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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Poema "Ych bin a Yid", de Itzik Feffer; "Sou Judeu" - Tradução livre do yiddish Israel Blajberg

Enviado por Maurício David 

Poema "Ych bin a Yid", de Itzik Feffer

" Sou Judeu"

 

Tradução livre do yiddish

Israel Blajberg

 Sou judeu

O vinho de gerações passadas

Fortaleceu  meu caminho errante

Sob a espada maligna da dor e das lamentações

Nada poderia matar meu povo, minha fé e minha cabeça erguida

Não poderia me impedir de ser livre e verdadeiro

Sob a espada, gritei em voz alta

‘ sou judeu!’


O Faraó, Tito e Hamã tentaram 

Me matar em seus tempos e terras

Mas a eternidade ainda ostenta meu nome

Sobrevivi aos tormentos da Espanha

E às fogueiras da Inquisição 

Minhas trombetas ressoaram a mensagem

‘ sou judeu!’


Quando o Egito me cercou com muralhas 

Senti agonia, dor

Testemunhei a Alvorada

Sob o sol, estendia-se uma estrada,

Onde abundavam pedras e espinhos,

E quando eles empanaram minha visao  afirmei:

‘ sou judeu!’


40 anos de peregrinação no deserto

O tempo me fortaleceu

Para suportar a dor e angústia

Em meio ao sofrimento e medo

O chamado de Bar Kochba chegou aos meus ouvidos

Os sons e visão me fizeram gritar

‘ sou judeu!’


Os cabelos de Sansão que Dalila cortou

Brilhavam mais que ouro

Um grito sempre esteve em meu íntimo:

‘Sou judeu!’


O brilho do rabino Akiva

E a palavra do sábio Isaías

Mantiveram vivo meu amor

Até que meu ódio amainou

E senti o sangue dos Macabeus

Que os tiranos derramaram

Gritei de todos os patíbulos

‘Sou judeu!’


A sabedoria de Salomão me guiou

Ao longo do meu caminho errante

Vejo o esgar do sorriso de Heine

Como flagelo e aguilhão

A canção de Yehuda Halevi em meus pensamentos 

Ecoa por toda parte

Muitas vezes desvaneci, mas jamais tombei 

‘Sou judeu!’


Nas praças de Amsterdã,

Spinoza nao se deixou abater

Nesta terra, como um sol brilhante

Surgiu Karl Marx e sua palavra

Em minhas veias corre sangue fresco e vermelho

Renovando meu velho coração

Curou minhas tristezas e dores

‘ sou judeu!’


Meus olhos ofuscados pelo brilho do pôr do sol

De uma pintura de Levitan Sigo o caminho que Mendele trilhou

Acompanho a baioneta de um soldado do Exército Vermelho

A foice rebrilha sobre o milho maduro

Sou filho desta terra soviética onde nasci

E também

‘ sou judeu!’


Do Porto de Haifa e de Londres 

Me vem a resposta 

De Buenos Aires e Nova York

Chegam hinos de judeus que lutam e trabalham

E até mesmo do inferno ardente

Chega a vibração que bem conheço

De todos esses lugares o brado ressoa:

‘ sou judeu!’


Sou um judeu que bebeu

A felicidade da taça de Stalin

Para aqueles que abandonariam Moscou

Do fundo da terra grito ‘Não’

Os eslavos também são meus irmãos

‘ sou judeu!’


Sou navio ao longo de ambas as margens

Meu sangue jorra para a eternidade

Dependo do meu orgulho por Sverdlov

E de Kaganovitch amigo de Stalin

Meus jovens correm velozes sobre as neves

Meu coração pulsa e a dinamite explode

Por toda parte o chamado ressoa

‘ sou judeu!’


Não estou sozinho! Minha força se agiganta

A batalha é meu pão de cada dia

A tempestade furiosa sopra

E o inimigo ariano tomba sem vida

Gorelik e Papernik 

Bradam sob a terra

‘ sou judeu!’


Apesar do inimigo que vem destruir

Sob a Bandeira Vermelha viverei

Plantarei vinhedos para meu deleite

E neste solo prosperarei

Faça o que fizer o inimigo

Salvaremos a liberdade do mundo

Ainda dançarei sobre o túmulo de Hitler

    -   ‘Sou judeu !!!’


O poeta Isac Feffer foi fuzilado em 1952, junto com mais uns 10 intelectuais judeus por ordem de Stalin, na prisao de Lubianka. Eles se achavam bons comunistas. Acusação: burgues cosmopolita. Reabilitado por Michael Gorbachov. Este poema é uma contradição entre o comunismo de Feffer e sua origem judaica, escrito no tempo do Comite Judaico Anti fascista em 1942.




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