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terça-feira, 2 de março de 2010

1737) Meus pesames antecipados: Cidade Administrativa Tancredo Neves, BH-MG

O governador de Minas, Aécio Neves está inaugurando, nesta quinta-feira, 4 de março, o novo centro administrativo do estado de Minas Gerais em Belo Horizonte, a chamada Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, projeto concebido e desenhado pelo arquiteto Oscar Niemayer.

Bem, não querendo ser ave de mau agouro, mas sendo, desejo, desde já, formular meus votos de mais sentida condolência, profundos pêsames, a todos aqueles que terão o dissabor, eu diria até a desgraça, de serem obrigados a trabalhar, ou até a frequentar, uma obra que, sem ver, sem conhecer, eu já reputo como desumana, horrivel esteticamente e funcionalmente desastrosa.
Sinto muito, isso é azar demais...

Paulo Roberto de Almeida (2.03.2010)

6 comentários:

Rozenbaum disse...

Fiquei curioso.
Por que desumana e funcionalmente desastrosa?

Na teoria é pra ser funcional. Bastante funcional.

De acordo com o blog do governo, a cada ano será possível economizar R$ 80 milhões.
Transcrevo: O Governo terá expressiva economia com a extinção de aluguéis, além da redução de gastos com telefonia – grande parte das ligações será interna -, envio de correspondências, energia – iluminação utilizará tecnologia inteligente,...
Além é claro do tempo gasto com deslocamento entre as secretarias de Estado.

Fiquei curioso com a sua posição. Se alguma hora puder se explicar melhor, ficaria extremamente grato.

Ah sim. Estética é uma coisa que não entendo. Deixei de fora.

André Rozenbaum
Fonte: http://blog.mg.gov.br/cidade-administrativa-economia-de-r-80-milhoes-por-ano/

Palazzo disse...

Evidentemente o governo de Minas está apenas substituindo uma despesa por outra, transferindo o ônus da operação do centro administrativo do Estado para a prefeitura e os funcionários.

Explico: Em troca de economizar aluguéis, o Estado obriga os funcionários a gastarem mais com seu próprio transporte até o remoto centro administrativo. Ao remover esses funcionários do centro da cidade, e levá-los para um distante campus (matus?) isolado do resto do mundo, o Estado está além disso retirando potenciais consumidores que movimentavam a economia urbana de BH (almoço, compras diversas), colocando-os num local onde eles terão poucas opções de consumo. Assim, é a base fiscal do município que é atingida, tanto diretamente pela diminuição na dinâmica comercial quanto indiretamente pela inevitável queda nos valores fundiários que acompanhará essa depressão, resultando em menor arrecadação de IPTU.

Por fim, além do custo de construção do centro administrativo é preciso considerar seu custo de manutenção, agravado pelo fato das estruturas em concreto, aço e vidro serem notoriamente mais frágeis do que as estruturas tradicionais das antigas sedes: neste momento, o Palácio do Planalto, com menos de 50 anos de idade, está passando por uma reforma geral, o que o Palácio da Alvorada já teve e os outros edifícios públicos de Brasília precisam com urgência. Em contraste, os edifícios antigos da Praça da Liberdade demandam repinturas periódicas, mas não me consta que nenhum deles tenha tido que passar por recuperação estrutural.

Anônimo disse...

A Cidade Administrativa é o mais novo cartão postal de BH. Pelo que li, a obra levou em cosnideração um novo projeto de desenvolvimento para BH, baseado em modelos como Chicago, Denver e Berlim. Certamente será uma transformação para a região norte de BH. Além disso, os funcionários terão melhores condições de'trabalho. Antes, as secretarias eram espalhadas em mais de 50 prédios em BH. Agora estarão todas centralizadas.

Thiago disse...

Paulo, eu acho que as secretarias espalhadas por Belo Horizonte não são nada funcionais, nem para o cidadão e nem para os servidores.

Explico: quando um problema envolver duas ou mais secretarias, ao invés dos servidores terem que pegar um carro oficial e se deslocar pela cidade, que como toda cidade grande apresenta problemas de tráfego intenso, para solucionar a demanda em outro lugar. A partir de agora, basta pegar um elevador, se encontrar com a outra área responsável e pronto. Assunto resolvido.

Outro ponto é aquele cidadão que tem dois ou mais problemas ou reuniões com diferentes secretarias. Agora, com tudo no mesmo lugar, fica mais rápido e fácil o atendimento ao cidadão.

Acho que a gestão ganha em agilidade e eficiência. Pelo menos esta é minha opinião...

Victor Hugo disse...

Acho que a partir da inauguração da Cidade Administrativa, a expectativa é induzir a implementação de novos investimentos públicos e privados no vetor norte de BH, local da obra, com a geração massiva de empregos, trazendo mais oportunidades e melhores condições de vida para a população. Pra mim, visão de futuro e de longo prazo.

Mário Machado disse...

Por que desumana e funcionalmente desastrosa?

Sem querer defender quem sabe se expressar melhor que eu. Mas trabalhar em prédio projetado pelo arquiteto amante de ditadores não é nada prático.

Na parte estética ter nascido em Brasília e me criado correndo pela esplanada (minha mãe não podia arcar empregada, eu ia a creche no ministério da saúde no resto do tempo me escondia em sua sala) me habituei e gosto dos prédios.