From Anton Gerashchenko (Threads)
President of Ukraine Volodymyr Zelenskyy has written an open letter to Putin. From the perspective of psychological impact, the letter’s content is excellent, and the timing couldn't be better.
Bravo!
During the first two days of the St. Petersburg Economic Forum, everyone was talking about the black smoke over St. Petersburg caused by Ukrainian drone strikes. Today, everyone will be talking about the letter. And they will be asking Putin about it.
Ukraine has brought the war onto Russian territory and closer to the Russian elites. Ukraine then made a public offer of peace. The next move belongs to Putin. And although we can already guess what the answer will be, there remains a tiny possibility that Russia will surprise us all.
But I want to draw attention to something else - how perfectly this letter coincided with the report by the Russian fascists from Tsargrad on Russia's future scenarios.
Just compare these two visions.
The Tsargrad report is an attempt to turn failure into strategy. Russia failed to achieve a quick victory, failed to break Ukraine, failed to fully seize Donbas, and failed to divide the West. But instead of recognizing this as defeat, the Russian framework stretches the war across decades. If there is no victory today, it is moved into the future. If the front is deadlocked, it is called a "long historical struggle."
He promised that Russia would endure. But Russia is paying an ever higher price for the war - in losses, sanctions, strikes on its own territory, dependence on China, and military assistance from North Korea. The letter shifts the war from the language of imperial greatness to the language of cost. And that cost is rising.
President Zelenskyy's strongest move is personalization. He does not speak to "Russia" as a single whole.
He separates Putin from Russia, Russia from the war, and the war from any genuine cause. At the center remains one man - Putin - and his personal choice.
This is important because the regime is built on the formula "Putin is Russia." The letter shatters that formula. In effect, it tells Russians and the Russian elites: this is not your historical destiny, this is his war. And you are the ones paying for it.
That is why the letter is addressed not only to Putin.
In reality, it is unlikely to have convinced Putin. For Putin, compromise looks like weakness, and weakness in such a system is dangerous. But the letter was not written as a plea.
It was written for other audiences: for the West - to show that Ukraine is offering a way out; for the Russian elites - to show that Putin has become dangerous to them; for ordinary Russians - to link the war to prices, shortages, mobilization, and drones; and for Ukrainians - to demonstrate that Ukraine speaks from a position of strength, not fear.
It is also important that President Zelenskyy is not offering Putin a way to "save face."
A dignified exit for Putin is nearly impossible, because his entire legitimacy is tied to the war. Therefore, the letter is not an invitation to a comfortable peace. It is a public presentation of the bill.
This is the letter’s main strength. It does not try to please Putin. Instead, it places him in the position of a man who can no longer explain why he continues the war.
If he agrees to a meeting, Ukraine appears to be the side that forced him to talk.
If he refuses, he looks like a ruler who fears peace because peace is more dangerous to him than war.
That is precisely why Putin is dangerous.
And that is why attention should be focused not on loud statements, but on three things: whether the Kremlin will begin to equate Ukraine’s strikes even more strongly with a threat to Russian strategic deterrence; whether divisions between "Putin" and "Russia" will begin to emerge within the Russian elites; and whether Moscow will lower the nuclear threshold in its public rhetoric.
End
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Zelensky letter to Putin - Anton Gerashchenko (Threads)
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
O dominio imperial do dólar e sua gradual substituição- Threads, PRA
Copiado de cecinestpasuntour no Threads:
“Não tenho estado em Portugal e tenho seguido as notícias dos canais nacionais através da aplicação da MEO. Ainda não ouvi nenhum comentador - atenção, pode ter acontecido, mas eu não apanhei - a explicar o PORQUÊ.
Muitos falam do petróleo, e dos EUA quererem o petróleo da Venezuela. Mas porquê, de os EUA têm petróleo ao pontapé? Se são os maiores produtores? Assim, decidi fazer aqui uma linha de tempo para se compreender melhor. Tenham paciência - vai ser longo.
Vamos recuar no tempo. 🧶
Em Julho de 1944 firnou-se o Acordo de Bretton Woods, que, entre outros detalhes, firmava que o dólar Valéria uma quantidade fixa de ouro. Alavancava-se, assim o dólar do ouro, tornando-o a moeda-forte. Menos de um ano depois, a bordo do USS Quincy Roosevelt e o Rei Ibn Said, fundador da então jovem Arábia Saudita, fazem também um acordo o Acordo de Quincy, a 14 de Fevereiro de 1945. Este acordo bilateral era simples: os EUA garantiriam a segurança da Arábia Saudita e em troca teriam acesso 🧶
Ao petróleo saudita em exclusivo. Ora com o ouro a ser o lastro do dólar e a vender petróleo saudita, o dólar americano era e foi extremamente sólido durante as duas décadas seguintes.
