Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Livro: História e Historiografia das Relações Internacionais do Brasil: dos Descobrimentos ao final do Império - Paulo Roberto de Almeida (próxima publicação)
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
Livro: O Movimento da Independência: Homens e Mulheres na Conquista da Autonomia Nacional - André Heráclio do Rêgo (org.) (Appris)
Livro: O Movimento da Independência: Homens e Mulheres na Conquista da Autonomia Nacional
André Heráclio do Rêgo (org.) (Appris)
Independência resgata heróis para a História
Organizada pelo diplomata André Heráclio do Rêgo, coleção de 11 ensaios reúne especialistas que mostram a amplitude do 7 de Setembro
Diplomata, escritor e historiador André Heráclio do Rêgo lança O Movimento da Independência - Homens e Mulheres na Conquista da Autonomia Nacional. A obra reúne ensaios de especialistas com visão plural sobre os processos históricos como os da Revolução Pernambucana, da guerra de independência na Bahia e do decisivo empoderamento feminino de que foram protagonistas a arquiduquesa Leopoldina e a primeira militar brasileira, Maria Quitéria.
A obra nasceu de um seminário realizado na Câmara dos Deputados em comemoração ao bicentenário da independência do Brasil, em 2022. “O movimento da Independência, expressão criada pelo historiador e diplomata Oliveira Lima, não se limitou ao episódio do grito do Ipiranga ou às negociações políticas na corte. Trata-se de um processo muito mais complexo e longo, que envolveu inclusive projetos diferentes de Independência, como foi o caso da Revolução de 1817”. Quem explica é André Heráclio, doutor em Estudos Portugueses, Brasileiros e da África Lusófona pela Universidade de Paris Nanterre e sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.
O livro, que reúne 11 textos, é uma contribuição às raras iniciativas para comemorar uma das mais importantes datas, assevera o organizador. No primeiro, “A política joanina no Brasil, centralização e consolidação do estado”, de autoria de Arno Wehling, presidente de honra do IHGB e acadêmico da ABL, o foco é a centralização e a consolidação do Estado. O segundo, do diplomata Paulo Roberto de Almeida, é dedicado a “Hipólito da Costa: o primeiro estadista do Brasil”, que se destacou por suas ideias pioneiras sobre a construção do Estado.
“Dom João VI entre a história e a memória nos 200 anos da nação”, terceiro ensaio, é da autoria de Jurandir Malerba, professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e mostra como Dom João VI atuou decisivamente para a solução monárquica e centralizadora que se adotou com a Independência.
Já a Revolução Pernambucana de 1817 é tratada no ensaio “José Bonifácio e outro projeto para o Brasil”, de autoria do organizador. O Patriarca da Independência foi uma figura central na construção do Brasil, mas seu projeto não é era o único. “Havia outro, anterior ao dele, o dos revolucionários pernambucanos de 1817, que propugnava uma outra Independência, caracterizada pela República e pelo federalismo”, destaca André Heráclio.
Os dois ensaios seguintes têm como personagem principal a imperatriz Leopoldina, e projetam a mulher não apenas na Independência do Brasil, mas na sociedade de seu tempo. O primeiro, de autoria de Maria Celi Chaves Vasconcelos é também uma busca pela participação feminina na política nacional. O ensaio seguinte, também sobre Leopoldina, é de autoria da historiadora Denise G Porto: “A imperatriz austríaca e a viajante inglesa: entre cartas e tristezas, a história de uma amizade nos tempos da Independência”.
Dom Pedro I, marido de dona Leopoldina, centraliza o que Theodoro Menck, doutor em História das Relações Exteriores pela Universidade de Brasília (UnB), chama “diversas independências”, e que contraria a crença de que a independência raiou apenas no dia 7 de setembro de 1822 às margens do Ipiranga. Outro ensaio sobre Dom Pedro I é de Luiz Carlos Villalta, doutor e mestre em História Social e professor da UFMG.
O incipiente poder feminino também aparece nos ensaios subsequentes. O primeiro, do doutor em História Ibérica pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris) Paulo de Assunção, “Amélia de Leuchtenberg, a nobre imperatriz do Brasil”, busca resgatar a trajetória dessa personagem feminina da elite, quase desconhecida no século 19 e nos dias atuais. O segundo, do pesquisador e dramaturgo Maurício Melo Júnior, traz a epopeia de Maria Quitéria, que fugiu de casa, disfarçou-se de homem e alistou-se no Exército para lutar. O livro se conclui com um ensaio do renomado jurista Ives Gandra Martins, professor de Direito da Universidade Mackenzie, que resume o percurso histórico do período da Independência até os dias de hoje.
Sobre André Heráclio do Rêgo – diplomata, historiador e escritor, é graduado em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, tem mestrado em Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos pela pela Universidade de Paris Nanterre, doutorado em Estudos Portugueses, brasileiros e da África Lusófona pela mesma universidade e pós-doutorado na Universidade Católica de Lisboa, em História Social, e no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo. Sócio de várias instituições acadêmicas, entre as quais o IHGB, o IAHGP, o IHGSP, o IHGDF, o IHGP e a Sociedade de Geografia de Lisboa.
sexta-feira, 18 de junho de 2021
Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira: finalmente terminado - Paulo Roberto de Almeida
Tendo finalizado o livro algumas horas antes que o pior chanceler da história da diplomacia brasileira apresentasse, finalmente, sua carta de demissão, acabo de encaminhar uma nota liminar explicando como ele foi feito, cujo texto transcrevo abaixo, em seguida ao índice:
Apogeu e demolição da política externa
itinerários da diplomacia brasileira
(Curitiba: Editora Appris, 2021)
Diplomatie.
Belle carrière (mais hérissée de difficultés, pleine de mystères). Ne convient qu’aux gens nobles. Métier d’une vague signification, mais au-dessus du commun. Un diplomate est toujours fin et pénétrant.
Gustave Flaubert:
Dictionnaire des Idées Reçues
(Paris: Éditions Conard, 1913)
Para o Brasil, esta é a hora do domínio das trevas. O Brasil nos dói, faz sofrer nosso coração de brasileiros. Também em nosso caso, a primeira atitude terá de ser a vergonha das coisas presentes como condição para despertar o espírito da nação. Reformar e purificar as instituições políticas, reaprender a crescer para poder suprimir a miséria e reduzir a desigualdade e a injustiça, integrar os excluídos, humanizar a vida social. Ao longo de todo este livro, tentou-se jamais separar a narrativa da evolução da política externa da História com maiúscula, envolvente e global, política, social, econômica. A diplomacia em geral fez sua parte e até não se saiu mal em comparação a alguns outros setores. Chegou-se, porém, ao ponto extremo em que não mais é possível que um setor possa continuar a construir, se outros elementos mais poderosos, como o sistema político, comprazem-se em demolir. A partir de agora, mais ainda que no passado, a construção do Brasil terá de ser integral, e a contribuição da diplomacia na edificação dependerá da regeneração do todo.
Rubens Ricupero:
A Diplomacia na Construção do Brasil, 1750-2016
(Rio de Janeiro: Versal, 2017, p. 738-9)
Esta obra é dedicada a Carmen Lícia Palazzo, com quem tenho desenvolvido várias décadas de feliz e profícua atividade intelectual, ela muito maior leitora,
pensadora e escritora do que este modesto escrevinhador.
Ela também traz a marca da felicidade com que fui contemplado ao ver dois filhos ativos e realizados, Pedro Paulo e Maíra, sendo que esta já nos presenteou com três belos netos: Gabriel, Rafael e Yasmin.
Índice
Nota liminar
Uma história sincera do Itamaraty?
