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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Comentários interpretativos de Madame IA à minha entrevista no BM&C Talks - Paulo Roberto de Almeida

Comentários interpretativos de Madame IA à minha entrevista no BM&C Talks 

5355. Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty”, São Paulo, 12 maio 2026, 54 ms. Entrevista concedida ao professor Carlo Cauti (Ibmec-SP), no quadro do programa BM&C Talks (link: https://www.youtube.com/watch?v=AueVj0TmxmY). Divulgado nos meus canais de comunicação social: Facebook, X, Threads, Linkedin, blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-perdeu-o-rumo-na-diplomacia.html). Transcrição dos comentários de Madame IA, comandados por Airton Dirceu Lemmertz, que resumiu bastante bem o conteúdo de minha entrevista, conformando assim, um substitutivo a um texto original; comentários postados no blog Diplomatizzando (link: ). Relação de Publicados n. 1651.


Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Transcrição dos comentários de Madame IA, comandados por Airton Dirceu Lemmertz, que resumiu bastante bem o conteúdo de minha entrevista, conformando assim, um substitutivo a um texto original.

 

 Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty”, São Paulo, 12 maio 2026, 54 ms. Entrevista concedida ao professor Carlo Cauti (Ibmec-SP), no quadro do programa BM&C Talks (link: https://www.youtube.com/watch?v=AueVj0TmxmY). Divulgado nos meus canais de comunicação social: Facebook, X, Threads, Linkedin, blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-perdeu-o-rumo-na-diplomacia.html). comentários postados no blog Diplomatizzando (link: ). Relação de Originais n. 5355. Publicados n. 1651. 

Transcrição dos comentários de Madame IA: 

 

Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty - entrevista a Carlo Cauti, Paulo Roberto de Almeida (BM&C Talks, 12/05/2026):

YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=AueVj0TmxmY

Blog Diplomatizzando (15/06/2026);

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-perdeu-o-rumo-na-diplomacia.html 

 

*Abaixo, a análise de Gemini (IA do Google), considerando os parâmetros/comandos previamente estabelecidos, em relação ao conteúdo do vídeo no YT:

 

Capítulo I: Análise Crítica da Trajetória e das Posições de Paulo Roberto de Almeida frente aos Espectros Políticos

O programa BM&C Talks promoveu uma discussão aprofundada a respeito dos rumos da política externa brasileira, tendo como figura central o embaixador Paulo Roberto de Almeida. O diplomata, cuja trajetória confunde-se com a própria história contemporânea do Itamaraty, apresenta uma identidade intelectual marcada por uma contundente independência analítica (1:49). A biografia do embaixador revela um padrão de enfrentamento e subsequente tensionamento com variados regimes políticos que governaram o país nas últimas cinco décadas (1:49). Durante o período da ditadura militar, mesmo após ter sua ficha avaliada como limpa para o ingresso na carreira, Almeida acabou classificado como um elemento subversivo pelos órgãos de repressão devido ao seu posicionamento contrário ao regime autoritário (1:40). [1, 2]

A transição para o regime democrático não arrefeceu a postura crítica do diplomata, que veio a sofrer ostracismo institucional durante os períodos sob a égide do lulupetismo e, posteriormente, do bolsonarismo (2:41). O embaixador relata que sua remoção para funções burocráticas na biblioteca da instituição decorreu do fato de as administrações daquela época considerarem sua postura analítica excessivamente autônoma em relação às diretrizes partidárias (2:41). Sob a égide do bolsonarismo, o isolamento aprofundou-se quando ele se posicionou contra a condução que transformou o Brasil em um pária no cenário internacional (3:26). Essa sucessão de punições e afastamentos, oriunda de governos situados em polos opostos, evidencia que o pensamento do embaixador recusa o enquadramento nas matrizes ideológicas simplistas da polarização política contemporânea (4:26).

 

Capítulo II: Decodificação das Práticas Diplomáticas e os Desvios Ideológicos na Formulação da Política Externa

Subcapítulo II.I: O Surgimento dos Cacoetes Militares e a Subversão do Pensar Diplomático

A análise do funcionamento interno do Itamaraty traz à tona termos estruturantes que demandam decodificação conceitual. O embaixador aponta que a corporação herdou do período ditatorial dois elementos organizacionais denominados cacoetes militares, os quais são a hierarquia e a disciplina (13:05). Enquanto esses fatores se revelam indispensáveis para o cumprimento de ordens táticas no teatro de operações das forças armadas, sua transposição mecânica para o corpo diplomático produz uma paralisia nociva (13:15). A decodificação dessa dinâmica revela que o bom diplomata não deve se equiparar a um soldado executor, visto que suas funções de informação, representação e negociação exigem, prioritariamente, a capacidade autônoma de pensar a coerência das instruções recebidas em face do real interesse nacional (13:45).

