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quinta-feira, 19 de março de 2026

Seria a guerra no Irã o começo do fim do Império? - Alfred W. McCoy (CounterPunch, Outras Palavras)

Seria a guerra no Irã o começo do fim do Império?

Se a Crise de Suez, em 1956, marcou o fim do império britânico, talvez a aventura de Washington no Oriente Médio seja sintoma de seu declínio. Tudo saiu ao contrário do planejado. Talvez, no futuro, Trump seja lembrado como o maníaco que afundou os próprios EUA…

Outras Palavras, 17/03/2026 

Por Alfred W. McCoy, no CounterPunch | Tradução: Antonio Martins

No primeiro capítulo de seu romance de 1874, A Era Dourada, Mark Twain ofereceu uma observação reveladora sobre a conexão entre passado e presente: “A história nunca se repete, mas o presente muitas vezes parece ser construído a partir dos fragmentos quebrados de lendas antigas.”

Entre as “lendas antigas” mais úteis para entender o provável desfecho da atual intervenção dos EUA no Irã está a Crise de Suez de 1956, que descrevo em meu novo livro, Guerra Fria em Cinco Continentes. Depois que o líder egípcio Gamal Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez em julho de 1956, uma armada conjunta franco-britânica de seis porta-aviões destruiu a força aérea egípcia, enquanto tropas israelenses esmagavam tanques egípcios nas areias da Península do Sinai. Em menos de uma semana de guerra, Nasser havia perdido suas forças estratégicas e o Egito parecia indefeso diante do poderio avassalador daquele colosso imperial.

Mas, quando as forças anglo-francesas invadiram a costa norte do Canal de Suez, Nasser já havia executado uma jogada geopolítica magistral, afundando dezenas de navios enferrujados e cheios de pedras na entrada norte do canal. Com isso, ele cortou automaticamente a principal fonte de abastecimento de petróleo da Europa, que ficava no Golfo Pérsico. Quando as forças britânicas se retiraram derrotadas de Suez, a Grã-Bretanha já havia sido sancionada pela ONU, sua moeda estava à beira do colapso, sua aura de poder imperial havia se dissipado e seu império global caminhava para a extinção.

Os historiadores agora se referem ao fenômeno de um império em declínio lançando uma intervenção militar desesperada para recuperar sua glória imperial em declínio como “micromilitarismo”. E, na esteira da influência cada vez menor do império Washington sobre a vasta massa continental da Eurásia, o recente ataque militar dos EUA ao Irã começa a se parecer com uma versão norte-americana desse micromilitarismo.

Mesmo que a história nunca se repita de fato, neste momento parece bastante pertinente questionar se a atual intervenção dos EUA no Irã não seria, de fato, a versão norte-americana da Crise de Suez. E, caso a tentativa de Washington de promover uma mudança de regime em Teerã “tenha sucesso”, não se iluda pensando que o resultado será um novo governo estável e capaz de servir bem ao seu povo.

70 anos de mudança de regime

Vamos retornar ao registro histórico para desvendar as prováveis consequências de uma mudança de regime no Irã. Ao longo dos últimos 70 anos, Washington fez repetidas tentativas de mudança de regime em cinco continentes — inicialmente por meio de ações secretas da CIA durante os 44 anos da Guerra Fria e, nas décadas posteriores ao fim desse conflito global, por meio de operações militares convencionais. Embora os métodos tenham mudado, os resultados — mergulhando as sociedades afetadas em décadas de intensos conflitos sociais e instabilidade política incessante — foram lamentavelmente semelhantes. Esse padrão pode ser observado em algumas das intervenções secretas mais famosas da CIA durante a Guerra Fria.

