sábado, 31 de janeiro de 2026

“Capitalismo de laços. E que laços! – Editorial da revista Será?; comentário inicial de Paulo Roberto de Almeida

 Transcrevo o editorial da revista Será?, com a qual colaboro, sobre a promiscuidade crescente, invasiva e talvez avassaladora, do ponto de vista reputacional, entre altos mandarins do Estado e altos representantes do capitalismo predatório, aquele que se vale dessas relações para lucrar a partir de manobras politicas clandestinas com recursos públicos ou simplesmente ao explorar possibilidades de ganhos extraordinários contando com a complacência de autoridades políticas. 

O titulo do editorial remete so livro do economista Sérgio Lazzarini, “Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões”, que foi publicado vários anos atrás, e que evidencia a existência de conexões, nem sempre inocentes, entre os donos do capital e os donos do poder. Mas, se tratava apenas de favores recíprocos, não necessariamente de atos ilegais, como por exemplo a concessão de recursos do BNDES a certos pedidos de modo excepcionalmente rápido e generoso. O que estamos contemplando no Brasil atual é uma colaboração mútua entre as duas esferas tangenciando os limites da lei, ou já ingressando no domínio da ilegalidade explicita, até que a realidade se impõe, como no caso do exagero com benesses aos mandarins em troca de proteção e resguardo contra a aplicação da lei. Creio que já chegamos no Brasil à degradação do interesse da sociedade no confronto com esse capitalismo promiscuo de laços beirando a criminalidade.

Vivemos há décadas o espetáculo de casos emblemáticos que, apenas por um incidente menor, se tornaram públicos ao serem exposto pela imprensa e se convertersm em casos rumorosos na Justiça e nos espaços de diversos governos. Existem muitos outros que subsistem no silêncio dos envolvidos, a começar pelas amorais e ilegais “rachadinhas” de parlamentares até o estupro orçamentário contínuo dessas emendas impositivas propostas pelos “vereadores federais”, que são os atuais deputados e senadores, desviadas ao nivel municipal — sem esquecer que metade dos 5.600 municípios não sobreviveriam sem essas transferências do alto — e enriquecendo feudos politicos.

O Brasil está doente pela corrupção derivada desses laços impróprios do patrimonialismo, mas que já se elevaram à categoria de comportamento mafioso.

Não existe solução fácil a esse desafio da corrupção normalizada, pois ela pode se cobrir hipocritamente com a edição de “códigos de ética” que nunca funcionam.

Proponho uma primeira medida de simples proibição de laços financeiros entre partidos políticos — que inexistem de verdade — e os recursos públicos: como eles são entidades de direito privado NÃO PODERIAM EXISTIR fundos governamentais a sustentá-los, como o fundo partidário e o eleitoral, ambos exacerbados a cada legislatura. Eles não são mais toleráveis, mas apenas um movimento cidadão de peso — como foi historicamente o abolicionismo, por exemplo — poderia extinguir edsa excrescência. Está na hora de fazê-lo, assim como de eliminar os exageros de recursos públicos oara o exercício de atividade parlamentar, o que acaba atraindo os gatunos para a competição eleitoral, transformando o conjunto de representantes políticos— nos três níveis da federação— numa poderosa casta politica. 

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 31/01/2026

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“Capitalismo de laços. E que laços! – Editorial

Por Revista Será? | jan 30, 2026 | Opinião

A promiscuidade entre grupos econômicos e o poder político no Brasil, analisada e criticada por Sérgio Lazzarini em Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões, ganhou contornos particularmente delicados quando passou a frequentar os corredores da mais alta instância do Judiciário. A liquidação do Banco Master desencadeou investigações e denúncias de supostos interesses cruzados entre o proprietário da instituição financeira, o banqueiro Daniel Vorcaro, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A excessiva e inadequada exposição pública de ministros do STF — seja por meio de declarações políticas, seja pela participação em eventos de natureza política — já vinha despertando críticas quanto à crescente politização da Corte. O caso do Banco Master expõe, agora, a face mais opaca dessas relações, revelando vínculos entre ministros do STF e um empresário do setor financeiro, em especial o ministro Dias Toffoli.

