Politicos costumam gastar (mal) o nosso dinheiro, isso sabemos todos.
Eles também costumam aprovar projetos absolutamente inócuos, verdadeiras jabuticabas ambulantes, que ficam por aí, pendurados na legislação, sem pegar, mas provocando uma tremenda poluição legal.
De vez em quando, a estupidez baixa com toda violência e ocorre exemplos deste tipo.
Surpreende que um dos estados mais diversificados em sua origem étnica e cultural, dotado de um dos maiores IDHs do Brasil, senão o maior, com escolas supostamente de qualidade, tenha sido capaz de aprovar, por meio de sua Assembléia Legislativa, uma das leis mais estúpidas de que já se ouviu falar no Brasil desde Cabral.
Só podia ser emanada de deputados do PCdoB, esse monumento stalinista ao atraso e à boçalidade cultural.
Claro, não vai pegar, e só vai ser objeto de gozação, sem deixar de provocar novas "contaminações" de estrangeirismo no gauchês -- que diga-se de passagem já contem vários --, por pura vontade de contrariar de quem for um pouco mais gozador.
Eu inscreveria os deputados responsáveis por essa legislação estúpida no Guinnes da burrice nacional e internacional, com prêmio "data venia" (se é que pode o latim...).
Enfim, lamento pelos gaúchos, que contam com mulas de gravata na sua Assembléia...
Paulo Roberto de Almeida
No RS, estrangeirismo serão proibidos
GRACILIANO ROCHA, DE PORTO ALEGRE
Folha de São Paulo, 24/04/2011
Assembleia gaúcha aprova lei proibindo estrangeirismo na escrita
Os deputados do Rio Grande do Sul aprovaram uma lei para banir o bullying, o spam, o pizzaiolo e qualquer outro vocábulo estrangeiro sem estar acompanhado tradução nas propagandas e documentos oficiais do Estado.
Aprovada por 26 votos a 24, a lei foi proposta pelo deputado Raul Carrion (PC do B) e institui a obrigatoriedade da do uso de expressões em português no lugar das estrangeiras "em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita" no Estado.
Ainda caberá ao governador Tarso Genro (PT) sancionar ou vetar a lei.
O principal alvo da regulamentação são estrangeirismos que poderiam ser facilmente substituídos por palavras em português, como os anúncios que trazem o termo "sale" no lugar de "liquidação", mas a lei vai além.
Quando não houver uma expressão equivalente em português, diz o texto aprovado, uma tradução deverá acompanhar com o mesmo tamanho e destaque o intruso linguístico.
Fosse aplicado tal qual o texto aprovado, o princípio obrigaria uma propaganda de restaurante japonês, por exemplo, a explicar que sashimi são fatias de peixe cru.
A reportagem não conseguiu falar com o deputado. No texto de justificativa do projeto, ele acusa a existência de uma "acelerada descaracterização da língua portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária".
Além de ser considerada inócua por linguistas, para quem idiomas são sistemas "vivos" em constante transformação, a iniciativa enfureceu o mercado publicitário gaúcho, potencialmente o maior prejudicado pela lei.
"É uma coisa insana querer engessar a língua. Mas, como não prevê punição, é mais uma lei que não vai pegar", diz Alfredo Fedrizzi, dono de uma agência de publicidade em Porto Alegre.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
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