Em 1953, o novo parlamento iraniano decidiu nacionalizar a concessão petrolífera imperial britânica na região para financiar serviços sociais para a sua democracia emergente. Em resposta, um golpe conjunto da CIA e do MI6 depôs o primeiro-ministro reformista e instalou no poder o filho do antigo Xá, há muito deposto. Infelizmente para o povo iraniano, ele provou ser um líder extremamente inepto, que transformou a riqueza petrolífera do país em pobreza em massa — precipitando, assim, a Revolução Islâmica do Irã em 1979.

Em 1954, a Guatemala implementava um programa histórico de reforma agrária que concedia à sua população indígena, majoritariamente maia, os requisitos necessários para a plena cidadania. Infelizmente, uma invasão patrocinada pela CIA instaurou uma brutal ditadura militar, mergulhando o país em 30 anos de guerra civil que deixou 200 mil mortos em uma população de apenas cinco milhões.

De forma semelhante, em 1960, o Congo emergiu de um século de brutal domínio colonial belga ao eleger um líder carismático, Patrice Lumumba. Mas a CIA logo o depôs do poder, substituindo-o por Josef Mobutu, um ditador militar cuja cleptocracia, ao longo de 30 anos, desencadeou uma violência que levou à morte de mais de cinco milhões de pessoas na Segunda Guerra do Congo (1998-2003) e continua a causar estragos até hoje.

Nas últimas décadas, os resultados das tentativas de Washington de promover mudanças de regime por meio de operações militares convencionais foram igualmente desastrosos. Após os ataques terroristas de setembro de 2001, as forças norte-americanas derrubaram o regime talibã no Afeganistão. Nos 20 anos seguintes, Washington gastou US$ 2,3 trilhões — e não, esse “trilhão” não é um erro de digitação! — em um esforço fracassado de reconstrução nacional, que foi varrido quando o Talibã ressurgente capturou a capital, Cabul, em agosto de 2021, mergulhando o país em uma mistura de patriarcado opressivo e privação em massa.

Em 2003, Washington invadiu o Iraque em busca de armas nucleares inexistentes e mergulhou no atoleiro de uma guerra de 15 anos que levou ao massacre de um milhão de pessoas e deixou para trás um governo autocrático que se tornou pouco mais que um estado cliente do Irã. E, em 2011, os EUA lideraram uma campanha aérea da OTAN que derrubou o regime radical do Coronel Muammar Gaddafi na Líbia, precipitando sete anos de guerra civil e, por fim, deixando o país dividido entre dois estados falidos e antagônicos.

Quando as tentativas de Washington de promover mudanças de regime fracassam, como aconteceu em Cuba em 1961 e na Venezuela no ano passado, esse fracasso muitas vezes deixa os regimes autocráticos ainda mais entrincheirados, com seu controle sobre a polícia secreta do país fortalecido e um domínio cada vez mais sufocante sobre a economia nacional.

Por que, você pode se perguntar, essas intervenções dos EUA invariavelmente parecem produzir resultados tão desastrosos? Para sociedades que lutam para alcançar uma frágil estabilidade social em meio a mudanças políticas voláteis, a intervenção externa, seja secreta ou aberta, parece ser invariavelmente o equivalente a bater em um relógio de bolso antigo com um martelo e depois tentar encaixar todas as suas engrenagens e molas de volta no lugar.

As consequências geopolíticas da guerra com o Irã

Ao explorar as implicações geopolíticas da mais recente intervenção de Washington no Irã, é possível imaginar como a guerra escolhida pelo presidente Donald Trump pode muito bem se tornar a versão de Washington da crise de Suez.

