Enviado por Maurício David
Poema "Ych bin a Yid", de Itzik Feffer
" Sou Judeu"
Tradução livre do yiddish
Israel Blajberg
Sou judeu
O vinho de gerações passadas
Fortaleceu meu caminho errante
Sob a espada maligna da dor e das lamentações
Nada poderia matar meu povo, minha fé e minha cabeça erguida
Não poderia me impedir de ser livre e verdadeiro
Sob a espada, gritei em voz alta
‘ sou judeu!’
O Faraó, Tito e Hamã tentaram
Me matar em seus tempos e terras
Mas a eternidade ainda ostenta meu nome
Sobrevivi aos tormentos da Espanha
E às fogueiras da Inquisição
Minhas trombetas ressoaram a mensagem
‘ sou judeu!’
Quando o Egito me cercou com muralhas
Senti agonia, dor
Testemunhei a Alvorada
Sob o sol, estendia-se uma estrada,
Onde abundavam pedras e espinhos,
E quando eles empanaram minha visao afirmei:
‘ sou judeu!’
40 anos de peregrinação no deserto
O tempo me fortaleceu
Para suportar a dor e angústia
Em meio ao sofrimento e medo
O chamado de Bar Kochba chegou aos meus ouvidos
Os sons e visão me fizeram gritar
‘ sou judeu!’
Os cabelos de Sansão que Dalila cortou
Brilhavam mais que ouro
Um grito sempre esteve em meu íntimo:
‘Sou judeu!’
O brilho do rabino Akiva
E a palavra do sábio Isaías
Mantiveram vivo meu amor
Até que meu ódio amainou
E senti o sangue dos Macabeus
Que os tiranos derramaram
Gritei de todos os patíbulos
‘Sou judeu!’
A sabedoria de Salomão me guiou
Ao longo do meu caminho errante
Vejo o esgar do sorriso de Heine
Como flagelo e aguilhão
A canção de Yehuda Halevi em meus pensamentos
Ecoa por toda parte
Muitas vezes desvaneci, mas jamais tombei
‘Sou judeu!’
Nas praças de Amsterdã,
Spinoza nao se deixou abater
Nesta terra, como um sol brilhante
Surgiu Karl Marx e sua palavra
Em minhas veias corre sangue fresco e vermelho
Renovando meu velho coração
Curou minhas tristezas e dores
‘ sou judeu!’
Meus olhos ofuscados pelo brilho do pôr do sol
De uma pintura de Levitan Sigo o caminho que Mendele trilhou
Acompanho a baioneta de um soldado do Exército Vermelho
A foice rebrilha sobre o milho maduro
Sou filho desta terra soviética onde nasci
E também
‘ sou judeu!’
Do Porto de Haifa e de Londres
Me vem a resposta
De Buenos Aires e Nova York
Chegam hinos de judeus que lutam e trabalham
E até mesmo do inferno ardente
Chega a vibração que bem conheço
De todos esses lugares o brado ressoa:
‘ sou judeu!’
Sou um judeu que bebeu
A felicidade da taça de Stalin
Para aqueles que abandonariam Moscou
Do fundo da terra grito ‘Não’
Os eslavos também são meus irmãos
‘ sou judeu!’
Sou navio ao longo de ambas as margens
Meu sangue jorra para a eternidade
Dependo do meu orgulho por Sverdlov
E de Kaganovitch amigo de Stalin
Meus jovens correm velozes sobre as neves
Meu coração pulsa e a dinamite explode
Por toda parte o chamado ressoa
‘ sou judeu!’
Não estou sozinho! Minha força se agiganta
A batalha é meu pão de cada dia
A tempestade furiosa sopra
E o inimigo ariano tomba sem vida
Gorelik e Papernik
Bradam sob a terra
‘ sou judeu!’
Apesar do inimigo que vem destruir
Sob a Bandeira Vermelha viverei
Plantarei vinhedos para meu deleite
E neste solo prosperarei
Faça o que fizer o inimigo
Salvaremos a liberdade do mundo
Ainda dançarei sobre o túmulo de Hitler
- ‘Sou judeu !!!’
O poeta Isac Feffer foi fuzilado em 1952, junto com mais uns 10 intelectuais judeus por ordem de Stalin, na prisao de Lubianka. Eles se achavam bons comunistas. Acusação: burgues cosmopolita. Reabilitado por Michael Gorbachov. Este poema é uma contradição entre o comunismo de Feffer e sua origem judaica, escrito no tempo do Comite Judaico Anti fascista em 1942.