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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Os EUA estão em declínio, já são decadentes, ou o quê? Um debate entre amigos

Um exchange entre amigos sobre questões de atualidade

Na semana passada, expressei, num exchange entre amigos, opiniões muito fortes contra o atual mandatário desequilibrado do Norte do hemisfério, e recebi comentários muito judiciosos de um desses amigos queridos.

Como eu tenho uma massa gigantesca de e-mails e outros materiais que me chegsm todos os dias, a qualquer hora, e isso vai submerginfo o estoque já presente para ler e responder (o que ainda não consigo fazer) resolvi postar esses argumentos recebidos nesta minha “biblioteca”, para ler e depois responder, o que vou fazer em algum momento. Só não identifico o amigo pois não pedi sua autorização para postar seus questionamentos e argumentos, mas a razão é que não quero ver esse texto soterrado nas dezenas de mensagens diárias. PRA

Minha mensagem se referia a uma pesquisa americana revelando bastante apoio a Trump e a suas políticas, mas isso foi, obviamente, antes da mortes, assassinatos, em Minneapolis. Vou postar primeiro meus argumentos, depois os comentários de meu amigo, que pretendo retomar.

Primeiro, meu texto: 

"Nota preliminar PRA a esta matéria:

Assunto: Aprovação americana do Trump segundo IA americano da Microsoft.
Benjamin Ernani Diaz

Recebo o texto abaixo em segunda mão de uma lista previamente circulada de forma restrita, mas repassada por um amigo, por considerá-la útil do ponto de vista da população americana que apoia as políticas de Trump de maneira geral, embora muitos discordem da forma como estão sendo aplicada ou sejam contrárias ao personagem.
Tenho, por mim e para mim, uma imagem bastante negativa, atualmente, do pensamento médio dos eleitores americanos, considerando-os excessivamente ingênuos, desinformados, ou mesmo ignorantes no sentido mais rústico da palavra.
Os EUA foram grandes, de fato, durante sua fase ascensional, após a guerra civil, quando atraíram milhões de imigrantes europeus, muitos dotados de uma cultura superior à média então prevalecente nos EUA ainda pouco "civilizado" (refiro-me à fase da "conquista do Oeste"). Muitos dos europeus eram imigrantes pobres, de cultura rural, mas grande parte também eram cidadãos urbanos, educados e dotados de títulos universitários. Continuaram a vir, em massa, desde o final do século XIX, até os anos 1920-30, quando restrições nacionalistas começaram a ser aplicadas. Ainda assim, as guerras europeias, o nazifascismo sobretudo, produziu um afluxo de pessoas altamente educadas, tangidas da Europa por perseguição política ou racial. Foi o momento de maior preeminência econômica americana – com a Europa e parte da Ásia destruídas – e de dominação absoluta na produção científica e tecnológica, justamente com a integração dessas massas e cidadãos educados e com a penetração americana no resto do mundo.
Esse impulso esgotou-se no final do século XX, o momento de maior dominação (mas apenas aparente) americana, com o fim da alternativa socialista e a intensificação da globalização.
Mas, os fatores de declínio e mesmo de mediocrização já estavam presentes, e continuaram a produzir efeitos nas primeiras duas décadas do século XXI.
A política americana tornou-se nacionalista, a cultura tacanha, os preconceitos se avolumaram (sobretudo com o crescimento do evangelismo ignorante, anticientífico), a qualidade da educação de massa declinou, e uma massa ignorante de eleitores da "caipirolândia" e dos trabalhadores industriais deslocados com o esgotamento da indústria criada na segunda revolução industrial (1870-1930) e sua disseminação pelo mundo, o que aumentou a concorrência com oferta mais barata, geralmente da Ásia Pacífico.
Em síntese, o nacionalismo ignorante dos caipiras do interior e dos novos pobres urbanos produziu políticos medíocres, que fizeram todas as más escolhas internas e externas, até chegar na irrupção de um personagem medíocre – provavelmente por influência direta do neoczar expansionista, plenamente soviético em toda a sua expressão –, que acelerou o declínio, a ignorância e a arrogância desvairada. Os brilhantes acadêmicos da costa Leste e da Califórnia foram desprezados pelos frustrados do declínio, que agora dominam o país do alto da sua estupidez.
Esta é a razão principal que vejo para a aprovação das políticas trumpistas que vão continuar acelerando a decadência americana.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5198, 24/01/2026


