Trecho final de meu artigo sobre o “fim do multilateralismo como o conhecíamos”:
“ O mundo ingressou definitivamente em uma nova era, que revive conflitos passados, produtores de desastres humanitários. A diplomacia brasileira não terá qualquer auxílio no contexto do multilateralismo internacional ou regional das últimas décadas, já inoperantes. Sua autonomia decisória em matéria de política externa só poderia ocorrer em coordenação com outras potências médias, independentemente de serem classificadas ao Sul ou ao Norte. Não se tem ainda claro que tal curso de ação possa ter viabilidade prática na atual orientação de uma diplomacia que, no passado não muito distante, adotou um alinhamento irrefletido com as duas grandes potências opositoras da atual ordem global, marcadamente ocidental.
O lulopetismo diplomático apostou num Bric importado a partir de uma ideia (não diplomática) de ganhos financeiros, foi confrontado a um Brics construído a partir das conveniências nacionais daquelas duas superpotências e acabou tendo de acomodar-se a um Brics+ ampliado em favor desses interesses exclusivos, o que produziu efeitos inesperados do ponto de vista dos interesses nacionais do Brasil. Não reconhecer essa involução no plano das relações exteriores do país significa continuar ignorando o saudável patrimônio diplomático acumulado por um planejamento cuidadoso da política externa, substituído por orientações ideológicas em nítido desacordo com as circunstâncias “orteguianas” de nossa geografia política, sempre vinculada à integração regional sul-americana. O novo Ícaro inconsciente do lulopetismo diplomático desprezou o “voo baixo” da integração sul-americana e, tentado pela aliança oportunista com duas superpotências nucleares, enveredou pelo “voo alto” do grande jogo da geopolítica mundial, uma trajetória que pode revelar-se ilusória em médio prazo.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 14 janeiro 2026, 4 p.”
Ler o artigo completo neste link:
https://bit.ly/49FQk6J
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