Mas os EUA metem a pata na poça. Com a Guerra do Vietnam, esse desastre que dá filmes bem jeitosos, imprimiram tanto dólar que não havia ouro que lastrasse a moeda. É então que Nixon lança uma bomba tão ruidosa como as da guerra: a 15 de Agosto de 1971, anuncia que os EUA não trocariam mais dólar por ouro. 🧶
O dólar passava a ser aquilo que se chama uma moeda fiduciária, sem qualquer lastro ou garantia além da confiança internacional nela. O rei Faisal da Arábia Saudita ficou de pé atrás e não gostou da história, e começou a pedir para se rever o acordo. É então que outro evento apressa a acção saudita.
Em Outubro de 1973 dá-se a Guerra do Yom Kippur; Egipto, Israel e Síria ffdam ao tabefe e, apesar do rei saudita informar os EUA que não permitiria qualquer acção de defesa a Israel, os EUA fazem🧶
Ouvidos de mercador. Criam uma ponte aérea de escala estratosférica e vão em socorro de Israel. O rei Faisal considera isto uma quebra do acordo de Quincy, de 1945, e fecha as torneiras, que é como quem diz, decreta um embargo de petróleo aos EUA e seus aliados. Tendo uma posição de grande força da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo), consegue um embargo brutal, que lança o caos.
Era necessário acabar com o embargo. Os EUA tinham interesse nisso, e a Arábia Saudita queria 🧶
Uma solução a médio e longo prazo - e o embargo só resultaria a curto prazo. E quem é que vai negociar isto com o rei saudita? Um cavalheiro algo famoso, chamado Kissinger. Depois de muita valsa e muito tango, os dois criam um sistema de circuito fechado: em primeiro lugar, o petróleo saudita seria vendido exclusivamente em dólares, e a Arábia Saudita levaria os outros membros da OPEP a fazer o mesmo. Em segundo lugar, os dólares que os sauditas recebessem seriam reinvestidos nos EUA em compra🧶
De dívida, títulos do Tesouro e investimento em universidades e nos projetos das mesmas - onde se encontram projetos de todo os género, desde médico-clínicos, farmacêuticaos, diagnóstico, tecnologia, armamento, e muitos etecetras.
O dólar deixava de ser uma moeda fiduciária e passava a ter o petróleo como base. É o nascimento do petrodólar, com todo o sistema económico baseado na necessidade energética e controlado pelos EUA.
Ora isto leva a um problema: quem queira mijar fora do penico. 🧶
Todo e qualquer país que tentasse vender os seus bens energéticos - seja petróleo ou gás natural - fora deste circuito seria imediatamente marcado como um alvo a abater, pois era uma ameaça a este sistema.
Ora vejamos. No início dos anos 2000, Hussein já tinha o Iraque com sanções até ojólhos - porque também era a peça que se sabia -, mas pisa o risco: decide entrar no programa Petróleo por Alimentos, programa esse que era da ONU, em que o petróleo seria trocado em euros. Em 2003 são 🧶
Invadidos (armas de destruição maciça, hehehe), e a primeira coisa que os EUA fazem é reverter esse processo e colocar o petróleo a ser comercializado em dólar novamente, e pelo caminho desaparecem as reservas de ouro. Vamos saltar até 2011, até à Líbia. Khadaffi queria criar uma moeda, o dinar de ouro africano, e comercializar o petróleo nessa moeda. Acabou como acabou, o projeto foi pelo cano, e curiosamente começamos a ter um padrão: o petróleo volta a ser comercializado em dólares e as 🧶
Reservas de ouro também se eclipsaram.
Chegamos a 2026 e à Venezuela, um país pequeno, com pouco menos de 30 milhões de habitantes mas com as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo. Não só já tinham sanções até aos cabelos como comercializavam o petróleo em rublos e Yuan's. E, horror dos horrores, criaram a PETRO em 2018, uma criptomoeda baseada nas suas próprias reservas.
É aqui que entram duas coisas essenciais: o BRICS E a transição energética. O BRICS inclui países que são 🧶
Demasiado grandes para invadir - além de ser má ideia, como a Rússia e a China. A única forma de combater esses países é com sanções. Mas o BRICS criou o seu próprio banco, tem acordos diretos e usa as suas moedas, ignorando por completo o sistema que comandou o mundo durante décadas.
Já a transição energética - e por isso tantas ganas com as chamadas "terras raras" - é a chave mestra de tudo isto. É o fim da dependência mundial do petróleo, e se isso acontecer, a âncora do sistema 🧶.
Vigente desaparece, levando ao próprio sistema a colapsar.
Por isso tanto silêncio. Porque só há dois caminhos com o mesmo desfecho, e muitos países estão expectantes a tentar perceber qual vai ser o caminho. Está inércia, apesar de condenável, não é só inércia. É estratégia e cautela.
Todos os impérios caem. Todas as superpotências caem, e são substituídas por outras - Portugal que o diga.