Assim como o Egito arrancou uma vitória diplomática das garras da derrota militar em 1956 ao fechar o Canal de Suez, o Irã agora bloqueou o outro ponto de estrangulamento crítico do Oriente Médio, disparando seus drones Shahed contra cinco navios cargueiros no Estreito de Ormuz (por onde passam regularmente 20% do petróleo bruto e gás natural do mundo) e contra refinarias de petróleo na costa sul do Golfo Pérsico. Os ataques com drones iranianos bloquearam mais de 90% das partidas de petroleiros do Golfo Pérsico e paralisaram as gigantescas refinarias do Catar, responsáveis por 20% da oferta mundial de gás natural liquefeito (GNL), fazendo com que os preços do gás natural disparassem 50% em grande parte do mundo e 91% na Ásia — com o preço da gasolina nos EUA caminhando para US$ 4 por galão e o custo do petróleo provavelmente atingindo a impressionante marca de US$ 150 por barril em um futuro próximo. Além disso, por meio da conversão de gás natural em fertilizante, o Golfo Pérsico é a fonte de quase metade dos nutrientes agrícolas do mundo, com os preços do fertilizante ureia subindo 37% em mercados como o Egito, o que ameaça tanto o plantio da primavera no hemisfério norte quanto a segurança alimentar no hemisfério sul.

A extraordinária concentração da produção de petróleo, do transporte marítimo internacional e do investimento de capital no Golfo Pérsico faz do Estreito de Ormuz não apenas um ponto de estrangulamento para o fluxo de petróleo e gás natural, mas também para a movimentação de capital de toda a economia global. Para começar pelo básico, o Golfo Pérsico detém cerca de 50% das reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 859 bilhões de barris ou, aos preços atuais, cerca de US$ 86 trilhões.

Para se ter uma ideia da escala da concentração de capital na infraestrutura da região, as companhias petrolíferas nacionais do Conselho de Cooperação do Golfo investiram US$ 125 bilhões em suas instalações de produção somente em 2025, com planos de manter esse ritmo no futuro próximo. Para manter em operação a frota global de 7.500 petroleiros que atende principalmente o Golfo Pérsico, o custo de um único grande petroleiro “Suezmax” é de quase US$ 100 milhões — dos quais existem cerca de 900 normalmente em alto-mar, avaliados em um total de US$ 90 bilhões (com frequentes substituições necessárias devido à corrosão do aço em condições marítimas adversas). Além disso, Dubai possui o aeroporto internacional mais movimentado do mundo, no centro de uma rede global com 450 mil voos anuais — atualmente fechado devido a ataques de drones iranianos.

Apesar de toda a propaganda da Casa Branca sobre a terrível e rápida ameaça dos recentes ataques aéreos norte-americanos, os 3 mil bombardeios EUA-Israel contra o Irã (que tem dois terços do tamanho da Europa Ocidental) na primeira semana da guerra empalidecem diante dos 1,4 milhão de bombardeios sobre a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O contraste gritante entre esses números faz com que os atuais ataques aéreos dos EUA contra o Irã pareçam, de uma perspectiva estratégica, como atirar em um elefante com uma espingarda de chumbinho.

Além disso, os EUA possuem estoques limitados de cerca de 4 mil mísseis interceptores, que custam até US$ 12 milhões cada e não podem ser produzidos em massa rapidamente. Em contrapartida, o Irã tem um suprimento quase ilimitado de cerca de 80 mil drones Shahed, dos quais 10 mil podem ser produzidos mensalmente por apenas US$ 20 mil cada. Na prática, o tempo não está a favor de Washington se esta guerra se prolongar por mais de algumas semanas.

De fato, em uma entrevista recente, pressionado sobre a possibilidade de que a vasta frota iraniana de drones Shahed, lentos e de baixa altitude, pudesse em breve esgotar o estoque norte-americano de sofisticados mísseis interceptores, o chefe do Pentágono, general Dan Caine, foi surpreendentemente evasivo, dizendo apenas: “Não quero falar sobre quantidades”.

De quem são as botas no terreno?

Enquanto as pressões econômicas e militares por uma guerra mais curta aumentam, Washington tenta evitar o envio de tropas para terra firme, mobilizando as minorias étnicas do Irã, que representam cerca de 40% da população do país. Como o Pentágono sabe silenciosamente, mas dolorosamente, as forças terrestres norte-americanas enfrentariam uma resistência formidável da milícia Basij, com um milhão de membros, dos 150 mil Guardas Revolucionários (bem treinados para guerra de guerrilha assimétrica) e dos 350 mil soldados do exército regular iraniano.