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Agora, os comentários de meu amigo:

 1-Querido Paulo, tua visão sobre a decadência dos EEUU e da sociedade americana é muito preocupantes e sombria, principalmente quando, além disso, olhamos para os candidatos à sucessão dos EEUU como potência ou potências hegemônicas, no tabuleiro internacional.


2-Não que isto justifique uma visão mais branda ou benevolente sobre o que ocorre nos EEUU nos dias de hoje. Mas tomo a liberdade de ser um pouco mais otimista que você no tange ao futuro dos EEUU, no combate aos males que você bem aponta.

3-A sociedade americana sempre foi majoritariamente conservadora e o recente afloramento e o protagonismo político de determinados segmentos conservadores, como os evangélicos e,em última análise do próprio Trump, se devem muito mais, segundo entendo, ao fracasso das forças progressistas em oferecer soluções inclusivas a esses segmentos. Cada vez me convenço mais  de que esse fracasso, que não é monopólio só dos progressistas americanos, tem um peso enorme nesse fenômeno que você classifica como decadência.

4-Vejo decadência sim, no front interno, em segmentos importantes do Partido Democrata, que se deixou levar por um ativismo doméstico,incompatível com sua tradição histórica na defesa da maioria do povo americano e não sòmente de LGBTs ou de segmentos do movimento dos negros nìtidamente anti-democráticos e pior, no engajamento em uma militância antissemita que afronta, entre outros, todoa a história de participação ativa dos judeus na luta pelos direitos civis, simbolizada pela imagem histórica do braço dado de Joshua Haeschel com Martim Luther King, na primeira fileira, na Marcha sobre Washington.

5- A máscara do antissionismo que tenta acobertar o antissemitismo é mais grave ainda pois sequer assume sua posição verdadeira. Não quero aqui me estender na questão antissionismo x antissemitismo, até porque o uso do termo antissionista denota, além de parco conhecimento histórico, uma posição antissemita e deslegitimizadora da existência de Israel como Nação.

6-O movimento Sionista, terminou historicamente, no momento em que Israel foi reconhecido como nação pela ONU e pelos países, à exceção dos países árabes. Diga-se de passagem, que hoje, após os Acordos de Abraão, a grande maioria dos países árabes já o reconhecem.

7-Sionismo foi um movimento social entre os judeus que defendia a tese de que a única forma eficaz de combater o antissemitismo seria a criação de um Estado Judeu. A discussão hoje é sobre o futuro de Israel e não do Sionismo, que cumpriu sua visão em 1948. Israel foi criado e a missão sionista terminou.

8-Mas o Sionismo continua  sendo instrumentalizado, entre outros, para defender teses absurdas como a de que o ressurgimento do antissemitismo se deve à ação do Sionista  Bibi. 
Combater o Bibi, para pessoas como eu e a maioria dos judeus no mundo, é fundamental para derrotar o pior governo de |Israel desde a sua criação. Daí a atribuir a ele esse poder monumental é, no mínimo, menosprezar as verdadeiras causas dessa doença milenar da Humanidade que se chama Antissemitismo e que, na realidade, visa simplismente deslegitimar Israel ao invés de atacar suas caisas estruturais. Atacar o governo de Israel é legítimo e fundamental numa democracia. 

9-Vejo decadência sim no front internacional, fruto principalmente de sucessivos governos democratas pós Clinton, que não souberam oferecer soluções eficazes para uma plêiade de problemas internacionais, como o da tensão comercial com a China,  da guerra Russia-Ucrânia, o do armamento nuclear iraniano, o da poderosa rede internacional de terror associada ao narcotráfico estruturada pelo Irã tanto no Oriente Médio( Hamas, Hezbollah e tantos outros), o da Venezuela, o do regime sírio do Assad, o gravíssimo problema da total inoperância da ONU que se transformou num mero instrumento de países ditadoriais e notadamento como um foro anti-Israel, entre outros.

