terça-feira, 19 de janeiro de 2010

1717) Um vento caro demais: de volta ao assunto dos Rafales

Vento, em qualquer lugar, sai de graça. Sim, às vezes, quando é forte demais, dá prejuizo. Mas, mesmo um país pobre, uma ilha deserta digamos, que não tenha quase nada, só vento, pode, teoricamente, mandar engarrafar o vento e conseguir alguma economia com isso. Refiro-me, obviamente, à energia eólica, que sempre é uma alternativa a países pobres, mas tão pobres (como o Haiti, por exemplo), que só dispõem de vento para"engarrafar".
Mas essa história de vento volta ao notíciário com a matéria abaixo em torno da compra dos aviões de combate para a Aeronáutica.
Parece que pagaremos pelo vento muito mais caro do que pagariam os indianos, caso se decidissem pelo Rafale, o que eles não fizeram. Descartaram o Rafale como a pior solução entre sete possibilidades "ventosas"...

A NEGOCIATA COM OS RAFALES: EIS O GRANDE ESCÂNDALO
do Reinaldo Azevedo, 19.01.2010 - 16:28

Não fosse essa espécie de abdução coletiva a que estamos todos submetidos, com “O Cara” deitando e rolando sobre as instituições — e a moralidade pública — , o caso dos caças Rafale seria tratado como aquilo que é: UM ESCÂNDALO, talvez o maior do governo Lula. Não é assim porque eu quero. É assim porque é. A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.

Como vocês sabem, o Rafale é o caça que Lula decidiu comprar ao arrepio da recomendação da Aeronáutica, que é quem entende da área no Brasil. Lula, o Homem com o Isopor na Cabeça, é especialista em outros assuntos. Muitos indagarão: “Mas o escândalo está em ter a Força Aérea da Índia rejeitado o Rafale, que Lula quer comprar?” Não! Já contei onde está. É que a abdução em curso está nos impedindo de ver as coisas com a rapidez necessária. Já chego lá. Antes, algumas outras considerações. Ah, sim: depois de ler este post, você pode obter mais detalhes na concorrência indiana no site India Defence. Sigamos.

Enquanto o Rafale esteva na concorrência, Nicolas Sarkozy, o camelô de aviões e marido de Carla Bruni, fez o mesmíssimo lobby que vem fazendo no Brasil. A diferença é que, na Índia, a avaliação é realmente técnica. Por lá, não basta apenas adular o imperador absolutista, dispensar-lhe rapapés, elegê-lo “o homem do ano”, para embolsar alguns bilhões. Desde o começo da concorrência, informam os sites indianos que trataram do assunto, o Rafale era considerado a pior alternativa entre — atenção! — SETE MODELOS.

A chamada grande imprensa, que a canalha petralha acusa de ser “antigovernista” (podem rolar de rir), se interessou pelo assunto? Que eu tenha achado, só o Estadão Online publicou um despacho da Reuters no dia 16 de abril de ano passado. Depois o assunto sumiu. Como vocês sabem, a Força Aérea Brasileira também não quer o Rafale. Entre os três caças que avaliou, preferiu o sueco Gripen NG. Em segundo lugar, ficou o F-18. Em último, o avião francês. Como reagiu o governo do Homem do Ano do Le Monde? Considerou a hipótese de punir o que chamou de “vazamento” do relatório. Onde já se viu a Aeronáutica ficar se metendo com caças?

Celso Amorim, um gigante da filosofia, ainda maior por dentro do que por fora, deu-se a especulações metafísicas: “Às vezes, o barato sai caro”. Samuel Pinheiro Guimarães, o chefe da banda antiamericana do governo e da Sealopra, indagou se a gente compra um carro só pensando no preço… A mediocridade dessa gente é espantosa, especialmente quando tenta mimetizar Lula nas suas filosofadas e metáforas. O que, nele, aspira a um saber popular revela-se pelo que é na boca dos doutores: BOÇALIDADE PURA E SIMPLES.

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282,82. Cada Rafale para o Brasil custa mais do que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO.

Agora entendo o que o sr. Samuel Pinheiro Guimarães quer dizer quando afirma que a gente não compra um carro só pelo preço. No caso, parece que se compra também para agradar o fornecedor, não é mesmo? Que, sei lá, se não tiver o coração tão duro quanto o do faraó, dá ao menos um chaveiro de presente ao comprador. Já quanto a Amorim, o que pensar? Nem uma antítese tornada um clichê popular resiste a este monumento, logo involuindo para a tautologia: O CARO SAI CARO!

É incrível que um dos maiores negócios do governo Lula, com jeito, história e números de negociata, se faça sob o silêncio cúmplice de boa parte da imprensa e, como não poderia deixar de ser, da oposição.

