Do Walmyr Buzatto:
“ CHINA - Uma viagem (ou duas?)
Vo começar com um pouco de retrospectiva, mas quem não tiver paciência pode pular para o parágrafo seguinte, não vai perder muito. É que eu gosto de dar o contexto, e muita gente não tem tempo para isso. Bem, vamos lá: eu, como engenheiro eletrônico, especialidade computação (de uma época em que um computador enchia uma sala refrigerada e tinha menos poder de computação que o relógio de pulso que uso hoje), sempre fui ligado no assunto das redes de comunicação, bem antes da internet. Na década de 80 tive minhas primeiras experiências com computação pessoal; na década de 90 a primeira vivência de redes (ainda antes da internet, mas já conversando em BBS - os bulletin board systems, onde você se ligava com um modem e linha discada a um servidor e compartilhava arquivos a papeava com pessoas online); depois a internet, ICQ, Orkut, etc, até chegar, já na primeira década do século XXI ao Facebook, onde acabei criando raízes e meio que ‘parei no tempo’. Não entrei a fundo no Instagram e no Twitter (mas fechei minha conta assim que Elon Musk o comprou e mudou o nome); achei um ‘modus vivendi’ que me satisfaz no Facebook, encontrei antiga amizades perdidas, fiz novas amizades e é disso que vou falar a seguir.
Pronto, se você chegou aqui lendo o parágrafo anterior, parabéns; se veio direto pelo atalho, não tem problema. O importante vem agora.
Fiz muitos amigos no Facebook, a maioria nem conheço pessoalmente, mas sinto grande afinidade com a maioria deles. Verdade que mantenho minha página fechada, uma quase bolha só para amigos, e estes escolho com cuidado. OK, e entre esses amigos tenho Carmen Lícia Palazzo, historiadora, casada com o diplomata Paulo Roberto de Almeida, também meu amigo. Um dia ainda vou pegar um avião e ir a Brasília conhecê-los pessoalmente. Aprendo muito com os dois e respeito o conhecimento deles, com uma educação superior que me faz, às vezes, arrepender de não ter seguido uma carreira de humanas. Carmen Lícia é expert na cultura chinesa e acaba de lançar um livro sobre suas viagens naquele país, que fez no período em que moraram lá por ocasião de uma feira internacional em Shanghai, onde Paulo organizou o pavilhão brasileiro. Acabei de ler o livro em edição Kindle e preciso recomendá-lo fortemente a quem se interessa pela China.
Como falei, conheço - virtualmente - o casal há alguns anos (o tempo passa rápido!) e, quando minha afilhada, médica formada no ano passado, me desafiou a acompanhá-la a Shanghai para uma apresentação que ela ia fazer num congresso médico, caso seu ‘paper’ fosse aceito, minha resposta imediata foi ‘Claro!’. Conheço o trabalho dela, uma pesquisa inédita relacionando a ocorrência de epilepsia em pacientes submetidos a cirurgia crânio-facial (me perdoem a falta de termos mais técnicos), e também sei do empenho dela quando se dedica a uma tarefa. Eu já tinha estado na China brevemente, em 2007, numa visita muito rápida a Beijing para visitar uma feira de máquinas operatrizes, e o que eu vi naquela época não me surpreendeu muito, tirando o trem-bala entre o aeroporto e o centro da cidade. Após me comprometer com a resposta positiva, eu imediatamente entrei em contato com a Carmen Lícia pedindo dicas, pois eu sabia que ela tinha morado justamente em Shanghai, mas isso foi antes da publicação do livro. Ela me deu algumas dicas que obviamente incluí no roteiro. Volto a isso já, antes um comentário sobre a duração da visita.
Quando a Daniela (é o nome da sobrinha/afilhada/médica com futuro brilhante) me contou sobre a possibilidade da apresentação de seu trabalho, eu perguntei qual a duração do congresso. ‘Uma semana’, foi a resposta. De posse das datas, reservei as passagens, o hotel, e comecei a pensar no que fazer enquanto ela ia no congresso. A verdade é que ela só ia apresentar o trabalho, um único dia, onde ela teria 3 minutos de espaço na agenda! O resto foi passeio mesmo. Acho que ela, meio sem querer (ou não?) me armou uma armadilha. E foi ótimo assim; se tivesse sabido de antemão que ela teria apenas 3 minutos no congresso, eu teria me questionado se valeria a pena uma viagem daquelas!
Valeu a pena por dois ou três motivos: em primeiro lugar, a apresentação dela foi um sucesso, e de quebra, fez bons contatos no meio em que ela está se inserindo (cirurgia plástica, tanto corretiva como estética); em segundo ou terceiro lugar, fizemos turismo seguindo as dicas de Carmen Lícia, e foi fantástico.
Como estaríamos em Shanghai por uma semana, visitar outros locais turísticos na China ficava meio inviável, exigiria longos deslocamentos de avião, mais despesas, etc. A região de Shanghai sozinha já justifica semanas de permanência para conhecer parte da cultura chinesa, seus museus, sua história e seu povo. Visitamos duas cidades recomendas por ela e uma terceira um pouco mais distante em direção Sul para conhecer uma muralha feita pelo mesmo construtor que posteriormente foi contratado pelo governo central para projetar e coordenar a construção da muralha mais famosa no Norte. Todas as viagens foram de um dia: pegávamos o trem cedinho, andando entre uma e duas horas num trem bala (200 a 270 km/h) e chegando lá éramos recepcionados por um guia local que nos levava para conhecer o lugar e suas atrações. A volta a Shanghai era no fim da tarde/início da noite. Falei sobre essa viagem e postei fotos em novembro de 2025, depois vou colocar um link para aquela postagem nos comentários.
Por que estou fazendo esta postagem agora? Porque o livro de Carmen Lícia me fez querer voltar pra lá e gastar muito mais tempo na região, e depois viajar para outros lugares relatados por ela no livro e ficar conhecendo melhor aquele país. O livro é curto, eu li em três dias, e terminei agora há pouco. Já estou tentando convencer minha mulher a ir comigo conhecer a China! Para aproveitar melhor uma viagem dessas, é preciso desvincular governo atual, uma ditadura de um partido só, da cultura milenar chinesa, da mesma forma que é preciso desvincular o governo dos aiatolahs do Irã da cultura milenar persa. O povo nas ruas, no seu dia-a-dia, é aquele mesmo que viveu sob diversos tipos de governo; a cultura amadurecida ao longo de milênios é a mesma, seja sob um governo liberal ou sob uma ditadura. O livro de Carmen Lícia passa longe de qualquer avaliação política ou ideológica, focando nos aspectos culturais e religiosos de seu povo. De novo, comprem o livro, seja na versão Kindle ou em papel. Eu já encomendei uma cópia impressa para presentear à minha afilhada Daniela. O risco é ela arrumar outro congresso por lá…”

