Mostrando postagens com marcador Prata da Casa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Prata da Casa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de março de 2026

Prata da Casa, outubro 2018 janeiro de 2019; resenhas de livros dos diplomatas - Paulo Roberto de Almeida

Prata da Casa, outubro 2018 janeiro de 2019

Paulo Roberto de Almeida
(http://diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)

[Miniresenhas; Revista da ADB, Associação dos Diplomatas Brasileiros (ano XX, n. 99, outubro de 2018 a fevereiro de 2019; ISSN: 0104-8503)]

1) Christófolo, João Ernesto:
Princípios Constitucionais de Relações Internacionais: significado, alcance e aplicação (Belo Horizonte: Del Rey, 2019, 684 p.; ISBN: 978-85-384-0532-0)

Estudo absolutamente inédito na categoria dos estudos sobre o constitucionalismo brasileiro, pois enfocando, em mais de 650 páginas todos os princípios das relações internacionais do Brasil tal como inscritos na CF-88: independência nacional, prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre os estados, defesa da paz, solução pacífica dos conflitos, repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, concessão de asilo político. O trabalho é precedido por um estudo sistêmico e comparado dos princípios constitucionais de relações internacionais, assim como examina o tema no constitucionalismo brasileiro e sua construção na Assembleia Constituinte de 1987-88. O trabalho é impressionante pelo seu caráter exaustivo.

2) Barbosa, Rubens:
Um diplomata a serviço do Estado: na defesa do interesse nacional: depoimento ao Cpdoc (Rio de Janeiro: FGV Editora, 2018; 300 p.; ISBN: 978-85-225-2078-7)

Meio século de atividades diplomáticas – que ainda não terminaram – estão aqui reproduzidas, mediante o depoimento prestado pelo autor a Matias Spektor, no Cpdoc, consistindo numa descrição detalhada de sua participação nos temas mais relevantes da diplomacia brasileira desde meados dos anos 1960 até sua aposentadoria como embaixador em Washington, passando por chefia de divisões, chefia de gabinete (ministro Olavo Setúbal), representante junto à Aladi, coordenação do Mercosul e de temas econômicos e também embaixador em Londres. Agregam-se ao seu próprio relato depoimentos de colaboradores, como os diplomatas Eduardo Santos, Marcos Galvão e Paulo Roberto de Almeida. Seus arquivos já se encontram disponíveis na FGV-RJ, e comportam milhares de páginas abertas à pesquisa. Rubens Barbosa segue ativo.

3) Almeida, Paulo Roberto de (org.):
A Constituição Contra o Brasil: ensaios de Roberto Campos sobre a Constituinte e a Constituição de 1988 (São Paulo: LVM Editora, 2018; 448 p.; ISBN: 978-85-93751-39-4)

Estão aqui compilados 65 dos melhores artigos feitos pelo diplomata-economista, já na condição de Senador (pelo MT), constituinte derrotado na maior parte de suas propostas liberais e favoráveis à abertura econômica e integração do Brasil à economia mundial, precedidos por um ensaio do organizador, analisando o pensamento do grande estadista, e com um longo ensaio final destrinchando cada um dos dispositivos econômicos da Carta Magna. Incrível a capacidade premonitória de Roberto Campos ao antecipar que aqueles artigos generosos para todos e cada um acabariam inviabilizando um processo sustentado de crescimento econômico, ao comandarem o aumento contínuo dos gastos públicos; realista também sua postura contra o nacionalismo e o caráter intervencionista do Estado, tornando o Brasil um dos piores ambientes de negócios de todo o mundo.

4) Raffaelli, Marcelo:
Guerras europeias, revoluções americanas: Europa, Estados Unidos e a independência do Brasil e da América Espanhola (São Paulo: Três Estrelas, 2018; 380 p.; ISBN: 978-85-68493-54-0)

Uma história mundial das revoluções da independência das colônias ibéricas como nunca existiu na literatura publicada no Brasil, ou seja, no contexto internacional, desde 1792 (período do Terror na Revolução francesa, o que confirmava que não haveria retorno rápido às monarquias do passado), até 1828, quando finalmente termina a guerra entre Brasil e Argentina pelo pequeno Uruguai. A bibliografia confirma a manipulação de um número considerável de materiais primários e fontes secundárias, consultados diretamente nos National Archives e na Library of Congress, cuja maestria na seleção das melhores transcrições revela um historiador de altíssima qualidade. Já autor de um livro sobre as relações entre o Brasil e os EUA durante o Império (disponível na Biblioteca Digital da Funag), Raffaelli apresenta aqui uma história fascinante.

