A tragédia da diplomacia brasileira
Houve um tempo, parado no tempo, em que a diplomacia brasileira se casou bastante bem com a política externa brasileira. Eram tempos antigos, como os do Barão, por exemplo, quando a política externa era guiada, conduzida, executada pela diplomacia. Depois tivemos aproximações e divergências, segundo as personalidades dos que se exerciam numa e noutra.
Por incrivel que pareça, mesmo sob a ditadura militar, com suas taras ideológicas, o distanciamento não foi muito extenso, durável ou intenso. Com exceção daqueles temas tabu para os milicos — Cuba, o comunismo, a União Soviética, a China maoísta — e de algumas aventuras aqui e ali, de “diplomacia blindada” na região (Juan José Torres, na Bolívia, Allende no Chile), os diplomatas conseguiam dirigir bastante bem a diplomacia do gigante da América do Sul, e até a sua política externa.
Na democratização, o processo de “união” se acentuou: integração regional, tratados humanitários, acordos em tecnologias sensíveis, de segurança por exemplo, diplomacia ambiental e comercial, todos esses terrenos eram mares conhecidos pela diplomacia, quase “piscinas” domésticas.
Depois os tempos mudaram, e para pior: certos dirigentes resolveram “esquecer” o Direito Internacional, e até o Direito Humanitário, para não dizer a ética, ou a moral, na condução de certas alianças ditas estratégicas.
A tragédia da diplomacia brasileira é essa: a política externa já não está “casada”, sequer próxima. Uma tragédia para profissionais que estudaram Direito Internacional, mas que sobretudo tinham, e têm, moral.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 17/01/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário