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quarta-feira, 11 de março de 2026

Brasil tem 10 anos para ficar rico antes de envelhecer, alerta McKinsey

 Uma leitura imprescindível...

Este relatório da McKinsey deveria ser leitura obrigatória para todos os pré-candidatos presidenciais no Brasil...e para todos os pensadores que estudam as perspectivas de desenvolvimento brasileiro (não é, meus caros interlocutores na criação de uma think tank brasileiro voltado para a Política Internacional...) (Mauricio David)

...A América Latina tem condições de competir com a China. Só que, hoje, essa
competição se dá em países como México, não o Brasil. O Brasil, hoje, é mais
caro pela carga tributária, pela logística e pelo fato de que muitas das nossas
fábricas são obsoletas do ponto de vista de processo produtivo...

Brasil tem 10 anos para ficar rico antes de envelhecer, alerta McKinsey
https://www.mckinsey.com/br/en/our-insights

País, assim como América Latina, precisa de ganhos de produtividade para ter
crescimento sustentável, aponta relatório
Anaïs Fernandes

O Brasil, assim como a América Latina, mas ainda mais do que ela, vive sua
última chance de ficar rico antes de ficar velho; e, se não investir em ganhos
de produtividade e em setores estratégicos, corre o risco de ficar para trás na
atração de investimentos à região. Esses são os alertas de Nelson Ferreira,
sócio sênior da McKinsey, ao comentar relatório da consultoria sobre
produtividade na América Latina, antecipado ao Valor.
A América Latina como região, talvez, tenha uma das últimas chances nos
próximos dez, 15 anos de ficar rica antes de ficar velha. E o Brasil ainda mais.
No Brasil, talvez não sejam 15 anos, talvez sejam dez anos, afirma Ferreira,
explicando que a população brasileira já é mais idosa e cresce menos do que
em pares como Peru e Bolívia.
Com o Brasil chegando ao fim do bônus demográfico, o crescimento da
produtividade precisará vir através de investimentos em capital físico e
humano. A produtividade do trabalho no Brasil, porém, cresce menos de 1% ao
ano há mais de uma década, segundo a McKinsey, enquanto outras economias
próximas avançam perto de 2%.
A perda de relevância da América Latina para a economia global, sobretudo
nos últimos 15 anos, é generalizada, segundo Ferreira. "A América Latina tem
cerca de 7,5% da população mundial e já foi 7% do PIB global; hoje, é 6%. E,
se continuar com a mesma taxa de crescimento, em 2050, será 3,5% , diz.
A baixa produtividade é um indicador dessa situação complicada, como
define Ferreira. Ele aponta que, enquanto outras economias emergentes
crescem, em média, 3,4% ao ano, a América Latina cresce 2,3%. Disso, 1,5
ponto percentual (p.p.) vem do crescimento da população, e apenas 0,8 p.p.,
da produtividade, sendo que a produtividade do capital acrescenta 0,9 p.p.,
mas a da mão de obra retira 0,1 p.p. "Um trabalhador na América Latina, hoje,
produz quase a mesma coisa ou até um pouco menos do que ele produzia no
começo de século, afirma Ferreira.
Apesar do quadro desafiador, a McKinsey aponta oportunidades. Existem
diversas tendências mundiais ligadas, por exemplo, ao aumento do consumo
de proteínas, à transição energética, à necessidade de digitalização e de novos
polos de industrialização que podem tornar a América Latina - e o Brasil, se ele
se preparar para isso - quase "campeã natural,em algumas dessas áreas,
sugere Ferreira.
O custo atual de produção de eletrônicos e da indústria automotiva no México e
na América Central, por exemplo, é comparável ou até inferior ao da China, diz
o executivo. Um terço das principais empresas de equipamentos médicos que
exportam aos Estados Unidos está na Costa Rica, ela já é um hub
exportador;, exemplifica. A região tem 58% das reservas de lítio e 35% das
reservas de cobre, minerais fundamentais para a transição energética, afirma.
Ao todo, são sete os setores mapeados pela McKinsey em que a América
Latina deveria concentrar investimentos: manufatura de próxima geração, para
Inteligência Artificial (IA) e automação; energias renováveis, não só para
geração de energia em si, mas de produtos químicos e outros derivados;
serviços digitais e digitalização da economia; centros de dados; agricultura e
alimentos; combustíveis fósseis, que vão continuar importantes por um tempo;
e minerais críticos.
Esses são os sete setores em que nós enxergamos que a região pode ter um
papel de bastante destaque mundial. E, em vários deles, o Brasil se sobressai,
como em energia renovável, digitalização, agricultura, destino para data
centers - até pela base de energia renovável e hidrelétrica - e minerais críticos
