sexta-feira, 1 de maio de 2026

Um pouco de futurologia improvisada - Paulo Roberto de Almeida

Um pouco de futurologia improvisada

Paulo Roberto de Almeida 

Não sou dado a fazer prognósticos, pois sou mais um sociólogo histórico do que um vidente da ciência politica, mas a hora do reconhecimento de um atraso sendo cuidadosamente fabricado pela casta politica predatória chegou, com a dupla derrota do governo Lula nos dias 29 e 30 de abril de 2026. Pois ouso:


Não lamento por Lula essas derrotas. Lamento pelo Brasil, pois a corja que o derrotou vai ser muito pior para o Brasil e os brasileiros. A oligarquia dos coroneis da Republica Velha, derrotada em 1930, está de volta ao poder, com toda a fúria do reacionarismo pronto para se exercer livremente em 2027.

Já não é mais aquela agricultura atrasada dos tempos do Jeca Tatu. É uma das mais avançadas agriculturas do mundo. Mas a mentalidade dos novos coroneis, inclusive muitos ainda atrasados, é muito similar à dos barões escravocratas do passado pré-industrial e anterior à era Vargas.

Estamos caminhando para trás, não necessariamente para um retorno do bolsonarismo mais estúpido que tivemos entre 2019 e 2022, mas para um regime dos prepotentes no Congresso, reunindo representantes dos mais mentalmente reacionários e, talvez, novamente, dos mais submissos em matéria de politica externa e de soberania diplomática. Esqueçam saúde e educação, chances para os mais pobres, novas oportunidades para os simples trabalhadores: a hora é dos coroneis do interior e dos coroneis da Faria Lima, a hora da vingança dos endinheirados contra os ingênuos “distributivistas”.

O Brasil pode não retroceder no plano material, mas no terreno politico, social e cultural vai comecar uma nova fase de recuos e de regressos inculturais e de reversões politicas, de volta aos velhos donos do poder que sempre atrasaram o Brasil no campo da solidariedade nacional. A hora é a do egoísmo de classe e de vingança contra os derrotados na esfera politica.

Vou elaborar meus outros prognósticos mais pessimistas, e só espero errar na profundidade do retrocesso, mas estou quase certo de que ele virá, não no mesmo ciclo dos 80 anos do declínio argentino (pois não teremos mais militarismo “moderador”, como nos últimos 137 anos), mas teremos o triunfo das mesmas mentalidades oligárquicas que foram, finalmente, as que mandaram em quase toda a nossa história. As elites agora são diversas, mas o projeto dos eleitos em outubro de 2026 tem um único designativo: a continuidade da mediocridade politica e cultural. Só espero que não nos façam passar a vergonha de acatar uma nova submissão imperial, como fez o asqueroso capitão do “I love you Trump!”.

Pelas “previsões pessimistas”:

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 1o de maio de 2026


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