Com outros grupos étnicos (como os azeris no norte) relutantes ou (como as tribos balúchis no sudeste, longe da capital) incapazes de atacar Teerã, Washington está desesperado para usar sua carta curda, assim como tem feito nos últimos 50 anos. Com uma população de 10 milhões de pessoas ao longo das fronteiras montanhosas da Síria, Turquia, Iraque e Irã, os curdos são o maior grupo étnico do Oriente Médio sem um Estado próprio. Como tal, eles têm sido forçados a participar do Grande Jogo imperial, o que os torna um indicador surpreendentemente sensível a mudanças mais amplas na influência imperial.

Embora o presidente Trump tenha feito ligações pessoais para os principais líderes da região do Curdistão iraquiano durante a primeira semana da guerra, oferecendo-lhes “ampla cobertura aérea dos EUA” para um ataque ao Irã, e os EUA até possuam uma base aérea militar em Erbil, capital do Curdistão, os curdos estão se mostrando, até agora, excepcionalmente cautelosos.

De fato, Washington tem um longo histórico de usar e abusar de combatentes curdos, que remonta aos tempos do Secretário de Estado Henry Kissinger, que transformou a traição deles em uma arte diplomática. Após ordenar à CIA que parasse de ajudar a resistência curda iraquiana contra Saddam Hussein em 1975, Kissinger disse a um assessor: “Prometa a eles qualquer coisa, dê a eles o que eles receberem e que se danem se não souberem levar uma brincadeira na esportiva.”

Enquanto as forças iraquianas lutavam para invadir o Curdistão, matando centenas de curdos indefesos, seu lendário líder Mustafa Barzani, avô do atual chefe do Curdistão iraquiano, implorou a Kissinger, dizendo: “Vossa Excelência, os Estados Unidos têm uma responsabilidade moral e política para com o nosso povo”. Kissinger sequer se dignou a responder a esse apelo desesperado e, em vez disso, disse ao Congresso: “Ações secretas não devem ser confundidas com trabalho missionário”.

Em janeiro passado, numa decisão incrivelmente inoportuna, a Casa Branca de Trump traiu os curdos pela enésima vez, rompendo a aliança de uma década de Washington com os curdos sírios ao forçá-los a ceder 80% do território ocupado. No sudeste da Turquia, o partido curdo radical PKK fez um acordo com o primeiro-ministro Recep Erdoğan e está, de fato, se desarmando, enquanto a região do Curdistão iraquiano se mantém fora da guerra, respeitando um acordo diplomático firmado com Teerã em 2023 para uma fronteira pacífica entre Irã e Iraque. O presidente Trump chegou a pedir a pelo menos um líder curdo iraniano, que representa cerca de 10% da população do Irã, que incentivasse uma revolta armada. Mas a maioria dos curdos iranianos parece mais interessada na autonomia regional do que na mudança de regime.

Enquanto os apelos de Trump para que os curdos ataquem e o povo iraniano se levante são recebidos com um silêncio eloquente, Washington provavelmente encerrará esta guerra com o regime islâmico do Irã ainda mais consolidado, mostrando ao mundo que os Estados Unidos não são apenas uma potência disruptiva, mas uma potência em declínio da qual outras nações podem prescindir. Ao longo dos últimos 100 anos, o povo iraniano se mobilizou seis vezes em tentativas de estabelecer uma democracia real. Neste momento, porém, parece que qualquer sétima tentativa ocorrerá muito depois de a atual frota naval americana ter deixado o Mar Arábico.

Do granular ao geopolítico

Se formos além dessa visão granular da política étnica do Irã e adotarmos uma perspectiva geoestratégica mais ampla sobre a guerra com o Irã, a influência decrescente de Washington nas colinas do Curdistão parece refletir seu declínio geopolítico em toda a vasta massa continental da Eurásia, que permanece hoje o epicentro do poder geopolítico, como tem sido nos últimos 500 anos.

