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sexta-feira, 20 de março de 2026

O estado falimentar do Brasil - Walmyr Buzatto e Luiz Felipe Pondé; Comentários de Madame IA ao final

O estado falimentar do Brasil - Walmyr Buzatto e Luiz Felipe Pondé; Comentários de Madame IA ao final

Começo com esta introdução de Walmyr Buzatto, que apresenta o artigo de Pondé na FSP. PRA

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Preciso fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:

1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);

2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;

3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;

4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;

5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.

Walmyr Buzatto 

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O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada

* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue

Luiz Felipe Pondé

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".

O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.

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Comentários de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz): 

Esta é uma autópsia política e moral do Brasil contemporâneo (2026), que diagnostica o país não apenas como uma democracia em crise, mas como um organismo em estado de putrefação sistêmica. Sua análise substitui a dicotomia ideológica (Esquerda vs. Direita) por uma leitura de colonização criminosa do Estado.
Abaixo, a desconstrução crítica dos seus pontos fundamentais:
1. O PT e a Estagnação: Da "Herança Maldita" ao "Voto de Cabresto 2.0":
Sua tese central é que os 17 anos de lulismo não produziram um salto civilizatório, mas uma manutenção da miséria como ativo político.
- Análise Crítica: Ao classificar o Bolsa Família como "voto de cabresto repaginado", você toca na ferida da dependência estatal. Para a crítica histórica, o sucesso do Plano Real foi uma ruptura estrutural (moeda), enquanto o projeto petista é visto aqui como uma gestão da sobrevivência que não alterou a produtividade ou a educação de base. A "herança" seria, portanto, uma sociedade anestesiada por políticas de transferência de renda que garantem a perpetuidade de uma casta no poder, sem enfrentar o atraso estrutural.
2. A "Hidra" e a Colonização das Instituições:
O texto descreve o governo não como uma administração passageira, mas como uma gangue que se tornou Estado.
- A Classe de Lacaios: A menção à "inteligência pública nacional" como servil ao projeto de poder sugere que a academia e a mídia perderam a função de vigilância para se tornarem apologistas do regime. Esse processo de microfísica do poder (remetendo a Foucault) explica como a corrupção não precisa de um grande golpe: ela opera nas pequenas nomeações, nos pareceres jurídicos sob encomenda e na normalização do absurdo.
3. A Metamorfose em Narcoestado:
Este é o ponto mais alarmante da sua análise: a soberania brasileira está sendo fatiada entre o crime organizado e a cleptocracia de Brasília.
- Soberania Criminosa: O diagnóstico de que a Amazônia e o interior do país são hoje "províncias do crime" indica que o Estado perdeu o monopólio da força. A tragédia, segundo seu texto, é que o crime não está apenas na periferia; ele está no "coração do mercado financeiro" e nos tribunais. O escândalo do Banco Master serve como a prova olfativa dessa podridão: a elite financeira e a cúpula do judiciário bebendo o mesmo "uísque caro" pago com o desvio de recursos de aposentados.
4. A Falência da Democracia por Dentro:
Sua distinção entre o "golpe de idiotas" (8 de janeiro) e a "corrosão invisível" é cirúrgica.
- O Estelionato Democrático: Enquanto o debate público se perde em polarizações baratas entre petistas e bolsonaristas, a quadrilha multifacetada — que ignora ideologias quando o lucro está em jogo — opera sob o manto do "Estado de Direito". O uso da "honra" como arma de censura é o estágio final desse processo: quem denuncia a gangue é processado ou silenciado pelos próprios membros da gangue que vestem a toga.
* Síntese do Pessimismo Histórico:
O Brasil descrito é um país onde a lei se tornou uma ferramenta de corrupção segmentada. Não há oposição real porque todos estão "com a cabeça na lama". A "vergonha na cara" foi extinta porque a impunidade é o alicerce do sistema. A conclusão de que o país está "condenado ao lixo da história" sugere que não há mais anticorpos internos capazes de reagir.

Fonte (IA Gemini):




terça-feira, 1 de abril de 2025

A laicidade na França: estrita separação da religiao do Estado - Walmyr Buzatto

 É OU NÃO É PARA SE APAIXONAR POR ESTE PAÍS?

Hoje fui buscar meu neto mais velho na escola maternal. Enquanto esperava, notei uma placa muito interessante no saguão de entrada que não tinha percebido ainda, e tirei uma foto dela (na parede oposta havia outra com a famosa tríade "Liberté, Égalité, Fraternité').  Segue a tradução de cada um dos balões.

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CARTA DA LAICIDADE NA ESCOLA

A Nação confia à Escola a missão de compartilhar com os alunos os valores da República.

• • A REPÚBLICA É LAICA ••

1 - A França é uma república indivisível, laica, democrática e social. Ela garante a igualdade perante a lei, em todo o seu território, de todos os cidadãos. Ela respeita todas as crenças.

2 - A República laica organiza a separação das religiões e do Estado. O Estado é neutro em relação às convicções religiosas ou espirituais. Não há religião estatal.

3 - A laicidade garante a liberdade de consciência a todos.

Todos são livres para acreditar ou não acreditar.

Permite a livre expressão de suas convicções, respeitando as dos outros e dentro dos limites da ordem pública.

4 - A laicidade permite o exercício da cidadania, conciliando a liberdade de cada um com a igualdade e a fraternidade de todos na preocupação do interesse geral.

5 - A República garante nas escolas o respeito por cada um desses princípios.

• • A ESCOLA É LAICA ..

6 - A laicidade da Escola oferece aos alunos as condições para forjar sua personalidade, exercer seu livre arbítrio e aprender a cidadania. Ela os protege de qualquer proselitismo e de qualquer pressão que os impeça de fazer suas próprias escolhas.

7 - A laicidade garante aos alunos acesso a uma cultura comum e compartilhada.

8 - A laicidade permite o exercício da liberdade de expressão dos alunos dentro dos limites do bom funcionamento da Escola, bem como do respeito pelos valores republicanos e pelo pluralismo das convicções.

9 -A laicidade implica a rejeição de toda a violência e discriminação, garante a igualdade entre meninas e meninos e baseia-se em uma cultura de respeito e compreensão do outro.

10 - Cabe a todos os funcionários transmitir aos alunos o significado e o valor da laicidade, bem como outros princípios fundamentais da República. Eles garantem sua aplicação no ambiente escolar.

É responsabilidade deles levar este regulamento ao conhecimento dos pais dos alunos.

11 - Os funcionários têm um dever de estrita neutralidade: eles não devem manifestar suas convicções políticas ou religiosas no exercício de suas funções.

12 - Os ensinamentos são laicos. Para garantir aos alunos a abertura mais objetiva possível à diversidade das visões de mundo, bem como à extensão e precisão do conhecimento, nenhuma disciplina é a priori excluída do questionamento científico e pedagógico.

Nenhum aluno pode invocar uma crença religiosa ou política para contestar o direito de um professor de abordar uma questão sobre o currículo.

13 - Ninguém poderá usar sua filiação religiosa como pretexto para se recusar a cumprir as regras aplicáveis ​​na Escola da República.

14 - Nas escolas públicas, as regras de vida nas diferentes áreas, especificadas no regulamento interno, respeitam a laicidade. É proibido o uso de placas ou roupas que demonstrem ostensivamente a filiação religiosa pelos alunos.

15 - Por meio de seus pensamentos e atividades, os alunos contribuem para dar vida à laicidade dentro de seu estabelecimento.

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