quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Sobre os acasos da História- Paulo Roberto de Almeida

Reflexões sobre as inconstâncias dos chamados Estados Soberanos, um contraponto, nos últimos quatro ou cInco séculos, aos grandes impérios mais ou menos resilientes

Paulo Roberto de Almeida 


Certas coisas podem ser inéditas na história da humanidade: colusão e coalizão entre grandes potências, cada uma com interesses próprios, mas interagindo entre elas por razões independentes cada uma.


O Império do Meio foi o primeiro e mais importante poder avançado na história mundial. Decaiu, por motivos próprios, de incompetência no topo e por invasões estrangeiras. Foi humilhado durante mais de um século, pelos imperialismos ocidentais, depois invadido e esquartejado pelo imperialismo expansionista japonês. Parte do seu território foi roubado pelo império czarista. A partir de Deng Xiaopingcomeçou um processo de reconstrução de seu antigo poderio, alcançando, sob Xi Jimping, preeminência econômica em vários setores.


O império russo se formou gradualmente a partir de Kyiv-Rus e depois foi sendo aumentado de maneira brutal pelos tiranos que produziram formas precoces de regimes autoritários, mas a forma especifica de totalitarismo surgiu com o império soviético. Decaiu, sob o irracional regime comunista, e agora está sendo reconstruido sob o regime cleptocrático mafioso de Vladimir Putin.


O império americano começou a ser formado depois da guerra de Secessão e se tornou, pelo vigor econômico, a maior potência durante os últimos cem anos. Uma grande democracia sendo erodida e deztruída pelo maior débil mental jamais conhecido na história das grandes potências. Esse mesmo débil mental está destruindo não só a democracia, mas também a economia, com sua insanidade tarifária. O mais incrivel é que o Congresso democraticamente eleito não vonsegue conter o idiota em sua insanidade.


O fato é que o debiloide americano ama o (ou é dominado pelo) tirano de Moscou, que por sua vez fez uma “aliança sem limites” com o novo imperador chinês, que já vassalizou a Rússia decadente.


A nenhuma interessa uma confrontação direta com as demais, que são observadas preocupadamente pelo meio império da UE (que ainda não conseguiu superar os efeitos de guerras do passado), assim por potências médias que definem suas próprias alianças temporárias.


É possivel que os três grandes impérios encontrem uma formula de convivência temporária, que deixará de existir com a decadência independente de cada um deles. Ambições desmedidas de dirigentes irracionais obstam a que o mundo possa se desenvolver uniformemente à base de livre comércio, livre circulação de capitais e de capital humano, parte dele ainda não educado e miserável. 


Paixões e interesses ainda continuam a moldar o mundo, com imensas perdas para todos, mais pelo custo oportunidade da não liberalização ampliada do que por enfrentamento direto entre eles (que de toda forma não ocorrerá, devido à possibilidade de destruição total pela arma atômica). A guerra de Troia, pelo seu efeito delongado, não está muito longe dos cenários possíveis no século XXI.


Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 10/09/2026

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