sábado, 3 de janeiro de 2026

O ano de 2026 será melhor. Será? — Editorial revista Será?

A Revista Será?, da qual sou colunista regular, acaba de publicar um editorial sóbrio, e relativamente otimista, no qual acredita que 2026 possa ser melhor do que 2025, pelo menos para o Brasil. Será? Vamos conferir? PRA

O ano de 2026 será melhor. Será? 

Editorial Revista Será? | jan 2, 2026 | Opinião | 1  |     

Será?

Podemos, sim, desejar ardentemente que o ano novo seja melhor que 2025. O mundo todo grita, e os brasileiros, mais do que todos, manifestam um desejo sincero de feliz ano novo. E a Revista Será? (com esta teimosa interrogação) soma-se aos anseios de que, em 2026, o mundo encontre a paz e o Brasil ache o caminho do desenvolvimento. Mas a teimosa interrogação da Revista nos deixa desconfiados.

A dúvida começa ao lembrar que o governo desestruturador e errático de Donald Trump, no comando da maior potência do planeta, persiste neste ano que começa agora e terá ainda mais três anos para desmantelar a economia mundial e desrespeitar as regras da geopolítica global. Nos últimos dias de 2025, Trump se arrogou o papel de gendarme do planeta, substituindo as Nações Unidas — ele chegou a dizer isso — na imposição de sua vontade e de seu poder sobre o resto do mundo, incluindo a agressão militar aos seus desafetos.

O desempenho do Brasil em 2025 teve aspectos positivos. Os líderes golpistas foram condenados e presos, consolidando a democracia brasileira, e a economia andou relativamente bem — desemprego baixo e inflação sob controle (ao custo de juros muito altos, é certo) —, com redução da pobreza. O Brasil ainda mostrou capacidade e competência para sobreviver às absurdas sanções comerciais do arrogante Trump.

Em todo caso, o que houve de negativo no ano que se encerra pode ainda se agravar em 2026. Para começar, este será um ano eleitoral, com eleições seguramente ainda dominadas por uma perversa polarização política, que inibe o debate de ideias e propostas e tende a produzir uma das campanhas mais sujas da história. É difícil acreditar, por outro lado, que o governo do presidente Lula da Silva faça um esforço real para conter os gastos públicos.

Os parlamentares, que nos anos anteriores se empenharam em desmoralizar a política com debates e decisões mesquinhas e corporativistas, prepararam-se para renovar seus mandatos com um aumento de mais de 50% das emendas no orçamento da União de 2026 (de 50 para 61 bilhões). O Judiciário, que em 2025 se envolveu em lambanças vergonhosas — incluindo decisões monocráticas e suspeitas, para dizer o mínimo, de ministros da alta corte de Justiça —, também preocupa. Para 2026, podemos ao menos esperar uma melhora no comportamento do Judiciário graças ao Código de Conduta proposto pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF.

Com todas as dúvidas, reiteramos os desejos de um ano novo melhor para o mundo e para o Brasil. Mas, como desejos não mudam a realidade, convidamos nossos colaboradores a continuarem publicando bons artigos, com análises e críticas por meio das quais temos certeza de que ajudamos a melhorar o mundo. E convidamos os leitores a nos apoiarem, comentando e divulgando os conteúdos da Revista Será?


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