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Addendum em 20.01.2010.
Muita gente lê apenas o post e passa por cima dos comentários.
Recomendo que se os leia (perdão pelo Português arrevesado).
Acrescentei este comentário a um leitor anônimo (eles sempre tem vergonha de se apresentar com nome próprio, e dizer claramente qual posição defendem), que pretende ser crítico do jornalista acima transcrito:

Meu caro Anônimo (seja você quem for),
Não tenho procuração para defender Reinaldo Azevedo, nem ninguém, e não é minha intenção fazê-lo.
Mas, veja, trata-se, como ele próprio se classifica, de um jornalista que não entende necas de pitiribas de aviões militares, nem eu, aliás.
Eu entendo de poucas coisas, entre elas que o dinheiro que vai pagar esses aviões vai sair do meu, do seu, do nosso bolso, e portanto essa é a única coisa que nos interessa como cidadãos.
Jamais ele, nem eu (aliás, nem você) pretendeu discutir características físicas da Lua, de Marte ou de qualquer país terrestre, sequer discutiu objetivos militares, se os indianos vão enfrentar chineses, paquistaneses, gregos ou goianos.
O que ele fez, como bom jornalista, foi buscar informações e colocá-las à disposição de seus leitores, sim, acrescentado seus comentários que ele tem direito de fazer.
Seu único comentário relevante foi que o Rafale custa um bocado caro (algo que não precisa ser gênio militar para saber), e que os indianos aparentemente não estão dispostos a comprá-los.
Nem, aliás, a FAB, pelo que se sabe.
Assim, a única pergunta relevante que VOCÊ, EU e todo o POVO BRASILEIRO pode e tem o direito de fazer (já nem falo de governo, pois ele é um pouco, digamos, surrealista), é por que uma escolha prévia, por antecipação ao relatório técnico da FAB, pelos caças franceses.
Se você tem alguma resposta convincente para esta pergunta, pode mandar para mim, que publicarei com prazer...
Paulo Roberto de Almeida

Permito-me acrescentar apenas uma coisa: um governo que age de forma pouco transparente, que é capaz de torrar bilhões em recursos públicos (ou seja, dinheiro de cada um de nós) sem oferecer uma explicação convincente, que se refugia em argumentos tão calhordas como "relação estratégica", não merece obviamente a confiança de ninguém. Em qualquer democracia digna desse nome, os responsáveis seriam chamados numa comissão parlamentar para se explicar. Assim se passa em países sérios.
Em democracias aviltadas como a nossa, o direito dos cidadãos a uma informação decente é violado todos os dias.
Apenas uma palavra pode definir o que uma pessoa normal sente: asco!

1716) Manual de diplomacia prática: em publicacao...

Com base em artigo mais abrangente, que foi publicado em livro, compus uma série de pequenos artigos sobre "diplomacia prática", qeu vem sendo publicados no site de informação e opinião do RS, Via Política.

Estes os artigos publicados até aqui:

1) Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
Existem diversos elementos do “jogo diplomático” que devem ser considerados em qualquer política externa que se pretenda responsável. O primeiro deles é uma visão clara sobre os objetivos nacionais. (...)
aqui

2) Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
Na concepção tradicional da diplomacia, isto é, nas considerações clássicas de política externa, essa relação dual se colocava entre a política externa e os instrumentos militares, ou seja, o poderio estratégico de um determinado país e sua projeção externa. Nas condições atuais, sobretudo para os países emergentes – mas também, no jogo diplomático das grandes potências – essa relação deve ser vista como envolvendo basicamente o mundo econômico (indústria, comércio, investimentos, finanças, tecnologia, recursos humanos, enfim, os grandes determinantes da produtividade e da competitividade contemporânea). (...)
aqui

3) Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
No plano das relações internacionais e do jogo diplomático, não existem nem podem existir aliados permanentes nem, obviamente, parceiros privilegiados, que o sejam a priori, incondicionalmente e sem qualquer critério de utilidade. A noção de que “aliados estratégicos” o sejam por simples declaração de intenções, de modo vago e sem clareza quanto aos objetivos, é ingênua e principista, sem atender a um claro critério de racionalidade quanto aos meios e fins. (...)
aqui

à suivre...

1715) Tropeçando na conjugação? Não seja por isso...

Se você também tem dúvidas, como eu por vezes tenho, sobre a exata forma de conjugar um verbo irregular, não precisa mais se preocupar: resolva imediatamente seu problema consultando este site gratuito:

http://linguistica.insite.com.br/cgi-bin/conjugue

De nada...

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Depois de publicada essa indicação, José Marcos mandou esta sugestão:

Meu conjugador online favorito:
http://www.flip.pt/FLiPOnline/Conjugador/tabid/578/Default.aspx

Obrigado, obrigado...
Não seremos reprovados por falta de conjugador automático...

1714) Autoritarios nunca desistem, inimigos da liberdade tampouco

Incrivel como em plena vigência do regime democrático no Brasil, inimigos da liberdade pretendam submeter o país a regime similar ao que vigora em ditaduras ditas socialistas.

