CEUTA
Ceuta tem uma história movimentada. Foi fundada pelos fenícios, tornou-se cartaginesa, depois romana, depois visigoda, depois bizantina, depois islâmica, depois portuguesa e finalmente espanhola.
Seu nome latino, Septa Fratem, sete irmãos, refere-se às sete colinas que a circundam. O nome Septa, pelo qual era conhecida, se transformou em Ceuta.
Ela desempenhou um papel importante na islamização da península ibérica (olha o precedente histórico aí!). Consta que o conde de Ceuta, por causa de uma treta com o rei visigodo de Toledo, facilitou a invasão da península ibérica pelas tropas muçulmanas de Tarik ibn’ Zyiad em 711. É desse general que o estreito recebe o nome: montanha de Tarik, que em árabe aliterado deu Gibraltar.
Com a conquista muçulmana do reino visigodo, Ceuta tornou-se muçulmana e assim permaneceu até 1418, quando foi tomada pelos portugueses sob D. João I.
O evento é descrito por Camões n’Os Lusíadas, canto IV, onde a cidade é chamada de Ceita:
“Não ter amigo já a quem faça dano;
E assim não tendo a quem vencer na terra,
Vai cometer as ondas do Oceano.
Este é o primeiro Rei que se desterra
Da Pátria, por fazer que o Africano
Conheça, pelas armas, quanto excede
A lei de Cristo à lei de Mafamede.”
“Eis mil nadantes aves pelo argento
Da furiosa Tétis inquieta
Abrindo as pandas asas vão ao vento,
Para onde Alcides pôs a extrema meta.
O monte Abila e o nobre fundamento
De Ceita toma, e o torpe Mahometa
Deita fora, e segura toda Espanha
Da Juliana, má, e desleal manha.”
Foi o ponta-pé inicial da aventura colonial portuguesa.
Com a anexação de Portugal pela Espanha na União Ibérica em 1580, Ceuta se tornou, finalmente, espanhola. Com o fim da União em 1640, Ceuta decidiu continuar espanhola, o que é até hoje.
Os marroquinos tentaram tomá-la, inutilmente, depois de um cerco que durou 33 anos, de 1694 a 1727.
Ironicamente, em 2026, quase conseguiram fazê-lo em um dia.
(Texto de Jairo José da Silva)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Mostrando postagens com marcador Jairo José da Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jairo José da Silva. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 18 de agosto de 2026
CEUTA - Jairo José da Silva
Labels:
Camões,
CEUTA,
Jairo José da Silva
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
PORQUE NÃO VOTAR EM FLÁVIO - Artigo da revista Fórum
PORQUE NÃO VOTAR EM FLÁVIO Artigo da revista Fórum, copiado por Walmyr Buzatto . ************************** Em 2007, Flávio Bolsonaro subi...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
O livro está pronto; só falta imprimir: HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO BRASIL: DOS DESCOBRIMENTOS AO FINAL D...
-
Brasil dá as costas ao futuro Editorial da The Economist (25/09/2026) Nota preliminar PRA: Não concordo inteiramente com este editorial ...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
As ciências humanas na defesa da democracia brasileira Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor Alocução no en...
-
Le Brésil, d’un siècle à un autre : Histoire, développement économique, relations internationales Paulo Roberto de Almeida Proje...
-
Maurício David interrompe as postagens sérias para nos apresentar uma graça de poema de Manuel Bandeira Poema Pneumotorax de Manuel Bandei...
-
Institute for the Study of War on Russia’s behavior towards Ukrsine, Europe and NATO Introduction Russia is operating within a war framewor...
-
A China na conferência da paz de Haia 2, 1907 This Week in China’s History: Qing Diplomats Chafe over China’s Relegation to “Third-Class Sta...
-
Artigo iluminado de Marco Aurélio Nogueira para a revista Será?, com a qual colaboro: " E agora, para onde iremos? Marco Aurélio Noguei...