1. Relações internacionais do Brasil: uma síntese historiográfica
1.1. A historiografia: uma quase esquecida na história das ideias
1.2. A historiografia brasileira das relações exteriores: principais historiadores
1.3. Varnhagen, o pai da historiografia, o legitimista da corte
1.4. João Ribeiro inaugura a era dos manuais de história do Brasil
1.5. Oliveira Lima: o maior dos historiadores diplomatas
1.6. Pandiá Calógeras: o início da sistematização da história diplomática
1.7. Interregno diversificado: trabalhos da primeira metade do século XX
1.8. Os manuais didáticos de história diplomática: Vianna, Delgado e Rodrigues
1.9. O ideal desenvolvimentista: Amado Cervo e Clodoaldo Bueno
1.10. A diplomacia na construção da nação: Rubens Ricupero
1.11. A historiografia brasileira das relações internacionais: questões pendentes
2. As relações internacionais do Brasil em perspectiva histórica
2.1. Padrões e tendências das relações internacionais do Brasil
2.2. Etapas das relações internacionais do Brasil
2.2.1. O Império: a construção da nação e as bases da diplomacia
2.2.2. A Velha República: os mitos e as deficiências da política externa
2.2.3. A era Vargas: escolhas estratégicas, a despeito de tudo
2.2.4. O regime militar: consolidação do corporatismo diplomático
2.3. A redemocratização e as relações exteriores do Brasil
2.3.1. Uma periodização diplomática para o período contemporâneo
2.3.2. A restauração constitucional e os erros econômicos
2.3.3. Os anos turbulentos das revisões radicais do momento neoliberal
2.3.4. Estabilização macroeconômica e nova presença internacional
2.3.5. A primeira era do Nunca Antes: a diplomacia personalista de Lula
2.3.6. Uma transição pouco convencional: retornando a padrões anteriores
2.3.7. Uma segunda era do Nunca Antes: a diplomacia bizarra de Bolsonaro
2.4. O que concluir de tudo isto? Que lições ficam de nossa trajetória histórica?
2.5. Nota final: reformas internas e inserção na globalização
3. Processos decisórios na história da política externa brasileira
3.1. O que define um processo decisório: observações preliminares
3.2. A diplomacia brasileira como instituição
3.3. A estrutura orgânica da diplomacia brasileira
3.4. Os processos decisórios na diplomacia brasileira
3.5. Virtudes e defeitos do processo decisório na diplomacia lulopetista
3.6. A degradação da cadeia de decisão no governo Bolsonaro
3.7. Conclusões: como funciona, como talvez devesse funcionar...
4. A política da política externa: as várias diplomacias presidenciais
4.1. Participação dos presidentes em política externa: da omissão ao ativismo
4.2. O início da liderança presidencial em política externa: a era Vargas
4.3. JK e o desenvolvimentismo: a caminho da política externa independente
4.4. O regime militar: tudo pelo “Brasil Grande Potência”
4.5. Redemocratização: crise externa e integração regional
4.6. Os anos FHC: enfim, uma diplomacia presidencial
4.7. Os anos Lula: o ativismo como norma, o personalismo como finalidade
4.8. A tímida diplomacia presidencial de Michel Temer
4.9. A antidiplomacia de Bolsonaro e dos assessores aloprados: afundamento
4.10. Conclusões: caminhos erráticos da diplomacia presidencial brasileira
5. O outro lado da glória: o reverso da medalha da diplomacia brasileira
5.1. Tropeços na independência e durante o império
5.2. Os fracassos da primeira diplomacia republicana
5.3. A difícil construção de uma diplomacia autônoma, e consciente de sê-la
5.4. A diplomacia profissional, como base da diplomacia presidencial
5.5. A deformação da política externa sob a diplomacia bolsolavista
6. Um exercício de planejamento estratégico para a diplomacia
Introdução: demolição e reconstrução da diplomacia brasileira
6.1. A política externa e a diplomacia no desenvolvimento nacional
6.1.1. Etapas percorridas em 200 anos de história institucional
6.1.2. Os desafios: uma matriz dos recursos e das debilidades nacionais
6.2. Campos de atuação da diplomacia e da política externa
6.2.1. Multilateralismo, regionalismo e bilateralismo como instrumentos
6.2.2. A política externa multilateral: interfaces políticas e econômicas
6.2.3. A geografia política e a geoeconomia global das relações exteriores
6.2.4. América do Sul: eixo de um espaço econômico integrado
6.2.5. O multilateralismo econômico: eixo da inserção global do país
6.2.6. Ambientalismo e sustentabilidade: eixos dos padrões produtivos
6.2.7. Direitos humanos e democracia: eixos da proposta ética do país
6.2.8. Blocos e alianças estratégicas na matriz externa
6.2.9. Relações com parceiros bilaterais e regionais
6.2.10. Vantagens comparativas e exploração de novas possibilidades
