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sexta-feira, 12 de março de 2010

1786) Voce quer saber mais sobre "linguas africanas" (sic)?

Recebo, da sempre estupenda Universidade de Brasília, que nunca nos deixa esquecer que as universidades públicas caminham rapidamente para a decadência, esta brilhante oferta:

From: decanato de extensao
Date: March 12, 2010 8:20:01 PM GMT-03:00
Subject: [InfoUnB] DEX ABRE INSCRIÇÕES PARA CURSO SOBRE LINGUAS AFRICANAS

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA CURSO SOBRE LÍNGUAS AFRICANAS

O Decanato de Extensão (DEX) comunica que estão abertas até 19 de março inscrições gratuitas para o curso Considerações sobre as Línguas Africanas e estudos sobre suas participações na constituição do português brasileiro, proposto para o 1º/2010 pelo Núcleo de Promoção da Igualdade Racial (NPIR/DEX). (...)

O curso é aberto à comunidade universitária da UnB e ao público em geral e objetiva abordar aspectos das línguas africanas bem como apresentar considerações sobre contato de línguas e culturas africanas no Brasil. Além disso, com base em estudos etnolinguísticos, apresentará elementos que servirão como subsídios importantes ao debate acerca do cumprimento do § 1°do artigo 26 A da Lei de Diretrizes e Bases - LDB: o estudo do negro na formação da sociedade nacional.
O curso abrange em seu programa temas relacionados à Língua e Sociedade; inventário e classificação das línguas africanas; aspectos de estruturas fonológicas e morfossintáticas das línguas africanas e Línguas Africanas no Brasil.
(...)

Comento:

Eu me pergunto o que sao linguas africanas!!!
So what?!, diriam os ingleses.
Seria a mesma coisa que algum curso oferecer "linguas europeias", ou linguas "asiaticas".
Será que eu poderia saber que influência tiveram o galego, o basco, o provençal, os diversos dialetos alemães, o polonês, o italiano do Mezzogiorno, o húngaro, o ruteno, ou então, o árabe, o turco, o japonês, o chinês, sobre o nosso idioma falado no Brasil atualmente.
Por que apenas "línguas africanas" -- que não existem, estrito senso, existindo apenas diversas línguas faladas naquele continente, tão variadas quanto as europeias e as asiaticas -- devem ser explicadas a nós pobres brancos estudantes, ou então a negros brasileiros que são apenas descendentes longínquos de negros africanos e que não tem mais a mais remota ideia de qual língua era falada por seus ancestrais, aliás dispersons por dezenas de tribos e etnias de línguas diferentes?
Que raios de lingua voce quer aprender, exatamente?: swahili, ovimbundu, ashanti?
A Igualdade Racial vai ter de ser uma pouco mais precisa no que pretende ensinar (com dinheiro publico, obviamente...)
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Paulo Roberto Almeida

4 comentários:

Alat disse...

Caro PRA, acho que dessa vez você exagerou. Qual o problema da UnB lançar curso de "línguas africanas"? É verdade, como você diz, que o termo não é o mais adequado, mas espero - se o curso tiver a mínima qualidade - que isso seja o ponto de partida da primeira aula. É o que parece, aliás, pois no trecho que você cita eles dizem que o curso inclui "inventário e classificação das línguas africanas".

Você faz a piada do curso sobre "línguas européias", mas bem se poderia fazer um curso sobre isso. Na primeira aula, explica-se a definição e as características das famílias indo-européia e fino-úgrica, mais os idiomas isolados que existem no Velho Continente. Depois vai-se descendo até o nível dos idiomas individuais. Qual o problema?

Pessoalmente, acharei muito bom quando houver brasileiros conhecendo swahili (imagino seja o seu "swali", mas posso estar errado), ovimbundu ("ovumbu"), ashanti, peul, xhosa, zulu, amhárico, ge'ez, etc. ("Burkinabe", até onde sei, é só o gentílico do País dos Homens Íntegros e não um idioma). Da mesma forma, por exemplo, ficarei contente quando estudiosos brasileiros e não britânicos ou norte-americanos forem referência no estudo de quéchua e aimará, idiomas falados em país que tem 3 mil km de fronteira conosco e está bem longe deles...

Paulo R. de Almeida disse...

Meu caro Alat,
Muito grato pelas correções todas oportunas e bem vindas quanto a designacao de linguas de povos da Africa (milhares de povos, e centenas de linguas), num comentario muito rapido que fiz ao partir de Shanghai.
Minha intencao nao é impedir o estudo de linguas faladas no continente africano, desde que isso nao faça parte de um esforço de mistificação de base apenas politica.
Você sabe tão bem quanto que jamais um curso assim seria oferecido para linguas europeias (sic), asiaticas (resic) ou mesmo para linguas indigenas (trisic) deste hemisferio.
Uma usurpacao intelectual, apenas isto....

Alat disse...

Puxa, que resposta rápida! Concordo com você que a chance de que esse curso seja apenas "parte de um esforço de mistificação de base apenas politica" é grande, aproximando-se de 100%... Isso é que é a tragédia. A idéia em si é boa.

Abraço,

Mário Machado disse...

Um curso desses oferecido pela universidade pública nos deixa "tão" felizes nessa época de declaração de imposto de renda!