Por quase 80 anos, os Estados Unidos mantiveram sua hegemonia global controlando as extremidades axiais da Eurásia por meio de sua aliança com a OTAN na Europa Ocidental e quatro pactos bilaterais de defesa ao longo do litoral do Pacífico, do Japão à Austrália. Mas agora, à medida que Washington concentra mais sua política externa no Hemisfério Ocidental, a influência norte-americana está diminuindo rapidamente ao longo do vasto arco da Eurásia que se estende da Polônia, passando pelo Oriente Médio, até a Coreia, região que estudiosos de geopolítica como Sir Halford Mackinder e Nicholas Spykman certa vez denominaram “Rimland” ou “zona de conflito”. Como Spykman resumiu sucintamente em certa ocasião: “Quem controla o Rimland controla a Eurásia; quem controla a Eurásia controla os destinos do mundo.”

Desde a ascensão da política externa “América Primeiro” de Donald Trump em 2016, as grandes e médias potências ao longo de toda a orla eurasiática têm se desvinculado ativamente da influência dos EUA — incluindo a Europa (por meio do rearme), a Rússia (ao desafiar o Ocidente na Ucrânia), a Turquia (ao permanecer neutra na guerra atual), o Paquistão (ao se aliar à China), a Índia (ao romper com a aliança Quad de Washington) e o Japão (ao se rearmar para criar uma política de defesa autônoma). Esse desengajamento contínuo se manifesta na falta de apoio à intervenção no Irã, mesmo por parte de aliados europeus e asiáticos outrora próximos — um contraste marcante com as amplas coalizões que se uniram às forças norte-americanas na Guerra do Golfo de 1991 e na ocupação do Afeganistão em 2002. Com o micromilitarismo de Trump no Irã expondo, inadvertidamente, mas claramente, os limites do poder norte-americano, a influência decrescente de Washington na Eurásia certamente se provará catalisadora para o surgimento de uma nova ordem mundial, que provavelmente irá muito além da antiga ordem de hegemonia global dos EUA.

Assim como Sir Anthony Eden é lembrado com pesar hoje no Reino Unido como o primeiro-ministro inepto que destruiu o Império Britânico em Suez, historiadores do futuro poderão ver Donald Trump como o presidente que degradou a influência internacional dos EUA com, entre outras coisas, sua desastrosa aventura militar no Oriente Médio. À medida que impérios ascendem e caem, essa geopolítica permanece claramente um fator constante na definição de seu destino — uma lição que tento transmitir em Guerra Fria em Cinco Continentes.

Em tempos difíceis como estes, quando os acontecimentos parecem confusos e desconcertantes, os “fragmentos quebrados de lendas antigas” de Mark Twain podem nos lembrar de analogias históricas, como o colapso do poder e da influência da Grã-Bretanha ou da União Soviética, que podem nos ajudar a entender como o passado muitas vezes sussurra ao presente — como de fato parece estar acontecendo nestes dias no Estreito de Ormuz.

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

A Fools Paradise: Thomas Friedman and the Middle East - Melvin Goodman Counterpunch

 A Fools Paradise: Thomas Friedman and the Middle East

Melvin Goodman

Thomas Friedman, New York Times columnist and author in the newspaper’s Washington, DC bureau.
Counterpunch, January 31, 2025

https://www.counterpunch.org/2025/01/30/a-fools-paradise-thomas-friedman-and-the-middle-east/

