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domingo, 25 de janeiro de 2026

O Brasil e o mundo em poucos parágrafos - Paulo Roberto de Almeida

O Brasil e o mundo em poucos parágrafos


        O Brasil nasceu na emergência da Europa, com seus navegadores e conquistadores, que dominaram o mundo nos quatro séculos seguintes. A Ásia e o Império do Meio estavam até então na vanguarda do mundo, com os chineses, que haviam inventado tudo, e o resto da Ásia Pacífico e o Índico, que tinham o que era o petróleo daquela época: as especiarias, que os europeus iam buscar, para tornar menos horrível a alimentação rústica que eles tinham até então. Importaram tudo: especiarias, chá, açúcar e café (o cacau, o tomate, o peru, vieram das Américas, que os europeus também conquistaram na mesma época).
        Os europeus, mesmo conquistando o mundo, separadamente, continuaram a se guerrear reciprocamente durante séculos, enquanto o Império do Meio entrava em decadência por causa de um imperador idiota que mandou fechar tudo, e com isso o brilhante e avançado Império do Meio perdeu tudo: falhou na primeira e na segunda revoluções industriais, na terceira estava sob a dominação despótica e demencial do maoísmo delirante, e só conseguiu entrar atrasado na quarta por causa do reformador Deng Xiaoping. O Brasil ficou na modorra colonial até o século XX, produzindo só commodities, fez o seu capitalismo tardio, mas de forma insuficiente, e não conseguiu acompanhar a modernidade capitalista porque não educou o seu povo, como fez o Japão na Revolução Meiji, e passou a ser dominante na Ásia.
        Os europeus continuaram, mesmo com toda a integração realizada depois de duas destrutivas guerras mundiais (que começaram primeiro entre eles), mas continuam a ser, ainda e pelas próximas décadas, um mosaico de povos e de culturas. Suas guerras catastróficas os diminuíram política e militarmente, e os dois grandalhões previstos por Tocqueville acabaram dominando o mundo durante 40 anos no pós-segunda guerra.

        Agora, o Império do Meio está renascendo das cinzas, e os dois grandalhões militares estão decaindo rapidamente por razões próprias a cada um, e o Império do Meio retoma sua grandiosidade. Os chineses inventaram tudo antes da decadência: eram os europeus que vinham sequiosos para copiar as novidades: papel, bússola, pólvora, e até educação, mas depois naufragaram por causa daquele imperador idiota: foram humilhados durante um século e meio pelos imperialistas ocidentais e depois invadidos e estuprados pelos militaristas japoneses expansionistas.
        Os europeus, entre o Renascimento e a primeira revolução também inventaram tudo, inclusive a modernidade liberal democrática, os direitos humanos, mas também naufragaram em suas guerras e foram superados pelos americanos. O Brasil seguiu, dentro do possível, os europeus e depois os americanos, mas não fez o dever de casa de educar a sua população, e por isso continuou atrasado.
        Atualmente, qual é o panorama? Os dois grandalhões do pós-segunda guerra seguem no auto suicídio. O Brasil segue sem saber o que fazer: antes seguia os americanos, agora tem vontade de seguir a China, duas coisas impossíveis de serem repetidas, pois não fizemos ainda o dever de casa.
        Vamos ver, então, o que faz o Império do Meio renascido.
        É o caso de apostar nele, ou voltar a fazer o dever de casa?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 25 janeiro 2026.

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