Tenho o prazer, e o orgulho, de repostar aqui um pequeno-grande texto de meu amigo, excelente intelectual, e colega blogueiro, lutador das boas causas da inteligência e contra a mediocridade acadêmica, Orlando Tambosi, sobre um tema no qual nenhum de nós dois pode ser considerado especialista, ou especialmente motivado para comentar: a renúncia do papa Bento 16, e a torcida de alguns por e para um papa "diferente" da próxima vez (seja lá o que isso queira dizer).
Tanto eu, como ele, somos de outro time, digamos racionalistas não religiosos, no meu caso um "irreligioso" consciente (mas não hostil às religiões, embora com restrições a algumas religiões). Ou seja, não temos necessariamente competência para a matéria, mas sabemos reconhecer o que é relevante no debate público.
Não acrescento nada de substantivo a essa questão, mas quero simplesmente dizer que concordo, integral e totalmente, com as palavras do Orlando Tambosi sobre o assunto.
Apenas e simplesmente isto. Grato, Orlando, pelo privilégio de ler algo inteligente, algo tão raro em nossos dias e em certos meios...
Paulo Roberto de Almeida
Querem um papa politicamente correto?
Orlando Tambosi
Blog do Tambosi, 13/02/2013
Como agnóstico, hesitei em falar sobre a renúncia do Papa Bento XVI. Renunciar é direito de qualquer pessoa que ocupe determinado cargo político e, sim, o papado é político também. Respeito a decisão do pontífice, quaisquer que sejam as razões. É ato elogiável de alguém que, considerado infalível, sabe e reconhece que somos todos falíveis e mortais. É ato católico também - fui criado, e bem criado, por pais e avós católicos, à maneira deles, em tempos mais difíceis do que hoje - e com eles aprendi muito. Meu ceticismo filosófico e científico não me impede de ver o mérito de todos eles.
O ex-frei Leonardo Boff deve estar alegre com a notícia. Quando ainda era cardeal de uma das congregações da Igreja Católica, o alemão Ratzinger determinou que o barbudo "teólogo da libertação" - marxista de orelha que hoje adula a juventude como escritor de auto-ajuda - fizesse "silêncio obsequioso", isto é, calasse a boca. Bocarra, aliás, que jamais hesitou em louvar as ditaduras latino-americanas, de Fidel ao chavismo.
Estes padrecos e ex-padrecos ideológicos estão felizes. Pensam que, enfim, pode vir por aí um papa politicamente correto, da América Latina ou da África. Se isto acontecer, a Igreja Católica jogará uma pá de cal sobre sua história, nem sempre honrosa, mas exemplo de diálogo, ainda que difícil, com a filosofia e as tradições milenares do mundo judaico-greco-romano. Apesar dos crimes cometidos por essas tradições, sua herança é o que temos de melhor.Ou alguém aí prefere o islamismo?
Quanto ao fato de o papa renunciante poder influenciar, como diz Reinaldo, a escolha de seu sucessor, tanto melhor. Mas não acredito que, diante do precário estado de saúde em que ele se encontra, essa influência seja significativa.
Melhor a matemática: ouvi ontem que cardeais italianos e norte-americanos são as forças mais fortes do Conclave. Que não cedam à doutrina politicamente correta.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Presidente do Senado anuncia que vai deixar o cargo no final do mes...
Ops, me enganei de manchete. A correta é esta aqui:
Com perdão pela maldade, mas é apenas a expressão de um desejo, que poderia estar materializado na seguinte manchete:
Que tal, ficou bonito não?
Pena que nada disso vai ocorrer e teremos de suportar a cavalgadura durante exatos dois anos, ou até quando durar o processo contra o meliante.
Paulo Roberto de Almeida
Bento XVI anuncia que vai deixar pontificado no dia 28 de fevereiro
De acordo com o comunicado oficial, renúncia ocorre por causa de sua idade avançada - 85 anos - e por não ter força para cumprir deveres, e nova eleição deve ocorrer até o fim de março; é a primeira vez que um papa renuncia em quase 600 anos.Com perdão pela maldade, mas é apenas a expressão de um desejo, que poderia estar materializado na seguinte manchete:
Renan Calheiros anuncia que vai deixar a presidência do Senado no dia 28 de fevereiro
De acordo com o comunicado oficial, renúncia ocorre por causa de um surto repentino de moralidade e de ética, talvez provocada pelo volume de protestos contra a sua eleição e o desgaste que deve ocorrer em função dos processos por peculato, fraude e outros crimes comuns em curso no STF; é a primeira vez que um presidente do Senado renuncia em quase 200 anos.Que tal, ficou bonito não?
Pena que nada disso vai ocorrer e teremos de suportar a cavalgadura durante exatos dois anos, ou até quando durar o processo contra o meliante.
Paulo Roberto de Almeida
Se ate o Papa renunciou, o presidente do Congresso tambem pode renunciar...
Somos impactados, nesta manha de segunda-feira 11 de fevereiro, por esta notícia:
Pensando bem, é uma decisão sensata, tomada por um homem sensato. Não podendo mais assumir os encargos, as milhares de tarefas, as chateações do cargo, um intelectual que se tornou papa por escolha de homens de sua corporação, resolve, decide, conclui, racionalmente, que não pode mais continuar a assumir os muitos encargos ligados ao seu ofício terreno e corporativo.
Pois no Brasil também, mas por outras razões, um homem eleito pelos seus pares de corporação, mas impossibilitado, moralmente, talvez penalmente, de continuar a exercer o cargo, deveria renunciar, por incapacidade moral, ética, jurídica, de continuar à frente de uma instituição que pode fazer muito mal ao Brasil e aos brasileiros.
Vejamos qual vai ser a sua atitude, mas eu não espero nada semelhante ao papa, um homem digno.
Paulo Roberto de Almeida
Bento XVI anuncia que vai deixar pontificado no dia 28 de fevereiro
Segundo ele, renúncia ocorre por causa de sua idade avançada - 85 anos - e por não ter força para cumprir deveres; é a 1ª vez que um papa renuncia em quase 600 anos.Pensando bem, é uma decisão sensata, tomada por um homem sensato. Não podendo mais assumir os encargos, as milhares de tarefas, as chateações do cargo, um intelectual que se tornou papa por escolha de homens de sua corporação, resolve, decide, conclui, racionalmente, que não pode mais continuar a assumir os muitos encargos ligados ao seu ofício terreno e corporativo.
Pois no Brasil também, mas por outras razões, um homem eleito pelos seus pares de corporação, mas impossibilitado, moralmente, talvez penalmente, de continuar a exercer o cargo, deveria renunciar, por incapacidade moral, ética, jurídica, de continuar à frente de uma instituição que pode fazer muito mal ao Brasil e aos brasileiros.
Vejamos qual vai ser a sua atitude, mas eu não espero nada semelhante ao papa, um homem digno.
Paulo Roberto de Almeida
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