O episódio começa com a estranha decisão monocrática de Toffoli, que concedeu foro privilegiado a processos envolvendo corrupção e desmandos do banco, trazendo o caso para sua própria relatoria. Desde então, multiplicaram-se reportagens e indícios oriundos de investigações da Polícia Federal apontando o relacionamento do ministro com negócios do Banco Master, bem como a existência de contrato de consultoria jurídica entre a instituição financeira e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Na tentativa de conter o desgaste institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa de Dias Toffoli, que vem, de forma cada vez mais evidente, extrapolando suas prerrogativas e tomando decisões pouco republicanas. Ao proteger um erro, corre-se o risco de lançar toda a instituição na lama.

Em nota pública, Fachin revelou ainda a indisposição do STF em conviver com notícias incômodas e com as críticas legítimas da sociedade e da imprensa. Qualquer questionamento passa a ser tratado como ataque à democracia; a denúncia de eventuais desvios de conduta de seus membros, como tentativa de desmoralização da instituição. Ocorre justamente o contrário: quem desmoraliza o STF são os ministros que, eventualmente, se comportam de maneira incompatível com a dignidade do cargo que ocupam.

Diante da gravidade do caso e para evitar maior deterioração da imagem e da legitimidade do Supremo, Dias Toffoli deveria ter-se declarado suspeito para relatar os processos envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Seria o mínimo. Ao não fazê-lo, apenas reforça a suspeição. E, diante disso, o presidente Fachin recorre a um artifício: remeter o processo à primeira instância, onde ele deveria estar desde o início, não fossem os atropelos cometidos pelo próprio Toffoli.

Resta ainda uma questão central: como ficam as provas já produzidas? Inicialmente, Toffoli determinou o acautelamento de todo o material recolhido pela Polícia Federal, mantendo-o sob custódia direta do STF — ou seja, sob sua própria guarda. Recuou apenas após fortes pressões e críticas públicas. Desde o princípio, deveria ter se afastado da relatoria.

Qual é, afinal, o temor do ministro?”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Dicas para o concurso de seleção à carreira diplomática - Romulo Neves

 O edital do concurso do Rio Branco foi publicado mais cedo neste ano. As inscrições já começam em fevereiro. 

Aqui vai, então, o meu tradicional post de dicas para os candidatos, com links para ajudar a organizar seus estudos. Romulo Neves

Neste ano, compilei também uma série de recursos on-line, no arquivo em anexo, nas seguintes categorias:

- Jornalismo e Notícias

- Centros de Pesquisa

- Bancos de Dados

- Portais de Geopolítica

- Bancos de Artigos, Livros e Teses


Abaixo, alguns links interessantes:

- link de perguntas e respostas preparadas pelo próprio Rio Branco sobre a carreira: https://lnkd.in/gcmWK8Sk

- compilação do Clipping CACD também com dados sobre a carreira: https://lnkd.in/gjBkscac

- compilação de perguntas e respostas sobre o concurso e carreira, preparada por um amigo e colega, o Renato Godinho, há 15 anos, mas muitas respostas continuam válidas: https://lnkd.in/gDPBrr2u

- compilado dos Guias de Estudos dos concursos anteriores, publicados pelo Instituto Rio Branco (aba Guias de Estudos): https://lnkd.in/gNT8ZA8w

- neste vídeo, comento detalhadamente o processo de preparação para as provas em geral, e para a prova de Política Internacional, especificamente: https://lnkd.in/gNrCWV8W

- neste vídeo, converso com o meu amigo Marcílio Falcão, do Ubique, sobre o processo de preparação para o concurso: https://lnkd.in/gcUZ5DP7


- o link para meu livro de política internacional edição 2026 segue aqui: https://lnkd.in/gH-GZFbm 

Estaríamos, outra vez, em face de um novo “fim da História”? - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Estaríamos, outra vez, em face de um novo “fim da História”?

Por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será?, jan 30, 2026
https://revistasera.info/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo-fim-da-historia/

Reflexões sobre algumas dúvidas do tempo presente.