 

Subcapítulo II.II: O Chanceler de Fato e a Deformação das Alianças Estratégicas

Outra expressão codificada pelo debate refere-se à atuação do assessor especial para assuntos internacionais, caracterizado historicamente no governo do Partido dos Trabalhadores por figuras como Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim (21:27). Na prática operacional, esses assessores atuaram como o chanceler de fato, esvaziando a autoridade técnica do Ministério das Relações Exteriores em benefício de uma agenda marcadamente partidária (10:13). Essa interferência resultou no alinhamento com regimes autoritários na América Latina e na adesão ao que o diplomata classifica como um antiamericanismo anacrônico (10:23). A conversão do BRICS de uma plataforma estritamente econômica para um bloco diplomático engessado exemplifica essa distorção, atrelando o Brasil aos interesses geopolíticos de duas grandes autocracias nucleares, a China e a Rússia (10:57).

 

Capítulo III: O Desmantelamento da Ordem Multilateral e a Crise de Governança das Instituições Mundiais

Subcapítulo III.I: O Estado Terminal da Organização Mundial do Comércio

O cenário internacional contemporâneo expõe a falência progressiva das estruturas que garantiram a estabilidade global no pós-Segunda Guerra Mundial (5:34). A Organização Mundial do Comércio, que teve seu ápice nas rodadas de negociação do final do século passado, encontra-se atualmente em um estado terminal de paralisia operacional (16:02). O desmantelamento dessa estrutura decorre diretamente do assalto aos fundamentos doutrinais do livre comércio, impulsionado pelas práticas tarifárias unilaterais iniciadas no primeiro mandato de Donald Trump e consolidadas em sua segunda administração (21:45). Essa postura chauvinista destruiu o princípio de nação mais favorecida e forçou o sistema global a retroceder para um emaranhado de acordos bilaterais impositivos, onde a truculência das superpotências anula a segurança jurídica dos países médios (21:57).

 

Subcapítulo III.II: A Ineficácia do Conselho de Segurança e a Ilusão do Assento Permanente

De igual maneira, a Organização das Nações Unidas demonstra uma incapacidade crônica de mediar e conter os conflitos geopolíticos modernos, falhando sucessivamente em impedir agressões unilaterais na Ucrânia e no Oriente Médio (27:30). Diante desse quadro de obsolescência, a histórica reivindicação diplomática brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança é avaliada de forma altamente crítica (26:57). O embaixador argumenta que a ampliação do colegiado para dez ou quinze membros permanentes apenas aprofundaria a paralisia decisória já existente devido às divergências irreconciliáveis entre as potências (30:31). A busca por tal prerrogativa é vista como uma obsessão de caráter puramente ideológico e de prestígio abstrato, afastando o Brasil de suas prioridades reais, que deveriam focar no desenvolvimento socioeconômico interno e na cooperação internacional prática (30:47).

 

Capítulo IV: O Isolamento Econômico e os Gargalos Estruturais do Desenvolvimento Nacional

Subcapítulo IV.I: O Modelo Substitutivo e o Enimesmamento Comercial

O subdesenvolvimento relativo do Brasil é explicado por uma perspectiva histórica que remonta ao clássico debate econômico entre Eugênio Gudin e Roberto Simonsen (46:13). Embora Gudin detivesse o rigor teórico ao defender as vantagens comparativas, a modernização agrícola e a austeridade fiscal, foi o modelo industrialista e protecionista de Simonsen que acabou adotado de forma sistemática pelas elites políticas desde a Era Vargas (46:33). Essa escolha resultou em um severo isolamento econômico do país em relação às grandes correntes de valor globais (45:57). O coeficiente de abertura externa da economia brasileira permanece flagrantemente medíocre, equivalendo à metade da média registrada por outras nações em estágio similar de desenvolvimento, o que perpetua o aprisionamento do parque produtivo nacional em um ambiente introvertido e dependente de subsídios estatais (47:11).

 

Subcapítulo IV.II: O Déficit Educacional Centenário e o Custo do Estado Patrimonial

O principal entrave à inserção soberana do país no cenário internacional não reside nas barreiras tarifárias externas, mas sim em uma severa crise de governança interna e na ausência crônica de uma população educada (49:02). Sob o ponto de vista qualitativo, as instituições de ensino brasileiras situam-se mais de um século atrás das potências avançadas (50:02). Esse cenário de precariedade educacional é agravado por uma estrutura estatal de caráter prebendalista e patrimonialista, que drena os recursos da sociedade para sustentar os privilégios financeiros da alta tecnocracia e da aristocracia do poder público (45:41). A carga tributária brasileira atinge patamares absurdos e asfixiantes, comparáveis aos índices de nações desenvolvidas, sem que haja o retorno correspondente em infraestrutura, produtividade ou inovação tecnológica (51:51). O debate encerra-se com uma perspectiva sombria a respeito da polarização política, que condena o país a repetir continuamente os equívocos do passado (53:35).

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5355, 12 maio-15 junho 2026, 4 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (15/06/2026; link: Comentários interpretativos de Madame IA à minha entrevista no BM&C Talks - Paulo Roberto de Almeida).

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: Carlos A. Primo Braga, Paulo Roberto de Almeida e Victor do Prado (Fundação Dom Cabral)

Anote na agenda! | Webinar

A Imagine Brasil convida você para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira.