Nova investida contra a democracia
Editorial O Estado de S.Paulo, Terça-Feira, 19 de Janeiro de 2010

Vem aí mais um ataque à liberdade de informação e de opinião, preparado não por skinheads ou outros grupos de arruaceiros, mas por bandos igualmente antidemocráticos, patrocinados e coordenados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A 2ª Conferência Nacional de Cultura, programada para março, foi concebida como parte de um amplo esforço de liquidação do Estado de Direito e de instalação, no Brasil, de um regime autoritário. O controle dos meios de comunicação, da produção artística e da investigação científica e tecnológica é parte essencial desse projeto e também consta do Programa Nacional de Direitos Humanos, outra desastrosa proposta do governo petista. O texto-base da conferência poderia figurar num museu de teratologia política, como exemplo do alcance da estupidez humana. Antes de enviá-lo para lá, no entanto, será preciso evitar a sua conversão em roteiro oficial de uma política de comunicação, ciência e cultura.

A palavra cultura, naquele texto, é usada com tanta propriedade quanto o verbo "libertar" na frase famosa "o trabalho liberta", instalada sobre o portão de Auschwitz. "O monopólio dos meios de comunicação", segundo o documento, "representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos." É verdade, mas não existe esse monopólio no Brasil nem nas verdadeiras democracias. Um regime desse tipo existe em Cuba, como existiu noutras sociedades submetidas a regimes totalitários, sem espaço para a informação, a opinião e o confronto livre de ideias. Muitos dos companheiros do presidente Lula, entre eles alguns de seus ministros, nunca desistiram da implantação de algo semelhante no País. Segundo Lula, sua carreira política teria sido impossível sem a liberdade de imprensa, mas hoje essa liberdade é um empecilho a seus projetos de poder.

O documento defende "maior controle social" sobre a gestão de rádios e TVs públicas. Mas "controle social", em regimes sem liberdade de informação e de opinião, significa na prática o controle total exercido pelo pequeno grupo instalado no poder. Nenhum regime autoritário funcionou de outra forma. Também a palavra "social", nesse caso, tem um significado muito diferente de seu valor de face.

É preciso igualmente controlar a tecnologia: este princípio foi adotado desde o começo do governo Lula. Sua aplicação só não liquidou a Embrapa, um centro de tecnologia respeitado em todo o mundo, porque a maioria da comunidade científica reagiu. A imprensa teve papel essencial nessa defesa da melhor tradição de pesquisa. Isso a companheirada não perdoa. No caso do presidente Lula, o desagrado em relação à imprensa é reforçado por uma espécie de alergia: ele tem azia quando lê jornais.

Mas o objetivo não é apenas controlar a pesquisa. É também submetê-la a certos "modelos". "No Brasil, aprendemos pouco com as culturas indígenas; ao contrário, o País ainda está preso ao modelo colonial, extrativista, perdulário e sem compromisso com a preservação dos recursos naturais", segundo o documento.

Cultura extrativista, ao contrário do imaginado pelo companheiro-redator desse amontoado de bobagens, era, sim, a cultura indígena. O agronegócio brasileiro, modernizado, eficiente e competitivo, não tem nada de colonial, nem na sua organização predominante nem na sua tecnologia, em grande parte fornecida pela pesquisa nacional de mais alta qualidade. Ou talvez o autor daquela catadupa de besteiras considere colonial a produção de automóveis, tratores, equipamentos industriais e aviões. Não deixa de ter razão. Os índios não fabricavam nenhum desses produtos, mas indígenas das novas gerações não parecem desprezar essas tecnologias.

Segundo a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Silvana Lumachi Meireles, nenhuma proposta contida no documento pode gerar polêmica. Todos os itens, argumentou, foram referendados em conferências regionais. Mas conferências desse tipo não têm o poder de transformar tolices em ideias inteligentes nem propostas autoritárias em projetos democráticos. O governo insistirá, a imprensa continuará resistindo. A oposição poderia ajudar a conter esse projeto insano, se deixasse o comodismo e mostrasse mais disposição para defender a democracia do que mostrou diante do ameaçador decreto dos direitos humanos.

1713) Falacias Academicas: 13, so far...

Comecei, no segundo semestre de 2008, uma série de trabalhos sobre as "falácias acadêmicas" mais comuns, ou seja, aqueles equívocos mais frequentemente presentes em trabalhos típicos de universitários e soi-disant intelectuais, no Brasil e em geral.
A lista é enorme, e eu suspeito que isso vai levar muito tempo para completar.
Como interrompi temporariamente a série, para terminar outros trabalhos, permito-me listar abaixo, em ordem inversa, as "falácias" já publicadas.

2047. “Falácias acadêmicas, 13: o mito do socialismo de mercado na China”, Brasília, 17 setembro 2009, 12 p.; revisão: Paris, 4 outubro 2009. Continuidade do exercício serial, com abordagem sintética da experiência chinesa em matéria de transição renovada ao capitalismo. Postado no site, link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/2047Falacia13SocMercadoChina.pdf. Espaço Acadêmico (ano 9, n. 101, outubro 2009; ISSN 1519-6186 (on-line); p. 41-50; link: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/8295/4691). Relação de Publicados n. 926.