A proposta de Fukuyama sobre o “fim da História” (“The End of History?”, The National Interest (Summer 1989), apresentada com um suporte teórico vagamente hegeliano, e formulada, cabe enfatizar, no início de 1989 – bem antes da queda do muro de Berlim e muito antes da implosão final do socialismo –, foi de fácil aceitação pelas correntes já convertidas ao liberalismo político e partidárias das democracias de mercado, assim como ela foi quase que universalmente rejeitada pelas esquerdas, que se apressaram em indicar que ela era desprovida de qualquer importância explicativa justamente no plano da História, tanto do ponto de vista intelectual, quanto do ponto de vista prático. Nenhuma dessas correntes prestou muita atenção ao ponto de interrogação ao final do título, que parecia oferecer, na roupagem puramente acadêmica do artigo, um excelente terreno de manobras para as divagações “inocentes” do autor sobre o “triunfo definitivo” do liberalismo ocidental.

Pois bem, na confusa conjuntura teórico-prática do início de 2026, cabe perguntar se já não estamos, outra vez, em face de um “novo final da História”, não exatamente no seu sentido hegeliano, mas na concretude das ações – não coordenadas, mas conjugadas – de três novos “Napoleões” em manobras geopolíticas, provavelmente dispostos a colocar um termo à ordem inaugurada em 1945 pelo quase império universal americano daquela conjuntura de final de um grande conflito global, e pretendendo, esses Napoleões nouvelle manière, estabelecer as bases práticas do funcionamento de um novo esquema que substitua a força do Direito pelo direito da Força. Se quisermos permanecer no raciocínio hegeliano original, ele se baseava na derrota das monarquias absolutas da velha Europa pela nova ordem racional-burocrática napoleônica (direitos do homem e do cidadão, igualdade formal dos cidadãos, exército nacional), assim como Fukuyama interpretou a crise final do socialismo nos anos 1980 como sendo a inauguração de uma nova ordem baseada nas democracias de mercado, dado o triunfo prático do modo capitalista de produção.

Para ser honesto com Fukuyama, sua tese é basicamente correta em sua aparente simplicidade propositiva: não há mais contestação ideológica possível – de origem socialista, entenda-se bem – à hegemonia econômica das economias de mercado, quase todas elas ocidentais. Os antigos impérios socialistas se converteram todos em adeptos desse modo egoísta de produção, ainda que mantendo o “despotismo oriental” de seus respectivos modos políticos de governança. Se Fukuyama fosse, contudo, mais um adepto das teses de filosofia da História de Raymond Aron do que das manipulações filosóficas hegelianas, ele teria reconhecido como altamente improvável que Aron aceitasse aquele estado de coisas – a crise final do socialismo – como sendo a vitória definitiva de um liberalismo fin-de-siècle. Relativamente pessimista — dotado de um scepticisme serein, preferiria dizer ele mesmo — no que se refere às realidades dos Estados e dos sistemas de poder existentes, Aron não alimentaria nenhuma ilusão quanto a que o alegre “enterro do socialismo” operado na última década do século XX pudesse conduzir a uma “primavera das democracias”, razoavelmente estável, ou a uma versão atualizada da “paz universal” prometida em meados do século XVIII por um prelado francês, tese repetida depois por Kant.

Em todo caso, observando-se a anarquia política característica da desordem interestatal contemporânea, protagonizado pelos três “Napoleões” (que ainda não tiveram a oportunidade de uma nova Yalta), bem como registrando os enormes diferenciais de recursos e de poder entre os Estados, no quadro de um sistema internacional ainda fortemente hierarquizado, tudo leva a crer que estamos em face de um novo “fim da História” bem movimentado, ainda indefinido em seus contornos principais, mas já distante da ordem criada nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Paradoxalmente, ela vem sendo mais sabotada pela potência imperial que a criou do que pelos dois outros atores que surgiram no cenário “pós-socialista” de seus respectivos impérios.

Os dois “déspotas orientais” falam vagamente de uma “nova ordem global multipolar” – sem jamais definir seus contornos, ou dizer como ela se instalaria, precisamente –, ao passo que o autocrata ocidental se empenha, ruidosamente, em torpedear os fundamentos da ordem política multilateral criada em San Francisco e os do sistema multilateral de comércio inaugurado pouco depois pelo Gatt. Ele é o principal agressor da ordem global existente, não em favor de um império hegemônico reabilitado em seu antigo potencial supremacista, mas em benefício dos seus próprios negócios pessoais e familiares.