�� 21 de maio | ⏰18h
�� Online e gratuito: YouTube da FDC

Com a mediação de Carlos A. Primo Braga e a participação de Paulo Roberto de Almeida e Victor do Prado, o encontro vai discutir o papel do Brasil no cenário geopolítico atual, o multilateralismo e os desafios da diplomacia brasileira.



sexta-feira, 10 de abril de 2026

A Política Externa do Próximo Governo: o que NÃO fazer? - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?)

A Política Externa do Próximo Governo:
o que NÃO fazer?

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor
Revista Será?, ano xiv, n. 705, abr 10, 2026

Sobre a preparação de uma nova diplomacia

O Instituto Ética e Democracia, associado a esta revista Será? – em parceria com o Movimento Roda Democrática e o Ateliê de Humanidades –, empreendeu, neste ano particularmente relevante para a política nacional, um processo de reflexão, de debates e de propostas, chamado Projeto Brasil, que pretende ser um espaço devotado à reflexão qualificada, ao diálogo e à formulação de políticas para o futuro do país. Suas atividades públicas tiveram início na noite de 9 de outubro por uma exposição e debates em torno da política externa do próximo governo, animado pelo embaixador Rubens Barbosa em interação com três dos membros do projeto: o cientista político Marco Aurélio Nogueira, o economista Sergio C. Buarque e este mesmo sociólogo que aqui escreve.

Clique no link para assistir o debate >>>
https://www.youtube.com/live/nFxJ2fVtOqU

Não apenas o mundo atual está fragmentado, instável e incerto, em função do unilateralismo agressivo de duas das três superpotências, como a própria política nacional também se encontra angustiosamente dividida no que já foi descrito pelos observadores como uma “polarização resiliente”, ou seja, uma divisão mais ou menos rígida das forças políticas, e do eleitorado, nos dois extremos que já dividem a política brasileira desde aproximadamente duas décadas. Nessas condições, fica difícil sugerir, determinar, ou sequer aventar, qualquer linha diretriz mais específica para as relações exteriores do governo que tomará posse em janeiro de 2027, uma vez que o país e a sua diplomacia poderão ser novamente arrastados para um dos dois polos antagônicos que marcam hoje o cenário político-partidário.

Uma alternativa a um enunciado de orientações positivas para a política externa e a diplomacia do próximo governo – supondo-se que um dos dois extremos assumirá o comando do país – consistiria numa listagem de diretrizes “negativas”, ou seja, políticas não desejáveis para a nação e para a sua presença internacional. Uma relação desse tipo vai necessariamente incidir sobre posturas e opções já presentes, no presente imediato ou num passado próximo, que se revelaram inadequadas do ponto de vista da autonomia de nossa política externa, assim como no plano das alianças e opções menos atraentes ou até negativas para o processo de desenvolvimento econômico e social do país.

Vamos começar pelo lado mais estapafúrdio, evidenciado no governo de Jair Bolsonaro, quem, mesmo antes de tomar posse, já prometia total subserviência ao presidente Donald Trump, no primeiro mandato deste. A campanha eleitoral começou por uma viagem, no início de 2018, à Coreia do Sul, um dos mais avançados bastiões tecnológicos do mundo, seguida, logo após, por uma visita a Taiwan, numa expressa demonstração de recusa da “China comunista” e seus supostos perigos à segurança do Brasil, refletindo as mais alucinantes obsessões da extrema-direita americana. Durante a campanha, o candidato da direita mais reacionária prestou demonstrações seguidas de futuro alinhamento às políticas do presidente Trump (mesmo nos casos opostos ao interesse nacional, como a repressão aos, e a expulsão sumária dos imigrantes ilegais).

No seguimento da vitória, já conectado ao ideólogo-mor do trumpismo, Steve Bannon, o presidente eleito recebeu a visita interessada do então conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, velho falcão da diplomacia americana e um consistente inimigo das posições independentes da diplomacia profissional brasileira, “desalinhada” em relação aos desejos da direita americana desde os tempos da primeira Guerra Fria. Ele tinha vindo “esquentar os motores” de uma aventura prioritária na agenda de Trump: a derrubada do governo chavista da Venezuela, já sob o comando de Nicolas Maduro. Aparentemente, a visita colocou em marcha a primeira incursão da diplomacia bolsonarista em matéria de intervenção externa na política interna de um outro Estado, iniciativa expressamente proibida pela Carta da ONU e pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. O patético chanceler acidental escolhido pelo presidente eleito – sob indicação do guru Olavo de Carvalho –se coordenou com o Secretário de Estado de Trump para montar uma “ofensiva fronteiriça” contra a Venezuela, a partir da Colômbia e do próprio Brasil (em Roraima). Foi um fracasso, obviamente, mas os intervencionistas não se limitaram a isso.