5) Villafañe G. Santos, Luís Cláudio:
    Juca Paranhos, o barão do Rio Branco (São Paulo: Companhia das Letras, 2018, 560 p.; ISBN: 978-85-359-3152-5)

Destinada a tornar-se clássica, depois dos precedentes de Álvaro Lins (1945) e Luiz Vianna Filho (1959), a biografia de Villafañe inova sobre os precedentes, ao retraçar, cuidadosamente, a vida privada, as dificuldades e as artimanhas do patrono da diplomacia brasileira, nas suas relações com a imprensa, no cuidado com o ambiente político do início da República, e basicamente sua mentalidade conservadora, no seguimento da longa dominação saquarema sobre a política imperial, seguida pelo sistema oligárquico das elites republicanas, apoiadas numa agricultura atrasada. As relações com as grandes potências e com a vizinha Argentina são especialmente estudadas, no contexto da geopolítica regional, numa fase de imperialismos europeus ainda agressivos. Os problemas familiares também são ressaltados adequadamente.

6) Lima, Sergio Eduardo Moreira; Farias; Rogério de Souza (orgs.):
A palavra dos chanceleres na Escola Superior de Guerra (1952-2012) (Brasília: Funag, 2018; 738 p.; ISBN: 978-85-7631-780-7; coleção Política externa brasileira)

Este pesado volume é uma obra de referência sobre a política externa brasileira ao longo de 60 anos, como o compêndio organizado por Seixas Corrêa para os discursos inaugurais do Brasil nas AGNU anuais, mas à diferença daqueles, o público aqui é interno, o que permite maior sinceridade e abertura sobre aspectos cruciais da diplomacia brasileira, tal como expostas pelos ministros na Sorbonne militar, aliás moldada segundo o National War College americano. A introdução, da lavra do historiador Rogério Farias, coloca esses discursos no contexto político nacional e no ambiente internacional a cada etapa dessa longa interação entre duas instituições que pensam o Brasil e contribuem para formar os tomadores de decisão. Do Vargas constitucional à presidente derrocada em 2016, uma memória da história diplomática.

7) Cardim, Carlos Henrique (editor):
Revista 200 do Grupo de Trabalho do Bicentenário da Independência (Brasília: Ministério das Relações Exteriores, n. 1, outubro-dezembro de 2018, 236 p.)

Excelente iniciativa do embaixador Cardim, enquanto coordenador adjunto desse GT, ao reunir materiais antigos e inéditos em torno de nossa história, cuja fase autônoma começa, na verdade, pelos debates nas Cortes de Lisboa, como retratado em sua capa. Um equilíbrio de estilos, de conteúdo altamente diversificado, esse número apresenta documentos históricos, análises de grandes historiadores do passado, ensaios do presente, por diplomatas e acadêmicos, colaborações de grande qualidade intercaladas por uma riquíssima iconografia, selecionada pelo exímio editor de revistas e livros que sempre foi Carlos Cardim. Ele sublinha que a revista está destinada a ser um “traço de união”, e destaca o papel fundador de Hipólito da Costa, aliás objeto de um ensaio de Paulo Roberto de Almeida, que o considera o “primeiro estadista do Brasil”.

8) Paiva, Maria Eduarda (editora-chefe):
Juca: diplomacia e humanidades (revista do curso de formação em diplomacia do IRBr, n. 10, 2018, 220 p.; ISSN: 1984-6800)

Em seu décimo aniversário, essa excelente revista dos alunos do Rio Branco apresenta um dossiê sobre os 30 anos da Constituição, aqui abordada por seus dispositivos econômicos, raciais e ambientais. Três entrevistas também dão o tom desse número: com o próprio chanceler Aloysio Nunes, com a deputada Benedita da Silva sobre a Constituinte e com o colega Silvio Albuquerque e Silva sobre os diplomatas negros. A memória diplomática tem matérias sobre Bertha Lutz, sobre as relações Brasil-EUA, a estratégia de Rio Branco na questão do Acre e as relações Brasil-Rússia em 1917. A editora-chefe traz um excelente artigo sobre o itinerário de Itaipu na tríplice relação com a Argentina e o Paraguai, na visão dos diversos diplomatas que se ocuparam da questão, desde Guimarães Rosa até Saraiva Guerreiro, passando por Gibson Barboza.