Entendamo-nos bem. Aron certamente não se surpreenderia em que os acasos da História conduzissem a Humanidade a um début-de-siècle ainda aroniano, isto é, livre aparentemente da ameaça de um holocausto nuclear, mas não isento de conflitos: “paz impossível, guerra improvável”, disse ele em 1948, um prognóstico ainda confirmado ao final de sua vida. Mas, para ele, a superação da Machtpolitik da primeira era bipolar não significava em absoluto que as relações internacionais contemporâneas — e presumivelmente as do futuro em construção — passassem a ser desprovidas, mesmo num cenário multipolar, de todo e qualquer elemento de “política de poder”. A despeito da crescente afirmação, durante a paz quase universal onusiana, do primado do direito internacional – ou seja, da “força da Razão” – sobre as soluções baseadas na violência primária, a Machtpolitik continuará a existir por largo tempo ainda, inclusive em seus aspectos mais elementares de exercício puro e simples da “razão da Força”. É justamente o que nos prometem os três já citados candidatos a novos Napoleões (ainda aguardando a sua nova Yalta).

Numa época em que modernos ideólogos identificam, repetidas vezes, sinais de “fim das ideologias” (ou do próprio “fim da História”), perde-se facilmente a visão de como o elemento ideológico influenciou a construção do mundo contemporâneo. O Ocidente, durante setenta anos, e a Europa, durante trinta anos, viveram sob o signo das relações Leste-Oeste. Sua face mais habitual produziu o que ficou identificado sob o conceito de “Guerra Fria”. A primeira “Guerra Fria” entre as duas superpotências da época, que marcou indelevelmente a segunda metade do século XX, não foi, provavelmente, apenas um produto de ideologias conflitantes. Mas, foram certamente as racionalizações políticas e militares construídas a partir das “intenções malévolas” do concorrente estratégico que lhe deram uma dimensão jamais vista nas antigas disputas hegemônicas (seja entre os impérios da antiguidade clássica, seja entre os Estados-nacionais da era moderna).

A nova estratégia de segurança americana, que identifica no liberalismo europeu o verdadeiro inimigo da “nova ordem global multipolar”, pode representar a “espoleta ideológica” (uma espécie de Iskra leninista) de um novo “fim da História”, mas que encarnaria, de fato, uma “gaiola de ferro” pouco weberiana, e bem mais parecida com um triunvirato imperial dos três Napoleões (Césares?). A futura ordem global estaria agora se encaminhando para uma etapa de “não-guerra” – que não quer dizer uma era de paz – entre os três grandes impérios, dividindo entre eles os despojos das potências menores?

Descartando-se a permanência dos chamados conflitos regionais e das guerras locais conduzidas por motivos étnicos ou territoriais, é provável que sim, mas, isto tem pouco a ver com a inauguração de uma “nova ordem global”, pois guerras civis e conflitos interétnicos sempre existiram e vão continuar a existir. O que interessa, de verdade, aos três grandes, é uma espécie de convivência na tolerância recíproca, desde que eles possam se firmar em suas esferas respectivas de dominação. De certo modo, o abafamento das paixões bélicas nas sociedades contemporâneas é mais o resultado de mudanças substantivas na ordem econômica global do que devido a motivos de natureza política ou ideológica. A despeito da “desglobalização”, que tomou impulso na pandemia, a microglobalização – aquela que é feita pelos indivíduos e empresas – continua em sua marcha incontida, mesmo se a macroglobalização – que é aquela regulamentada e cerceada pelos Estados nacionais – pode perder espaço na agenda do multilateralismo econômico e comercial.

Examinando-se os casos concretos na pauta dos grandes impérios, parece improvável que eles venham a morrer por suas periferias respectivas: a “América para os americanos” parece ser o sinal que o “problema” da Venezuela é um assunto para o Trump, sem qualquer interferência dos outros dois; novos equilíbrios na Europa central e oriental podem ficar aos cuidados do neoczar; a “formosa ilha” na Ásia Pacífica, por sua vez, não terá nenhum poder imperial que se disponha a intervir em seu favor, e a única coisa que talvez impeça uma anexação violenta seja o fato de ser um grande porta-aviões de microchips, e não um eventual e incerto socorro do promotor de oito ou dez processos (inventados) de paz.

A Realpolitik da atualidade responde pelo nome de superioridade tecnológica, e o cenário de seu desenvolvimento é a própria Weltwirtschaft, num mundo cada vez mais borderless. Com efeito, assiste-se hoje em dia a um deslocamento de hegemonias, menos devido à força das canhoneiras do que ao peso dos navios cargueiros. Nesse cenário, o neoczar arruinado por uma “operação militar especial” que arruinou mais ainda o seu grande império, já não conta muito na tripartição imperial, a não ser por seus arsenais nucleares.