Um episódio ridículo, a todos os títulos, foi o “I love you, Trump”, disparado por Bolsonaro num fugaz e rápido encontro com o seu objeto de amor, no ingresso de um e na saída de outro na tribuna da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2019. Mais grave ainda, antes e depois disso, foi o total alinhamento da política externa, e por definição da diplomacia, com as posturas regressistas, até mesmo reacionárias (do ponto de vista das posições anteriores do Itamaraty), em relação aos temas sociais, ambientais, de gênero, de redução de desigualdades e de promoção e defesa de minorias, todos eles pautados pelas obsessões mais alucinantes da extrema-direita americana. Os foros do multilateralismo – ONU, Unesco, Conselho de Direitos Humanos, COPs, até a OMS, o que produziu milhares de mortes excedentárias, pelo negacionismo vacinal – passaram a ser desprezados e hostilizados, em primeiro lugar esse próprio conceito e mecanismo, recusado liminarmente. O chanceler acidental protagonizou, assim como o próprio presidente, aparições burlescas (ao mesmo tempo tristes, do ponto de vista da diplomacia profissional), chegando a admitir a condição de “país pária”, para o Brasil, no cenário internacional. Não cabe aqui reproduzir os mais bizarros exemplos da diplomacia submissa de Bolsonaro com respeito às posturas de Trump (de 2019 a 2020), que eu já tive a ocasião de repercutir em quatro livros digitais discutindo esse período sombrio da política externa, mas também da diplomacia brasileira.

Continuando na vertente do que “não fazer”, mas na direção oposta, nem seria preciso relembrar aqui a afeição especial que a política externa lulopetista sempre dedicou a regimes de esquerda, mesmo ditaduras execráveis, ou até aquelas deploráveis de direita, quando convenientemente antiamericanas, o que sempre foi uma opção preferencial dos “neobolcheviques” do PT. Votações sensíveis no âmbito do Conselho de Direitos Humanos, normalmente pautadas pela abstenção da diplomacia profissional – para não “politizar a questão”, alegavam os diplomatas –, passaram a receber opções incompatíveis com nossa tradição de respeito aos direitos humanos, mesmo quando relativas às ditaduras mais vistosas, como a Birmânia (Mianmar) dos generais e a Coreia do Norte da dinastia Kim.

China e Rússia assumiram um lugar especial no panteão da “diplomacia ativa e altiva” dos companheiros, especialmente a partir da conformação do Bric (2006-2009), depois promovido a Brics (2011) e a Brics+ (2024-2025). Poucas evidências desse novo alinhamento foram tão vergonhosamente escandalosos de uma mínima decência no plano dos direitos humanos quanto a entrega imediata à ditadura castrista de dois boxeadores cubanos que pediam asilo no Brasil, por ocasião dos Jogos Panamericanos de 2007, remetidos de volta à ilha-prisão graças a um providencial jatinho enviado rapidamente por Chávez com rota direta para Cuba. O próprio chanceler ordenou vetar a avaliação pela OEA do fuzilamento de opositores cubanos, sob a justificativa de que Cuba havia sido excluída da OEA (o que é incorreto; ela tinha sido apenas suspensa)

O lado mais escabroso do ponto de vista da tradição doutrinal brasileira – que vem de Rio Branco, de Rui Barbosa, de Oswaldo Aranha, de San Tiago Dantas, entre outros juristas e diplomatas que construíram os fundamentos da adesão irrestrita da diplomacia brasileira ao Direito Internacional – veio a ser a total indiferença do governo Dilma Rousseff em relação à Carta da ONU quando da invasão e da anexação ilegais da península ucraniana da Crimeia em 2014, dizendo tratar-se de um “problema interno” à Ucrânia. O governo Bolsonaro adotou postura pusilânime quando da invasão total da Ucrânia, em 2022, uma semana depois de ter feito visita não recomendada pelo Itamaraty, afirmando até ser “solidário” à Rússia, postura seguida (e até exacerbada) na gestão Lula 3, a partir de 2023. Em declarações oficiais, tanto no governo Bolsonaro, quanto sob Lula 3, a diplomacia oficial jamais fez qualquer distinção entre o agressor e o agredido, repetindo as mentiras russas a propósito das “preocupações de segurança de ambas as partes”, como elas fossem reciprocamente equivalentes em potencial ofensivo.

Levado em visita à cidade de Bucha, o chanceler recusou-se a admitir os crimes de guerra russos cometidos contra civis, alegando tratar-se “apenas de fotografias”. Lula chegou ao cúmulo de pretender trazer Putin – procurado pelo TPI por crimes contra a humanidade, por sequestro de crianças ucranianas– ao Brasil, mesmo ao preço de fazer o país denunciar o Estatuto de Roma e abandonar o TPI. A conivência da diplomacia petista com as posições russas em relação a uma solução negociada para a guerra de agressão à Ucrânia chegou a ser patética, com Lula recomendando que o país agredido cedesse territórios ao país agressor, como “solução” para “acabar com a guerra”.