2040. “Falácias acadêmicas, 12: o mito da exploração capitalista”, Brasília, 26 agosto 2009, 11 p. Continuidade do exercício serial, contestando o caráter nocivo da exploração, tanto do homem pelo homem, quanto das sociedades pobres pelas ricas. Espaço Acadêmico (ano 9, n. 100, setembro 2009, ISSN: 1519-6186; p. 142-150; link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/8068/4581). Revista Espaço da Sophia (ano 3, n. 30, setembro de 2009; link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/21-falacias-academicas-12-o-mito-da-exploracao-capitalista?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 916.

2029. “Falácias acadêmicas, 11: o mito da transição do capitalismo ao socialismo”, Brasília, 26 julho 2009, 20 p. Continuidade do exercício serial, com partes do trabalho 158. “A Transição do Socialismo ao Capitalismo” (Genebra, 27.03.1988. Estudo sobre o processo de transição do socialismo ao capitalismo, com base nas experiências chinesa e soviética, usado na redação de “Retorno ao Futuro”). Espaço Acadêmico (vol. 9, n. 99, agosto 2009, p. 76-90; ISSN: 1519-6186; pdf: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/7792/4456). Revista Espaço da Sophia (ano 3, n. 29, agosto 2009, p. 1-20; ISSN: 1981-318X; link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/82-falacias-academicas-11-o-mito-da-transicao-do-capitalismo-ao-socialismo?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 916.

2019. “Falácias acadêmicas, 10: mitos sobre o sistema monetário internacional”, Brasília, 23 junho 2009, 9 p. Décimo artigo da série especial, sobre a fragilidade das recomendações pretensamente keynesianas a partir da crise econômica internacional. Espaço Acadêmico (vol. 9, n. 98, julho 2009, p. 15-21; link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/7445/4364). Revista Espaço da Sophia (ano 3, n. 28, julho 2009; link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/93-falacias-academicas-10-mitos-sobre-o-sistema-monetario-internacional?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 905.

2009. “Falácias acadêmicas, 9: o mito do socialismo do século 21”, Brasília, 24 maio 2009, 17 p. Nono artigo da série especial, desta vez sobre as loucuras econômicas de certos conselheiros do príncipe. Espaço Acadêmico (vol. 9, n. 97, junho 2009, p. 12-24; http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/7184/4136). Espaço da Sophia (ano 3, n. 27, junho 2009; link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/104-falacias-academicas-9-o-mito-do-socialismo-do-seculo-21?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 902.

2002. “Falácias acadêmicas, 8: os mitos da utopia marxista”, Brasília, 3 maio 2009, 15 p. Continuidade da série proposta, enfocando os principais equívocos do pensamento marxista nos campos do materialismo histórico e da análise econômica. Publicado na revista Espaço Acadêmico (ano 9, n. 96, maio 2009; link: http://www.espacoacademico.com.br/096/96esp_pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/096/96pra.pdf). Relação de Publicados n. 899.

1990. “Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do movimento militar de 1964”, Brasília-Rio de Janeiro, 20 março 2009, 23 p. Continuidade do exercício, tocando no maniqueísmo construído em torno do golpe ou da revolução de 1964, condenando a historiografia simplista que converteu-se em referencia nos manuais didáticos e paradidáticos. Espaço Acadêmico (ano 9, n. 95, abril 2009; link: http://www.espacoacademico.com.br/095/95pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/095/95pra.pdf). Dividido em quatro partes e publicado sucessivamente em Via Política: Os mitos em torno do movimento militar de 1964 (1): Uma historiografia enviesada (12.04.2009; link 1: http://www.viapolitica.com.br/diplomatizando_view.php?id_diplomatizando=93); (2) Mitos do Governo Goulart (19.04.2009; link 2: http://www.viapolitica.com.br/diplomatizando_view.php?id_diplomatizando=94); (3) Análise das alegadas ‘reformas de base’ (26.04.2009; link 3: http://www.viapolitica.com.br/diplomatizando_view.php?id_diplomatizando=95); (4) Balanço econômico do Governo Goulart (03.05.2009; link 4: http://www.viapolitica.com.br/diplomatizando_view.php?id_diplomatizando=96). Reproduzido na Revista Acadêmica Espaço da Sophia (ano 3, n. 26, maio 2009; link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/115-falacias-academicas-7-os-mitos-em-torno-do-movimento-militar-de-1964?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 898.

1986. “Falácias acadêmicas, 6: o mito da Revolução Cubana”. Brasília, 1 de março de 2009, 17 p. Continuidade do exercício, tocando nos problemas do socialismo em Cuba. Publicado em Espaço Acadêmico (ano 8, n. 94, março 2009; link: http://www.espacoacademico.com.br/094/94esp_pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/094/94esp_pra.pdf). Reproduzido, sob o titulo de “Os Mitos da Revolução Cubana”, na revista Acadêmica Espaço da Sophia (Tomazina, PR; ISSN: 1981-318X, Ano 3, n. 25, p. 1-17, março de 2009 (edição eletrônica); link: http://www.espacodasophia.com.br/publicacoes/doc_view/125-os-mitos-da-revolucao-cubana?tmpl=component&format=raw). Relação de Publicados n. 894.

