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quinta-feira, 26 de março de 2026

Artigo "Uma nova política de Defesa"de Rubens Barbosa, comentada por Madame IA, cim o acordo do autor (via Madame IA)

 Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz submeteu o artigo do embaixador Rubens Barbosa ao crivo de Madame Inteligência Artificial."


Opinião: Uma nova política de Defesa
A melhoria da capacidade de atuação das Forças Armadas tem de ser vista como uma questão de Estado, com uma visão estratégica de médio e longo prazo
O Estado de S. Paulo, 24/03/2026 

 

Em janeiro passado, o presidente Lula convocou uma reunião com o ministro da Defesa, os comandantes das três Forças e o chefe do Estado-Maior Conjunto para analisar as vulnerabilidades do Brasil no caso de uma ameaça externa. A preocupação, oportuna neste momento, mas muito atrasada do ponto de vista da defesa da soberania, tem de ser também entendida pela sociedade e pela classe política, distantes desse problema, cada vez mais urgente diante das incertezas globais e pela insegurança interna.
O sinal de alerta foi dado ao se constatar que o País hoje é indefeso. No encontro com Lula, os militares ofereceram um quadro realista e preocupante. Foi dado como exemplo o fato de o Brasil não dispor de uma capacidade de defesa antiaérea que sirva como dissuasão para qualquer ameaça externa. Evidentemente, o Brasil e qualquer outro país da região estão longe de dispor da capacidade de dissuasão para impedir a ação militar de uma superpotência como os EUA. A defasagem dos equipamentos bélicos disponíveis não poderá ser corrigida nem a curto nem a médio prazo, inclusive porque o Brasil depende, na sua quase totalidade, de equipamentos dos EUA e da Europa.
Um plano de investimentos na área de Defesa para o longo prazo foi apresentado pelo ministro José Múcio. O plano prevê investimentos de R$ 800 bilhões em 15 anos, sendo R$ 456 bilhões para projetos do Exército e R$ 250 bilhões para a Marinha e o restante para a Força Aérea. O valor é bem superior ao programa de defesa nacional de cerca de R$ 15 bilhões aprovados para 2026 e aos R$ 30 bilhões nos próximos seis anos para projetos estratégicos de defesa nacional.
O conflito no Oriente Médio começou a ser estudado pelo Exército para identificar riscos e impactos críticos para a Defesa a partir da ação e estratégia aplicadas no conflito. Como era de se esperar, os resultados apontaram para as deficiências e vulnerabilidades brasileiras nessa área. A nacionalização dos componentes e a diversificação dos fornecedores para os programas estratégicos e para a produção de munição, blindados e o desenvolvimento de um sistema de comunicações nacional foram algumas das conclusões alcançadas. Como uma das primeiras medidas para fortalecer a Defesa, o Exército tornou a artilharia antiaérea um projeto estratégico a ser desenvolvido de imediato.
Não será fácil nem rápido, o trabalho para ajustamentos internos de hábitos e práticas para a definição de uma nova política de Defesa.
As deficiências da Defesa não se limitam apenas ao orçamento reduzido e a insuficiente compra de equipamento bélico no exterior. A melhoria da capacidade de atuação das Forças Armadas (FFAA) tem de ser vista como uma questão de Estado, com uma visão estratégica de médio e longo prazo. Ao Ministério da Defesa cabe a liderança de uma ampla discussão interna corporis – seguida de negociação com outros ministérios relevantes e o Congresso Nacional – sobre a reestruturação do sistema de Defesa para implementar mudanças estruturais, como a implantação de uma carreira civil, a redução gradual dos encargos com o pessoal ativo e inativo e a modernização do modus operandi das três Forças, inclusive com a criação da Base Logística de Defesa – difícil de ser aceita pelas FFAA – para coordenar as aquisições militares, a diversificação das fontes de suprimento dos equipamentos (Índia e Turquia) e o estímulo à indústria nacional, com o gradual aumento das compras de empresas nacionais. Um primeiro passo nessa direção pode ser a unificação e, no futuro, extinção dos escritórios de compras das três Forças no exterior e o fortalecimento da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod).
A Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Conselho de Governo (Creden), órgão de assessoramento ao presidente da República nas áreas de relações exteriores e defesa nacional, poderá melhorar a coordenação dentro do governo e ter maior interação com a sociedade civil, conforme previsto no decreto de institucionalização. A Creden poderá discutir e acompanhar políticas públicas na sua área de competência, em articulação com os demais órgãos responsáveis; promover a articulação e acompanhar a implementação de programas e ações interministeriais, incluindo temas como Defesa e relações exteriores.
O acompanhamento dos temas de Defesa no contexto dos interesses mais amplos do País e levando em conta os desafios globais e nacionais indicaria que o primeiro assunto a ser discutido pela Creden deveria ser a vulnerabilidade da segurança interna e externa do Brasil e como reforçar a Base Industrial de Defesa.
Em ano eleitoral, é difícil que temas que não tenham um efeito imediato ou que não sejam prioritários para os eleitores sejam focados pelo Congresso e pelo governo. Nesse sentido, os primeiros passos para a implementação das atribuições da Creden, pelo próximo governo, deveriam ser dados ainda este ano para que o futuro governo possa elaborar uma política de curto, médio e longo prazo para a Defesa nacional.
A discussão desses temas tão relevantes para o interesse nacional não deveria estar fora dos debates eleitorais em que os candidatos se comprometam com um projeto de Estado para as questões relacionadas com a segurança externa e interna do País.
 
