Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 2 de março de 2026
Miséria da diplomacia outra vez? - Paulo Roberto de Almeida
domingo, 1 de março de 2026
Relações Exteriores e Constituição (1986) - Paulo Roberto de Almeida
A partir da redemocratização de 1985, eu comecei a estudar o espaço e a importância das questões de relações exteriores em nossas cartas constitucionais. Este trabalho de dezembro de 1986 foi um dos primeiros elaborados nesta série. Depois foram feitos muitos outros mais. Em todo caso, o trabalho abaixo nunca tinha sido colocado à disposição dos que se ocuparam dessas questões, que vão integrar um volume que estou compondo neste momento.
138. “Relações Exteriores e Constituição”, Brasília, 8 dezembro 1986, 11 p. Artigo sobre a recuperação legislativa da fiscalização e controle da política externa do Executivo, nos EUA e no Brasil. Publicado na Revista Brasileira de Política Internacional (Rio de Janeiro, ano XXIX, n. 115-116, 1986/2, p. 83-90), na Revista de Informação Legislativa (Brasília, ano 24, n. 94, abril-junho 1987, p. 109-120) e na revista Política e Estratégia (São Paulo, vol. V, n. 2, abril-junho 1987, p. 256-263). ). Relação de Trabalhos Publicados n. 029, 037 e 039. Disponível na plataforma Academia,edu (link: https://www.academia.edu/164888774/Relacoes_Exteriores_e_Constituicao_1986_
A revolução que o PT nunca fez: sua própria modernização como partido socialdemocrata - Paulo Roberto de Almeida
A revolução que o PT nunca fez: sua própria modernização como partido socialdemocrata
Paulo Roberto de Almeida[O trabalho a seguir, apenas apresentado aqui, compõe-se de uma introdução sobre a impossível reforma do PT, como partido de esquerda moderna, e de uma resenha, em anexo a essa breve nota inicial, que fiz de um importante livro sobre a reforma do Labour Party por Tony Blair e associados no início dos anos 1990. Transcrevo a parte inicial e remeto ao trabalho completo, linkado ao final. PRA (1/03/2026)]
Introdução:
A história do movimento socialista internacional compõe uma trajetória de vitórias e derrotas. Vitória dos progressos obtidos pelos movimentos sindicais nacionais e dos partidos políticos que, originários em grande medida da primeira Associação Internacional dos trabalhadores (1864), disputada entre Marx e Bakunin, souberam se reciclar na luta política do final do século XIX, dando origem a novos partidos socialistas que, em épocas diversas, ascenderam ao poder político em diversas sociedades – em geral europeias – e lograram transformar pacificamente sociedades aristocráticas, oligárquicas e elitistas, no sentido proposto na última fase do século XIX pela segunda Internacional, que sobrevive até hoje. Trata-se, portanto, de uma trajetória nitidamente vitoriosa.
Uma outra vertente, porém, aquela mais identificada com as ideias de Marx, e mais adiante de Lênin, experimentou derrotas sobre derrotas, ainda que aparentemente vitoriosa durante mais de meio século, com a ascensão ao poder dos bolcheviques liderados por Lênin e seus companheiros do PSODR, a fração maximalista do marxismo revolucionário. A derrota é clara: em nenhum país do capitalismo avançado o socialismo logrou se estabelecer a partir das propostas comunistas de Marx, e só lhe coube tomar o poder – não numa revolução social, mas por um putsch de uma minoria organizada – num dos países mais atrasados da Europa, a Rússia ainda autocrática, mas recém-saída de uma “revolução burguesa” que, durante alguns meses, tentou estabelecer uma “democracia de fachada”, como caracterizou Max Weber o regime presidido de fevereiro a outubro por Kerensky. A derrota também se manifestou na impossibilidade de impulsionar uma revolução proletária nos demais países europeus, ainda que a terceira Internacional, criada por Lênin, tenha logrado dividir diversos partidos socialistas, fracionando suas forças mais radicais nos “partidos comunistas” nacionais, mas cuja designação devia exibir, obrigatoriamente, o caráter de “seção da Internacional Comunista”.
(...)
Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/118671728/4656_A_revolução_que_o_PT_nunca_fez_sua_modernização_como_partido_socialdemocrata_2005_2024_), informado no blog Diplomatizzando (7/05/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/05/a-revolucao-que-o-pt-nunca-fez-sua.html
A Rússia como Estado Terrorista, criminoso de guerra: uso de fósforo branco contra uma cidade inteira - Paulo Roberto de Almeida e IA
Da submissão e das penas: diplomatas e militares - Paulo Roberto de Almeida
Eu entendo a submissão dos diplomatas a QUAISQUER ordens vindas de cima, ou seja, daqueles que detêm a decisão última sobre a política externa, independentemente do que possam pensar os diplomatas, ou de quais sejam as diretivas tradicionais da diplomacia profissional, os valores e princípios sob as quais trabalham os chefes imediatos da diplomacia, ou do que está escrito na Constituição. Diplomatas seguem ordens, ponto, sem discutir.
Nenhum deles será punido ou sancionado por algum discurso mais agressivo, por alguma resolução problemática aprovada no CSNU, na AGNU, ou qualquer outra tomada de posição em algum órgão multilateral, ou até em discussões bilaterais, DESDE QUE eles estejam apoiados em alguma instrução vinda da Secretaria de Estado, da chancelaria, ou diretamente da presidência ou do chefe de governo.
Diplomatas continuarão exibindo seus vistosos costumes, perfeitamente satisfeitos pelo cumprimento das ordens vindas da capital, orgulhosos de serem fiéis no atendimento das instruções recebidas.
É menos compreensível a submissão de militares, que devem atentar não apenas para as ordens do comandante em chefe, mas por sua adequação à Constituição e às leis do país, assim como no tocante às consequências, obedecer cegamente essas a ordens, quando VIDAS, dos seus soldados, de civis eventualmente vítimas estiverem consideração, inclusive no que respeita às leis da guerra e tratados internacionais que obrigam o país na condução de ações defensivas ou ofensivas.
A guerra do Vietnã deixou profundas cicatrizes na sociedade americana, e foi em função dela que o Congresso aprovou o War Powers Act, tentando enquadrar a latitude de ações do tal de comandante em chefe, quando as ordens são claramente inconstitucionais, ilegais do ponto de vista da legislação interna ou de tratados internacionais. Essa é a responsabilidade de chefes de Estado Maior, de generais e de coronéis no terreno, no desempenho de ordens superiores. Se as ordens são contrárias a esses ordenamentos, eles NÃO PODEM cumprir se elas são ilegais ou claramente contrárias a quaisquer outras disposições do ordenamento nacional ou da legislação internacional ratificada pelo país, pelo CONGRESSO. São VIDAS que estão na balança, e tem de haver alguma consideração de custos e benefícios de uma decisão na área militar.
Por que Trump empreendeu uma GUERRA contra o Irã, quando NENHUMA AMEAÇA estava sendo feita contra os EUA?
Os generais que seguiram suas ordens extravasaram do enquadramento legal, ultrapassaram o contexto imediato das ações determinadas pelo "comandante"?
Creio que algo nesse âmbito esteve em causa na demissão do Comandante em chefe do EPL, ou das Forças Armadas da RPC, pelo Comandante político da Comissão Militar do Partido, que está acima dos chefes de governo ou de Estado. O general deve ter ponderado os custos humanos, dos seus soldados e dos civis taiwaneses, se ele seguisse as ordens de Xi Jinping de preparar a invasão armada da ilha rebelde. O general chinês provavelmente estava pensando em vidas humanas, quaisquer que fossem.
Os generais americanos seguiram as ordens de Trump, e poderão ser responsabilizados, se não legalmente, por terem ultrapassado o War Powers Act, ou pelas mortes de soldados e cidadãos americanos, em consequência de ORDENS ILEGAIS ou sem a legitimidade necessária nesses casos.
Diplomatas podem se equivocar impunemente. Militares não podem errar, nem legalmente, nem operacionalmente. Os primeiros não são mortíferos, pois declarações são apenas papeis, como quaisquer outros. Militares são mortíferos quando passam à ação, e podem ter de responder por seus atos.
Submissão é compreensível num caso: são postos, promoções, chefias, distinções que podem advir de tal submissão. Ela é inadmissível no caso dos militares: não existe volta depois de um míssil, bombardeio, extermínio...
