de energia – basicamente os europeus ocidentais e os penduricalhos de seu ex-império imediato – e pode denegar cooperação aos EUA e à OTAN para fins de resolução de problemas regionais ou locais, alguns deles cruciais, no contexto da luta contra o terrorismo de base islâmica, os problemas do Oriente Médio, o Irã, e todos os países no entorno do Mar Negro e do Mar Cáspio.
O botão de ‘reset’ é meramente simbólico, apenas um gesto de boa vontade ao início de uma nova gestão imperial. Mas deve-se ressaltar também que a administração Obama possui uma visão não confrontacionista do mundo, diferente da postura unilateralista por princípio da administração Bush. Se esta foi agressiva, pode-se caracterizar a nova como de détente, mas isso é apenas um conceito, impróprio para os tempos atuais: o mundo já não se organiza apenas em torno dos dois grandes pólos da era da Guerra Fria e a Rússia não tem mais condições de fixar ou estabelecer a agenda do mundo como ela fazia nos tempos da URSS.
Mesmo assim, esse ‘reset’ não se destina apenas a atingir objetivos de curto prazo, limitados às relações EUA-Rússia, e sim objetivos sistêmicos, ou estruturais, da nova política externa dos EUA: estes não têm interesse numa attitude confrontacionista com a Rússia simplesmente porque a maior parte dos problemas que os EUA enfrentam na região e em torno dela, assim como alguns problemas mais distantes, passam por uma cooperação política razoável com a Rússia. Isto envolve Irã, Coréia do Norte, Oriente Médio, Conselho de Segurança da ONU, atuação da OTAN no Afeganistão e vários outros problemas.
Ou seja, resumindo, o botão de reset é de fato substantivo, mas sua importância global, ou estratégica, não pode ser comparada às antigas relações EUA-URSS. Os dados da equação mudaram bastante, e não por ação unilateral, ou imposição dos EUA, e sim por retração, decadência econômica, incapacidade política e diplomática da Rússia. Esta, a despeito de sua recuperação militar e econômica, não consegue mais determinar a agenda mundial.
(...)
Brasília-Miami, 26.03.2009
sábado, 28 de março de 2009
1046) Turismo academico (5): alive, so far...
Ao sabor das tempestades e tornados...
Comecei o dia, em Brunswick, na Georgia do sul, com tempo quente, sol, algumas nuvens, agradável para viajar.
Entramos em Charleston, uma cidade colonial da Carolina do Sul, com tempo coberto e já mais fresco, mas ainda razoável para passear. Era o que tinha para ver no caminho, com exceção de Savannah, ainda na Georgia, mas eu já conhecia de visita anterior.
Em Savannah foi realizada a primeira reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, em 1946, a única a que compareceu John Maynard Keynes, eleito presidente do Banco Mundial. Ele morreu pouco depois. Começou então a 'mania' de se eleger um americano para o Banco Mundial e um europeu para o FMI, até agora seguida, mas provavelmente não vai se manter durante muito tempo mais.
Já tinha estado em Charleston uma vez, para uma reunião de cooperação acadêmica, iniciada pelo ministro Paulo Renato de Souza (MEC, governo FHC) e tinha gostado. A cidade melhorou bastante, com muita restauração em velhas casas coloniais, mas na verdade a maior parte da arquitetura é do século XIX. A cidade é tipicamente turística e deve ficar cheia no verão. Agora tinha gente de bermuda e outros de casaco...
Depois de Charleston, foi uma chuva só, por vezes severa, e muito congestionamento na estrada, com velocidade reduzida a menos de 50 milhas por hora em alguns trechos.
Não consegui ver nenhum tornado, ou nenhum tornado conseguiu me encontrar, mas pode ser que eles estejam esperando por mim amanhã, uma nova jornada de "severe thunderstorms", "heavy rains" e "possible tornados" em cima do meu caminho, justamente.
Em Chicago, perto de onde vou, já caiu abaixo de zero, com novas nevascas e sorvete caindo por todo lado.
Não se pode dizer que a viagem esteja sendo aborrecida...
A bem da verdade, nao sei se conseguirei chegar a Washington amanhã, domingo, como era minha intenção.
Depende de um tornado que deve estar me esperando na estrada...
Comecei o dia, em Brunswick, na Georgia do sul, com tempo quente, sol, algumas nuvens, agradável para viajar.
Entramos em Charleston, uma cidade colonial da Carolina do Sul, com tempo coberto e já mais fresco, mas ainda razoável para passear. Era o que tinha para ver no caminho, com exceção de Savannah, ainda na Georgia, mas eu já conhecia de visita anterior.
Em Savannah foi realizada a primeira reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, em 1946, a única a que compareceu John Maynard Keynes, eleito presidente do Banco Mundial. Ele morreu pouco depois. Começou então a 'mania' de se eleger um americano para o Banco Mundial e um europeu para o FMI, até agora seguida, mas provavelmente não vai se manter durante muito tempo mais.
