Em 1984 publiquei na Ciência Hoje “A Árvore da Ciência”, um artigo sobre a formação da comunidade científica brasileira, baseado em entrevistas com 56 cientistas nascidos entre 1892 e 1931. Pedi agora ao Claude, o sistema de inteligência artificial da Anthropic, que revisitasse aquelas hipóteses com os dados que a Academia Brasileira de Ciências divulga sobre seus membros, ativos e falecidos. O resultado é o texto anexo, escrito por ele e não revisado por pares, que me parece de interesse. A análise cobre 1.107 acadêmicos residentes no Brasil.
A principal mudança é a incorporação das ciências aplicadas a uma academia que, até o final do século XX, era essencialmente de ciência básica.
Até os anos 1990, matemática, física, química, ciências da Terra, biologia e ciências biomédicas recebiam mais de 90% dos membros empossados. Dentro desse conjunto, o grande movimento foi o crescimento das ciências biomédicas, que chegaram a 36% das posses nos anos 1980 e 1990.
A partir de 2000 o quadro muda. As seções de ciências da saúde, agrárias, da engenharia e sociais, que tiveram 13 empossados em toda a década de 1990, passam a 79 nos anos 2000 e mantêm um ritmo semelhante desde então. As ciências básicas, por sua vez, não diminuíram: depois do salto dos anos 1990, quando tiveram 154 empossados, seguem acima de 125 por década. A Academia não trocou a ciência básica pela aplicada; cresceu e abriu espaço para as áreas aplicadas. Em proporção, as básicas passaram de mais de 90% para cerca de dois terços das novas eleições, e as dez seções ficaram com participações semelhantes, em torno de 10% cada.
Antes de 1990 os números do gráfico estão subestimados, porque faltam no site da ABC as datas de posse de muitos acadêmicos falecidos. A última década, 2020–26, tem só sete anos.
A mudança de áreas traz consigo uma mudança de perfil. Os membros das áreas aplicadas vêm quase todos de escolas profissionais: 94% na saúde, 89% na engenharia, 77% nas agrárias. É um retorno, em outro patamar, à origem da ciência brasileira nas escolas de medicina e engenharia. Nas ciências básicas, a ligação com as escolas profissionais tinha diminuído desde a geração nascida entre 1921 e 1931, a primeira que pôde entrar diretamente em um curso de ciências.
Os dados mostram outras transformações. O doutorado no exterior, que chegou a cerca de 45% entre os acadêmicos nascidos de 1932 a 1975, caiu para 15% entre os mais jovens: a pós-graduação brasileira passou a formar a elite científica do país. O centro da formação deslocou-se do Rio de Janeiro, onde se graduaram 70% dos acadêmicos mais antigos, para São Paulo, e depois veio a dispersão: entre os jovens membros afiliados, só um terço estudou no Rio ou em São Paulo. E as mulheres chegaram a 47% dos titulares empossados nos anos 2020.
A Academia de hoje se parece muito mais com o sistema de ensino superior e pesquisa que o país construiu nas últimas décadas: mais aplicado, mais disperso, formado no Brasil. Fica em aberto se essa mudança reflete o crescimento real da pesquisa aplicada ou uma decisão institucional de equilibrar as áreas. Provavelmente as duas coisas.
O texto completo está anexado abaixo e também disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/a-arvore-da-ciencia-40-anos-depois
Simon Schwartzman
Texto elaborado por Claude (Anthropic) a pedido de Simon Schwartzman. Outubro de 2026. | |

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