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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Paris toujours Paris - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

“Paris toujours Paris” (ou uma singela lembrança daquele 13 de novembro de 2015)

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  Publicado: 12/12/2025 às 18:22

Era pra ser um dia agradável. E foi.

Caiu numa sexta-feira.

Um dia de outono.

Calhou ser 13. Sexta-feira, 13.

13 de novembro de 2015.

Tudo ia limpo em Paris.

O céu não tinha nuvens. O sol era radiante. A ambiência, elegante. Tudo ia límpido. Como pintura. Sem queimar, incomodar nem maltratar.

Havia algum vento. Algum barulho. Mas nada de brisa. Nada de úmido.

Anunciavam-se dias frios. Quem sabe, invernia. Isso era notório.

Edgar Morin havia ofertado uma série de conferências na Sorbonne e a sua manifestação final – “quem não procura o impossível e inencontrável não os encontrará jamais” –, retirada de algum antigo, grego ou latino, ainda intrigava o meu ser.

Christian Lesquesne, querido amigo na Sciences Po, ao meu encalço, havia disparado mensagens ao embaixador Alain Rouquié, ao ministro Hubert Védrine e ao memorável Régis Debray dos quais eu, apreensivo, aguardava retornos.

Era certo que viriam.

Era seguro que iríamos nos ver.

Um dia. Não naquele.

Aquele dia transcorreu incrivelmente ordinário. Como ordinários eram os meus dias naquelas ruas que noutros dias testemunharam transitar Voltaire, Balzac, Diderot, Marat, Victor Hugo, De Gaulle.

O meu reduto era a rue Jacob, no sexto arrondissement de Paris.

Eu não vivia longe. E – também por isso e para apreciar mais e mais a cidade-mundo – eu ia sempre a pé para o laboro.

Do coração do Marais, eu partia para a rue de Rivoli, que me permitia chegar rápido à passagem Richelieu, que dava acesso ao pátio do Louvre, imponente palácio real, anterior a Versalhes.

Quase sem perceber, eu alcançava a alça François Mitterrand e atravessava a ponte Carrossel.

Após o Sena, tornando à esquerda, eu encontrava a rue de Saints-Pères. Seguia nela não muitas quadras. Topava com a rue Jacob. Seguia até o seu número 56. E adentrava o faustoso edifício do CERI, da Sciences Po de Paris.

Era quase sempre assim. Nada às carreiras. Tudo em compasso. Flanando sopro a sopro. Degustando detalhes. Absorto em lembranças. Soterrado em imaginações.

Golpeado por deslumbres. Arpejado em frissons. Como num encontro da primeira vez. Como no frescor do desejo. Aquele que induz ao tremor no contato e ao desatino na satisfação. Presença, harmonia, belo e contraste. Como no primeiro amor.

Dia após dia era assim. Mesmo quando a rotina insistia em imperar.

Aquele início do dia 13 de novembro de 2015 foi assim para mim.

O traçado seguia marcado. Novidade nenhuma ia à vista. Zero mudanças. Nula trepidação. O dia seria ameno. Quase fugaz. Prometendo passar rápido.

Desse modo, acomodado no terceiro andar daquele edifício da Sciences Po, a minha atenção seguia retida em tempos distantes, desabados e quase imemoriais. Tempos que os mais jovens não viveram e muitos os mais antigos nem se lembram mais. Eu vivia mentalmente os longínquos dias de janeiro e fevereiro de 1985 que enlaçavam da eleição do presidente Tancredo de Almeida Neves no Brasil ao seu encontro do novo mandatário brasileiro com o presidente François Mitterrand na França. O meu esforço recaía sobre a reconstituição dessa cena. Quase moldura. Infinitamente bonita. Que aduzia um dos momentos mais altaneiros da redemocratização brasileira. Que foi quando o mundo inteiro começava a reconhecer a Nova República após anos e anos de regime militar. Quando o Doutor Tancredo e dona Risoleta Neves, após verem a Sua Santidade, o Papa João Paulo II, foram avistar o casal presidencial francês, François e Danielle Mitterrand. Feito que se imortalizou como o momentum Tancredo-Mitterrand.

Naquele 13 de novembro de 2015, eu seguia, assim, retido nesses mundos, nesses símbolos, nesses dias, nessas vibrações.

Pragmaticamente, passei aquele dia inteiro reunindo informações. Indo e voltando – em imaginação – de Brasília a Paris e de Paris a Brasília. Resvalando, vez por outra, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte, São João Del Rey, Washington, Bonn, Berlim, Cidade do México, Buenos Aires, Lisboa, Moscou, Roma, Madri, Biarritz, Saint-Tropez, até a latche dos Mitterrand no Landes.

