O que Putin conseguiu realizar em sua Operação Militar Especial?
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre as baixas e perdas russas na sua guerra de agressão contra a Ucrânia.
A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia é uma das guerras mais estranhas e indefinidas do século XXI, tanto quanto foi, ou até mais, no século passado, a guerra Irã-Iraque dos anos 1980, quando dois exércitos se enfrentaram durante oito anos, de setembro de 1980 a agosto de 1988, tendo começado pela invasão do Irã pelo Iraque, mas terminando pela completa exaustão dos dois lados, sem quaisquer mudanças territoriais significativas, e até sem resultados tangíveis para qualquer um dos lados, mas produzindo um custo humano e econômico devastador para ambos os lados. A guerra de agressão de Putin contra o país vizinho, antiga república federada da União Soviética até a implosão desta em 1991, chamada eufemisticamente de “Operação Militar Especial”, tem representado, o mesmo resultado praticamente nulo, tanto do ponto de vista estratégico, quanto tático, se considerados os objetivos iniciais apresentados pelo líder russo: a derrota das forças militares da Ucrânia e a ocupação completa do país pelo império neoczarista. Nada disso se realizou, de fato.
Tenho seguido, praticamente diariamente, todos os episódios da guerra de agressão russa por meio dos relatórios cotidianos emitidos pela ONG ucraniana CDS, o Centre for Defence Strategies (CDS) um think tank voltado para estudos sobre a segurança da Ucrânia, em operação desde 2020. O relatório de 2 de janeiro de 2026, recém recebido, atualiza os dados recolhidos nas várias frentes de batalha, que são considerados fiáveis por um outro think tank respeitável, o ISW, Institute for the Study of War, baseado em Washington. O lado russo nunca apresentou os dados computados para um lado ou outro, mas o CDS apresentou os seguintes dados totais, desde o início da invasão, relativamente às perdas russas:
Russian operational losses from 24/02/2022 to 02/01/2026
Personnel - almost 1,209 880
Tanks – 11,494
Armored combat vehicles ‒ 23,851
Artillery systems – 35,720
Multiple rocket launchers (MLRS) – 1,589
Anti-aircraft warfare systems – 1,267
Vehicles and fuel tanks – 72,587
Aircraft - 434
Helicopters – 347
UAV operational and tactical level – 99,043
Intercepted cruise and other missiles – 4,137
Boats/ships – 30
O dado mais impressionante é o número de baixas humanas russas, de soldados mortos ou feridos, mas as perdas de equipamentos bélicos também são significativas, só perdendo para o número de drones engajados nos ataques, ferramentas agora convertidas em “operadoras” principais das guerras contemporâneas. Se dividirmos esses números pelos 47 meses de operações militares mantidas até aqui, temos os seguintes resultados:
Personnel - almost 1,209 880
Tanks – 11,494
Armored combat vehicles ‒ 23,851
Artillery systems – 35,720
Multiple rocket launchers (MLRS) – 1,589
Anti-aircraft warfare systems – 1,267
Vehicles and fuel tanks – 72,587
Aircraft - 434
Helicopters – 347
UAV operational and tactical level – 99,043
Intercepted cruise and other missiles – 4,137
Boats/ships – 30
O dado mais impressionante é o número de baixas humanas russas, de soldados mortos ou feridos, mas as perdas de equipamentos bélicos também são significativas, só perdendo para o número de drones engajados nos ataques, ferramentas agora convertidas em “operadoras” principais das guerras contemporâneas. Se dividirmos esses números pelos 47 meses de operações militares mantidas até aqui, temos os seguintes resultados:
Baixas humanas russas: 25.742 cada mês, ou quase 860 por dia
Tanques: 244 por mês, ou mais de 8 por dia, aproximadamente
Veículos armados de combate: 507 por mês, ou quase 17 por dia
Sistemas de artilharia: 760 por mês, ou mais de 25 por dia de operações
Lançadores múltiplos de foguetes: 33,8 por mês, ou mais de um por dia
Sistemas de defesa antiaérea: 27 por mês, ou quase 1 por dia
