Soube, muito recentemente, que um texto meu feito no distante ano de 2010, ainda era capaz de provocar certos frissons (desculpem a expressão em francês) na academia. Numa universidade do interior do Brasil, mas de qualidade comparável à das melhores universidades de RJ e SP, soube que esse meu texto sobre a "ignorância letrada" – um termo meio suspeito – foi discutido intensamente, pois que talvez ainda representativo do ambiente em que se vive nos cursos universitários Brasil afora.
Eu provavelmente fui injusto para com meus colegas acadêmicos em 2010, mas o texto era apenas uma provocacão subjetiva, que talvez tenha tocado em alguns nervos expostos na academia.
Em todo caso, reproduzo aqui uma postagem feita neste mesmo espaço mais de três anos atrás, que retoma o mesmo debate: a academia brasileira está melhor ou pior do que foi no passado, digamos nos anos 1960 ou 1970, quando o Brasil aparentemente terminou a "substituição de importações" no setor universitário, quase ao mesmo tempo em que a substituição de importações no setor industrial chegava aos seus limites, e ainda não tínhamos criado um sistema próprio de inovacão tecnológica, o que deixou o Brasil um pouco atrasado na competitividade industrial (ao passo que a agricultura dava enormes passos em sua própria produtividade, conformando o Brasil como uma das grandes potências agrícolas do mundo)?
Provavelmente, a resposta reproduz o título de um famoso filme dos anos 1960, um dos primeiros western spaghettis de Sergio Leone: a universidade brasileira tem um pouco de tudo, do bom, do mau e do feio, e assim continuou ao longo dos anos.
Em todo caso, aos que tiverem interesse no texto original, as referências seguem abaixo, e agradeço pelo interesse continuado que ele ainda possa ter para as gerações mais nova.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 29 de setembro de 2026
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quinta-feira, 27 de abril de 2023
A ignorância letrada, uma crítica contundente à academia, ainda se sustenta como conceito e como realidade? - Paulo Roberto de Almeida
Hoje, 26/04/2023, tomei conhecimento de que um antigo texto meu, elaborado improvisadamente entre duas ou três viagens entre um canto e outro do mundo, foi citado num livro do conhecido "provocador cultural" Antonio Risério, o que confesso não sabia, e sobre o qual gostaria de ser informado para adquirir e ler.
O texto, também provocador, é o seguinte, com todos os links a que ele teve direito, por publicações sucessivas, em periódicos acadêmicos com os quais colaborava, ou até um dos aviadores, sem que eu o tivesse encaminhado (eles o quiseram, dez anos depois de sua publicação original, e eu não objetei).
2169. “A Ignorância Letrada: ensaio sobre a mediocrização do ambiente acadêmico”, Dubai-São Paulo, 17/07/2010; Shanghai, 30/07/2010, 10 p. Ensaio sobre a crescente deterioração da qualidade da produção acadêmica brasileira na área de humanas, examinando a natureza do problema, suas causas, suas consequências mais evidentes e as evidências disponíveis. Disponível no blog Diplomatizzando (1/08/2010; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/08/sobre-ignorancia-letrada-algumas.html). Revista Espaço Acadêmico (ano 10, n. 111, agosto 2010, p. 120-127; link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/10774; pdf: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/download/10774/5859). Publicada na revista acadêmica Espaço da Sophia (ano 4, n. 41; janeiro-março 2011; ISSN: 1981-318X). Reproduzido na revista Aeronáutica (Rio de Janeiro: Clube da Aeronáutica, vol. X, n. 308, julho a setembro 2020, p. 20-25; ISSN: 0486-6274; link: http://www.caer.org.br/downloads/revistas/revista308.pdf); disponível na plataforma Academia.edu (7/10/2020; link: https://www.academia.edu/44249737/2169_A_Ignorancia_Letrada_ensaio_sobre_a_mediocrizacao_do_ambiente_academico_2010_). Publicados n. 985, 1016 e 1469.
Todos os links acima, permanecem funcionais, mas eles reproduzem apenas o artigo em si, não necessariamente o debate que ele possa ter suscitado, e do qual não devo ter tomado conhecimento, pois que permaneci fora do Brasil (na China) até quase o final do ano de 2010.
Permito-me apenas reproduzir, abaixo, um comentário que permaneceu na postagem do meu blog Diplomatizzando.
Informo, por fim, que nunca mais voltei ao tema, e não mais fiz "pesquisas" para comprovar se as minhas críticas acerbas eram legítimas, na ocasião (provavelmente não), ou se elas se mantêm, contra meus colegas de academia. Imagino que a qualidade tenha melhorado E piorado, pois, como naquele velho filme de faroeste italiano, temos de tudo, do bom, do mau e do feio.
Será que estou sendo injusto com minha "alma mater" (ironia involuntária)?
Não sei, preciso reler o trabalho, já quase esquecido, e repensar meu ataque feito com metralhadora ponto 50.
Aguardo críticas dos "companheiros" (no pun intended).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 26/04/2023
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Excelente! Nunca pensei que fosse um dia encontrar um Cientista Social brasileiro sem fortes inclinações marxistas! (Desculpe a brincadeira. Isso é consequência da MINHA ignorância letrada, muito influenciada por um preconceito que surgiu devido a uns panelaços e gritaria enquanto eu fazia prova na Universidade).
Quanto ao assunto do artigo, lembro-me de ter sido fortemente influenciado pela escola quando ainda era uma inocente criança. Me diziam: Papai Noel existe; Jesus vai te salvar; o rico é rico porque toma do pobre; é uma injustiça social colher os frutos da sua iniciativa, criatividade e esforço pessoal.
Acredito que essa lavagem cerebral feita nas escolas, provavelmente influenciada por teorias ultrapassadas e inúteis, com conteúdo ideológico e gente mal intencionada por trás, ajude a perpetuar esse quadro de mediocrização do ambiente acadêmico, já tornando o indivíduo permanentemente desinformado antes mesmo dele perder a virgindade. É uma pena.
Parabéns pelo artigo e pelo blog! Um abraço!
Leonardo,
Acabo de voltar ao Brasil, depois de oito meses no exterior, tendo acompanhado pela internet alguns dos"debates" acadêmicos a propósito das eleições. Confesso a você que fiquei assustado com o que li e ouvi, pela extrema vulgaridade dos argumentos expostos, pelo militantismo da pior espécie exposto em todas as esferas e pela mediocridade continuada já por mim criticada neste ensaio. Você deve ter lido, por exemplo, o manifesto dos reitores a favor da candidata oficial. mandei uma carta resposta para a SBPC que obviamente não foi publicada, mas que você pode encontrar aqui neste blog, colocando carta dos reitores ou algo do genero.
Estou realmente assustado com a mediocrização galopante da academia brasileira.
O abraco do
Paulo R Almeida