afirma Ferreira.
Juntas, essas indústrias podem trazer cerca de US$ 400 bilhões em receitas
para o Brasil até 2040, calcula a McKinsey. Para a região como um todo, se ela
conseguir crescer nesses segmentos e trazer todos os serviços necessários
para essas indústrias funcionarem, a McKinsey estima que o PIB pode sair de
US$ 6,5 trilhões para US$ 10,5 trilhões até 2040.
Isso é importante porque, com US$ 10,5 trilhões, a região passa a ter uma
renda per capita da ordem de US$ 15 mil, que é mais ou menos o limite inferior
para entrar no patamar da OCDE, diz Ferreira, em referência à Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, uma espécie de clube
dos países ricos.
Segundo ele, o Brasil, por exemplo, tem uma renda per capita de US$ 10 mil,
mas muito heterogênea entre seus Estados. O Brasil, assim como a América
Latina, poderia ter renda superior a US$ 15 mil e, aí sim, apesar de todos os
problemas, poderíamos ter um nível mínimo de renda média compatível com
países mais desenvolvidos.
Para alcançar essas cifras e investimentos nos setores mapeados, a McKinsey
sugere quatro ações aos países da América Latina.
A primeira é a diversificação de parceiros comerciais e de investimentos. Tem
de ir para Índia, Canadá, Japão, Sudeste Asiático, e não ficar apenas nessa
bipolaridade de China e EUA, diz Ferreira.
A segunda é a integração dentro da própria região. A América Central, por
exemplo, tem taxas de crescimento comparáveis às do Sudeste Asiático e
países vivendo boom similar ao do Brasil após o Plano Real, mas não está na
agenda das empresas brasileiras, diz Ferreira. Mas deveria estar, afirma,
citando como exemplos Guatemala, Honduras, Panamá e República
Dominicana.
O terceiro ponto engloba avanços necessários em regulamentação. Ainda
temos na região, e no Brasil em particular, complexidades regulatórias e
tributárias que afugentam investidores locais e estrangeiros, diz Ferreira.
Por fim, a McKinsey aponta ser preciso atrair talentos internacionais - e, nesse
quesito, até que o Brasil está em um momento de ascensão, segundo o
executivo.
Um trunfo para atrair investimentos é que a América Latina é, talvez, a região
mais geopoliticamente neutra do mundo, diz Ferreira, o que é especialmente
importante em tempos de multiplicação de conflitos como os atuais. Mas o
Brasil pode perder investimentos para o México e a América Central, por
exemplo, se permanecer caro e atrasado, alerta a McKinsey. A taxa média de
investimento no Brasil entre 1997 e 2022 foi de 18% do PIB, abaixo da média
regional de 19,7%, aponta o relatório.A América Latina tem condições de competir com a China. Só que, hoje, essa
competição se dá em países como México, não o Brasil. O Brasil, hoje, é mais
caro pela carga tributária, pela logística e pelo fato de que muitas das nossas
fábricas são obsoletas do ponto de vista de processo produtivo, afirma
Ferreira. O Brasil tem um risco de perder essa onda de investimentos que vão
vir para a região, para México e Costa Rica, por exemplo, alerta.
Segundo ele, reformas são necessárias, como a redução dos gastos públicos,
que ajuda na queda dos juros, tornando investimentos mais atrativos. Além
disso, diz, é preciso avançar em desburocratização e na consolidação da
reforma tributária. Em relação aos setores mencionados, é preciso ter uma
visão de longo prazo do que o Brasil quer ser. Para os setores em que
podemos ser donos naturais globais, não há, necessariamente, visão clara do
que o Brasil gostaria de ser em 2035, afirma. Setor privado e governo
poderiam ajudar a articular isso.
A inteligência artificial também será chave para o ganho de produtividade,
segundo Ferreira. A IA permite com que nós consigamos dar saltos de
produtividade de mão de obra no agronegócio, na indústria e nos serviços, para
fazer com que aquela produtividade que caiu nos últimos 25 anos na região
passe a subir de novo. Têm segmentos da construção civil, infraestrutura,
manufatura fabril e mesmo do agronegócio que ainda estão engatinhando na
utilização de IA, diz Ferreira.
O Brasil tem potencial nessa área por ser uma das sociedades mais
digitalizadas do mundo, observa. "Essa é uma das principais prioridades que o
país deveria ter em todos os setores para efetivamente buscar saltos grandes
de produtividade, afirma Ferreira.
Talvez, seja nossa última chance de investirmos nesses setores, usarmos
esses setores para virarmos a chave da produtividade, não crescermos apenas
pelo crescimento populacional, mas pela produtividade da mão de obra e do
equipamento, conclui.

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