sábado, 24 de outubro de 2026

Madame IA se distingue imitando o contrarianista do Diolomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou "dar nomes aos bois" - Paulo Rooberto de Almeida, Madame IA, ADL

Madame IA se distingue imitando o contrarianista do Diolomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou "dar nomes aos bois"

 Paulo Roberto de Almeida, Madame IA, ADL  

 Recebo com grande prazer o texto abaixo escrito por Madame IA, a pedido de meu amigo ADL, e nele reconheço um estilo talvez familiar com um personagem que conheço desde certo tempo, excelente mesmo e talvez até melhor do que eu mesmo escreveria. Mas, tímida como ela é, Madame IA se exime de dar nomes aos bois, ou seja, a indentificar os idealistas, os enganadores e os patifes, como existem entre os 20 nomes mais citados (alguns obrigatoriamente, mas infelizmente) em meu "quilombo de resistência intelectual". 

Agradeço a distinção, em meu próprio favor, e vou continuar meu trabalho de relatar o que vejo, o que leio, dando nomes aos bois...

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 24 de outubro de 2026

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Considerando o histórico de postagens assinadas pelo diplomata PRA (Paulo Roberto de Almeida) no blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/), com destaque recente para o fragmento textual no início da postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/o-bom-o-mau-e-o-feio-lembram-se-do.html (título, entre aspas: "O Bom, o Mau e o Feio (lembram-se do Sergio Leone?): meus "tipos preferidos" no Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida (via ADL e Madame IA)"), assim como mimetizando/imitando "o estilo de escrita, as ideias defendidas e o modo de exposição dos argumentos", apresente um texto discursivo (apenas frase e parágrafos) sobre o tema/assunto "os bons, os malvados, os brutos - nas políticas interna e internacional - brasileiros e estrangeiros", em aproximadamente 5500 caracteres. 

Seguindo o espírito analítico e crítico do blog Diplomatizzando — sem atribuir a Paulo Roberto de Almeida a autoria deste texto —, eis uma imitação do seu registro ensaístico sobre “os bons, os malvados e os brutos” na política brasileira e internacional.
Os bons, os malvados e os brutos nunca foram categorias tão nítidas quanto gostariam os moralistas de plantão, mas continuam sendo indispensáveis para compreender o espetáculo político, dentro e fora das fronteiras. O bom é aquele que crê, às vezes ingenuamente, que as instituições funcionam, que as regras se aplicam a todos e que o interesse público pode prevalecer sobre as ambições pessoais. O malvado é mais sofisticado: conhece as regras, manipula-as com destreza e converte a retórica moral em instrumento de poder. O bruto, por fim, dispensa sutilezas: governa pela força, pela intimidação e pela repetição de fórmulas simplórias, convencido de que a realidade se dobra à vontade de quem grita mais alto.
Na política interna brasileira, essa tipologia não corresponde necessariamente a partidos, mas a temperamentos e métodos. Os bons são frequentemente os reformistas incomodados, os técnicos que acreditam ainda na possibilidade de um Estado eficiente, os juristas que levam a sério a letra da Constituição e os cidadãos que pagam seus impostos esperando, contra toda evidência, receber em troca serviços públicos decentes. São minoria ruidosa apenas quando escandalizados; na maior parte do tempo, permanecem silentes, absorvidos pela vida privada, enquanto o país é administrado por outros critérios.
Os malvados brasileiros são reconhecíveis pela sua capacidade de transformar princípios em ocasiões. Falam de democracia quando precisam de votos, de combate à corrupção quando desejam atingir adversários, de inclusão social quando buscam legitimidade para ampliar clientelas e de soberania nacional quando pretendem blindar privilégios corporativos. Não são, necessariamente, homens de pouca inteligência; ao contrário, costumam ser bastante inteligentes, o que torna sua ação mais perigosa. Sabem que o Brasil tolera uma dose considerável de impunidade, desde que ela venha acompanhada de discursos generosos e de promessas de futuro.
Os brutos, por sua vez, abundam em todas as correntes. São os que confundem firmeza com grosseria, autoridade com arbitrariedade e lealdade com servilismo. Aparecem nas ruas, nas redes sociais, nos gabinetes e, ocasionalmente, em tribunais e parlamentos. Não elaboram programas; produzem inimigos. Não constroem instituições; as ocupam. Sua força reside precisamente na sua simplicidade: oferecem explicações imediatas para problemas complexos e culpados prontos para todas as frustrações nacionais. Em um país de desigualdades históricas e expectativas permanentemente frustradas, essa mercadoria encontra demanda assegurada.
A política externa reproduz esse quadro em escala maior, embora com cenários mais antigos e atores mais experientes. Os bons, no plano internacional, são os defensores de uma ordem baseada em regras, no comércio relativamente livre, na solução pacífica de controvérsias e na cooperação entre Estados soberanos. Não são ingênuos por reconhecer que a anarquia internacional persiste; são realistas na medida em que sabem que, sem normas comuns, prevalecerá a lei do mais forte. O Brasil teve, em sua melhor tradição diplomática, uma vocação para esse tipo de atuação: pragmática, juridicamente orientada, discreta e atenta ao equilíbrio de interesses.
Os malvados internacionais são os que invocam o multilateralismo quando ele lhes é útil e o abandonam quando passa a constranger seus interesses. Falam de livre-comércio enquanto subsidiam suas indústrias, de direitos humanos enquanto negociam com tiranos, de não intervenção enquanto interveêm, de paz enquanto armam os beligerantes. A hipocrisia não é um acidente do sistema internacional; é um de seus mecanismos constitutivos. Todo grande poder prega virtudes que gostaria de ver praticadas pelos demais, reservando para si a liberdade das exceções.
Os brutos globais são aqueles que já não se preocupam sequer com a máscara. Anexam territórios, ameaçam vizinhos, sufocam populações e apresentam tudo isso como destino histórico, segurança nacional ou direito sagrado. Sua linguagem é a da força bruta, e sua vantagem tática é clara: enquanto os países civilizados debatem proporcionalidade, legalidade e consequências, eles avançam. A história ensina, porém, que essa vantagem costuma ser temporária. Impérios construídos exclusivamente sobre a coerção geram coalizões contra si mesmos, e a brutalidade, longe de resolver conflitos, tende a multiplicá-los.
O Brasil, felizmente, não é um ator brutal no cenário mundial, mas corre o risco de se tornar um ator incoerente. Quando alterna entre o discurso terceiromundista e a busca pragmática de investimentos, entre a crítica ao Ocidente e a dependência de seus mercados, entre a solidariedade com regimes autoritários e a defesa formal da democracia, o país perde aquilo que deveria ser seu principal ativo diplomático: a credibilidade. Uma política externa séria não exige alinhamento automático com nenhuma potência; exige coerência entre valores declarados e interesses defendidos.
O pior cenário não é o do país dominado pelos malvados, que ao menos conhecem o valor das instituições e sabem que precisam preservá-las para delas se servir. É o do país entregue aos brutos, que não distinguem entre autoridade e violência, entre crítica e destruição, entre reforma e vingança. Nas políticas interna e internacional, a tarefa dos bons não é a de serem ingênuos, mas a de serem firmes: defender regras, exigir responsabilidade, recusar a banalização da força e lembrar que a civilização política é uma conquista frágil, permanentemente ameaçada por aqueles que a consideram apenas um obstáculo ao poder. 

*Fonte: https://www.perplexity.ai/search/1de0d384-b3cc-4794-a2d5-84255b72601e (Perplexity). 

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