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Nota do Instituto Diplomacia sobre o ataque americano ao Irã, que também menciona o da Rússia contra a Ucrânia
Uma nota sobre mais uma violação do Direito Internacional pelos EUA, ao atacar o Irã, que seguiu a da Rússia contra a Ucrânia...
Eleições presidenciais: Flávio jogando parado e Lula na zona de rebaixamento - André Régis (Folha de Pernambuco)
Eleições presidenciais: Flávio jogando parado e Lula na zona de rebaixamento
André RégisFolha de Pernambuco, sábado, 28 de fevereiro de 2026
Como explicar que, num cenário de primeiro turno, o candidato que lidera entre os mais pobres não seja Lula, mas Flávio Bolsonaro? A Atlas/Bloomberg de fevereiro de 2026 obriga o país a encarar esse dado sem filtros ideológicos. No recorte de renda familiar até R$ 2.000, Flávio aparece com 46,8%, enquanto Lula marca 32,5%. No extremo oposto, acima de R$ 10.000, o desenho se inverte com nitidez: Lula lidera com 57,8% e Flávio fica em 26,7%. É esse cruzamento — fragilidade onde Lula sempre foi mais forte, vigor onde raramente foi hegemônico — que dá ao quadro atual caráter de forte complexidade, não de simples oscilação.
A novidade, porém, não está apenas no patamar: está na velocidade. Flávio salta de 29,3% em dezembro para 37,9% em fevereiro no mesmo cenário de primeiro turno — alta de 8,6 pontos em janela curta, grande demais para caber no mero ruído. E, quando se observa a rejeição (“não votaria de jeito nenhum”), o dado consolida a viabilidade: Lula registra 48,2% e Flávio 46,4%. São taxas elevadas para ambos, mas há um ponto crucial: Flávio não carrega um teto de rejeição superior ao do presidente, um marcador clássico de competitividade em segundo turno.
O paradoxo se torna ainda mais nítido quando se olha a avaliação do governo por renda. Entre os que vivem com até R$ 2.000, a percepção é majoritariamente negativa: 51,7% avaliam a gestão como ruim ou péssima, contra 31,5% que a consideram ótima ou boa. Já entre os que ganham acima de R$ 10.000, a fotografia se inverte: 54,3% classificam como ótimo/bom, enquanto 38,2% dizem ruim/péssimo. Em termos eleitorais, a implicação é severa: Lula, que sempre construiu vitórias com ampla vantagem na base de renda mais baixa, hoje enfrenta ali um terreno áspero — e encontra seu melhor desempenho justamente no segmento mais abastado.
Esse deslocamento ajuda a entender por que o governo passou a concentrar energia em medidas de recomposição de vínculo popular e juvenil. O Pé-de-Meia, a promessa de isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e a retórica anti-ricos — acompanhada de iniciativas de aumento de carga tributária — soam menos como agenda espontânea e mais como reação a uma perda de aderência no cotidiano, sobretudo onde preço, segurança e serviços pesam mais do que discurso. E, no recorte etário, o sinal é igualmente incômodo: entre 16 e 24 anos, no mesmo cenário de primeiro turno, Flávio aparece à frente (29,4% contra 24,2%).
Nesse ponto entram os temas que costumam decidir eleições quando o humor social endurece. No bloco comparativo de confiança para “administrar” problemas do país, Flávio aparece à frente exatamente em agendas que hoje dominam a conversação pública: criminalidade e tráfico (49% a 47%), equilíbrio fiscal e controle de gastos (47% a 45%) e combate à corrupção (46% a 45%). Lula lidera em geração de empregos e promoção da democracia (49% a 45% em ambos), mas, na prática eleitoral, segurança, corrupção e disciplina fiscal funcionam como gatilhos: comprimem o tempo do eleitor e amplificam a percepção de competência.
