Trump apresenta lista de exigências para o novo governo da Venezuela
A nova presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, apenas ficará no cargo se cumprir as exigências apresentadas por Donald Trump a seu governo. Isso inclui acabar com o apoio para Cuba, expulsar os iranianos e outros atores indesejados na Venezuela, fechar o abastecimento de petróleo para adversários dos EUA e abrir o mercado de petróleo para as empresas americanas.
Eleições, direitos humanos e democracia? Por enquanto não, obrigado. A lista de condicionalidades foi primeiro revelada com exclusividade pelo site Politico.
Ao ICL Notícias, diplomatas latino-americanos na ONU confirmaram que um pacto foi negociado entre os EUA e o regime chavista, em Caracas, depois da captura de Nicolás Maduro no último sábado.
As exigências vão justamente na direção do discurso adotado desde domingo pelo governo americano: a recusa em permitir que a Venezuela seja um entreposto para adversários dos EUA na região e a garantia de que os recursos naturais possam ser explorados por empresas americanas.
Mike Waltz, o embaixador dos EUA na ONU, repetiu o mantra na reunião do Conselho de Segurança, nesta segunda-feira. Nas redes sociais, Donald Trump e sua equipe martelaram a ideia de que teriam o direito de determinar o que acontece em “nosso Hemisfério”.
Stephan Miller, um dos principais conselheiros de Trump, confirmou também que mensagens foram passadas aos negociadores dos EUA de que aqueles que permaneceram no poder em Caracas iriam “cumprir os termos, demandas, condições e exigências dos EUA”.
De acordo com o site Politico, as exigências seriam:
Identificar agentes iranianos, cubanos e de outras nacionalidades ou redes hostis a Washington na Venezuela;
Interromper a venda de petróleo a adversários dos EUA. Parte desse acordo ainda prevê a permissão para que sejam as empresas americanas que fariam as operações para recuperar a produção de petróleo da Venezuela, com uma participação significativa no setor a partir de agora.
A interrupção dessa venda ainda teria um componente de frear o que parecia ser a criação de um canal financeiro no setor de combustíveis que não usasse o dólar. O temor americano era de que a desdolarização ampliasse o questionamento da hegemonia dos EUA no mundo.
Eleição sem pressa e nem prazo
Autoridades americanas também esperam que Rodríguez promova eleições livres e renuncie ao cargo, sem concorrer à presidência. Neste caso, não haveria um prazo e parte da administração Trump considera que seria “prematuro” falar em um processo eleitoral. Não por acaso, a Casa Branca esnobou a líder da oposição, Maria Corina Machado, que esperava ser alçada ao cargo de presidente com a queda de Maduro.
Membros do governo brasileiro explicaram ao ICL Notícias que uma das preocupações dos EUA é a de não deixar um vácuo de poder, já que isso poderia jogar o país numa instabilidade ameaçadora. Corina Machado não teria o apoio suficiente para evitar uma crise doméstica.
Haveria ainda a possibilidade de que, no decorrer de 2026, algumas das sanções sejam retiradas contra parte da elite no poder na Venezuela.
Mas tudo isso dependeria de um acordo que permita o amplo e irrestrito acesso dos recursos do país às empresas de petróleo dos EUA. O tema é visto como crítico para a manutenção do governo de Delcy no poder.
O secretário de Estado, Marco Rubio, porém, já explicou que uma espécie de quarentena será criada contra petroleiros sancionados. De fato, o governo dos EUA manteria uma nova versão da “diplomacia das canhoneiras” contra Caracas, até se assegurar que o novo governo vai cumprir o acordo.
Ainda no domingo, Delcy mudou radicalmente seu tom e “convidou” os EUA a trabalhar de forma conjunta. Na ONU, apesar de denunciar a operação, a diplomacia da Venezuela fez questão de dizer que as instituições continuavam funcionando.
Trump, por seu lado, mandou um alerta claro para a nova presidente: qualquer ação num sentido que contrarie os interesses dos EUA seria respondida com um ataque ainda mais violento.
O fracasso das forças venezuelanas em frear a ação militar dos EUA ampliou a suspeita, até mesmo entre militares brasileiros, de que algum tipo de pacto teria sido fechado.
Na ONU, nesta segunda-feira, o Itamaraty alertou que a criação de um protetorado não seria bem-aceito pelo governo Lula.
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