6.2.11. Integração política externa e políticas de desenvolvimento
6.3. O Itamaraty como força motriz da inserção global do Brasil
6.3.1. Gestão da Casa, com base nas melhores práticas da governança
6.3.2. Responsabilização, abertura e transparência nas funções
6.3.3. Capital humano de alta qualidade: base de uma diplomacia eficaz
6.4. Planejamento estratégico como prática contínua da diplomacia
Bibliografia e referências
Nota sobre o autor
Livros do autor
Nota Liminar ao livro
Apogeu e Demolição da Política Externa
Paulo Roberto de Almeida
Este livro encontrava-se basicamente terminado, revisto e preparado para publicação – embora numa versão bem mais volumosa do que a desta edição – pouco tempo após a vitória do candidato democrata Joe Biden, nas eleições presidenciais americanas de novembro de 2020. Nos primeiros dias de dezembro, redigi um primeiro rascunho de Introdução, que figura após esta nota liminar, com exatamente o mesmo título – Uma história sincera do Itamaraty? –, mas com um texto ligeiramente diferente, uma vez que o índice original comportava tanto ensaios de natureza mais conceitual, abordando fases anteriores da política externa brasileira (preservados neste volume), quanto artigos de cunho mais conjuntural, tratando das desventuras da diplomacia profissional sob o chamado bolsolavismo. O conteúdo daquele volume, preparado numa fase que se imaginava de grandes mudanças no contexto hemisférico e nacional, refletia a decisão de oferecer uma análise sintética de um período mais largo da política externa e da diplomacia brasileira (as três décadas precedentes aqui enfeixadas sob o conceito de “Apogeu”), tanto quanto o desejo de compilar notas e comentários de ocasião, elaborados no segundo semestre de 2020, que estavam mais focados nos desenvolvimentos conjunturais do bolsolavismo diplomático (isto é, a “Demolição” da política externa e os ataques à diplomacia profissional).
Depois de concluir o conjunto, naquele início de dezembro, hesitei, contudo, em encaminhar o manuscrito para a editora, pois pretendia que minha “derradeira” obra dedicada ao ciclo bolsolavista pudesse apontar o encerramento efetivo desse nefasto período em nossa história diplomática, ainda que também trazendo, no volume completo, a trajetória da diplomacia brasileira nas três décadas precedentes. A hesitação também se devia à possibilidade, sempre esperada – e até ansiada pela quase totalidade dos diplomatas profissionais –, de mudança na chefia do Itamaraty a partir da vitória de Biden em novembro, e sobretudo depois de sua posse como presidente, em janeiro de 2021, dado o notório comprometimento das chefias anteriores, do Brasil e do Itamaraty, com o candidato à reeleição que acabara de ser derrotado (ainda que continuando a contestar a aferição dos resultados em diversos colégios eleitorais estaduais até o último minuto da certificação pelo Congresso).
O manuscrito ficou, então, dormitando numa das pastas de trabalhos não terminados de meu computador, aguardando o tal desenlace que não vinha: passou dezembro, passou janeiro, entrou fevereiro, e nada. Dada a aparente “solidez” daquele que eu sempre chamei de chanceler acidental, decidi dar por encerrada a espera de uma aparentemente improvável demissão e de proceder, portanto, à publicação do livro. No entanto, inclusive por razões de suas dimensões já algo avantajadas, resolvi dividir o volume – então constante de duas partes, uma primeira, de natureza histórica-conceitual, chamada justamente de História, e a segunda, conjuntural, chamada Atualidade – em duas obras distintas, cada uma dedicada a essas partes. Os interessados em conhecer a estrutura original do livro, podem consultar o seu índice, tal como composto em 26 de março, colocado numa postagem dessa data em meu blog Diplomatizzando.
A de natureza conjuntural foi então consolidada num pequeno volume digital, cujo título, inicialmente colocado sob a égide do “Itamaraty sob ataque”, foi modificado de conformidade a sugestão do colega de carreira, e escritor prolífico, Miguel Gustavo de Paiva Torres, assumindo então esta identidade: O Itamaraty Sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, 2018-2021. Ela hoje se encontra disponível em formato Kindle, distribuído no sistema da Amazon (dotado, portanto, de ASIN, mas também de ISBN). Convido os leitores interessados nas desventuras finais do bolsolavismo no Itamaraty a percorrem o índice e o prefácio dessa obra no meu blog Diplomatizzando. Os livros precedentes do ciclo do bolsolavismo diplomático também podem ser acessados no mesmo quilombo de resistência intelectual.