A ascensão de Flávio chama atenção por outro motivo: ela ocorreu sem a movimentação típica de pré-campanha capaz de “fabricar” curva. Não houve, até aqui, o roteiro usual de grandes viagens, anúncios e alianças exibidas em vitrine. A alta tem cara de migração espontânea — um eleitorado que procura alternativa e encontra, por ora, um nome que ocupa espaço sem se expor demais. Mário Covas resumiu isso com precisão: às vezes, na política, é melhor jogar parado. O contraste com Lula é desconfortável. Seus movimentos recentes renderam mais custo do que dividendos: discurso áspero na Bahia e uma passagem infeliz pelo desfile das escolas de samba no Rio — com o símbolo ingrato do rebaixamento da escola — reforçaram a impressão de descompasso. Em disputa nivelada, pequenos erros custam caro; a ausência deles, por si só, vira vantagem.
Há ainda um ativo silencioso no campo adversário: a decisão de Tarcísio de Freitas de não entrar na disputa nacional, diante da perspectiva de uma reeleição acachapante em São Paulo, organiza o tabuleiro para Flávio. Reduz dispersão, evita fraturas e oferece um polo estadual poderoso sem competição doméstica pelo mesmo espaço. Para uma candidatura que precisa parecer viável e governável, isso vale muito.
Se Flávio resistir à tentação de aparecer demais e seguir “jogando parado”, a tendência é de ganhos adicionais. Os desdobramentos do escândalo do INSS e a crise do Banco Master — que, em maior ou menor grau, vêm tensionando a imagem do Supremo — tendem a comprimir a margem de manobra de Lula: cada gesto vira risco, cada exposição vira convite a novas narrativas adversas. E a crise reputacional do STF tem um efeito colateral previsível: amplia, em parcelas do público, a percepção de que o julgamento de Jair Bolsonaro não foi justo — reabrindo o argumento de perseguição e convertendo indignação em voto potencial para Flávio.
O risco maior para Lula, portanto, pode não estar apenas na pesquisa, mas na política real. Presidentes não perdem só votos; perdem gravidade. Quando a expectativa de vitória se dissolve, o centrão — movido por cálculo e sobrevivência — tende a se afastar, encurtando governabilidade e acelerando o ciclo de fraqueza. Se a fotografia de fevereiro for o começo de uma tendência, o rebaixamento não será apenas da Escola Acadêmicos de Niterói: será de toda a esquerda brasileira, que poderá suportar o naufrágio sem preparar o futuro — e, pior, sem a Presidência e com bancadas menores no Congresso Nacional.
André Régis, Cientista Político, UFPE.
Revista Será? – Artigos publicados por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será? – Artigos publicados por Paulo Roberto de Almeida
Compilação efetuada em 27/02/2026
(dos mais recentes aos mais antigos)
Postada no blog Diplomatizzando (28/02/2026, link: ). Também disponíveis no site da Revista Será? (link: https://revistasera.info/author/paulo-roberto-de-almeida/).
1626. “Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional”, Revista Será? (xiv, n. 699, 27/02/2026, link: https://revistasera.info/2026/02/rui-barbosa-110-anos-de-um-discurso-memoravel-sobre-o-direito-internacional/); republicado no blog Diplomatizzando (27/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/rui-barbosa-110-anos-de-um-discurso.html). Relação de Originais n. 5227.
1625. “As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional?”, Brasília, 18 fevereiro 2026, 4 p. Contribuição à revista Será? (ano xiv, n. 698, 20/02/2026; link: https://revistasera.info/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma-ordem-global-funcional/); reproduzido no blog Diplomatizzando (20/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma.html). Relação de Originais n. 5221.
1622. “A conformação do mundo futuro: algumas coisas ainda não resolvidas”, revista Será? (ano xiv, n. 696, 13/02/2026; link: https://revistasera.info/2026/02/a-conformacao-do-mundo-futuro-algumas-coisas-ainda-nao-resolvidas/); reproduzido no blog Diplomatizzando (13/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/a-conformacao-do-mundo-futuro-algumas.html). Relação de Originais n. 5213.
1621. “O lado mais constante da nação brasileira: o Estado extrator”, revista Será? (ano xiv, n. 695, 06/02/2026; link: https://revistasera.info/2026/02/o-lado-mais-constante-da-nacao-brasileira-o-estado-extrator/); reproduzido no blog Diplomatizzando (06/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/o-lado-mais-constante-da-nacao.html). Relação de Publicados n. 5208.