1976. “Falácias acadêmicas, 5: O mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres”, Brasília, 20 janeiro 2009, 11 p. Continuação da série, tratando desta vez das teses do economista Ha-Joon Chang. Publicado em Espaço Acadêmico (ano 8, n. 93, fevereiro 2009; link: http://www.espacoacademico.com.br/093/93pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/093/93pra.pdf). Reproduzido, sob o título de “Sobre o complô dos ricos contra os pobres”, no site Dom Total (16.04.2009; link: http://www.domtotal.com/colunistas/detalhes.php?artId=598). Relação de Publicados n. 891.

1952. “Falácias acadêmicas, 4: o mito do Estado corretor dos desequilíbrios de Mercado”, Brasília, 15 novembro 2008, 12 p. Da série programada, com críticas a economistas keynesianos. Espaço Acadêmico (ano VIII, nr. 91, dezembro 2008, link: http://www.espacoacademico.com.br/091/91pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/091/91pra.pdf).

1931. “Falácias acadêmicas, 3: o mito do marco teórico”, Buenos Aires-Brasília, 30 setembro 2008, 6 p. Da série programada, com algumas criticas a filósofos famosos. Espaço Acadêmico (ano VIII, nr. 89. outubro 2008, link: http://www.espacoacademico.com.br/089/89pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/089/89pra.pdf). Relação de Publicados nº .

1922. “Falácias acadêmicas, 2: o mito do Consenso de Washington”, Brasília, 3 setembro 2008, 16 p. Considerações em torno dos equívocos conceituais, históricos e empíricos de setores acadêmicos com respeito ao CW. Espaço Acadêmico (n. 88, setembro 2008, link: http://www.espacoacademico.com.br/088/88pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/088/88pra.pdf). Republicado no blog Ordem Livre (24.03.2009; link: http://www.ordemlivre.org/?q=node/528). Relação de Publicados nº 857.

1912. “Falácias acadêmicas, 1: o mito do neoliberalismo”, Brasília, 26 julho 2008, 9 p. Considerações em torno de equívocos conceituais, históricos e empíricos de acadêmico selecionado para avaliação crítica. Espaço Acadêmico (n. 87, agosto 2008, link: http://www.espacoacademico.com.br/087/87pra.htm; arquivo em pdf: http://www.espacoacademico.com.br/_bd.pdf/87pra.pdf). Reproduzido em março de 2009 no site Ordem Livre (http://www.ordemlivre.org/?q=node/512), que passa a ter seção com meus artigos (http://www.ordemlivre.org/taxonomy/term/203).

1930. “Falácias acadêmicas: a série”, Buenos Aires, 29 setembro 2008, 1 p. Lista de 20 mitos a serem desenvolvidos como falácias ao longo das próximas semanas, dois dos quais já desenvolvidos, sob os números 1912 (neoliberalismo) e 1922 (Consenso de Washington). Em curso de desenvolvimento.

1712) Livro Maquiavel revisitado - lancamento virtual


A Editora Freitas Bastos e Paulo Roberto de Almeida convidam para o lançamento virtual do livro (editado em forma eletrônica):

O Moderno Príncipe (Maquiavel revisitado)
(Rio de Janeiro: Freitas Bastos, edição eletrônica, 2009, 191 p.; ISBN: 978-85-99960-99-8); R$ 12,00;

disponível online neste link.

O lançamento, virtual, sob a forma de chat com o autor, será feito no próximo sábado, 23 de janeiro, das 17 as 18hs,
no site do Editora: www.freitasbastosebooks.com.br

Mais informacoes sobre o livro neste link.

1711) Assim caminha o Mercosul...

...ou não...