Já tinha estado em Charleston uma vez, para uma reunião de cooperação acadêmica, iniciada pelo ministro Paulo Renato de Souza (MEC, governo FHC) e tinha gostado. A cidade melhorou bastante, com muita restauração em velhas casas coloniais, mas na verdade a maior parte da arquitetura é do século XIX. A cidade é tipicamente turística e deve ficar cheia no verão. Agora tinha gente de bermuda e outros de casaco...
Depois de Charleston, foi uma chuva só, por vezes severa, e muito congestionamento na estrada, com velocidade reduzida a menos de 50 milhas por hora em alguns trechos.
Não consegui ver nenhum tornado, ou nenhum tornado conseguiu me encontrar, mas pode ser que eles estejam esperando por mim amanhã, uma nova jornada de "severe thunderstorms", "heavy rains" e "possible tornados" em cima do meu caminho, justamente.
Em Chicago, perto de onde vou, já caiu abaixo de zero, com novas nevascas e sorvete caindo por todo lado.
Não se pode dizer que a viagem esteja sendo aborrecida...
A bem da verdade, nao sei se conseguirei chegar a Washington amanhã, domingo, como era minha intenção.
Depende de um tornado que deve estar me esperando na estrada...
1045) Turismo academico (4): tempo cão, literalmente...
Bem, de acordo com as previsões meteorológicas, o céu deve nos cair sobre a cabeça, neste sábado dia 28 de março:
Storm Watch
Severe thunderstorms and blizzards
6:55 pm ET
Tornado touches down near Fayetteville, NC, heavy delays on I-95: Police report that a tornado was over or west of Interstate 95, 2 miles southwest of Vander, at 5:30 p.m. Police also report spotting funnel clouds near the Crown Coliseum.
(...)
Damage was reported on Chickenfoot Road, I-95 and Roslin Road in Robeson County.
Extensive delays have developed along Interstate 95 between mile markers 40 and 44 for downed trees and multiple accidents, including an overturned tractor-trailer. State troopers said that after the initial accident, other drivers wrecked while trying get around the scene.
"We're not sure yet if that's storm-related. It's a possibility. But I can tell you troopers are saying several severe thunderstorms that moved into the area," said Cpt. Everette Clendenin, a spokesman for the Highway Patrol.
Ainda no conforto do hotel, mas saindo dentro de uma hora aproximadamente.
Se sobrevivermos, eu continuo postando...
O tempo está ruim na maior parte dos EUA: nevascas no norte e no Texas, inundações em várias partes, tornados no Golfo do México e nas planícies centrais, chiva forte nos estados do Sul, enfim, todas as promessas de um dia miserável.
Carmen Lícia desistiu de ir ao Tip Joe, um mercador de material de arte em Boone, nas montanhas da Carolina do Norte: as estradas provavelmente poderiam ser perigosas.
Vamos continuar pela I-95, onde os acidentes aconteceram mais por imprudência do que por ação do tempo.
Como diria Abraracourcix, nosso único temor é que o céu nos caia sobre a cabeça...
Storm Watch
Severe thunderstorms and blizzards
6:55 pm ET
Tornado touches down near Fayetteville, NC, heavy delays on I-95: Police report that a tornado was over or west of Interstate 95, 2 miles southwest of Vander, at 5:30 p.m. Police also report spotting funnel clouds near the Crown Coliseum.
(...)
Damage was reported on Chickenfoot Road, I-95 and Roslin Road in Robeson County.
Extensive delays have developed along Interstate 95 between mile markers 40 and 44 for downed trees and multiple accidents, including an overturned tractor-trailer. State troopers said that after the initial accident, other drivers wrecked while trying get around the scene.
"We're not sure yet if that's storm-related. It's a possibility. But I can tell you troopers are saying several severe thunderstorms that moved into the area," said Cpt. Everette Clendenin, a spokesman for the Highway Patrol.
Ainda no conforto do hotel, mas saindo dentro de uma hora aproximadamente.
Se sobrevivermos, eu continuo postando...
O tempo está ruim na maior parte dos EUA: nevascas no norte e no Texas, inundações em várias partes, tornados no Golfo do México e nas planícies centrais, chiva forte nos estados do Sul, enfim, todas as promessas de um dia miserável.
Carmen Lícia desistiu de ir ao Tip Joe, um mercador de material de arte em Boone, nas montanhas da Carolina do Norte: as estradas provavelmente poderiam ser perigosas.
Vamos continuar pela I-95, onde os acidentes aconteceram mais por imprudência do que por ação do tempo.
Como diria Abraracourcix, nosso único temor é que o céu nos caia sobre a cabeça...
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