1619. “Estaríamos outra vez em face de um novo “fim da História”?, revista Será? (ano xiv, n. 694, 30/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo-fim-da-historia/); reproduzido no blog Diplomatizzando (30/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo.html). Relação de Originais n. 5172.
1618. “Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial”, revista Será? (ano xv, n. 693, 23/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/da-geopolitica-da-desordem-a-opcao-pelo-caos-um-ano-de-destruicao-da-ordem-mundial/); reproduzido no blog Diplomatizzando (23/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/da-geopolitica-da-desordem-opcao-pelo.html). Relação de Originais n. 5195.
1617. “O Brasil e a morte do multilateralismo, tal como o conhecíamos”, revista Será? (ano xiv, n. 692, 16/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-brasil-e-a-morte-do-multilateralismo-tal-como-o-conheciamos/); reproduzido no blog Diplomatizzando (16/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/a-morte-do-multilateralismo-como-o.html). Relação de Originais n. 5183.
1616. “O que muda para o Brasil na geopolítica da desordem de Trump?”, Revista Será? (ano xiv, n. 691, 09/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-que-muda-para-o-brasil-na-geopolitica-da-desordem-de-trump/); reproduzido no blog Diplomatizzando (9/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/o-que-muda-para-o-brasil-na-geopolitica.html). Relação de Originais n. 5175.
1615. “O Brasil num mundo turbulento, em 2026 e mais além”, revista Será? (ano xiv, n. 690, 02/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-brasil-num-mundo-turbulento-em-2026-e-mais-alem/); reproduzido no blog Diplomatizzando (2//01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/o-brasil-num-mundo-turbulento-em-2026-e.html ). Relação de Originais n. 5155.
1612. “O Brasil em 2025, expectativas para 2026, no país e no mundo”, revista Será? (ano xiv, n. 689, 26/12/2025; link: https://revistasera.info/2025/12/o-brasil-em-2025-expectativas-para-2026-no-pais-e-no-mundo/). Relação de Originais n. 5153.
1611. “O mundo marcha para a direita? Retornamos cem anos no passado?”, revista Será? (ano xiv, n. 688, 19/12/2025; link: https://revistasera.info/2025/12/o-mundo-marcha-para-a-direita-retornamos-cem-anos-no-passado/); republicado no blog Diplomatizzando (6/2/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/o-mundo-marcha-para-direita-retornamos.html). Relação de Originais n. 5138.
1608. “A estratégia de Trump para o “quintal” do Hemisfério Ocidental”, revista Será? ano xiv, n. 687, Recife, 12 de dezembro de 2025; link: https://revistasera.info/2025/12/a-estrategia-de-trump-para-o-quintal-do-hemisferio-ocidental/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/a-estrategia-de-trump-para-o-quintal-do.html). Relação de Originais n. 5133.
1607. “O mundo em três tempos: 1925, 1945, 2025”, revista Será? (ano xiv, n. 686, Recife, 5 de dezembro de 2025; link: https://revistasera.info/2025/12/o-mundo-em-tres-tempos-1925-1945-e-2025/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/o-mundo-em-tres-tempos-1925-1945-2025.html). Relação de Originais n. 5128.
1603. “Política externa e diplomacia do Brasil: como são e como podem ser, 2”, revista Será? (ano xiv, n. 685, Recife, 28 de novembro de 2025; link: https://revistasera.info/2025/11/politica-externa-e-diplomacia-do-brasil-como-sao-como-podem-ser-2/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/11/politica-externa-e-diplomacia-do-brasil_28.html). Relação de Originais n. 5110.
1602. “Política externa e diplomacia do Brasil: como são, como podem ser, 1/2”, revista Será? (ano xiv, n. 684, Recife, 21 de novembro de 2025; link: https://revistasera.info/2025/11/politica-externa-e-diplomacia-do-brasil-como-sao-como-podem-ser-1-2/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/11/politica-externa-e-diplomacia-do-brasil.html). Relação de Originais n. 5109.
1601. “Rupturas nas relações internacionais no contexto do triunvirato imperial”, revista Será? (ano XIV, n. 683, 7/11/2025, link: https://revistasera.info/2025/11/rupturas-nas-relacoes-internacionais-no-contexto-do-triunvirato-imperial/; divulgado no blog Diplomatizzando (9/11/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/11/rupturas-nas-relacoes-internacionais-no.html). Relação de Originais n. 5104.