(9) Fortuna, Felipe:
O rugido do sol: poemas (Rio de Janeiro: Pinakotheke, 2018; 126 p.; ISBN: 978-85-7191-106-2)

Estes novos “poemas” de Felipe Fortuna se apresentam, antes de mais nada, como uma obra de arte visual. As aspas se justificam pois desde o Prefácio até a Lápide final (“Aqui giz”), esta talvez seja a obra mais rebuscada, stricto et lato sensi, de Felipe Fortuna, já autor de sete outros livros de poesia, três de crítica literária, dois de ensaios e duas traduções. O poema do título vem enclausurado numa bola escura, com duas páginas na cor vermelha, ressaltando o fogo da poesia, qual magma em fusão. Todos os poemas são construções gráficas, em letras maiúsculas, minúsculas, invertidas, tortuosas e torturadas, mas “o poeta pede desculpas” (p. 14) por apresentar brincadeiras com as palavras que nos obrigam a ler duas, três, quatro vezes, para apreciar essas troças com o leitor e consigo mesmo. Poesias curtas, telegráficas, mas todas altamente impactantes.

10) Lozardo, Ernesto:
OK, Roberto, você venceu: o pensamento econômico de Roberto Campos (Rio de Janeiro: Topbooks, 2018; 352 p.; ISBN: 978-85-7475-280-8)

O autor, ex-presidente do IPEA, não é diplomata, mas o sujeito de sua homenagem foi, certamente, um dos maiores estadistas do Brasil na segunda metade do século XX. Por racionalidade extrema, brigou muito com o Itamaraty, mas olhando retrospectivamente ganhou todas as partidas. Viu antes e mais longe que todos os diplomatas e bem mais que os homens públicos, mas perdeu a batalha em que se lançou desde cedo para tornar o Brasil uma nação próspera, por estupidez da maior parte dos dirigentes. A análise do pensamento econômico do homem que pensou o Brasil é complementada por depoimentos de personalidades que conviveram com ele: Fernando Henrique Cardoso, Henry Kissinger, Antonio Delfim Netto, João Carlos Martins e Ernane Galvêas. Campos foi uma grande referência na vida de Lozardo. Deveria ter sido de todos...

11) Merquior, José Guilherme:
    O Marxismo Ocidental (tradução Raul de Sá Barbosa; 1a edição; São Paulo: É Realizações, 2018, 352 p.; ISBN: 978-85-8033-343-5)

A edição original de Western Marxism é de 1985 e começa por uma cobrança ao próprio Marx, que teria, sem dúvida, como recomendado na undécima tese sobre Feuerbach, mudado a face do mundo, mas a sua interpretação desse mundo, na visão do maior intelectual diplomático brasileiro, foi intelectualmente insatisfatória. A obra parte do legado hegeliano e marxista, para depois dialogar com todos os marxistas ocidentais, desde Lukács e Gramsci até Habermas, passando pela Escola de Frankfurt, por Walter Benjamin, Sartre, Althusser e Marcuse. A obra vem enriquecida por depoimentos sobre o intelectual e sua obra, inclusive uma entrevista com o editor José Mário Pereira, e um importante arquivo de “fortuna crítica”, em torno dos debates que a obra suscitou desde seu primeiro aparecimento. Ela foi dedicada a um marxista brasileiro: Leandro Konder.

12) Temer, Michel:
    Brasil no mundo: abertura e responsabilidade: escritos de diplomacia presidencial (2016-2018) (Brasília: Funag, 2018, 409 p.; ISBN: 978-85-7631-791-3).

O presidente nunca foi diplomata, mas como foram os diplomatas de sua assessoria os responsáveis pela quase totalidade desses discursos, ao longo dos dois anos e meio do governo de transição, que retomou a diplomacia tradicional do Brasil, depois dos desvios lulopetistas, cabe registrar uma obra que marca, justamente, o retorno da política externa brasileira a padrões mais tradicionais de interação regional e mundial. São 68 discursos ou pronunciamentos ao longo de 30 meses, o que resulta em mais de dois discursos sobre temas internacionais por mês, desde as assembleias da ONU, as cúpulas regionais e as reuniões do Mercosul, até palestras para empresários, sem esquecer os temas bilaterais, ainda que mais reduzidos. Todos os grandes temas da diplomacia brasileira foram devidamente tratados por colegas competentes.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20 de fevereiro de 2019

Prata da Casa - Boletim ADB: 1ro. trimestre 2013: Rubens Antonio Barbosa: Interesse Nacional & Visão de Futuro - resenha de Paulo Roberto de Almeida

 Prata da Casa - Boletim ADB: 1ro. trimestre 2013

Paulo Roberto de Almeida
Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros
(ano 20, n. 80, janeiro-fevereiro-março 2013, p. xx-xx; ISSN: 0104-8503)

