Bem, isso já sabiamos, tantos são os problemas. Mas até agora não se tinha uma ideia da dimensão do problema. Pois bem, agora já temos.
Se você fosse um capitalista europeu e desejasse se instalar no Brasil por achar que os custos europeus são maiores, engano seu, pois aqui ficaria muito mais caro, e apenas com os custos que se consegue medir, sem falar na miríade de outros problemas não facilmente quantificáveis, como corrupção, burocracia, ineficiência administrativa, enfim, nossa tradicional lentidão em tudo o que requeira um serviço público.
Esta semana pensei em transferir um carro meu em nome de minha filha, para legalizar uma realidade, mas tive de desistir: o Detran de Brasília entrou em greve.
Agora os professores de SP também vão entrar em greve: adivinhem quem vai sofrer? Claro, as mulheres trabalhadoras, mais ainda as mais pobres...
Isto é o Brasil...
Custo Brasil, uma sobrecarga de 36%
Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo, 10.03.2010
O chamado Custo Brasil, conjunto de fatores que comprometem a competitividade e a eficiência da indústria nacional, encarece em média 36,27% o preço do produto brasileiro em relação aos fabricados na Alemanha e nos Estados Unidos. Somado ao câmbio valorizado, esse custo ajuda a explicar a tendência de especialização cada vez maior do País em exportar produtos primários e semimanufaturados, e de importar mais produtos de maior valor agregado e de tecnologia avançada.
Imagine que um alemão apaixonado pelo clima tropical resolvesse trazer sua fábrica de porteira fechada para o Brasil, incluindo mão de obra e máquinas. O preço do mesmo produto que ele fabrica hoje na Alemanha subiria automaticamente 36,27% só pelo simples fato de passar a produzir no Brasil, diz o empresário Mário Bernardini, assessor econômico da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Bernardini coordenou estudo inédito da Abimaq que mede o Custo Brasil pela primeira vez nos últimos 20 anos. Todo mundo sabe que o Custo Brasil existe, mas nunca ficou claro o tamanho do problema, comentou o empresário ao apresentar o trabalho em reunião plenária da Abimaq em São Paulo na semana passada.
Ele ponderou que, na verdade, trata-se de uma tentativa de avaliação, pois foram mensurados oito itens e o Custo Brasil tem ao menos mais outros 30 que não se consegue transformar em números.
É um piso, pois seguramente o número é maior que 36%, já que não engloba tudo e foi comparado com países que não são os mais baratos do mundo, disse Bernardini ao Estado.
Segundo ele, se a comparação fosse com a China, o número dobraria de tamanho. Fomos conservadores de forma proposital, pois o mundo inteiro tem problemas com a China, disse o diretor de Competitividade da Abimaq, Fernando Bueno.
Entre os componentes do Custo Brasil medidos pela Abimaq estão o impacto dos juros sobre o capital de giro, que na média gera custo 7,95% superior ao dos concorrentes internacionais, e preços de insumos básicos, cuja diferença de custos é de 18,57% entre a produção nacional e a americana e alemã. Outros fatores de custo adicional: impostos não recuperáveis na cadeia produtiva (2,98%), encargos sociais e trabalhistas (2,84%), logística (1,90%), burocracia e custos de regulamentação (0,36%), custos de investimento (1,16%) e custos de energia (0,51%).
Corremos o risco de ver parte do setor produtivo ser transformado em montador, numa indústria que só tem casca e cujo conteúdo vem de fora, alerta o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 9 de março de 2010
1772) Ser capitalista no Brasil é uma tremenda temeridade...
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