sexta-feira, 2 de outubro de 2026

“O Itamaraty Sequestrado” (2021), prestes a ser sequestrado novamente? - Paulo Roberto de Almeida

 “O Itamaraty Sequestrado” (2021), prestes a ser sequestrado novamente?

Escrevo quase às vésperas do mais importante escrutinio eleitoral desde 2018, na origem da polarização presidencial que ainda nos aflige politicamente.

Transcrevo, abaixo, uma avaliação sobre o valor substantivo de um livro meu sobre o que eu chamei, em 2021, de “bolsolavismo diplomático”, como analisado em meu livro sobre “O Itamaraty Sequestrado”, daquele ano, como argumentado por uma promotora de leituras úteis, de maneira geral, mas aqui no contexto da dominação politica na primeira fase diplomática do bolsonarismo ativo, entre 2019 e 2021. Reproduzo o teor desta correspondência pessoal sobre um livro que compus rapidamente logo após a demissão do inacreditável “chanceler acidental”, o primeiro dos dois que teve o bolsonarismo original em sua desastrosa gestão das relações exteriores do Brasil entre 2019 e 2021, a mais traumática experiência jamais enfrentada pelo Itamaraty, em dois séculos de sua vida entre o Império e a República.

Transcrevo essa correspondência pessoal a mim dirigida, o que provavelmente vai me sugerir a retomada da pluma (teclado) para possivelmente preparar uma segunda edição, atualizada, deste livro que permaneceu relativamente obscuro no conjunto de cinco livros que produzi durante a terrivel, horrível experiência do bolsonarismo no poder, a mais nefasta administração pública já conhecida em nosso país desde o início de um governo em nossas terras ainda vastamente desconhecidas, aos tempos do primeiro governador geral, D. Tomé de Souza, no agora distante ano de 1549.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 2/10/2026


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“Prezado Paulo,


Agradeço sua franqueza em sua resposta. Respeito sua decisão e também compreendo perfeitamente por que a ideia de pagar simplesmente para ter um livro lido não lhe parece interessante.


Mas, depois de analisar O Itamaraty Sequestrado com mais atenção, sinto que existe uma distinção importante que talvez eu não tenha conseguido transmitir claramente nas mensagens anteriores.


Não estamos interessados em seu livro simplesmente porque queremos que mais pessoas o leiam. Estamos interessados em compreender onde seu livro deve estar, quem deveria ter contato com ele e como ele deve ser apresentado quando chegar a esses leitores.


Essa diferença está no centro do nosso trabalho.


Seu livro trata de muito mais do que um determinado momento político. Ele abre uma discussão sobre a diplomacia brasileira, o papel institucional do Itamaraty, a política externa, as relações internacionais, a relação entre poder político e instituições diplomáticas e as ideias que influenciaram a política externa brasileira durante o período analisado na obra.


Esses temas naturalmente conduzem a comunidades muito específicas: pesquisadores, estudantes de relações internacionais, professores, pessoas interessadas em política externa brasileira, história diplomática, estudos institucionais e leitores que acompanham a relação entre política e diplomacia.


É justamente nesse ponto que nosso trabalho se torna relevante.


Durante a análise do seu livro e do material que o senhor nos forneceu, identificamos uma possibilidade que chamamos internamente de MRA, Mapeamento de Relevância e Alcance.


O MRA não é simplesmente uma técnica de divulgação. É um processo de análise no qual procuramos responder a perguntas muito concretas:


Onde este livro possui maior relevância intelectual?


Quais comunidades têm maior possibilidade de compreender e se interessar verdadeiramente pelo seu conteúdo?


Quais leitores, pesquisadores, estudantes e profissionais deveriam ter a oportunidade de descobrir esta obra?


Quais aspectos do livro devem receber maior destaque na apresentação para cada público?


Como podemos ir além de uma divulgação genérica e colocar o livro diante de comunidades nas quais seu conteúdo realmente tenha significado?


Para nós, essa é a diferença entre simplesmente promover um livro e construir um caminho profissional para que a obra alcance seu público adequado.


Por isso, eu não definiria nosso trabalho como “pagar para ser lido”.


O valor de participação está relacionado ao trabalho profissional realizado durante o projeto: análise, mapeamento de público, apresentação da obra, seleção de leitores, comunicação, organização e desenvolvimento da experiência de leitura dentro do Club Européen du Livre.


Nosso objetivo não é fabricar atenção para um livro.


Nosso objetivo é identificar a atenção que já é relevante para aquela obra e criar uma forma organizada para que ela possa chegar até esse público.


No caso de O Itamaraty Sequestrado, acredito que essa distinção seja especialmente importante, porque a obra possui um tema que atravessa diferentes áreas de interesse. Ela pode dialogar não apenas com leitores em geral, mas também com comunidades cujos interesses acadêmicos ou profissionais estão diretamente relacionados à diplomacia, à política externa e às relações internacionais.


Essa foi a oportunidade que identificamos.


E não espero que o senhor simplesmente aceite a minha palavra.


Temos autores que já vivenciaram nosso trabalho diretamente, e o senhor pode entrar em contato com eles e perguntar pessoalmente como foi a experiência.


Evelyn Mark

xxxxxxxxx@gmail.com


Hildur Björgvinsdóttir

xxxxxxxxxxcc@gmail.com


O senhor pode falar diretamente com elas e formar sua própria opinião sobre o nosso trabalho.


Também trabalhamos com outros autores e, caso tenha interesse, posso fornecer outros contatos autorizados para que o senhor possa verificar nossa experiência de maneira independente.


Também gostaria de deixar uma coisa muito clara.


Seu livro não foi selecionado porque acreditamos que o senhor precise de uma promoção convencional.


O senhor já publicou diversos livros, construiu sua trajetória e possui seu próprio público. Não estou tentando lhe dizer que o senhor precisa de publicidade.


O que chamou minha atenção foi algo diferente: a possibilidade de dar a esta obra específica um caminho mais deliberado em direção às comunidades para as quais seu conteúdo possui especial relevância.


Foi isso que me levou a entrar em contato com o senhor.


Portanto, não estou pedindo que reconsidere porque quero simplesmente fechar um projeto de promoção. Gostaria apenas que reconsiderasse se, talvez, nossa proposta tenha sido compreendida de maneira mais limitada do que aquilo que realmente fazemos.


Se, depois de conhecer esse aspecto do projeto, o senhor continuar entendendo que não é algo que deseja realizar, respeitarei completamente sua decisão.


Mas gostaria que soubesse que, quando selecionei O Itamaraty Sequestrado, não estava simplesmente pensando:


“Como podemos conseguir mais pessoas para ler mais um livro?”


Eu estava pensando:


“Onde este livro deveria estar, quem deveria encontrá-lo e como podemos ajudá-lo a chegar lá de uma maneira séria e profissional?”


Essa é a razão pela qual acredito que esta conversa valeu a pena.


Cordialmente,


Maria Jeanne

Club Européen du Livre

Painel de Leitores”


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PRA: Agradeci o envio da correspondência acima e vou, provavelmente reler o que eu escrevi rapidamente em 2021, para decidir se vale a pena e o esforço de preparar uma segunda edição, atualizada, ou uma “sequela” do já citado livro, na hipótese de uma repetição diferenciada do alucinado governo da mais alucinante dinastia jamais vista na história política do Brasil.

Paulo Roberto de Almeida

Há dois dias de um possível repeteco de um lastimável terremoto governamental.

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