Consulta a meus colegas diplomatas,
Uma mensagem absolutamente pessoal, como diplomata, dirigida a meus colegas de profissão, ou a todos aqueles que têm interesse pelas relações exteriores do Brasil, pela sua política externa e pela diplomacia profissional (à qual já não estou mais vinculado por estar aposentado há 4 anos):
Caros colegas,
Sei que nossa carreira, nossa instituição, como todas as demais, como toda a sociedade brasileira, está dividida, provavelmente insatisfeira, em face do cenário eleitoral do Brasil atual.
Os dois candidatos que ficaram para o segundo turno carregam rejeições quase simétricas: METADE do eleitorado rejeita o candidato da outra metade, e apoia aquele que é rejeitado na outra ponta.
Isso é normal: toda sociedade tem a sua cota de conservadores, reacionários, direitistas radicais, assim como a cota do outro lado, revolucionários, progressistas, socialistas, comunistas, além, é claro, uma maioria de centristas, que gostam de liberdades democráticas, prosperidade para todos, capitalismo de bem estar, e um Estado que funcione, e sobretudo cobre poucos impostos mas preste muitos serviços. Tudo isso é normal e esperado, assim como é esperado que políticos sejam mentirosos, desonestos, corruptos e até bandidos, sobrando alguns poucos com qualidades de estadistas.
Até aí estamos na normalidade da diversidade social, política e ideológica de qualquer sociedade.
Mas, como diplomata, quero chamar a atenção para um aspecto que me motivou durante quatro décadas, no serviço ativo das relações internacionais do Brasil, defendendo as posições que me eram enviadas pela Secretaria de Estado para alguma negociação bilateral ou em conferências multilaterais (embora nem sempre eu concordasse com o conteúdo das instruções).
Pois bem, assim como queremos ser autônomis em nossa vida diária, eu sempre batalhei, no plano da diplomacia, para a plena autonomia de nossa política externa, para a total independência de nossas decisões sobre a postura a ser adotado consoante nossos interesses nacionais, o desenvolvimento do país, a eliminação da pobreza, da desigualdade, da insegurança na vida civil, a capacidade de escolhermos as melhores políticas para alcançarmos tais objetivos, sem qualquer imposição externa.
Daí minha pergunta, dirigida a todos, aos que vão votar em Lula, que vão votar em Bolsonaro, os que vão se abster ou votar nulo: vcs, caros colegas diplomatas, estão de acordo com que o candidato oposicionista tome a decisão, logo em janeiro, como já declarou em várias ocasiões, de fazer o Brasil aderir ao "Escudo das Américas" proposto por Donald Trump?
Estão de acordo com os objetivos de Trump para o hemisfério, para o mundo, em política comercial, de segurança, de meio ambiente, em temas humanitários e sociais?
Consideram que esse seria o melhor caminho para o Brasil, independentemente do que pensam de Lula, de sua populismo exacerbado, de suas demais escolhas externas?
Esta é a minha consulta a meus colegas diplomatas.
Grato pela atenção.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22 de outubro de 2026
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Consulta a meus colegas diplomatas - Paulo Roberto de Almeida
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