MAIS DO MESMO
Rubens Antonio Barbosa
O Estado de São Paulo, 12.01.2010

Em seu “Breviário dos Políticos”, o Cardeal Mazarin ensina que, em uma comunidade de interesses, o perigo começa quando um dos membros se torna muito poderoso. É o que está acontecendo com o Mercosul.
A Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, discursando na reunião do Conselho de Presidentes, disse “é chegado o momento de discutir os desequilíbrios do Mercosul, simplesmente analisando os números de suas economias”. Pensando no Mercosul e no Brasil, mas referindo-se à União Européia, disse que “o grande peso da integração foi carregado pela Alemanha, não por que os alemães eram mais europeus do que os outros, mas por que o tamanho da sua economia e o peso do seu capital permitiram que as demais nações tivessem a possibilidade de incorporar infra-estrutura e desenvolver um potente comércio intra-zonal”.
A diplomacia da generosidade e a paciência estratégica não são suficientes. O Brasil está se tornando tão forte que, na visão argentina, tem a obrigação de carregar os parceiros mercosulinos, inclusive a Venezuela.
Sob uma perspectiva histórica, a 38ª. Reunião do Conselho do Mercosul, realizada em Montevidéu, no inicio de dezembro, poderá ser vista como o momento em que o Brasil passou a admitir a irrelevância do grupo sub-regional para seus interesses econômicos e comerciais, ao contrário do discurso oficial muito positivo do atual governo.
Repetindo a retórica vazia que tem caracterizado os pronunciamentos dos lideres políticos sobre o Mercosul, os presidentes (incluindo Hugo Chaves), em longa Declaração Conjunta, reafirmaram seus compromissos com os princípios do Tratado de Assunção, entendendo que o fortalecimento do Mercosul é o caminho para uma inserção internacional mais sólida e uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento das sociedades de seus países.
Na realidade, os resultados da reunião foram decepcionantes e apontam em outra direção. O governo brasileiro se encarregou de esvaziar a reunião com a ausência dos seus principais representantes. O Presidente Lula fez um pit stop de dez horas em Montevideu, pronunciou um discurso de dez minutos, não participou do almoco de despedida do Presidente Tabare Vasques do Uruguai e voltou correndo a Brasilia. Em ostensiva coordenação, os Ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central, não compareceram. O Ministro Celso Amorim tampouco se deu ao trabalho de viajar ao Uruguai, onde se fez representar pelo Secretário Geral do Itamaraty, Embaixador Antonio Patriota.
Os Presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Paraguai, Fernando Lugo, aproveitaram para cobrar do Brasil uma ação mais forte para a redução das assimetrias de modo a promover o crescimento dos parceiros. O Presidente da Venezuela utilizou, mais uma vez, o Mercosul como uma plataforma politica para criticar os EUA (“vão declarar guerra a toda a América do Sul”) e à Colômbia. O Secretário Geral do Itamaraty, jejuno nos assuntos do Mercosul, em mais um exemplo da distância entre a retórica oficial e a realidade, afirmou que o bloco terá um período mais promissor, dadas as boas perspectivas de crescimento do Brasil até 2014. O incremento do comércio regional, a partir de julho de 2009, reforçaria essas previsões otimistas. Em sua avaliação, esse novo cenário criaria uma janela de oportunidade para uma mais uma reflexão construtiva sobre o futuro do Mercosul e sobre as alterações institucionais que devem ser realizadas para enfrentar as novas circunstâncias do cenário internacional; o ambiente positivo favoreceria a integração produtiva e adequação das questões da dupla tributação da TEC e à necessidade de que o bloco "olhe para fora". Para tanto, exortou os países a examinarem suas posições na Rodada de Doha e a trabalharem conjuntamente em negociações com terceiros, especialmente na retomada das negociações com a UE por meio de uma necessária abordagem política. Adicionalmente, Patriota observou que o Parlamento do Mercosul será fortalecido com a contribuição do Brasil, que flexibilizou - isto é, cedeu mais uma vez - a posição no tema da proporcionalidade das representações nacionais. Finalmente, advogou a aprovação de concessões tarifárias ao Haiti em alguns produtos têxteis para apoio a sua estabilização econômica e política, proposta vetada pelo Paraguai.
As únicas medidas efetivas tomadas são protecionistas e contrárias ao livre comércio:
- adiamento da eliminação da lista de exceção da TEC, prevista para desaparecer em 2010 e que agora, por pressão argentina e aceitação resignada do Brasil, deverá ocorrer somente em 31/12/2011. Na realidade, já se pode imaginar que, quando chegar essa data, acabaremos aceitando nova postergação.
- aumento de tarifas, a pedido do Brasil, para fios e filamentos têxteis de 14 para 18%, e para 11 produtos lácteos (leite em pó e tipos de queijo) de 11 para 28%. A pedido da Argentina, para mochilas, malas e bolsas de 16 para 35%.
A Argentina propos a ampliação do uso da moeda local nas transações comerciais intra-regionais e a Venezuela saudou a constituição do Banco do Sul, medidas que encontram grandes dificuldades técnicas e politicas para serem implementadas.
Foi aprovado o aumento do orçamento do Fundo de Conversão Estrutural (FOCEM) para 2010 com maior contribuição do Brasil, apesar das dificuldades criadas pela Argentina para a aprovação do projeto da construção de linha de transmissão entre o Brasil e o Uruguai, em virtude da disputa sobre a construção da fábrica de celulose no Uruguai.
Para culminar essa comédia de equívocos, o Presidente Lula anunciou publicamente que o Senado brasileiro iria aprovar a adesão da Venezuela ao Mercosul naquele dia, o que só veio a ocorrer duas semanas mais tarde.

Rubens Barbosa, Presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

1710) Os Brics (na pratica...)