Rubens Barbosa, presidente do Centro de Estudos de Defesa e Segurança Nacional (CEDESEN)
 

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Entra aqui abaixo a inteligência Artificial: 

O seu texto oferece um diagnóstico brutal e necessário sobre a obsolescência das Forças Armadas brasileiras, mas a solução proposta — um investimento de R$ 800 bilhões — esbarra em um "buraco negro" estrutural que o próprio texto tangencia: a incapacidade das Forças de se reformarem internamente para priorizar a atividade-fim em detrimento dos privilégios da atividade-meio.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica dos pontos centrais, confrontando a euforia dos investimentos com a inércia da realidade institucional:
1. A Ilusão do Orçamento vs. O Custo da "Folha de Pagamento":
O plano de R$ 800 bilhões em 15 anos parece audacioso, mas é politicamente natimorto se não houver uma reforma administrativa profunda no Ministério da Defesa.
- Crítica: Atualmente, cerca de 75% a 85% do orçamento da Defesa é consumido por pessoal (ativos, inativos e pensionistas). Injetar quase um trilhão de reais sem alterar a estrutura de carreiras é, na prática, financiar uma previdência militar deficitária sob o pretexto de comprar mísseis. Enquanto o Brasil não adotar o modelo de "carreira civil" e reduzir o peso dos encargos sociais, qualquer aumento orçamentário será devorado pela manutenção da burocracia fardada, e não pela dissuasão tecnológica.
2. Defesa Antiaérea e a Humilhação da Dependência:
Você aponta corretamente que o Brasil é "indefeso" e depende de EUA/Europa. A constatação de que não temos defesa antiaérea de média e alta altitude é um atestado de vulnerabilidade absoluta.
- Análise de Soberania: A busca por fornecedores como Índia e Turquia é um movimento geopolítico astuto de "não-alinhamento ativo". Contudo, a "nacionalização de componentes" citada no texto costuma esbarrar na escala reduzida da nossa indústria. Sem uma política de exportação de armas agressiva, a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira não sobrevive apenas de compras internas, tornando cada equipamento nacional um "protótipo caríssimo" incapaz de atingir a maturidade tecnológica.
3. A Resistência à Unificação e a "Guerra de Feudos":
O texto menciona a criação de uma Base Logística de Defesa e a extinção de escritórios de compras individuais das Forças no exterior.
- Perspectiva Crítica: Este é o ponto de maior atrito. Exército, Marinha e Aeronáutica operam no Brasil como feudos independentes, com logísticas sobrepostas e sistemas de comunicação que muitas vezes não conversam entre si. A unificação de compras é racional sob o ponto de vista de Estado, mas é vista pelos altos comandos como perda de autonomia e poder. O sucesso dessa medida depende de uma liderança civil (Ministério da Defesa) que os militares hoje apenas toleram, mas não obedecem plenamente no que tange à gestão de recursos.
4. O "Timing" Eleitoral e a Miopia da Sociedade:
Você afirma que a Defesa deveria estar nos debates eleitorais.
- Realismo Político: No Brasil, Defesa não dá voto. A sociedade civil percebe as Forças Armadas ou como "pintoras de meio-fio" ou como "ameaça golpista", raramente como um instrumento técnico de soberania. Trazer o tema para a Creden e para o debate público exige despolitizar a farda — um processo que retrocedeu décadas nos últimos anos. Sem que a esquerda perca o medo do militar e a direita perca a mania de usá-lo como suporte ideológico, a Defesa continuará sendo um puxadinho do orçamento.
5. O Conflito Moderno e a Lição do Oriente Médio:
O estudo do Exército sobre os conflitos atuais (Ucrânia, Gaza) revela que a guerra hoje é feita com drones, guerra eletrônica e satélites.
- Conclusão Crítica: O plano de R$ 456 bilhões para o Exército foca muito em blindados e artilharia convencional. Se o Brasil investir bilhões em "ferro velho moderno" (blindados pesados) enquanto o mundo migra para a autonomia digital e inteligência artificial, estaremos apenas comprando a derrota de amanhã com o dinheiro de hoje.

Fonte (IA Gemini):
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Comentário do embaixador Rubens Barbosa:  

"Paulo,

Muito interessante e correta a avaliação da IA. 
É isso mesmo. Temos de continuar a repetir essas coisas. Na semana que vem, estou escrevendo outro artigo provocativo sobre as FFAA e a política nacional.
Abs
Rubens 

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