1) Rubens Antonio Barbosa: Interesse Nacional & Visão de Futuro (São Paulo: Sesi-SP Editora, 2012, 328 p.; ISBN: 978-85-8205-059-0)

Nada do que é nacional, e do que é internacional, lhe é indiferente, ou seja, quase tudo. Consistente com o suposto de que, em face de tendências nefastas ao pensamento único, vindas de certas áreas, quem tem algo a dizer deve justamente se manifestar, o ex-embaixador na Aladi, em Londres e em Washington vem se expressando continuamente nas páginas do Estadão e do Globo desde que deixou a diplomacia ativa. São 76 artigos de jornal, mais quatro entrevistas e dois depoimentos no Senado, sobre a (des)ordem econômica global, o comércio exterior brasileiro, a política externa, a integração e o Mercosul, bem como sobre assuntos de defesa nacional. Um panorama importante do que vem ocorrendo nos governos Lula e Dilma, sempre sob a perspectiva do “Interesse Nacional”, que é, aliás, o nome da revista que ele edita desde 2008. Que fôlego!
(...)

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Minha opinião sobre o Mercosul censurada pelo Itamaraty (2013) - Paulo Roberto de Almeida

O Itamaraty não gosta de dizer a verdade sobre o Mercosul

Em 2013, eu já me encontrava fora do Brasil, para o meu último serviço no exterior até o presente momento. Recebi então a proposta de um presidente da Funag, já encerrando o seu exercício, de juntar todas as minhas resenhas de obras de diplomatas, tal como publicadas ao longo de anos no boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB), e publicar num volume da Funag, sob o mesmo nome que exibia nessa seção do boletim: Prata da Casa.
Acontece que no meio do caminho surgiu uma pedra.
Um novo presidente, talvez excessivamente zeloso, ou consultando as chefias da casa, obstou a um pequeno trecho de minha análise num livro sobre o Mercosul.
Pediu-me então que eu retirasse ou mudasse esse trecho. Eu manifestei minha contrariedade e disse que preferia então que não se publicasse o volume, se amputado de uma das resenhas, aliás já publicada no referido boletim.
Eis o registro do arquivo original, sem efeito no momento.
Mais abaixo, o registro da mesma obra, que fiz em edição de autor, e que foi, nas suas diversas edições, uma das mais acessadas em minha página da Academia.edu.

2525. “Prata da Casa: obras publicadas de diplomatas”, Brasília, 27 outubro 2013. Projeto de livro para ser editado pela Funag com todas as mini-resenhas, constante de Prefácio; Introdução; Prata da Casa: os livros escritos pelos diplomatas (compilação); Outras resenhas de livros de diplomatas; Índice alfabético de autores e livros; Livros de Paulo Roberto de Almeida. Aceito pela Funag. Obstado pelo novo presidente, segundo comunicação telefônica do presidente anterior, Xxxxx, a propósito de trechos sobre Mercosul; decisão de não publicar pela Funag, e de tornar um livro eletrônico livremente disponível, em nova edição com ajustes posteriores no Prefácio e na Introdução (em 2014).

2533. Prata da Casa: os livros dos diplomatas, Hartford, 11 novembro 2013, 691 p. Compilação das resenhas mais importantes de livros de diplomatas e acadêmicos de livros da área, com Prefácio, Introdução, Índice Alfabético de Autores e Livros e demais informações de expediente. Enviado à Funag, para o setor de publicações. Correspondência para Xxxxx com sugestão de Prefácio (livro de Novembro 2013; link: https://www.researchgate.net/publication/258499134_2533PrataCasaBookNov11; divulgado neste link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2013/11/prata-da-casa-os-livros-dos-diplomatas.html). Restruturado em duas alternativas, em função de dimensões exageradas na versão diagramada (1.200 p.), e oferecido em versão reduzido, apenas com escritores brasileiros, e em versão de edições nacionais, incluindo autores estrangeiros com livros publicados no Brasil, de dimensões médias; selecionada esta última versão (disponibilizado no site Academia.edu, link: https://www.academia.edu/attachments/32789856/download_file). Revisto em 16 de julho de 2014, com novos arquivos, desconectado da Funag; divulgado no Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/07/prata-da-casa-os-livros-dos-diplomatas.html; disponível no Academia.edu: link do livro: https://www.academia.edu/5763121/Prata_da_Casa_os_livros_dos_diplomatas_Edicao_de_Autor_2014_; link direto para download do arquivo em pdf: https://www.academia.edu/attachments/34209509/download_file?s=work_strip&ct=MTQwNzAwODExOCwxNDA3MDExMjI5LDc4NTEwNjY; Researchgate.net: https://www.researchgate.net/publication/269701236_Prata_da_Casa_os_livros_dos_diplomatas?ev=prf_pub; DOI: 10.13140/2.1.4908.9601). Relação de Publicados n. 1136.