Dois precedentes da diplomacia brasileira, numa era até anterior à carta da ONU, oferecem um testemunho sobre outros tempos e outros princípios. O Estado novo, até conhecido por simpatias fascistas, não aceitou a usurpação territorial da Polônia pela Alemanha nazista, em 1939, assim como jamais reconheceu, no ano seguinte, a absorção dos três Estados bálticos, países com os quais tínhamos relações diplomáticas, pela União Soviética (postura mantida até 1961). Ou seja, até a ditadura varguista se mostrou fiel a princípios que seriam consagrados na Carta da ONU, em 1945, e que hoje estão inscritos nas cláusulas de relações internacionais do artigo 4º da CF-1988.

Em síntese, o que não cabe fazer, no próximo governo, seria exibir uma política externa e uma diplomacia comprometedoras de nossa autonomia decisória, ao apoiar qualquer uma das grandes potências em suas infrações ao Direito Internacional, seguir posturas notoriamente contrárias aos valores e princípios de nossas tradições jurídicas ou escusar-se de expressar uma opinião conforme aos fundamentos doutrinais de nossa adesão aos direitos humanos, consagrados solenemente em tratados ratificados pelo Congresso e seguidos judiciosamente pelas nossas altas cortes. Enfim, não é difícil identificar o que NÃO DEVE SER FEITO em matéria de política externa: basta seguir o bom senso e a história pregressa de nossa diplomacia.

Brasília, 5273: 9 abril 2026, 4 p.



sábado, 6 de dezembro de 2025

O multilateralismo vazio da diplomacia brasileira, ou melhor, da política externa - Paulo Roberto de Almeida

Reproduzo uma manchete de jornal: "BRICS é manifestação extremamente importante do multilateralismo", diz Mauro Vieira.
Isto ocorreu em abril de 2025, numa reunião de chanceleres do BRICS, preparatória a reunião de cúpula dois meses de depois, no Rio de Janeiro.
Os chanceleres do BRICS se reuniram novamente em outubro, à margem dos debates na Assembleia Geral da ONU, em NY.
Os chanceleres emitiram, nas duas ocasiões, enormes declarações finais, resumindo tudo o que eles haviam discutido nesses encontros. Pois eles conseguiram, nas duas vezes, falar de tudo e sobre tudo, mas em nenhum momento consta qualquer declaração sobre a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, certamente um veto russo a uma reunião fora do CSNU.
Surpreendentemente, o Brasil acata esses vetos, que vão contra nossos princípios e valores num ambiente multilateral, assim como conseguiu se abster numa resolução do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, uma renúncia vergonhosa de nossas posições tradicionais. Uma nota disse que a abstenção se deveu a que a resolução não era propensa ao diálogo, como se a Rússia fizesse algum diálogo em sua guerra criminosa de agressão.
Brasilia, 6/12/2025

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Mensagem a meus colegas diplomatas, da ativa e aposentados (como eu) - Paulo Roberto de Almeida

 Mensagem a meus colegas diplomatas, da ativa e aposentados (como eu)

        Muitos sabem, talvez os mais jovens não saibam, que eu não tive nenhum cargo na SERE de 2003 a 2016, ou seja, durante toda a duração dos primeiros governos lulopetistas. Fui novamente chamado a exercer um cargo, apenas acadêmico, não executivo, como diretor do IPRI, de agosto de 2016 ao início de 2019, quando o Itamaraty foi literalmente assaltado pela franja lunática dos antiglobalistas. Fui demitido do IPRI, com alívio, pois me sentiria muito mal tendo de servir a um governo e a uma administração na SERE totalmente esquizofrênicos. Como vários sabem, escrevi quatro livros contra o bolsolavismo diplomático – começando por Miséria da Diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (2019) e terminando por O Itamaraty Sequestrado (2022), todos digitais, mas concluindo o ciclo pelo livro impresso Apogeu e Demolição da Política Externa (Appris, 2022), cobrindo 30 anos de diplomacia, nos seus altos e baixos.
        No intervalo, durante o segundo ano do bolsolavismo esquizofrênico, tentei articular um projeto de "resistência clandestina" aos malucos da Casa de Rio Branco e uma espécie de planejamento para o período de reconstrução, após as eleições de 2022. Enviei correspondência bilateral para mais de meia centena de colegas, de meu conhecimento, pedindo sugestões para uma agenda futura de trabalho. Talvez por temor, talvez pela turbulência da pandemia em seu início, recebi poucas sugestões (todas registradas, um dia farei um relato, não nominal), e dei por encerrado o exercício.
        Obviamente que apoiei a luta contra o bolsonarismo delirante, ainda que o resultado não fosse o ideal.
        Pois bem, confirma-se agora que a atual diplomacia do lulopetismo declinante está engajando o Brasil,  acintosamente, abertamente, decididamente numa vertente bastante negativa para todo e qualquer diplomata consciente de nossa doutrina, de nossos valores e princípios, aliás para todo e qualquer cidadão benm informado, aqueles que eu acredito que contemplem com extrema rejeição a aliança do Brasil com duas grandes autocracia e vários outros regimes autoritários numa agenda claramente antiocidental, em busca de uma mal definida "nova ordem global multipolar".
        Todos os que me conhecem, e que acompanham eventualmente o que escrevo (no Diplomatizzando ou em outros canais), sabem exatamente o que eu acho desse projeto míope, desviante, prejudicial ao Brasil e ao seu conceito diplomático.
Esta nota serve apenas como denúncia de uma deriva deformadora das melhores tradições do Itamaraty e de sua diplomacia profissional.
Creio que as últimas manifestações do chefe de Estado e da diplomacia já provaram que há uma ruptura clara com nossa postura independente e autônoma em relação aos conflitos interimperiais e quaisquer enfrentamentos entre grandes potências (o que talvez nem seja mais o caso, dada a clara aderência do outrora "farol da democracia" ao neoczarismo expansionista).
        Lamento por meus colegas diplomatas, lamento pelo Brasil, lamento pela quebra das diretivas que sempre guiaram nossa política externa no caminho da independência em relação aos enfrentamentos geopolíticos, que não têm absolutamente nada a ver com nossos interesses nacionais.
        Estarei atento aos desenvolvimentos nessa área.
        Com pesar, mas com confiança, um abraço a todos os meus colegas diplomatas.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7 de junho de 2025