10-De novo, vejo o fortalecimento do Trumpismo, principalmente, como consequência direta do fracasso dos movimentos progressistas e que, de certa forma, viabilizaram as iniciativas truculentas do Trump, a saber: os Acordos de Abraão, a aproximação de Israel com a A.Saudita,  a destruição das instalações nucleares do Irã, o apoio militar à destruição do poderio militar do Hamas e do Hezbollah,  a derrubada do Maduro, o Plano de Paz para Gaza e outros.  Fundamental observar que tudo isso denota o fracasso total da ONU como organização mundial com eficácia para atuar e enfrentar esses problemas. A viabilidade do protagonismo do Trump se deve basicamente a esse fracasso da ONU.

11-Uma palavra sobre como se antepor  ao Trumpismo diante do fracasso das forças que chamo de pseudo esquerdistas que nada tem a haver com a esquerda democrática/social-democrata onde militei e que representava a vanguarda da luta contra a injustiça social, contra as ditaduras e contra a discriminação racial que incluia o antissemitismo.
Penso que, se forças social-democratas não tiverem capacidade de mobilização política para oferecer alternativas viáveis para se contrapor ao Trumpismo, essa nova pax americana será vitoriosa. Digo social-democratas por que, infelizmente, as ações dessa pseudo esquerda, meramente verborrágicas, só fortalecerão o Trumpismo 

12-Vejam o exemplo do Conselho de Paz para Gaza criado Pelo Trump. Esse é o tipo de ação que deveria ser prerrogativa da ONU e não o é por pura incompetência e falta de vontade política de endereçar a questão de forma equilibrada, entre as partes. Como se pode admitir uma ONU militante a favor de um dos lados? Uma tragédia.

13-Qual é a situação objetiva da Venezuela, do Irã, de Gaza, antes e depois das ações do Trump e quais as perspectivas de melhoria para a população desse países antes e depois dessas ações. São questões que independem de gostar ou não do Trump  devem ser analisadas sem paixão.

14-A realidade é que o Trump é um protagonista ativo e transformador  do cenário mundial cujas ações merecem reflexões e que devem ser analisadas friamente sem os emocionalismos que preponderam entre seus opositores.É preciso transcender o emocionalismo que tomou conta da grande maioria dos analistas políticos.

15-Finalmente o rebatimento de tudo isso sobre o Brasil e sobre a Europa. Não vou entrar nessa questão mas, simplificadamente, vejo muitas semelhanças entre o PT, e o atual Partido Democrata americano.A Europa fica para outra vez mas o seu protagonismo efetivo para se contrapor a pax americana trumpista está muito aquém do desejado, como sempre.

16-Restou também uma reflexão sobre os candidatos a sucessão do EEUU em termos de hegemonia mundial. Também simplificando uma questão tão complexa, ainda acho que estamos diante de uma ainda longa hegemonia americana, função da vitalidade estrutural da sua economia e da manutenção ou até mesmo ampliação do gap de desenvolvimento científico e tecnológico, inclusive em Inteligência Artificial e poderio militar, em relação a China, à Rússia e Europa.

17-Para concluir, vejo ainda muita vitalidade na sociedade americana para reverter esse quadro. Vejo também muita vitalidade da sociedade israelense para derrubar o Bibi, que também é um produto, em grande parte, do terror de diversas facções palestinas que nada aprenderam com os sionistas quando, em 1947, decidiram renunciar ao terror na luta contra os colonialistas britânicos, o que se mostrou acertado.

18-Só sou pessimista em não ver vitalidade no mundo para efetivamente combater o Antissemitismo, com medidas que combatam o seu componente estrutural.

Desculpe a forma errática da sequência de pensamentos.

Receba um forte abraço do amigo e admirador.”

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