Dias antes, eu havia acessado os arquivos da presidência François Mitterrand (1981-1995) com notícias daquele encontro com o presidente brasileiro eleito. O meu encanto era, porquanto, integral. Quase juvenil. Tudo me impressionava. Minha atenção só focava nisso.

Quando dei por mim, a noite já ia escura.

Foi quando tomei o celular e revisei mensagens.

Havia um convite para jantar entre amigos. Uns brasileiros, outros não brasileiros. Mas todos carentes de Brasil. Querendo falar de Brasil. Ouvir do Brasil. Sentir o Brasil.

Mesmo que na simples pronúncia nativa do português.

Ainda não se sabia onde seria o meeting.

Hesitava-se entre o Marais e Arts et Métiers.

Decidiu-se pelas cercanias do bairro République. Mais precisamente entre a estação do metrô Voltaire e a do Saint Ambroise.

Quando se decidiu, saí e cheguei bem rápido.

De entrada, um bordeaux.

Como menu: feijão, pimenta, carne e fartura.

Era um restaurante das Ilhas Maurício. Onde tudo era marcante. Com muitos tons, sons, idiomas e culturas. E – forçando bem, bem mesmo – lembrava o Brasil.

Tudo estava muito bom.

Havia inclusive alguma empolgação.

Mas tudo terminou cedo.

Despedimo-nos todos pelas 21 horas.

Eu poderia voltar a pé para casa, mas segui todo mundo e tomei o metrô. Da segunda para a terceira estação, o trem parou. Não era comum, mas era rotina. O vagão escureceu. Olhando à volta, ninguém esbravejou. Era sexta-feira, tarde da noite, a circulação já ia reduzida.

Num par de minutos, a luz voltou e a viagem continuou.

Cheguei rápido em casa e subitamente adormeci. Satisfeito e feliz.

Algum tempo depois, fui desperto por uma zoada sem fim, vinda de todas as partes e de todo lugar, com sirenes, freadas, luzes, aceleradas, derrapadas, helicópteros.
Abri os olhos. Avistei o relógio. E vi que era ainda sexta-feira.

Os ponteiros marcavam 23 horas pouco completas.

Não sei bem para onde olhei, mas notei o vibrar insistente de meu celular.

Meio ensonado, fui ver.

Era um número diferente. Não era da Europa, da França nem de Paris. Tinha as iniciais do Brasil.

Sem nada pensar, atendi e, como resposta, recebi: “graças a Deus”; “você está vivo”.

Estupefato, nada entendi.

Veio, então, uma ordem: “ligue a televisão”.

Foi quando apreendi a situação: terroristas haviam terrorizado Paris; não muito longe dali.

Triste. Muito triste.

Mas Paris toujours Paris.

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(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Rumo à Nova Ordem Global?: entrevista-debate de Pedro Costa Jr (O Mundo é um Moinho) com Paulo Roberto de Almeida e Daniel Afonso da Silva


O cientista político Pedro Costa Jr recebe o diplomata Paulo Roberto de Almeida e o Pesquisador no Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, Daniel Afonso da Silva, para debater a nova ordem global.

O Mundo é um Moinho (27/11/25) AO VIVO às 21h de 27/11/2025🔗


sábado, 18 de outubro de 2025

Às voltas com o adeus a Charles de Gaulle (1890-1970) - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

 

Às voltas com o adeus a Charles de Gaulle (1890-1970)

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  Publicado: 17/10/2025 às 20:18
Fazia frio naqueles dias em Paris. Uma penumbra ocre e uma brisa fina recobriam a capital e o país. Eram inícios de novembro. O ano, 1970. Cinco anos depois do fim do Concílio do Vaticano II e da morte de Winston Churchill.

Marguerite Duras (1914-1996), Marguerite Yourcenar (1903-1987) e Romain Gary (1914-1980) eram as grandes letras francesas do momento. Mémoire d’Hadrien de 1951, L’Amante anglaise de 1967 e La promesse de l’aube de 1960 funcionavam como síntese lírica daquela geração.

No cinema, a Nouvelle Vague. François Truffaut (1932-1984) e Jean-Luc Godard (1930-2022). Em cena, Alain Delon (1935-2024), Brigite Bardot, Jean Gabin (1904-1976) e Jean-Paul Belmondo (1933-2021). Rostos da França, rostos do mundo. Imortalizados em Plein soleil[O sol por testemunha], À bout de souffle[Acossado] e L’homme de Rio [O homem do Rio]. Catherine Deneuve e Gérard Depardieu eram revelações. Daniel Auteuil, uma promessa. Juliette Binoche, uma menina.

Na música, Serge Gainsbourg (1928-1991) dava o tom. No rock and roll, o Elvis Presley francês era Johnny Hallyday (1943-2017).

