Uma longa entrevista que concedi ao repórter Felipe Igreja, da Rádio CBN, e que foi transmitida oralmente em horário que desconheço (e que não ouvi), a propósito dos episódios certamente infelizes em torno da questão "Lula-Holocausto", acabou transformando-se, na versão escrita da matéria da Rádio, numa única frase minha, na qual eu "explicava" a reação exagerada do governo de Israel – persona non grata, a Lula – como sendo uma postura preventiva do governo ultradireitista, no sentido de dissuadir outros dirigentes de se associarem a protesto de Lula contra os massacres do Exército de Israel contra a população civil de Gaza. Transcrevo o que veio na matéria escrita, mas sem o link para a emissão oral na Rádio. (PRA)
Lula se reúne com assessor internacional após ser declarado 'pessoa indesejada' em Israel
Os dois debatem a crise gerada pela fala do presidente, ao comparar as ações militares de Israel em Gaza com o holocausto.
Por Felipe Igreja
Brasília, 19/02/2024 13h26
Depois de ser declarado pessoa indesejada em Israel, o presidente Lula se reúne com o assessor internacional, Celso Amorim, no Palácio da Alvorada. Os dois debatem a crise gerada pela fala do presidente, ao comparar as ações militares de Israel em Gaza com o holocausto do exército nazista na Segunda Guerra Mundial.
A avaliação da chancelaria brasileira e de interlocutores do planalto é que de fato Lula não deveria ter feito a comparação e que não há como comparar o holocausto com outro evento, mas que a fala do presidente foi feita de improviso, sem representar uma fala formal.
A avaliação agora é que Israel está escalando ao crise, ao declarar Lula persona non grata e convocar o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, para uma reunião no museu do Holocausto ao invés da chancelaria. Diplomatas não entendem porque convocar o embaixador brasileiro para um local público e dizem ainda que não há histórico de um presidente brasileiro ter sido declarado pessoa indesejada por algum outro país.
Para o diplomata Paulo Roberto de Almeida, a reação de Israel é exagerada, mas pode ser entendida ainda como uma ação preventiva, para evitar que dirigentes de outros países façam falas contra os israelenses.
Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores israelense, Israel Katz, disse que Lula é uma personalidade indesejável em Israel até que ele peça desculpas e se retrate de suas palavras. Até o momento o Itamaraty não se pronunciou de forma oficial, mas avaliação é que um pedido formal de desculpas ainda não está no radar, embora o embaixador Rubens Ricupero, em entrevista ao jornal da CBN, tenha avaliado que essa seria uma solução possível.
Lembrando que ontem, no fim da viagem ao Egito e à Etiópia, na África,, Lula se referiu às ações militares de Israel na Faixa de Gaza como genocídio e chacina contra os civis palestinos e depois comparou o que ocorre em Gaza com o holocausto nazista.