sábado, 28 de junho de 2025

A diplomacia brasileira, historicamente e em 2011 - Paulo Roberto de Almeida

 De vez em quando a internet me traz um texto próprio, do qual eu já me havia esquecido. Talvez sirva para alguma coisa:

As grandes linhas da política externa brasileira

 

Paulo Roberto de Almeida *

Publicado, sob o título “Trajetória Coerente”, no suplemento Pensar Brasil”, caderno especial “De Igual para Igual”, do jornal Estado de Minas (Belo Horizonte, Sábado, 9 de abril de 2011, p. 17-19).

Blog Diplomatizzando (05/06/2011; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/06/grandes-etapas-da-diplomacia-brasileira.html).

 

A diplomacia brasileira seguiu, ao longo do último meio século, uma trajetória relativamente uniforme e coerente, embora marcada por alguns desvios momentâneos e por orientações políticas contrastantes,segundo as conjunturas políticas e os grandes alinhamentos observados em cada uma das grandes etapas do cenário internacional. Com algumas poucas exceções – possivelmente no imediato seguimento do golpe militar de 1964 e agora, recentemente, durante o governo Lula – ela seguiu invariavelmente algumas orientações básicasainda que animadas por preocupações diversas, todas elas comprometidas com o desenvolvimento nacional, a defesa da soberania e o comprometimento com o direito internacional, consubstanciado na Carta da ONU e em alguns outros instrumentos básicos das relações internacionais. 

A política externa foi, pode-se dizer com total segurança, persistentemente “desenvolvimentista”. Aexemplo da tendência dominante na política econômica, ela esteve engajada no processo de industrialização brasileira, embora atuando bem mais na política comercial (na qual o Itamaraty sempre conservou o “monopólio” negociador) do que na política industrial, onde ele foi ator coadjuvante. Essa foi a linha básica da diplomacia econômica brasileira desde a era Vargas até a atualidade: fazer com que as negociações comerciais externas –multilaterais ou regionais – não dificultassem o processo de industrialização, consumado com base em velhas receitas de substituição de importações e em forte protecionismo tarifário (que o Itamaraty se encarregou de defender junto ao Gatt, ao longo dos anos).

A outra grande vertente de atuação da diplomacia econômica consistiu na sustentação das dificuldades cambiais e de balanço de pagamentos, o que exigia do Itamaraty um bom trabalho junto aos principais credores, todos eles situados na América do Norte e na Europa ocidental. Empréstimos externos e atração de investimentos estrangeiros foram os dois elementos básicos nessa frente e pode-se dizer que o desempenho foi relativamente satisfatório, a despeito de crises desafiadoras no último terço do século XX (petróleo, dívida externa, crises financeiras nos mercados emergentes nos anos 1990). Mas esse tipo de negociação financeira estava mais bem afeta aos responsáveis econômicos e monetários do que aos funcionários do Itamaraty, que ainda assim ofereciam todo apoio nesse tipo de missão, quando não assumiram eles mesmos a responsabilidade pela condução do processo.

Outra área, entretanto, teve a colaboração crucial dos diplomatas para que ela pudesse se desenvolver, pelo menos até certo ponto: a capacitação do Brasil em matéria de enriquecimento nuclear e de domínio das tecnologias industriais ligadas à indústria nuclear para fins civis (energia), o que foi materializado no célebre acordo nuclear Brasil-Alemanha, de 1975 (depois descontinuado, a partir da crise dos anos 1980 e também por causa de fortes pressões contrárias dos Estados Unidos). Ocorreu, nesse setor, durante o governo militar, notável cooperação entre os militares e os diplomatas, inclusive porque ambas as corporações recusavam a adesão do Brasil ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (oferecido em 1968 à comunidade internacional pelas três potências nucleares signatárias, EUA, Reino Unido e União Soviética). Foi o momento de maior independência brasileira em relação aos EUA, depois de algumas décadas de alinhamento, no geral, coincidente com os grandes objetivos da maior potência ocidental, durante os anos da Guerra Fria. 