“I am convinced that Bibi understands…that by significantly weakening Hezbollah and Iran, he has helped set in motion the possibility for Lebanon and Syria to restore their sovereignty and unity. I think he is ready to complete Israel’s withdrawal [from Lebanon] and finalize the border….”
– Thomas Friedman, “How Trump Can Remake the Middle East,” New York Times, January 21, 2025,
Thomas Friedman, the New York Times’ most influential columnist, has comprehensively recorded his dreamscape for the Middle East. It tells Donald Trump that “you have a chance to reshape this region in ways that could fundamentally enhance the peace and prosperity of Israelis, Palestinians and all the region’s people, as well as the national security interests of America.” Friedman believes that Benjamin Netanyahu is “ready to complete Israel’s withdrawal and finalize the border” with Lebanon, and that the United States has an “enormous opportunity to truly end the civil war [in Lebanon] and put the country back together.” Finally, he produces a threat: Iran’s nuclear program and malign regional strategy need to be eliminated, and if Trump can’t do this through “peaceful negotiations,” it needs to be “done kinetically.” That’s right: Friedman is willing to commit the United States to a war against Iran.
Friedman’s dreamscape for the Middle East makes no sense on any level. Even former secretary of state Antony Blinken eventually recognized that Israel has “systematically undermined the capacity and legitimacy of the only viable alternative to Hamas, the Palestinian Authority.” What has happened to Friedman’s concerns about Netanyahu have no political solutions for Gaza on the “Day After” the fighting stopped.
Israel is expanding official settlements and nationalizing land on the West Bank at a “faster clip than at any time in the last decade, while turning a blind eye to an unprecedented growth in illegal outposts,” according to Blinken. The attacks by extremist settlers on Palestinians, moreover, “have reached record levels.” Friedman believes that the Jewish supremacists in Netanyahu’s cabinet are responsible for this aggression, but significant evidence points to Netanyahu himself as supporting these actions.
Friedman believes that Netanyahu is ready to withdraw from the border with Lebanon even as Israeli Defense Forces are ignoring the so-called cease fire agreement and continuing to bomb Lebanese villages. On the very day that Israel was to withdraw from southern Lebanon, IDF forces killed at least 22 Lebanese civilians and injured more than 100. The withdrawal agreement was fragile from the start, with no monitoring mechanism in place and no definition of what constitutes a violation of the agreement.
Netanyahu simply has no faith in the ability of the Lebanese Army to stymie the resurgence of Hezbollah in southern Lebanon. Lebanon itself is a failed state, and there are no indications that Israel is preparing to withdraw its forces. Meanwhile, the right-wing Israeli defense minister, Israel Katz, has warned that, if there is a resumption of fighting, Israeli strikes would no longer differentiate between Hezbollah and the Lebanese state. That should come as no surprise as Israeli governments since the Israeli invasion of Lebanon in1982 have made no effort to protect Lebanese sovereignty. Nor has the IDF moved to disable the six military bases built in recent months in southern Lebanon.
If Donald Trump had any interest in a solution to the crisis between Israel and the Palestinians, he never would have stated that he wanted to “clean out” Gaza by transferring some of its population to Egypt and Jordan. I’m sure that Trump has no concern with the war crimes that would be committed to “clean out” Gaza. Nor I’m sure does he understand the “nakba” or catastrophe in 1948, when Israel began its policy of displacing Palestinians whose families had resided for hundreds of years in Palestine.
I’m also sure that moderate Arab leaders who might have worked with the United States to find a political solution realize that Trump has no understanding of the deep differences within the Arab community regarding a peaceful settlement. But Arab leaders do agree that a solution cannot include a resettlement that would destabilize their own fragile governments. Trump’s efforts to get Egypt and Jordan to take in more than a million Palestinians is not just one of the mistakes that he has made in less than two weeks in the White House. In fact, it may be his biggest mistake thus far; it’ll remind people of Trump’s Muslim ban in the first few months of his first term.
Friedman’s apparent support of war against Iran, meanwhile, is his biggest mistake. Iran is now more vulnerable than at any time since the war with Iraq in the 1980s. It has lost its “axis of resistance” (Hamas, Hezbollah, and Syria) to counter the regional influence of the United States and Israel. Iran could decide to weaponize its decades-old nuclear program, but it seems more interested in pursuing a comprehensive dialogue with the United States to get an end to the sanctions that have devastated Iran’s economy. Unfortunately, Trump has stocked his government with militarists who favor a kinetic approach to the problem of Iran as does Friedman.
Ironically, Friedman has ignored the one step that Trump has taken that would augur for a more moderate approach to the Middle East as far as U.S. involvement is concerned. In a step that has been totally ignored by the mainstream media, Trump has named Michael DiMino as the Assistant Secretary of Defense for the Middle East. Not exactly a household name, DiMino has been skeptical regarding the close ties between the United States and Israel, and rejects the notion that the United States has “vital or existential” interests in the Middle East. He favors the withdrawal of U.S. forces from Iraq and Syria, and he believes that Washington’s two primary interests in the region—energy resources and combatting terrorism—are exaggerations. The fact that pro-Israel Republicans as well as Israel itself object to this appointment is noteworthy. So perhaps Trump may consider ideas about the Middle East that are new and different.

