Três grandes potências, três posturas ao longo do tempo: China, Rússia, EUA
Paulo Roberto de Almeida
O Império do Meio já era um estado “weberiano”, ou seja, racional (não necessariamente legal), quando as duas outras sequer existiam. Grande civilização material, tecnologicamente avançada, culturalmente sofisticada, mas num regime político classificado por historiadores e sociólogos como sendo um “despotismo oriental”.
A Rússia emerge lentamente a partir das tribos bárbaras além Urais, é invadida por mongóis e vikings e se cristianiza a partir de Kyiv Rus, origem de Moscou. Unificada brutalmente pelos primeiros czares, nunca deixou de ser paranoica e brutal, até mesmo bárbara, no comportamento de seus déspotas.
Os EUA surgem muito depois, quatro séculos de ocupação progressiva, com a expulsão ou eliminação dos nativos, 250 anos de construção de um Estado muito poderoso, que se tornou indiferente à sua própria hubris e arrogância.
Dos três, o mais perigoso para a paz no mundo é o império russo, dominado pelo medo de invasões, desde o czarismo, passando pelo bolchevismo e agora pelo neoczarismo, atualmente sob a tirania de um despota paranoico, brutal e expansionista, cujo despotismo se exerce em primeiro lugar contra o seu próprio povo, mantido ignorante vis-à-vis progressos iluministas e humanistas em outras partes do mundo.
Os EUA já foram uma sociedade progressista e prometedora, mas o excesso de poder deformou parte de suas elites. Mas um regime de plenas liberdades individuais assegura muita inovação e atração para o resto do mundo, o que aumentou o racismo na parte branca inculta da população.
O novo Império do Meio, depois de um século de humilhações ocidentais e japonesas, retoma sua civilização criativa, trabalhafora e aberta às inovações estrangeira, agora capaz de oferecer ao mundo inovações extremamente sofisticadas, graças à energia e trabalho de seu povo. Não tem pretensões imperiais, mas não quer mais ser humilhada por bárbaros estrangeiros, por isso busca segurança no exterior próximo: Xinjiang, Tibete, Mar Amarelo, Mar do Sul da China, e não esquece que Formosa já foi sua, Hong Kong também, além de Vladivostok.
Tem também o “meio império” europeu, que já foi dominante no passado, se auto destruiu em guerras incessantes e se acomodou na dependência americana, que é produto de sua dominação em quase todo o mundo.
Ainda tem alguns candidatos a certa importância mundial: a Índia certamente e outras potências médias, como o Canadá, Brasil, escandinavos, Indonésia e outros.
Os três grandes podem abusar de seus poderes respectivos, mais contra médios e pequenos, do que contra si reciprocamente. Esse é o mundo!
Paulo Roberto Almeida
Brasilia, 29/01/2026
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