Na intelligentsia universitária, Claude Lévi-Strauss (1908-2009), Fernand Braudel (1902-1985), Jacques Lacan (1901-1981), Jean-Paul Sartre (1905-1980), Michel Foucault (1926-1984) e Raymond Aron (1905-1983) eram vivos e marcavam fundo o imaginário dos frequentadores do Quartier Latin, da Rue des écoles, da Rue Saint Guillaume, do Boulevard Saint Michel e do Boulevard Saint Germain.

Ainda no campus, Pierre George (1909-2006) e Yves Lacoste eram a Geografia por vocação.

No jornalismo, André Fontaine (1921-2013) e Jean Lacouture (1921-2015), as leituras diárias obrigatórias no Le Monde.

No futebol, como costume, os franceses não iam bem. Bem do contrário. Iam bastante mal. Ficando de fora da Copa do Mundo do México. E, por conseguinte, sendo obrigados a venerar os eminentes Gérson, Jairzinho, Pelé, Rivelino e Tostão da seleção brasileira campeã da competição daquele ano. 1970.

Um ano de virações, fins de ciclo, fins de tarde, fins de mês.

O mês era novembro.

Um duro e rigoroso inverno anunciava-se. Notáveis e populares antecipavam-se e resguardavam-se para o Natal. Historiadores e memorialistas meditavam sobre os melhores festejos pelo centenário da Comuna. Políticos e intelectuais ainda remoíam interpretações e memórias da debacle de 1940. A comunidade estrangeira ressentia a situação na Argélia. Franceses ultramarinos – comedidos, mas perplexos – ainda intentavam compreender as razões dos tumultos de maio de 1968 na capital. Europeus e norte-americanos faziam o mesmo para apreender as motivações do novo presidente francês, George Pompidou (1911-1974).

Esse era o quadro. Feito em cenário. Quase pintura. Tipo moldura. Tudo agitado e estático simultaneamente. Fluindo e estancando. Envolto às mais profundas e requintadas tradições francesas. Que pareciam eternas, atemporais. Quando uma notícia intempestiva aterrissou na paisagem. Primeiro como rumor. Depois, confirmação. E, ao fim, verdade.

O general De Gaulle não vinha mais. Acabara de morrer. Naquele novembro. No dia 9.

Tinha ano e meio que ele abdicara da presidência da França em favor de seu primeiro-ministro, George Pompidou. Dois anos e pouco que ele interpelara as protestações pelas ruas de Paris, partira para Baden-Baden, na Alemanha, parlamentara com o general Jacques Massu (1908-2002), retornara a Colombay-les-deux-Églises e regressara a Paris com a convicção de que não dava mais.

Mas seu passado seguia imenso.

Três anos antes de 1970 foi o seu “Vive le Québec libre” [Viva o Quebec livre]. Mais ou menos no mesmo momento de seu “Un peuple d’élite, sûr de lui-même et dominateur” [um povo de elite, seguro de si e dominador] a propósito dos judeus em Israel. Quatro anos antes de 1970 ocorreu a sua retração da França do comando integral da Otan. Cinco anos antes, a sua vitória sobre François Mitterrand (1916-1996) em sufrágio universal. Oito anos antes, a assinatura dos Acordos de Évian, sobre a sorte dos argelinos. Doze anos antes, ele havia sido conclamado ao poder supremo da França para criar a Quinta República Francesa. Vinte e quatro antes, ele tinha sido expulso da vida política do país após conduzir a sua liberação do jugo alemão dois anos antes. Vinte e seis anos antes, ele tinha declamado e imortalizado

Paris outragé! [Paris ultrajada!].
Paris brisé! [Paris quebrada!].
Paris martyrisé! [Paris martirizada!] Mais Paris libéré. [Mas Paris liberada].

Trinta anos antes, ele fizera o seu Apelo do 18 de junho de 1940, onde ponderou

Mais le dernier mot est-il dit? [a última palavra já foi dita?].
L’espérance doit-elle disparaître? [a esperança está condenada a desaparecer?].
La défaite est-elle définitive? [a derrota é definitiva?].

Quarenta e nove anos antes, ele casara-se com Yvonne de Gaulle (1970-1979). Cinquenta e quatro anos antes ocorreu o seu aprisionamento na Batalha de Verdun. Setenta e nove anos, onze meses e dois dias, o seu nascimento em Lille.

Apenas nisso, um gigante francês incontestavelmente.

Herói nacional.

Construtor do país.

Um homem de fé.

Católico praticante.

Fiador da França, da Europa e do Ocidente.

Sempre com uma certa ideia de cada um deles.

Mesmo assim ou talvez justamente por isso, sempre contestado e maltratado em toda a sua trajetória. Tido por louco. Traidor. Bandido. Rebelde. Malfazejo. Arrogante. Autoritário. Ditador.