Melvin A. Goodman is a senior fellow at the Center for International Policy and a professor of government at Johns Hopkins University. A former CIA analyst, Goodman is the author of Failure of Intelligence: The Decline and Fall of the CIA and National Insecurity: The Cost of American Militarism. and A Whistleblower at the CIA. His most recent books are “American Carnage: The Wars of Donald Trump” (Opus Publishing, 2019) and “Containing the National Security State” (Opus Publishing, 2021). Goodman is the national security columnist for counterpunch.org

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

There is No Place for the Palestinians of Gaza to Go - Vijay Prashad (Counterpunch)

 On January 29, 2024, the UN special rapporteur on the right to adequate housing, Dr. Balakrishnan Rajagopal wrote a strong essay in the New York Times called “Domicide: the Mass Destruction of Homes Should be a Crime Against Humanity.

There is No Place for the Palestinians of Gaza to Go

 

 

On February 9, 2024, Israel’s prime minister Benjamin Netanyahu said that his army would advance into Rafah, the last remaining city in Gaza not occupied by the Israelis. Most of the 2.3 million Palestinians who live in Gaza had fled to its southern border with Egypt after being told by the Israelis on October 13, 2023, that the north had to be abandoned and that the south would be a “safe zone.” As the Palestinians from the north, particularly from Gaza City, began their march south—often on foot—they were attacked by Israeli forces, who gave them no safe passage. The Israelis said that anything south of Wadi Gaza, which divides the narrow strip, would be safe, but then as the Palestinians moved into Deir-al-Balah, Khan Younis, and Rafah, they found the Israeli jets following them and the Israeli troops coming after them. Now, Netanyahu has said that his forces will enter Rafah to combat Hamas. On February 11, Netanyahu told NBC news that Israeli would provide “safe passage for the civilian population” and that there would be no “catastrophe.”

Catastrophe

The use of the word “catastrophe” is significant. This is the accepted English translation of the word “nakba,” used since 1948 to describe the forced removal that year of half of the Palestinian population from their homes. Netanyahu’s use of the term comes after high officials of the Israeli government have already spoken of a “Gaza Nakba” or a “Second Nakba.” These phrases formed part of South Africa’s application to the International Court of Justice (ICJ) on December 29, 2023, alleging that they are part of the “expressions of genocidal intent against the Palestinian people by Israeli state officials.” A month later, the ICJ said that there was “plausible” evidence of genocide being conducted in Gaza, highlighting the words of the Israelis officials. One official, the Israeli Defense Minister Yoav Gallant said, “I have released all restraints” (quoted both by the South African complaint and in the ICJ’s order).