Ao fim e ao cabo, retornamos ao argumento orwelliano sobre a igualdade na fazenda dos animais, sendo que na “fazenda capitalista” dos impérios, alguns são manifestamente mais iguais do que os outros. Aparentemente, o mais “transacional” nessa confraria quer estabelecer as bases de uma convivência triplamente lucrativa, algo difícil num império em erosão comportamental. Ele será, provavelmente, confucianamente engolido pelo novo Hegemon, sendo que o déspota eslavo já terá se tornado um perfeito vassalo do imperador do novo Império do Meio, reconstruído em sua grandeza ancestral. A História não tem nenhuma possibilidade de algum fim previsível, mas a Geografia, está cada vez mais chegando ao ponto desejado por Fernão de Magalhães: chegar ao Oriente navegando sempre a Ocidente.

Se houver algum “fim da História”, ele não estará mais no Atlântico Norte, mas nos grandes espaços marítimos do Pacífico ao Índico, justamente onde se perdeu Magalhães. Camões, nos Lusíadas, o coloca nestes versos:

“O Magalhães, no feito com verdade / Português, porém não na lealdade.”

Não se pode esperar nenhuma lealdade no caso das grandes potências. O que o Brasil deveria fazer seria se manter alheio aos arranjos mesquinhos feitos pelas grandes potências e tratar de preservar sua tradicional postura de autonomia plena na sua política externa.


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5172: 3 janeiro 2026, 4 p.; revisão: 28 janeiro 2026.
https://revistasera.info/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo-fim-da-historia/

Airton Dirceu Lemmertz convoca novamente Madame IA para esclarecer o horror que pretendem certos mandarins da nossa republiqueta

Airton Dirceu Lemmertz convoca novamente Madame IA para esclarecer o horror que pretendem certos mandarins da nossa republiqueta.

Enquanto você dormia, a Câmara dos Deputados criou uma bomba-relógio de R$ 809 BILHÕES. Você não leu errado. Discretamente, sem alarde e com zero transparência, foi aprovado um projeto que concede privilégios de aposentadoria para um grupo específico, destruindo o equilíbrio da nossa Previdência. O nome disso? Irresponsabilidade fiscal com o seu futuro. O erro fatal do Brasil é achar que "valorizar" uma categoria é dar a ela benefícios que o resto da população não tem e não pode pagar. Valorizar é pagar salários decentes, oferecer boas condições de trabalho e dar as ferramentas para a excelência. Não é criar um buraco que vai engolir a aposentadoria de milhões, inclusive a deles próprios. Medidas como essa são o caminho mais curto para a implosão do sistema. E quando ele quebrar, não haverá para onde correr. Estaremos todos desamparados na velhice. Equilíbrio fiscal não é um termo técnico para economistas. É a garantia de que o Estado poderá cumprir suas promessas amanhã.
* vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=kUhMdKwrCcU
* resposta da IA Gemini: clique aqui.

A isenção de IR até R$ 5 mil vai ajudar os mais pobres. Certo? ERRADO. Pode parecer contraintuitivo, mas a nova faixa de isenção do Imposto de Renda não é um presente para os mais pobres. Eles já eram isentos. A verdade, nua e crua, é que essa medida injeta dinheiro no bolso da classe média e dos mais ricos. Quem ganha R$ 5 mil por mês no Brasil não é pobre. Está, na verdade, entre os 15% com maior renda do país. 85% dos brasileiros ganham menos que isso. E o efeito colateral? O consumo não vai explodir no Nordeste, como a narrativa bonita nos faz crer. Ele vai crescer onde essa "nova classe isenta" vive: nos estados mais ricos, como Sudeste e Sul. Os dados não mentem: Sudeste: 42% da população, mas 53% dos beneficiados. Nordeste: 27% da população, mas apenas 12% dos beneficiados. Isso não é uma crítica, é uma constatação. A intenção pode ser uma, mas o impacto do dinheiro segue seu próprio fluxo. Antes de celebrar uma medida, é preciso entender quem ela realmente beneficia.
* vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=utWdvM2F9Xw
* resposta da IA Gemini: clique aqui.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Três grandes potências, três posturas ao longo do tempo: China, Rússia, EUA - Paulo Roberto de Almeida

Três grandes potências, três posturas ao longo do tempo: China, Rússia, EUA

Paulo Roberto de Almeida


O Império do Meio já era um estado “weberiano”, ou seja, racional (não necessariamente legal), quando as duas outras sequer existiam. Grande civilização material, tecnologicamente avançada, culturalmente sofisticada, mas num regime político classificado por historiadores e sociólogos como sendo um “despotismo oriental”.