Este livro teve posteriormente edições adaptadas, todas elas amplamente acessadas na plataforma Academia.edu.

Paulo Robert de Almeida
Brasília, 30/04/2020




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Prata da Casa: resenhas de livros de diplomatas (8-2=6) - Revista da ADB

Foi finalmente publicado o número 100 da Revista da ADB, que até agora, e nos últimos 15 anos, contou com minhas colaborações exclusivas na seção Prata da Casa, de livros de diplomatas.
Disse até agora porque não sei se continuarei colaborando.
Neste número foram publicadas seis resenhas das oito que eu havia preparado, e as duas que ficaram de fora se referiam, por acaso, aos meus próprios livros. Não posso me impedir de apresentar meus livros, pois me enquadro nessa categoria dos diplomatas autores, ainda que isso possa descontentar alguns, certos alguns.
Esta é a capa do número 100: não sei se a matéria sobre "saúde mental" constitui algum recado sutil sobre casos concretos ou se é apenas um subsídio para o estudo do estado geral dos diplomatas.
A revista pode ser acessada neste link:
https://adb.org.br/wp-content/uploads/pdf/revista-adb-100.pdf  


Eis as resenhas publicadas: 





As resenhas que ficaram de fora são estas, cujo texto reproduzo abaixo:
(7) Almeida, Paulo Roberto de: Contra a corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil (2014-2018) (Curitiba: Appris, 2019, 247 p.; ISBN: 978-85-473-2798-9); 
(8) Almeida, Paulo Roberto de: Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (Boa Vista: Editora da UFRR, 2019, 165 p., ISBN: 978-85-8288-201-6: livro impresso; ISBN: 978-85-8288-202-3: livro eletrônico). 


(7) Almeida, Paulo Roberto de:
       Contra a corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil (2014-2018) (Curitiba: Appris, 2019, 247 p.; ISBN: 978-85-473-2798-9)

Este livro reúne ensaios sobre diferentes temas da diplomacia brasileira escritos entre 2014 e 2018, divididos em duas partes: a primeira cobre o período final do regime lulopetista, sendo que 13º artigo desse primeiro bloco se dedica a  um “Epitáfio do lulopetismo diplomático”; a segunda parte se refere aos dois anos e meio do governo Temer, mas cobre também a campanha presidencial de 2018, e contém, por sinal, um capítulo sobre “Como retomar uma política externa profissional”, depois de algumas bizarrices do período lulopetista; um dos capítulos nessa parte trata do “poder do Itamaraty: o conhecimento como base”. Um apêndice traz um depoimento pessoal: “Auge e declínio do lulopetismo diplomático”, período no qual o autor não teve nenhum cargo na SERE. O título foi escolhido depois que o autor deixou a direção do IPRI, exercida de agosto de 2016 a março de 2019.

(8) Almeida, Paulo Roberto de:
       Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty
       (Boa Vista: Editora da UFRR, 2019, 165 p., ISBN: 978-85-8288-201-6: livro impresso; ISBN: 978-85-8288-202-3: livro eletrônico)

O livro não estava planejado, e sequer deveria existir, a não ser pelo fato de que ele foi composto inteiramente a partir das novas orientações da diplomacia brasileira, depois que seu autor foi exonerado do cargo de diretor do IPRI. Uma simples menção aos títulos dos capítulos permite desvendar o espírito com o qual o livro foi redigido, aliás rapidamente: Miséria da diplomacia, ou sistema de contradições filosóficas; O Ocidente e seus salvadores: um debate de ideias; O marxismo cultural: um útil espantalho?; A destruição da inteligência no Itamaraty: dialética da obscuridade; O globalismo e seus descontentes: notas de um contrarianista e A revolução cultural na diplomacia brasileira: um exercício demolidor. Ou seja, todo o livro pode ser considerado um longo comentário sobre a atual diplomacia, com a peculiaridade de que o arquivo em pdf está livremente disponível no site da Editora.

Postagem em destaque

A estrutura constitucional das relações internacionais e o sistema político brasileiro (1990) - Paulo Roberto de Almeida

Não sei bem porque, mas a plataforma Academia.edu está me solicitando para postar novamente trabalhos meus que já tinham sido postados, no ...