Desculpem por ser tão longo mas espero que ajude a perceber melhor o enquadramento, e pelos erros.”
Comentário por PRA:
“Excelente resumo: o que vem depois? Países começam a comercializar petróleo em outras moedas. Já não se precisa manter tantos dólares em reservas nacionais. Elas começam a acumular outras divisas. O dólar passa a ser, não eliminado, mas substituído gradualmente. É o fim de um grande império.”
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Uma Breve história da União Soviética - A very Brief History of Soviet Union - camina-drummer_beltalowda (Threads)
A very Brief History of Soviet Union
camina-drummer_beltalowda
Threads, June 6, 2025
As soon as Lenin died, it turned out that the second most important person in the party, Comrade Trotsky, was a traitor.
Comrades Kamenev, Zinoviev, Bukharin, and Stalin overthrew Trotsky and expelled him from the USSR.
But a couple of years later, it turned out that Comrades Kamenev, Zinoviev, and Bukharin were also traitors and saboteurs. 1/
Then the valiant Comrade Genrikh Yagoda arrested them.
But later it turned out that Comrade Yagoda was himself a traitor and an enemy agent, so he was arrested by Comrade Yezhov.
But a couple of years later, it turned out that Yezhov too was not a comrade, but a plain traitor and enemy agent, and Yezhov was arrested by Comrade Beria. 2/
After Comrade Stalin died, everyone realized that Comrade Beria was also a traitor. Then Comrade Zhukov arrested Beria.
But soon Comrade Khrushchev figured out that Comrade Zhukov was a traitor and conspirator, and exiled him to the Urals.
And shortly after, it was revealed that Stalin himself had been an enemy, a saboteur, and a traitor. Along with him, most of the Politburo too. 3/
So Stalin was removed from the Mausoleum, and the Politburo — including Shepilov, who had joined them — was disbanded by honest party members under Comrade Khrushchev.
A few years passed, and it turned out that Comrade Khrushchev was a voluntarist, a charlatan, an adventurist, and a traitor. 4/
Then Comrade Brezhnev retired Khrushchev.
After Comrade Brezhnev died, it turned out that he too had been a saboteur and the cause of stagnation — in other words, a traitor, at least to the ideals.
Then there were two more, whom no one even had time to remember.
But then came to power a young, energetic Comrade Gorbachev. 5/
And it turned out that the entire party had been a party of saboteurs and traitors — but he would now fix everything.
That’s when the USSR collapsed. And Comrade Gorbachev turned out to be an enemy and a traitor.
You have just listened to a brief history course of the Communist Party of the Soviet Union. /end
domingo, 9 de março de 2025
A Rússia está ganhando a guerra? Really? - Being Liberal (Threads)
From Being Liberal (Threads):
“ Early on in Russia’s war against Ukraine, “pessimists noted that time favored Russia, the larger and richer of the two countries, and the one whose military had more experience with slow, grinding wars,” But last year, “tens of thousands, possibly hundreds of thousands, of Russians were killed or wounded, and whole mechanized divisions were lost, in exchange for territory slightly larger than...
“At that rate, Russia will control all of Ukraine in about 118 years. Keep that figure in mind when you hear President Donald Trump or Vice President J. D. Vance declare … that Ukraine is ‘not winning’ the war and that it is in ‘a very bad position.’”
https://www.theatlantic.com/international/archive/2025/03/ukraine-russia-war-position/681916/
terça-feira, 2 de julho de 2024
Obituary: Democracy - Teresa Joyce (Threads)
Obituary: Democracy
Teresa Joyce (Threads)
Democracy, aged 2,500 years, passed away on July 1, 2024, following a prolonged period of ill health. Born in ancient Greece, Democracy was heralded as a pioneering system of governance that promised power to the people, by the people, and for the people. It inspired countless revolutions, declarations, and movements worldwide, advocating for the ideals of freedom, equality, and justice.
Throughout its life, Democracy experienced various transformations and challenges. It flourished in numerous forms, from the direct democracy of Athens to the representative democracies of modern nation-states. Despite its noble intentions, Democracy often found itself battling corruption, inequality, populism, and apathy.
The latter part of Democracy’s life was marked by increasing polarization, misinformation, and the erosion of trust in institutions. The rise of authoritarianism, coupled with the spread of digital disinformation and weakened civic engagement, accelerated its decline. On July 1, 2024, Democracy succumbed to these mounting pressures, leaving behind a complex legacy of achievements and shortcomings.
Democracy is survived by its ideals, which will continue to inspire future generations seeking a just and equitable society. Memorials will be held in city squares and public forums around the world, where mourners will reflect on its contributions and the lessons learned from its demise.
In lieu of flowers, the family requests that citizens remain vigilant, engaged, and committed to upholding the principles that Democracy once championed.
Teresa Joyce
July 2, 2024
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