A Rússia emerge lentamente a partir das tribos bárbaras além Urais, é invadida por mongóis e vikings e se cristianiza a partir de Kyiv Rus, origem de Moscou. Unificada brutalmente pelos primeiros czares, nunca deixou de ser paranoica e brutal, até mesmo bárbara, no comportamento de seus déspotas.

Os EUA surgem muito depois, quatro séculos de ocupação progressiva, com a expulsão ou eliminação dos nativos, 250 anos de construção de um Estado muito poderoso, que se tornou indiferente à sua própria hubris e arrogância.

Dos três, o mais perigoso para a paz no mundo é o império russo, dominado pelo medo de invasões, desde o czarismo, passando pelo bolchevismo e agora pelo neoczarismo, atualmente sob a tirania de um despota paranoico, brutal e expansionista, cujo despotismo se exerce em primeiro lugar contra o seu próprio povo, mantido ignorante vis-à-vis progressos iluministas e humanistas em outras partes do mundo.

Os EUA já foram uma sociedade progressista e prometedora, mas o excesso de poder deformou parte de suas elites. Mas um regime de plenas liberdades individuais assegura muita inovação e atração para o resto do mundo, o que aumentou o racismo na parte branca inculta da população.

O novo Império do Meio, depois de um século de humilhações ocidentais e japonesas, retoma sua civilização criativa, trabalhafora e aberta às inovações estrangeira, agora capaz de oferecer ao mundo inovações extremamente sofisticadas, graças à energia e trabalho de seu povo. Não tem pretensões imperiais, mas não quer mais ser humilhada por bárbaros estrangeiros, por isso busca segurança no exterior próximo: Xinjiang, Tibete, Mar Amarelo, Mar do Sul da China, e não esquece que Formosa já foi sua, Hong Kong também, além de Vladivostok.

Tem também o “meio império” europeu, que já foi dominante no passado, se auto destruiu em guerras incessantes e se acomodou na dependência americana, que é produto de sua dominação em quase todo o mundo.

Ainda tem alguns candidatos a certa importância mundial: a Índia certamente e outras potências médias, como o Canadá, Brasil, escandinavos, Indonésia e outros. 

Os três grandes podem abusar de seus poderes respectivos, mais contra médios e pequenos, do que contra si reciprocamente. Esse é o mundo!

Paulo Roberto Almeida

Brasilia, 29/01/2026


Um programa de trabalho: Geopolítica da Brutalidade - Paulo Roberto de Almeida

 Geopolítica da Brutalidade

(apenas perguntas, por enquanto)


1) O que é, como começou, quando?

2) Quais suas principais manifestações?

3) Como ela impacta o Brasil?

4) Qual deveria ser nossa postura?

Work in progress…

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 29/01/2026

José Guilherme Merquior, perigoso "diplomata subversivo" no Itamaraty, 1970


José Guilherme Merquior, perigoso "diplomata subversivo" no Itamaraty, 1970 

José Guilherme Merquior é delatado em setembro de 1970, em ofício secreto, pelo chefe do SNI, general Carlos Alberto Fontoura, ao então chanceler, embaixador de carreira, Mario Gibson Barbosa, como perigoso subversivo no Itamaraty.

Em setembro de 1970, estudante do 2. ano de Ciências Sociais na USP, eu me preparava para sair do Brasil, por temer ser preso pela repressão do regime. Saí efetivamente em dezembro de 1970. Voltei ao Brasil em março de 1977, em dezembro desse ano ingressei no Itamaraty. Pouco depois eu era fichado como "diplomata subversivo", por lutar contra a ditadura.

PS: Agradeço ao historiador Rogério de Souza Farias, exímio pesquisador em todo tipo de arquivo, o envio deste documento.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...