A introdução ao presente volume finalmente publicado reflete, portanto, o “estado da arte” na madrugada do dia 29 de março de 2021, poucas horas antes demissão do chanceler acidental, que não foi exatamente uma surpresa, mas cuja factibilidade se chocava com o apoio irredutível do presidente, como também ocorria com seu colega do Meio Ambiente, o grande responsável, junto com o preposto do Itamaraty, pela péssima imagem do Brasil no exterior. Desconfiando que a mesma teimosia presidencial o manteria no cargo, contra “ventos e marés”, decidi, pois, remeter o novo manuscrito, já limitado à parte conceitual, à Editora Appris. Ao proceder a esta divisão mais racional, não me pareceu que caberia fazer, por dispensáveis, as poucas mudanças de tempos de verbos ou de atualização de datas nos argumentos e comentários relativos ao período bolsolavista da política externa e da diplomacia brasileira; considero que eles se situam num continuum histórico perfeitamente integrados à análise desenvolvida em torno das três últimas décadas das relações internacionais do Brasil, isto é, o “apogeu”, desde a redemocratização até o ano de 2018, quando, como resultado da vitória do primeiro candidato declaradamente de extrema-direita no Brasil, desembocamos na triste fase de “demolição” de ambas, agora parcialmente corrigida, mas apenas na parte da ferramenta diplomática, com o início de uma nova gestão, profissional, no Itamaraty, a partir de 6 de abril de 2021.
Este livro é mais uma contribuição didática, como são quase todas as minhas obras anteriores, pensada prioritariamente na perspectiva dos estudantes de relações internacionais, dos candidatos à carreira – embora muitas de minhas análises não coincidam com as da diplomacia oficial –, assim como na dos próprios pesquisadores, eventualmente capturados pelo discurso oficial ou por algumas das outras versões correntes nessa área, tendentes a refletir preferências partidárias ou inclinações ideológicas bastante conhecidas nos embates entre movimentos tidos por progressistas ou acusados de “neoliberais”. Se ouso proclamar pelo menos uma de minhas poucas virtudes na área acadêmica, esta seria o ecletismo intelectual, combinado a uma postura racionalista que chamo de ceticismo sadio, ou seja, a de nunca me conformar com a aceitação daquilo que Bouvard e Pécuchet, no célebre dicionário de Gustave Flaubert, poderiam chamar de idées reçues, ou verdades estabelecidas. As minhas não são, justamente, estabelecidas, mas tentativamente construídas ao cabo de um longo processo de leituras, pesquisas, perquirições em torno das realidades existentes e sua confrontação com teorias e teses oferecidas pelas mais diversas escolas de historiadores, economistas, cientistas políticos e outros trabalhadores acadêmicos.
A carreira diplomática ofereceu-me a excelente oportunidade, que nunca recusei, de combinar o trabalho prático nas frentes negociadoras multilaterais e na representação bilateral com as lides docentes e de pesquisa em arquivos do passado e em gabinetes de atividade corrente. Sou muito reconhecido ao Itamaraty, por me ter aberto janelas conectadas ao mundo, além de vários outros estímulos à reflexão sobre nações e economias, que estão justamente na origem de muitas de minhas obras, certamente dos ensaios de pesquisa, de muitos artigos de conjuntura e de todos os livros acumulados em meio século de aventuras intelectuais. O trabalho de análise de nosso itinerário de dois séculos de diplomacia profissional ainda não está terminado, e a ele, assim como ao percurso do desenvolvimento nacional, pretendo dedicar os próximos anos de labor individual, talvez até oferecendo a promessa do título do prefácio, uma história sincera do Itamaraty.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 18 de agosto de 2021
Contracapa, ou quarta capa:
Orelha:
sábado, 10 de outubro de 2020
Política Energética no Brasil: debate sobre a situação brasileira e internacional: 19/10, 14:00hs
Na próxima terça-feira, dia 19/10, às 14:00hs, participarei de um debate sobre o livro Política Energética no Brasil, com o qual também colaborei, com um capítulo sobre a energia no mundo. Mas o livro tem muito mais do que isso, abrangendo todas as formas de energia, no Brasil e no mundo.
O encontro está sendo organizado pela professora Vanessa Braga Matijascic, em pós-doutorado na USP, junto ao pessoal da Ciência Política e Relações Internacionais.
Os dados completos do livro são os seguintes:
José Alexandre Altahyde Hage (org.): Política energética no Brasil: sua participação no desenvolvimento e no relacionamento internacional (Curitiba: Editora Appris, 2020, 370 p.; ISBN: 978-85-473-4201-2; disponível no site da Editora: https://www.editoraappris.com.br/produto/3756-poltica-energtica-no-brasil-sua-participao-no-desenvolvimento-e-no-relacionamento-internacional).