De fato, o Brasil exibiu uma política externa razoavelmente alinhada com os EUA desde antes da Segunda Guerra Mundial, a começar pela renegociação das dívidas contraídas nos anos de entre-guerras e pela própria participação brasileira no conflito, a partir da qual os dirigentes diplomáticos e os líderes políticos brasileiros esperavam uma retribuição à altura, em especial a inclusão do País no seleto clube de grandes potências, experiência logo frustrada pela intransigência do Reino Unido e da União Soviética. Ainda assim, os anos do pós-guerra foram de colaboração e de quase pleno entendimento político, com a compreensão dos militares brasileiros e da grande maioria dos diplomatas em relação às prioridades e à grande estratégia dos EUA na era da Guerra Fria: a contenção da União Soviética e a luta contra a penetração e a influência comunistas em diversos países da periferia ou da própria Europa ocidental. 

Os únicos pontos de desacordo se situavam justamente na cooperação econômica, com o Brasil e a maioria dos latino-americanos pedindo uma extensão ao continente da generosa ajuda para recuperação e reconstrução que os americanos prestavam à Europa no quadro do Plano Marshall. Os EUA nunca consentiram nessa extensão, inclusive porque consideravam, não sem razão, que os problemas da América Latina não eram exatamente de reconstrução, e sim de desenvolvimento, para o que recomendavam não ajuda estatal, mas reformas econômicas e abertura aos investimentos estrangeiros. A questão do financiamento ao desenvolvimento latino-americano foi resolvida mais adiante, com a criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, apenas depois de intensa pressão brasileira, notadamente através da Operação Pan-Americana, proposta pelo presidente Juscelino Kubitschek: tratou-se da primeira grande iniciativa brasileira em termos de liderança regional e de diplomacia multilateral, mesmo se limitada ao hemisférioamericano.

Ainda assim, ela serviu para formar os diplomatas brasileiros nos novos temas da diplomacia do desenvolvimento e do multilateralismo econômico, bem como nos seus procedimentos específicos (em relação, por exemplo, à velha escolha da diplomacia bilateral, de caráter essencialmente político), o que iria ser extremamente útil nas negociações do Gatt, com a nascente Comunidade Econômica Europeia e nos novos acordos em torno dos produtos de base (café, cacau, açúcar, etc.). O Brasil tornou-se um dos principais promotores do movimento em favor da reforma do Gatt desde o final dos anos 1950, num sentido de não-reciprocidade e de concessões sem contrapartida, assim como participou ativamente do processo que conduziu à criação da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), tornando-se um dos líderesdo grupo dos países em desenvolvimento (que veio a ficar conhecido como G77, do número de membros no momento de sua criação, em 1964).

O ponto alto dessa fase foi, evidentemente, a chamada “política externa independente”, quando o Brasil se liberta do estrito alinhamento aos cânones da Guerra Fria e passa a buscar oportunidades comerciais e de relacionamento político com os países socialistas e com as nações periféricas de modo geral. Entre os grandes temas debatidos nessa época esteve o de Cuba, cujo regime socialista foi considerado pela OEA como “incompatível com o sistema interamericano”, tese americana a que o Brasil se opôs por não haver, na Carta da OEA, nenhum caracterização quanto a regimes políticos. O Brasil, em todo caso, se absteve, quando a decisão foi votada, apoiado em argumentos essencialmente jurídicos esgrimidos pelo chanceler Santiago Dantas.

Ocorreu, então, a primeira ruptura, embora relativamente breve, nas linhas tradicionais da política externa brasileira, quando os militares, talvez para “agradecer” aos EUA a ajuda preventiva dada durante o golpe, concordam em sustentar a postura americana na região, participando da invasão da República Dominicana, contra uma revolução democrática em 1965. Foi, porém, um breve interlúdio, já que a partir de 1967, a diplomacia retomou sua postura desenvolvimentista e pela autonomia tecnológica (já dando início a um programa nuclear independente, que sofreria as referidas sanções americanas). Pelo resto do regime militar e também durante a fase de redemocratização, a diplomacia brasileira atuou com plena independência e profissionalismoassumindo uma postura moderadamente terceiro-mundista e, certamente, desenvolvimentista. Conflitos pontuais se manifestam nas relações com os EUA, tanto no plano bilateral – fricções comerciais, política nuclear, justamente – como no plano multilateral – resoluções da ONU e temas da agenda do desenvolvimento nos quais os EUA geralmente se singularizavam pela postura oposicionista. 

Desde essa época, e praticamente até hoje, a diplomacia brasileira vem construindo seu espaço próprio nos contextos regional e internacional, estimulando parcerias seletivas com alguns grandes países em desenvolvimento – em especial com a Índia, com a qual havia uma grande interface negociadora em temas comerciais – e colocando as bases de um grande espaço de integração econômica na América do Sul, primeiro via Alalc e Aladi, depois via Mercosul e outros esquemas sub-regionais. Ao promover a integração regional, a diplomacia brasileira sempre foi extremamente cautelosa em não proclamar qualquer veleidade de liderança brasileira no continente, muito facilmente confundida com pretensões hegemônicas e, portanto, recusada peremptoriamente pela maior parte dos vizinhos (com a possível exceção dos menores, interessados em algum tipo de barganha preferencial). Essa postura cuidadosa foi no entanto descurada pelo governo Lula, gerando resistências e contrariedades nos vizinhos mais importantes, que inclusive se mobilizaram contrariamente a um dos  objetivos de alguns governos brasileiros: a conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. 