Governo deve elevar hoje sobretaxa para calçados da China
Paula Nunes
Folha de S. Paulo, 19.01.2010

Medida tende a elevar preços; Abicalçados diz que tributação estancou prejuízos e freou demissões

Está marcada para hoje a audiência final que irá decidir se a sobretaxação provisória de US$ 12,47 para cada par de sapatos fabricado na China será mantida. Ela foi definida em setembro do ano passado e, de acordo com análise técnica de mais de 40 mil páginas produzida pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior), o valor da sobretaxação tende a subir para US$ 18,44.
Milton Cardoso, presidente da Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados), entidade que iniciou a ação, afirma que a tributação estancou as perdas do setor e brecou as demissões. Não detectamos nenhum efeito negativo com a medida.
Ivan Ramalho, ministro interino do MDIC, diz que o governo tem trabalhado para reduzir o prazo das investigações antidumping. Ramalho diz confiar que a taxação será mantida e que isso será uma vitória do setor calçadista no Brasil.
A sobretaxação é aplicada pela Camex (Câmara de comércio exterior) quando se verifica a prática de comércio desleal em determinado setor, como preços no mercado internacional menores que os praticados nos países fabricantes.

Consumo
O consumidor vai sentir no bolso a mudança. Tênis de alta performance, todos fabricados na China, tendem a encarecer ainda mais se a taxa for repassada ao cliente final. Já os sapatos nacionais também ficarão, em média, 3% mais caros a partir da próxima estação.

1709) Os Brics (na teoria...)

Brics estão longe da liderança, diz FT
Daniela Milanese
O Estado de S. Paulo, 19.01.2010

Jornal britânico vê diferença de interesses entre os países do grupo

Coloque uma onça, um urso, um tigre e um panda juntos e você poderá ter um bom espetáculo, mas não terá uma vida sossegada. Essa é a definição do Financial Times para a situação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), na série especial preparada pelo jornal britânico sobre o grupo dos principais emergentes do mundo.

Na avaliação do FT, apesar do avanço econômico dos últimos anos, esses países ainda não estão prontos para liderar uma mudança do centro de poder global, principalmente em razão das fortes diferenças existentes entre eles. Uma década de crescimento rápido não é suficiente para os Brics pegarem o bastão da liderança econômica global dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, diz o FT. O grupo pode ter surpreendido o mundo com o seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso uma melhora qualitativa, assim como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder, avalia a publicação.

Conforme o Goldman Sachs, que inventou o acrônimo, a China deve se tornar a maior economia mundial antes de 2030. Atualmente, o grupo já tem a maior fatia do comércio. O movimento é reconhecido pelos investidores: as ações dos Brics encerraram a década valendo mais que o dobro de 2005, diz o jornal. Há uma década, apenas um deles tinha grau de investimento, hoje todos têm. Há 12 anos, o calote da Rússia e a crise cambial brasileira balançavam o mundo, agora esses países acumulam vastas reservas.

O desempenho levanta questionamentos sobre uma mudança do centro de gravidade da economia e governança globais. É este o centro de rotação como aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando os confiantes e inovadores Estados Unidos colocaram de lado as fracas e endividadas economias da Europa e refizeram a arquitetura financeira global?, questiona o FT. A resposta mais provável é: ainda não. Para o jornal, o grupo é tão desigual que qualquer generalização é problemática. Assim como uma boy band, os países podem ter sido escolhidos mais por suas diferenças do que similaridades, compara o FT.

A China, membro dominante do grupo, ainda está baseada em um modelo econômico dependente da demanda externa. A Índia é conhecida pelo setor de software e serviços para negócios. O Brasil, apesar de alguns fabricantes bem-sucedidos, permanece como um dos exportadores de produtos agrícolas mais eficientes. E a Rússia, após algumas tentativas de diversificação, continua essencialmente vendendo apenas petróleo e gás.

A falta de interesses comuns também impede uma política conjunta, apesar das reuniões dos Brics a partir de 2008, na tentativa de fechar posição sobre questões econômicas. Temas como política cambial, modelo econômico e comércio mostram divergências. Um exemplo é o câmbio desvalorizado na China, que contraria os interesses do Brasil. (Os Brics) devem reconhecer que, conforme ficam mais ricos e mais poderosos, se amontoar na bandeira de solidariedade de países em desenvolvimento não ajudará nem a eles nem à economia mundial, afirma o editorial do FT, que também trata do tema.

1708) Desarmamento nuclear (para quem acredita...)

O desarmamento nuclear
José Goldemberg
Opinião O Estado de São Paulo, Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010

Em 6 de agosto de 1945 um único avião lançou sobre Hiroshima, no Japão, uma bomba atômica que provocou a destruição que mil aviões de bombardeio com 50 toneladas de explosivos (e bombas incendiárias) causariam, matando cerca de 140 mil pessoas (civis, e não combatentes). Três dias depois outra bomba arrasou Nagasaki.