Netanyahu saying that there would be no “catastrophe” after over 28,000 Palestinians have been killed and after two million of the 2.3 million Palestinians in Gaza have been displaced is puzzling. Since the ICJ’s order, the Israeli army has killed nearly 2,000 Palestinians. The Israeli army has already begun to assault Rafah, a city with a population density now at 22,000 people per square kilometer. In response to the Israeli announcement that it would enter Rafah city, the Norwegian Refugee Council (NRC)—one of the few groups operating in the southern part of Gaza—said that such an invasion “could collapse the humanitarian response.” The NRC assessed nine of the shelters in Rafah, which are housing 27,400 civilians and found that the residents have no drinking water. Because the shelters are operating at 150 percent capacity, hundreds of the Palestinians are living on the street. In each of the areas that the NRC studied, they found the Palestinian refugees in the grip of hepatitis A, gastroenteritis, diarrhea, smallpox, lice, and influenza. Because of the collapse of this humanitarian response from the NRC, and from the United Nations—whose agency UNRWA has lost its funding and is under attack by the Israelis—the situation will deteriorate further.

Safe Passage

Netanyahu says that his government will provide “safe passage” to the Palestinians. These words have been heard by the Palestinians since mid-October when they were told to keep going south to prevent being killed by the Israeli bombing. Nobody believes anything that Netanyahu says. A Palestinian health worker, Saleem, told me that he cannot imagine any place of safety within Gaza. He came to Rafah’s al-Zohour neighborhood from Khan Younis, walking with his family, desperate to get out of the range of the Israeli guns. “Where do we go now?” he asks me. “We cannot enter Egypt. The border is closed. So, we cannot go south. We cannot go into Israel, because that is impossible. Are we to go north, back to Khan Younis and Gaza City?”

Saleem remembers that when he arrived in al-Zohour, the Israelis targeted the home of Dr. Omar Mohammed Harb, killing 22 Palestinians (among them five children). The house was flattened. The name of Dr. Omar Mohammed Harb stayed with me because I recalled that two years ago his daughter Abeer was to be married to Ismail Abdel-Hameed Dweik. An Israeli air strike on the Shouhada refugee camp killed Ismail. Abeer was killed in the strike on her father’s house, which had been a refuge for those fleeing from the north. Saleem moved into that area of Rafah. Now he is unsettled. “Where to go?” he asks.

Domicide

On January 29, 2024, the UN special rapporteur on the right to adequate housing, Dr. Balakrishnan Rajagopal wrote a strong essay in the New York Times called “Domicide: the Mass Destruction of Homes Should be a Crime Against Humanity.” Accompanying his article was a photo essay by Yaqeen Baker, whose house was destroyed in Jabalia (northern Gaza) by Israeli bombardment. “The destruction of homes in Gaza,” Baker wrote, “has become commonplace, and so has the sentiment, ‘The important thing is that you’re safe—everything else can be replaced.’” That is an assessment shared across Gaza amongst those who are still alive. But, as Dr. Rajagopal says, the scale of the destruction of housing in Gaza should not be taken for granted. It is a form of “domicide,” a crime against humanity.

The Israeli attack on Gaza, Dr. Rajagopal writes, is “far worse than what we saw in Dresden and Rotterdam during World War II, where about 25,000 homes were destroyed in each city.” In Gaza, he says, more than 70,000 housing units have been totally destroyed, and 290,000 partially damaged. In these three months of Israeli fire, he notes, “a shocking 60 to 70 percent of structures in Gaza, and up to 84 percent of structures in northern Gaza, have been damaged or destroyed.” Due to this domicide, there is no place for the Palestinians in Rafah to go if they go north. Their homes have been destroyed. “This crushing of Gaza as a place,” reflects Dr. Rajagopal, “erases the past, present, and future of many Palestinians.” This statement by Dr. Rajagopal is a recognition of the unfolding genocide in Gaza.

As I speak with Saleem the sound of the Israeli advance can be heard in the distance. “I don’t know when we can speak next,” he says. “I don’t know where I will be.”

This article was produced by Globetrotter.

Vijay Prashad’s most recent book (with Noam Chomsky) is The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan and the Fragility of US Power (New Press, August 2022)

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