O governo Lula, justamente, representou uma ruptura nos antigos padrões profissionais da diplomacia, introduzindo uma agenda partidária e ideológica que redundou, em diversos casos, em um infeliz alinhamento com ditaduras e violadores dos direitos humanos em diversos continentes, numa demonstração de anti-americanismo infantil e, em última instância, prejudicial à credibilidade da política externa brasileira. Felizmente, o novo governo Dilma restabeleceu padrões de comportamento e de votação nos foros multilaterais bem mais conformes à tradição diplomática brasileira, condizentes inclusive com princípios constitucionais sobre valores democráticos e a defesa dos direitos humanos e com o espírito verdadeiro da Carta da ONU. 

 

* Diplomata de carreira e professor universitário; autor de diversos livros de relações internacionais (www.pralmeida.org).

ChamadaDiplomacia brasileira sempre se caracterizou pelo profissionalismo e por uma diplomacia de caráter nacional; regime militar e governo Lula representaram exceções nessa linha cautelosa e guiada por interesses nacionais, não partidários. 

 

[2554; Brasília, 11 de março de 2011; rev. 12/03/2011]



terça-feira, 24 de junho de 2025

Ex-embaixador Ricupero aponta incoerência da diplomacia brasileira sobre Irã e Ucrânia (VEJA+)

Ex-embaixador Ricupero aponta incoerência da diplomacia brasileira sobre Irã e Ucrânia

VEJA+, 24 de jun. de 2025
https://www.youtube.com/watch?v=BaTowtrvAUI

Na nova edição do Ponto de Vista, o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Ricupero, comenta a reação do governo brasileiro ao ataque israelense contra instalações nucleares do Irã. Em conversa com Robson Bonin e Marcela Rahal, o diplomata avalia a nota divulgada pelo Itamaraty, que condenou “com veemência” a ação de Israel.


“Do ponto de vista formal, a nota está correta. O ataque é ilegal e não foi autorizado pela ONU. Mas é curioso: a nota do Brasil foi mais dura do que a da China”, afirma Ricupero.

O embaixador também destaca o contraste da posição brasileira em relação à guerra na Ucrânia. “Lá, o governo evita condenar a Rússia. Isso gera uma percepção de incoerência”, diz.

Ricupero analisa ainda o contexto regional e internacional envolvendo o Irã: “Nenhum país deseja que o Irã adquira armas nucleares. Por isso, há até certo alívio mundial com o prejuízo ao programa nuclear iraniano.”

Assista à análise completa sobre a guerra no Oriente Médio, os bastidores da diplomacia internacional e os impactos da política externa brasileira neste cenário delicado.

terça-feira, 15 de abril de 2025

O Brasil no contexto de um novo cenário internacional: incertezas e opções: palestra-debate na UnB - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente ensaio, desta vez preparado para uma exposição-debate com estudantes de pós-graduação na UnB: 

4889. “O Brasil no contexto de um novo cenário internacional: incertezas e opções”, Brasília, 8 abril 2025, 26 p. Ensaio preparado com base nos trabalhos 4700 e 4738, para apoiar exposição oral em conferência para alunos de pós-graduação do prof. André Nunes, da UnB, dia 16/04, das 19:00 às 21:00. Encaminhado previamente para subsidiar a preparação da audiência. Disponibilizado em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/128816488/4889_O_Brasil_no_contexto_de_um_novo_cenario_internacional_incertezas_e_opcoes_2025_).




Aqui o sumário: 


O Brasil no contexto de um novo cenário internacional: incertezas e opções

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Ensaio para apoiar exposição oral em conferência para alunos de pós-graduação do prof. André Nunes, da UnB, dia 16/04, das 19:00 às 21:00.

  

Sumário: 

1. A Grande Transformação Revertida: Mister Trump entra em cena

2. O Brasil e a alternância de fases na política internacional do século XX ao XXI

3. O que foi a primeira Guerra Fria e como o Brasil se inseriu no contexto bipolar

4. Mudanças na geopolítica e na geoeconomia mundial desde o início do milênio

5. A segunda Guerra Fria, de caráter econômico-tecnológico, tendente à geopolítica

6. A Rússia retrocede o mundo a um cenário típico da primeira metade do século XX

7. Desafios à ordem global ocidental sob Trump 2 e implicações para o Brasil

8. Brasil, Brics, Sul Global e nova ordem global multipolar: escolhas feitas?

9. O desmantelamento político e econômico dos sistemas multilaterais: qual futuro?


Ler a íntegra neste link: 

https://www.academia.edu/128816488/4889_O_Brasil_no_contexto_de_um_novo_cenario_internacional_incertezas_e_opcoes_2025_


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