O excesso de oferta e a fraca demanda, causada pelos impactos da pandemia de covid-19, ainda desafiam a indústria global de petróleo. Mesmo com a retomada das atividades em vários países, o consumo de combustíveis, para fins rodoviários e aeroviários, por exemplo, ainda está abaixo dos patamares normais.
No Brasil, a produção de petróleo alcança a casa de 3 milhões de barris diários, impulsionada pela produção no campo de Tupi, responsável por cerca de um terço de todo o volume de óleo extraído no país, e pelo promissor campo de Búzios, principal aposta da Petrobras.
A energia é uma promissora forma de o Brasil obter ganhos na economia internacional. Petróleo, gás natural e etanol podem trazer ao país recursos tão necessários ao necessário desenvolvimento, à criação de empregos de qualidade, pesquisa e industrialização em base avançada tecnológica. Além disso, a dimensão da energia não é apenas nacional, que interessa apenas ao Brasil; é também questão internacional, pois depende de acordos diplomáticos que o país integra.
Sumário
PREFÁCIO, 7
Paulo Cesar Manduca, Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, Unicamp
INTRODUÇÃO, 11
José Alexandre Altahyde Hage
1. O QUADRO GLOBAL DAS QUESTÕES ENERGÉTICAS: O BRASIL E O MUNDO, 13
Paulo Roberto de Almeida
2. BALANÇO SUL-AMERICANO: O GÁS NATURAL COMO VETOR DE INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA DO CONE SUL, 41
Edmilson Moutinho dos Santos
Bruna Eloy de Amorim
Drielli Peyerl
Hirdan Katarina de Medeiros Costa
3. A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA ENERGÉTICA NO BRASIL: AVANÇOS E IMPASSES EM UM ESTADO EM DESENVOLVIMENTO, 77
José Alexandre Altahyde Hage
Paulo Cesar Manduca
Ronaldo Montesano Canesin
4. SEGURANÇA ENERGÉTICA E REGIMES JURÍDICOS REGULATÓRIOS NO SEGMENTO DE E&P DO SETOR DE HIDROCARBONETOS, 99
Carolina Leister
José Raymundo N. Chiappin
5. CONTROVÉRSIAS ACERCA DOS SIGNIFICADOS E DAS PRÁTICAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA ENERGÉTICA, 145
Iure Paiva
6. CONTEÚDO LOCAL NO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS: DEBATE E PRÁTICA NO BRASIL DE 2000 A 2017, 173
Giorgio Romano Schutte
7. POLÍTICA DE DUTOS NO BRASIL, 209
Alencar Chaves Braga
Carolina Leister
8. POLÍTICAS PARA BIOCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL, 235
Glória Pinho
Arnaldo Cesar da Silva Walter
9. O ETANOL NO MUNDO: POTENCIAIS DESAFIOS, 263
Eduardo L. Leão de Sousa
Geraldine Kutas
Leticia Phillips
10. A CONSTRUÇÃO DO BRASIL ATÔMICO: DE 1950 ATÉ 1971, 285
Helen Miranda Nunes
11. O PROGRAMA NUCLEAR BRASILEIRO A PARTIR DE 1975: CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA E DESTINO ENERGÉTICO, 307
Vanessa Braga Matijascic
SOBRE OS AUTORES, 331
quarta-feira, 20 de março de 2019
"Contra a Corrente: ensaios contrarianistas" saindo do forno - Paulo Roberto de Almeida
O conteúdo, apresentação e prefácio do livro já foram informados nesta postagem:
Estou autorizando a impressão; reproduzo abaixo a capa do livro:
quarta-feira, 10 de maio de 2017
O Homem que Pensou ao Brasil, de volta a Cuiaba, no Mato Grosso - Paulo Roberto de Almeida
O evento transcorreu no restaurante Mahalo, uma supresa extremamente agradável no coração da América do Sul.
Abaixo o texto-guia que tinha preparado para a ocasião, sem que no entanto eu o tenha lido ou utilizado. Transcrevo para conhecimento dos presentes ao encontro, e para tutti quanti se interessam pelos problemas atuais do Brasil e pelas soluções propostas, décadas atrás, por Roberto Campos.
Postagem em destaque
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The Russia-China Axis Stuart Reid Senior Fellow for History and Foreign Policy and Associate Vice President of Studies Foreign Affairs, Au...
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