Vitelio Brustolin:
Canal YouTube do CEBC
https://www.youtube.com/watch?v=hNUi0LZfWKQ
Transmitido ao vivo em 16 de abr. de 2025 #economia #brasil #china No quarto e último episódio da série de webinares “China: a Economia que Redefiniu o Mundo”, o Pesquisador da Harvard University e Professor da Universidade Federal Fluminense, Vitelio Brustolin, analisou as transformações em curso na geopolítica global e os impactos diretos da ascensão chinesa para o Brasil e o mundo.
Brustolin abordou temas como a rivalidade sino-americana, os novos rearranjos produtivos e as disputas tecnológicas, com destaque para as consequências dessas dinâmicas nas estratégias de inserção internacional da China — e seus reflexos na política externa, segurança e economia brasileiras.
O evento contou com a abertura do Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e moderação de Tulio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho.
A palestra também está disponível na página do CEBC no YouTube: https://www.youtube.com/live/hNUi0LZfWKQ?si=wO3KoShLn66yc0NZ
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Palestra postada no Instagram:
https://www.instagram.com/p/DItFkIVtoLn/?igsh=MTAweGg0NWE4c2tyYQ==
Comentário Paulo Roberto de Almeida (26/04/2025):
A palestra, amplamente ilustrada e iluminada por um conjunto de mapas representativos das mudanças tectônicas e geoestratégica da evolução geopolítica do mundo desde o século XIX ao XXI, com base nas três grandes propostas teóricas sobre a dominação hegemônica sobre oceanos e territórios por parte dos impérios que se sucederam no período, evidenciou realidades concretas de como o poder espacial (econômico e militar) foi sendo alterado ao longo do período, até chegarmos à preeminência dos EUA sobre aliados e inimigos nos últimos 80 anos. Foram fatores estruturais e decisões políticas que construiram a ordem mundial que agora está sendo alterada, tanto pela ascensão econômica, tecnológica e militar da China, quanto por decisões infantis e contraditórias de um presidente despreparado (e desequilibrado) que se crê um imperador, aliás submisso a um outro império, mas apenas militar — czarista, soviético e putinesco — que aspirou, no período anterior, a desafiar o Hegemon ocidental (agora desprovido de uma liderança coerente com seus próprios interesses geopolíticos. Estamos numa etapa de reacomodação de forças, na qual a China é o único império que atua de forma convergente a seu interesses de longo prazo.
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EUA desembarcaram de estratégia geopolítica praticada há 80 anos
Pesquisador de Harvard faz histórico da estratégica geopolítica dos EUA e fala da crise de credibilidade, que afeta também o dólar.
Por Andrea Penna
Monitor Mercantil, 19-20 abril 2025
https://monitormercantil.com.br/eua-desembarcaram-de-estrategia-geopolitica-praticada-ha-80-anos/
Pesquisador de Harvard e professor da UFF, Vitelio Brustolin destaca que, durante toda a Guerra Fria, a estratégia geopolítica dos Estados Unidos foi a implantação de bases militares, armas nucleares, submarinos nucleares etc.
Brustolin mostrou que, com esta estratégia, os EUA convenceram vários países, como Japão e Coreia, e toda a Europa a não investir em segurança, durante 80 anos, tornando-se a “polícia do mundo”, dominando GPSs, armas atômicas. Assim, “impôs o seu poder militar e também impôs alianças por meio deste poder militar. “É dessa geopolítica que os EUA estão desembarcando”, resumiu o professor.
Brustolin fez um histórico sobre o conceito. Ele contou que Nicholas Spykman, em 1942, reuniu definições de outros autores para mostrar que o mais importante é o domínio da região costeira da Heartland (Eurásia), e que se for possível controlar desde o norte da Europa ocidental, passando para o norte da África, o Oriente Médio, Índia, China e Japão, incluindo Kopenhagen e o Bósforo da Turquia, a Eurásia fica contida e não pode se expandir.
Ele sustenta que estes conceitos da geopolítica usados até então pelos EUA ainda são referências hoje e como se posicionam da Rússia e China. Ele exemplificou as iniciativas chinesas, como a Rota da Seda, a expansão no Mar do Sul da China, uma ilha aterrada, a competição tecnológica dentre outras.
Brustolin analisou as novas políticas de Trump e conclui que os Estados Unidos perderam a confiança mundial, “existe uma crise de credibilidade geopolítica que afeta o dólar também, aspecto que o Trump não queria”.
Sobre os impactos sobre o Brasil, Brustolin mostra que desde a primeira gestão de Trump, o Brasil aumentou em mais de 70% a exportação de soja, mas também aumentou exportação de minérios, aço, carne e outros. Para ele, isso “aumenta a vulnerabilidade do Brasil diante de flutuações chinesas e preços das commodities diante das demandas, mas tem também aspectos cono os investimentos chineses no Brasil em portos, setor elétrico, óleo e gás, manufaturas e infraestruturas em geral”.
Brustolin abordou o tema “A Nova Geopolítica da China e seus Reflexos no Brasil e no Mundo”, em webinário promovido pelo Centro Empresarial Brasil-China, analisando como as mudanças no cenário internacional – como a rivalidade sino-americana, os rearranjos produtivos e as disputas tecnológicas – afetam diretamente a política externa e a economia brasileira.
Ascensão da China muda estratégia geopolítica
Para o CEBC, “a ascensão internacional da China e suas novas estratégias de inserção global têm redesenhado as estruturas da ordem mundial – e seus impactos já são sentidos no Brasil e em toda a América Latina, e as mudanças no cenário internacional – como a rivalidade sino-americana, os rearranjos produtivos e as disputas tecnológicas – afetam diretamente a política externa e a economia brasileira”.
Este foi o quarto e último episódio da série de webinários “China: a Economia que Redefiniu o Mundo”, promovida pelo CEBC. O evento contou com abertura do embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do CEBC, e moderação de Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho.
Para o embaixador, “vivemos tempos de transformações profundas e aceleradas no mundo. A ordem global que emergiu pós Segunda Guerra Mundial está sendo desafiada por novas dinâmicas de poder. A China se tornou uma grande potência, e isso é o aspecto mais importante que indica que estamos em transição acelerada de ordem das relações internacionais. As novas transformações estão sendo desafiadas por novas dinâmicas de poder, em particular, a rivalidade entre a China e os Estados Unidos, sobretudo após a posse do presidente Donald Trump”.
“É impossível falar nos fóruns multilaterais, como G20 e Brics, sem a presença chinesa. Para o Brasil é fundamental entender toda esta nova dinâmica geopolítica, pois a China é nosso interlocutor imprescindível e, hoje, nosso principal parceiro comercial, além de ser um dos principais investidores no país. É por isso, os desdobramentos da competição sino-americana exigem também que sejamos atentos às oportunidades e desafios que esta nova ordem internacional apresenta, que ainda não estão totalmente definidos”, disse Castro Neves.
Para Cariello, “é exatamente a disputa estratégica entre EUA e China o que vai definir as relações internacionais neste século. E como os EUA e a China são os principais parceiros do Brasil, é impossível se esquivar da necessidade de entender qual a melhor maneira de termos a inserção no cenário”.
O evento pode ser acessado no canal do CEBC no YouTube, assim como os debates anteriores.
Por Andrea Penna, especial para o Monitor