Veículos-tanque de combustíveis: 1544 por mês, ou mais de 51 por dia
Aparelhos aéreos: mais de 9 por mês, ou 1 a cada três dias aproximadamente
Helicópteros: 7,3 por mês (cabe duvidar que os russos produzam mais por mês)
Veículo aéreo não tripulado (drones): 2,100 todos os meses, ou mais de 70 ao dia
Mísseis de cruzeiro interceptados: 88, ou 3 a cada dia
Embarcações: 30 no total (sendo um cruzador, várias corvetas, um submarino)
As perdas materiais e, sobretudo, as baixas humanas são realmente impressionantes, mas talvez o mais importante sejam os parcos resultados desses “investimentos” maciços lançados à conquista de um país que jamais representou qualquer ameaça efetiva à Rússia (independentemente do que digam os anti-Otan convencidos). Os avanços territoriais das tropas russas são não apenas pífios, mas sobretudo alcançados a um custo humano e material desproporcional quando computados os resultados em outras frentes de batalha referidos por alguns especialistas. Alguns deles mencionam o fato de que, na “grande guerra patriótica” da URSS contra os exércitos nazistas, no período que até aqui durou a guerra de agressão russa contra a Ucrânia, as tropas soviéticas foram de Moscou a Berlim, simbolicamente, ao passo que os soldados russos estão atolados a poucas dezenas de quilômetros das duas fronteiras oficiais. A dimensão respectiva de cada conflito deve ser levada em consideração, mas ao examinarmos as “estatísticas” ucranianas sobre as perdas russas até aqui, uma única conclusão é possível: a Operação Militar Especial de Putin é uma derrota estratégica, tática, e um grande desastre humano (contar os fugidos da guerra, os mais capazes) e sobretudo material, ou seja, uma catástrofe econômica e social que será duramente paga pelos russos.
Tanques: 244 por mês, ou mais de 8 por dia, aproximadamente
Veículos armados de combate: 507 por mês, ou quase 17 por dia
Sistemas de artilharia: 760 por mês, ou mais de 25 por dia de operações
Lançadores múltiplos de foguetes: 33,8 por mês, ou mais de um por dia
Sistemas de defesa antiaérea: 27 por mês, ou quase 1 por dia
Veículos-tanque de combustíveis: 1544 por mês, ou mais de 51 por dia
Aparelhos aéreos: mais de 9 por mês, ou 1 a cada três dias aproximadamente
Helicópteros: 7,3 por mês (cabe duvidar que os russos produzam mais por mês)
Veículo aéreo não tripulado (drones): 2,100 todos os meses, ou mais de 70 ao dia
Mísseis de cruzeiro interceptados: 88, ou 3 a cada dia
Embarcações: 30 no total (sendo um cruzador, várias corvetas, um submarino)
As perdas materiais e, sobretudo, as baixas humanas são realmente impressionantes, mas talvez o mais importante sejam os parcos resultados desses “investimentos” maciços lançados à conquista de um país que jamais representou qualquer ameaça efetiva à Rússia (independentemente do que digam os anti-Otan convencidos). Os avanços territoriais das tropas russas são não apenas pífios, mas sobretudo alcançados a um custo humano e material desproporcional quando computados os resultados em outras frentes de batalha referidos por alguns especialistas. Alguns deles mencionam o fato de que, na “grande guerra patriótica” da URSS contra os exércitos nazistas, no período que até aqui durou a guerra de agressão russa contra a Ucrânia, as tropas soviéticas foram de Moscou a Berlim, simbolicamente, ao passo que os soldados russos estão atolados a poucas dezenas de quilômetros das duas fronteiras oficiais. A dimensão respectiva de cada conflito deve ser levada em consideração, mas ao examinarmos as “estatísticas” ucranianas sobre as perdas russas até aqui, uma única conclusão é possível: a Operação Militar Especial de Putin é uma derrota estratégica, tática, e um grande desastre humano (contar os fugidos da guerra, os mais capazes) e sobretudo material, ou seja, uma catástrofe econômica e social que será duramente paga pelos russos.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5171, 2 janeiro 2026, 2 p.
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