Certas coisas podem ser pensadas, mas não ditas
Mas ouso dizer.
Vcs já pensaram que podemos ter um governo saído diretamente do apoio às milícias do RJ para o Planalto e o Alvorada?
Seria como se o chefe da máfia italiana (ou da Camorra, ou da Ndraghetta) fosse guindado à presidência da República italiana. Não seria o retorno dos fasci di combatimento, mas algo como a República Social Italiana, aquela de Salò, de breve vida no final da segunda guerra mundial.
Já tivemos (e temos) bandidos em diversas representações parlamentares brasileiras nos três níveis (um até assassino da motosserra na Camara federal), talvez até governadores (alguns removidos pelo TSE por excesso de bandidagem), mas não creio que eles já alcançaram o poder máximo, como já ocorreu efetivamente em alguma república bananeira da região latino-americana, muito na África, talvez na Ásia.
Talvez seja esse o resultado da confusão reinante na República, no atual quadro de corrupção disseminada nos três poderes.
Termino dizendo apenas isto: a chegada do fascismo ao poder não seria uma novidade. Já tivemos isso no Estado Novo, e em parte na ditadura militar. Mas ambos os regimes eram nacionalistas e soberanistas.
No caso brasileiro, se a desgraça chegar, poderia ser a primeira vez na história do Brasil, que a renúncia de soberania seria explícita. Acho que os próprios militares não topariam.
Eu, como diplomata, abominaria, não só o fascismo, como também a rendição do Brasil ao imperador demencial hemisférico.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/09/2026