Os Estados Unidos, na época, acreditavam que conseguiriam manter o monopólio da posse de armas atômicas por muitos anos, o que não ocorreu. Apenas três anos depois, em 1948, a União Soviética produziu bombas com poder explosivo maior do que a bomba de Hiroshima, o que foi também conseguido logo após pela Inglaterra, pela França e, depois, pela China.

A corrida armamentista nuclear que se seguiu foi baseada na teoria da "destruição mútua", em que cada uma das potências nucleares (principalmente Estados Unidos e União Soviética) garantia sua segurança ameaçando seus adversários de destruição, caso fosse atacada com essas armas. Segundo alguns analistas, foi essa política de "deterrência" que impediu que a guerra fria se transformasse numa guerra nuclear, que provavelmente destruiria a civilização moderna como a conhecemos. Só para dar uma ideia de quão real seria essa possibilidade, mais de mil testes nucleares foram feitos antes que fossem proibidos por tratado internacional, uma vez que estavam "envenenando" a atmosfera com substâncias radioativas.

O horror causado pela destruição de Hiroshima e Nagasaki, no entretanto, deu início a um amplo movimento para a eliminação das armas nucleares. Antes disso, os próprios cientistas que as construíram haviam proposto ao governo dos Estados Unidos que não fossem utilizadas. Essas propostas não só foram ignoradas, mas ridicularizadas como provenientes de pacifistas ingênuos que não entendiam a realidade dos confrontos internacionais.

Decorrido mais de meio século, eis que surge nos Estados Unidos uma nova proposta de eliminação das armas nucleares, desta vez feita não por pacifistas, mas por experimentados "guerreiros" da guerra fria, como Henry Kissinger, ex-secretário de Estado, e William Perry, ex-secretário de Defesa, além de outros.

O que Kissinger e outros estão propondo agora é o que o Brasil e a Argentina fizeram em 1992, e que é frequentemente citado como um bom exemplo de como resolver o problema da competição nuclear: os dois países abandonaram programas de desenvolver armas nucleares porque decidiram que poderiam garantir melhor sua segurança com vizinhos que não possuíssem essas armas.

A motivação da proposta de Kissinger, considerado um "realista", é a seguinte: do ponto de vista técnico, é impossível impedir a proliferação das armas nucleares e eventualmente elas cairão nas mãos de países com governos problemáticos e até de terroristas, que não hesitarão em usá-las. Durante a guerra fria, os grandes adversários, Estados Unidos e União Soviética, possuíam estoques de mais de 50 mil bombas nucleares, muito mais poderosas do que a que destruiu Hiroshima, mas o papel delas era convencer o adversário de que não deveria usá-las, ou seja, elas eram, na realidade, "armas de dissuasão", que, efetivamente, nunca foram usadas. A "dissuasão", contudo, não se aplica a grupos terroristas, que não têm nada a perder, uma vez que não representam nações, cujos governantes hesitariam em usar armas nucleares sabendo que suas cidades seriam arrasadas em retaliação.

As grandes potências ? Estados Unidos, União Soviética (hoje Rússia), Inglaterra, França e China ? tentaram em 1968 evitar a proliferação nuclear a outros países, por meio do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Uma das premissas básicas desse tratado era a de que os "países não-nucleares" (na época) não desenvolveriam armas nucleares em troca do direito de desenvolverem energia nuclear para fins pacíficos, para o que poderiam contar com a ajuda tecnológica dos países nucleares (artigo IV).

Os que desenvolvessem armas não teriam essa ajuda e a Agência Internacional de Energia Atômica foi encarregada da fiscalização, para que isso não ocorresse. O recente acordo dos Estados Unidos com a Índia, promovido pelo governo Bush, desmoralizou essa premissa. A Índia desenvolveu armas nucleares e está recebendo ampla ajuda nessa área. É evidente que os outros países, como o Paquistão, estão reivindicando igual tratamento e até o Irã tem utilizado o artigo IV do TNP para justificar seus esforços para desenvolver um projeto de enriquecimento de urânio em grande escala. Como compensação, os "países não-nucleares" signatários do TNP receberam ? ao abrirem mão do desenvolvimento de armas nucleares ? a promessa de que os países que possuíam tais armas iniciariam "logo" negociações "em boa-fé" para cessar a corrida atômica e promover o desarmamento nuclear (artigo VI). Essa promessa nunca foi cumprida.

Esperar, portanto, que o TNP impeça completamente a proliferação de armas nucleares a outras nações não é uma opção muito realista. Uma solução mais pragmática seria eliminar as armas nucleares, proibir seu uso e reduzir, assim, os estímulos para obtê-las. Essa, em poucas palavras, é a proposta de Kissinger e seus colegas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua campanha eleitoral prometeu eliminar armas nucleares a "médio prazo", bem como reduzir a "curto prazo" ? conjuntamente com a Rússia ? os amplos estoques de armas nucleares, que são hoje mais de 5 mil em cada um desses países.

A nova política nuclear dos Estados Unidos deverá ser anunciada brevemente e veremos então se o "novo realismo nuclear" é de fato para valer ou uma figura retórica.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo

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