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sábado, 25 de abril de 2026

Dez anos do impeachment de Dilma - Rogerio Werneck (O Estado de S. Paulo)

 Essa mulher continua viva e exilada no Banco dos BRICS. Imagino o quanto custa ao país mantê-la nessa situação, e por quanto tempo… Walmyr Buzatto

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Dilma, dez anos depois

Rogério Werneck

O Estado de S. Paulo24 de abr. de 2026

Uma década após o impeachment, o desastroso mandato e meio de Dilma Rousseff continua a ser um trauma mal resolvido a assombrar o PT. Aferrados ao negacionismo, o presidente Lula e seu partido jamais conseguiram desenvolver uma narrativa apresentável do que ocorreu entre 2011 e 2016. Para efeito externo, Lula continua a se comportar como se o governo Dilma jamais tivesse existido. Um período a ser desconsiderado e, de preferência, jamais mencionado.

Ao mesmo tempo, com a sutileza que a preservação de seu autoengano exige, Lula sempre fez o possível para se dissociar do calamitoso desempenho de Dilma Rousseff. Mas a verdade é que tal dissociação nunca lhe foi fácil. Por pelo menos duas razões.

De um lado, é mais do que sabido que foi de Lula, e só dele, a ideia de alçar Dilma Rousseff à Presidência da República. Um desatino que, em face de tenaz resistência do PT, teve de ser enfiado goela abaixo do partido.

De outro, é preciso ter em conta que Dilma não governou sozinha. Nem errou sozinha. Sua administração foi tripulada de ponta a ponta pelo PT, inclusive com a preservação quase integral da equipe econômica de Lula. Não há como negar que, entre 2011 e 2016, o País foi governado pelo partido.

Como é esse mesmo PT que, desde 2023, voltou a tripular os cargos mais importantes do governo, e voltará a tripulá-los num possível Lula 4, é natural que haja grande apreensão com os nomes que poderão ser escalados e as ideias que acabarão prevalecendo.

O mais grave é que, diante da extensão do comprometimento do PT com o que ocorreu no governo Dilma, o que acabou se impondo foi a aposta no pacto de manter o partido coeso, com olhos fechados para erros e excessos cometidos, em amnésia coletiva, sem recriminações e autocríticas.

Assombrado pelo passado, Lula viu seu terceiro mandato como uma oportunidade para insistir em políticas caras ao PT, certo de que isso o redimiria das pechas que lhe foram imputadas na esteira da devastação deixada por sua sucessora. Deixou-se levar pela ilusão de que, ao insistir nas mesmas ideias, poderia convencer a si mesmo e ao País de que, no fundo, não havia nada de errado com elas.

Deu no que deu. Não é por acaso que o grau de descontrole fiscal que agora se vê no Lula 3 já se assemelha ao que se viu no governo Dilma. Se, desta vez, as consequências não chegaram a ser tão dramáticas, foi porque Lula agora defrontouse com um Banco Central autônomo, que já não lhe deixou mais espaço para ser tão vastamente irresponsável como Dilma Rousseff. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Eleicoes 2014: candidata governista continua mentindo fraudulentamente

Enfim, como é do espírito salafrário dos companheiros. O que esperar de gente assim? Nada. Só merecem um chute no traseiro.
Paulo Roberto de Almeida

Dilma e o Banco Central

Rogerio Werneck
O Globo, 14/09/2014
Marina Silva defende a independência formal do Banco Central. Já Aécio Neves acha que não é preciso ir tão longe. Que a simples restauração da independência de facto, assegurada ao Banco Central nos governos FH e Lula, já seria um grande avanço em relação à situação atual. E Dilma Rousseff? O que tem a dizer sobre essa questão?
A posição de Dilma foi explicitada no programa eleitoral do PT da noite de sábado, 6 de setembro: “Em suas propostas, Marina chega a dar passos mais atrás do que os tucanos. Defende a autonomia legal do Banco Central ...”, criticou Dilma.
A argumentação que supostamente daria respaldo a tal crítica foi deixada a cargo de dois jovens, que se alternavam, em jogral: “Tornar o Banco Central independente é tirar do presidente da República e do Congresso, eleitos pelo povo, as decisões sobre a política econômica do país, para entregá-las aos bancos. Ou seja, os banqueiros e seus técnicos passam a decidir sobre juros, preços, salários, câmbio, política externa e orçamento.”
No programa do PT de terça-feira, dia 9, a questão voltou a ser abordada. Depois de ter dedicado mais da metade do tempo ao inarredável compromisso de Dilma com o combate à corrupção, o programa tentou relacionar a proposta de Banco Central independente à corrupção. “O que mais dói na corrupção é saber que o dinheiro público que deveria ser usado para o bem de todos vai para o bolso de alguns poucos aproveitadores. Mas também devemos estar atentos a outras formas mais sutis de desvio da riqueza da nação para o bolso de uns poucos privilegiados. É o que acontece com certas decisões econômicas erradas. Por exemplo, dar autonomia jurídica ao Banco Central é privilegiar o interesse de poucos em prejuízo dos que mais precisam.”
Para perceber quão estapafúrdios são tais argumentos, o leitor deve ter em mente que países tão respeitáveis como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul, Israel e Chile asseguram todos autonomia legal aos seus bancos centrais. E que o Banco Central Europeu também opera nessas mesmas bases
Passaria pela cabeça de qualquer pessoa razoável que o eleitorado desses países poderia ter concordado com a concessão de autonomia legal do Banco Central, se isso significasse “entregar aos bancos” as decisões sobre “juros, câmbio, salários, política externa e orçamento”?
É inacreditável que, numa discussão tão importante como a que envolve o grau de autonomia que deve ser atribuído ao Banco Central, a presidente Dilma se tenha permitido subscrever argumento de tão baixo nível. Brandindo essa empulhação eleitoreira na televisão, a candidata pode até soar convincente entre eleitores menos informados, mas queima de vez qualquer possibilidade de ser levada a sério em questões relacionadas à condução da política econômica.
Se quisesse, Dilma poderia recorrer a argumentos perfeitamente razoáveis contra a independência formal do Banco Central e a favor de uma independência de facto, tácita, como a que foi concedida à instituição nos governos de seus dois predecessores. Mas tudo indica que a presidente já não tem qualquer preocupação com sequer manter as aparências na discussão dos rumos da política econômica. Em desesperada tentativa de se reeleger, rasgou completamente a fantasia. Já não vê qualquer problema em recorrer a uma argumentação tão despropositada, primitiva e populista como essa no horário nobre da propaganda eleitoral.
Não há como alimentar ilusões. O que se configura, de forma cada vez mais clara, é uma lamentável involução. Há 12 anos, na campanha presidencial de 2002, o país não pôde conter seu assombro quando, em súbita e espetacular metamorfose, o PT se desfez de seu velho discurso econômico e se dispôs a adotar uma política macroeconômica sensata, na linha que sempre criticara. Tudo indica que, com Dilma, o prazo de validade dessa mágica conversão do PT venceu. O filme está sendo rodado ao contrário. A borboleta está voltando ao casulo. E o PT, ao seu velho discurso. Só não vê quem não quer.
Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

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