Notadamente pela juventude da geração de baby boomers que lotou as ruas de Paris naquele maio de 1968 e não saiu mais.

Mas também pelos mais antigos.

Aqueles que foram e eram seus adversários e inimigos. Socialistas e comunistas sobretudo. Nostálgicos dos tempos de Léon Blum (1872-1950) e do Front populaire. Admiradores do marechal Philippe Pétain (1856-1951) também.

Todos muito duros com o general em vida.

Mas, agora, com ele morto, todos perplexos.

Consumidos por certa incompreensão.

O homem da resistência, do Apelo do 18 de Junho de 1940, da liberação de Paris, fundador da Quinta República não existia mais. Seria enterrado em breve. E levaria consigo referências morais instransponíveis da consciência da França, da Europa e do Ocidente. Como ocorrera cinco anos antes, na morte de Churchill. Mas, agora, talvez, ainda mais.

Pois, pouco a pouco, ainda naquele 9 de novembro de 1970, foi-se notando que essa perplexidade francesa invadia a Europa, os Estados Unidos, o Ocidente e o mundo inteiro e o vazio sem o general revelava-se monumental. Antes mesmo de seus obséquios e funerais.

Ainda naquele 9 de novembro, tão logo participadas da notícia, chancelarias dos quatro cantos do planeta fizeram instantaneamente chegar ao Quai d’Orsay e ao Élysée os seus pesares ao encontro da França, dos franceses e da família do general.

Ao mesmo tempo, mais de oitenta soberanos, chefes de estado e chefes de governo interditaram os seus afazeres e começaram a singrar pessoalmente para a França e para Paris. Outros tantos fizeram silêncio, pediram uma missa, caíram em contrição.

Os que vieram à França e a Paris chegaram devastados. Tapados de emoção. Cabisbaixos. Mirando o vazio. Procurando explicação.

A catedral de Notre-Dame de Paris foi, assim, pari passu, transformando-se em Notre-Dame do mundo. Com a reunião de praticamente todas as grandes autoridades mundiais presentes.

O presidente norte-americano, Richard Nixon (1913-1994). O primeiro-secretário soviético, Nikolaï Podgorny (1903-1983). O xá o Irã, Reza Pahlevi (1919-1980). O primeiro-ministro britânico, Anthony Eden (1897-1977). O assessor de Eden, Harold Wilson (1916-1995). O presidente do Senegal, Léopold Sedar Senghor (1906-2001). O presidente da Finlândia, Urho Kekkonen (1900-1986). O príncipe Charles representando Sua Majestade, a rainha Elizabeth II (1926-2022). A rainha Juliana (1909-2004) da Holanda. O imperador da Etiópia, Haile Selassié (1892-1975). O irmão do imperador Hussein da Jordânia. Dezenas de personalidades internacionais de estatura planetária como David Ben-Gurion (1986-1973), para mencionar apenas uma. Centenas de companheiros de farda da liberação de 1944. Oficiais da Legião de Honra e heróis da resistência. Praticamente todo o corpo diplomático estacionado em Paris, na França e imediações. Claramente todos os representantes dos corpos burocráticos intermediários de todos as entidades internacionais, públicas e privadas, acreditadas no governo francês e na administração de Paris. Praticamente todos os representantes das entidades religiosas ortodoxas, israelitas e ismaelitas assentados no país. Toda a classe política francesa. Todas as personalidades intelectuais, culturais e politicas relevantes no país. André Malraux (1901-1976), Alain Peyrefitte (1925-1999), Jacques Chaban-Delmas (1915-200), Valéry Giscard d’Estaing (1926-2020), Edgar Faure (1908-1988) e tantos outros. Adicionados às centenas de milhares de pessoas, conhecidas e anônimas, que não conseguiram adentrar a catedral. Onde o valoroso cardeal François Marty (1904-1994), em memória do general, fazia uma missa simples, baseada no Evangelho de João, como o general havia desejado.

Ninguém andava. Ninguém ouvia. Ninguém se movia.

Um silêncio imenso os invadia.

Lançando-os todos em labirintos vazios. Ocupados de lembranças.

Ao fundo, o coral executava Johann Sebastian Bach.

Lá fora, o aeroporto de Orly suspendeu as suas atividades. O transporte público de ônibus, trem e metrô também.

Floristas viram-se abarrotados com demandas de arranjos vindas aos borbotões de todas as partes do mundo. Da Grécia, dos Estados Unidos, das Américas, do Vietnã, da Arábia Saudita, da China.

Aliás, da China, Mao Tsé-Tung (1893-1976), em pessoa, ordenou a compra de oito furgões especiais de rosas, dálias, lis, crisântemos, violetas para adornar a cena. O adeus ao general. O adeus a Charles de Gaulle.

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(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)

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