1600. “Trump, ou a diplomacia pelo método confuso”, revista Será? (ano xiv, n. 682, 31/10/2025, link: https://revistasera.info/2025/10/trump-ou-a-diplomacia-pelo-metodo-confuso/); divulgado no blog Diplomatizzando (31/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/trump-ou-diplomacia-pelo-metodo-confuso.html). Relação de Originais n 5098.
1599. “Opções da diplomacia brasileira num mundo em desordem”, revista Será? (ano xiv, n. 681, 24/10/2025, link: https://revistasera.info/2025/10/opcoes-da-diplomacia-brasileira-num-mundo-em-desordem/); divulgado no blog Diplomatizzando (24/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/opcoes-da-diplomacia-brasileira-num.html). Relação de Originais n. 5097.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5210, 6/02/2026
Postado no blog Diplomatizzando (link: ).
Uma questão de simples dignidade - Paulo Roberto de Almeida
Uma questão de simples dignidade
Paulo Roberto de Almeida
As Forças Armadas russas chegaram a um nível de depravação, e de deformação, das práticas bélicas raramente visto na história dos exércitos do mundo, superando talvez os índices de criminalidade deliberada até da Wehrmacht nazista, que matava indiscriminadamente populações locais, mas não os seu próprios soldados. Os comandantes militares do exército invasor de Putin na Ucrânia estão eliminando cruelmente seus soldados, ademais da população ucraniana.
Forças Armadas de um país tendem a reproduzir o ânimo geral da população de onde elas provêm: o estado geral da sociedade russa não reflete apenas um grau elevado de barbarismo comportamental, mas também índices extremos de selvageria e de depravação mental sob Putin, o tirano de Moscou, o criminoso de guerra sob mandado de arrestação pelo TPI.
Pergunto-me como, quem, qual chefe de Estado ou de governo de qualquer país civilizado conseguiria ainda falar em tom normal com tal monstro bárbaro como ele, em quais condições uma pessoa dotada de um minimo de dignidade consentiria apertar a mão, falar ao telefone, visitar pessoalmente um ser tão ignóbil e cruel como esse assassino de criança e civis inocentes?
Como se desceu tão baixo na pulsão da morte e da destruição generalizada?
Como a humanidade, a comunidade internacional, as pessoas de bem permitem que esse grau de crueldade e de desumanidade seja exercido e continuado contra simples civis, mas também contra alvos supostamente militares? Quem proclamará um basta?
Quem dirá que o monstro ultrapassou quaisquer limites no animo destrutivo?
Não creio que a “comandância” da principal potência militar do planeta o faça. Quem o fará em nome da decência humana?
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 28/02/2026
It's like the beginning of an apocalypse: Russia has attacked Kostyantynivka with banned phosphorus, which incinerates all living things, and dropped a FAB-1500 bomb on the city.
A abstenção do Brasil na ONU - Rui Martins (revista Será?)
Rui Martins analisa uma questão crucial, mas não condena a política externa presidencialista, mais que personalista, do governo Lula – não a diplomacia, que teria condenado a invasão russa com muito mais consistência – que não tem nenhum substrato doutrinal e nenhuma consistência moral, e sabemos porque: o cuidado de Lula em não melindrar o tirano de Moscou, o criminoso de guerra, pelos compromissos assumidos, equivocadamente, no âmbito do Brics. Paulo Roberto de Almeida
A abstenção do Brasil na ONU
Por Rui Martins | fev 27, 2026 | Artigos | 0 |

Ucrânia livre!
O Brasil ignorou uma longa tradição de pacifismo e de incentivador de soluções pacíficas para países em conflito ao se abster, nesta semana em Nova Iorque, na Assembleia da ONU, na votação por uma paz imediata e durável entre Rússia e Ucrânia.
Faz quatro anos a invasão russa da Ucrânia. Apesar da resistência ucraniana, os invasores já tomaram cerca de 20% do território. Embora o ex-presidente norte-americano Biden ajudasse a Ucrânia, desde a eleição de Trump essa ajuda foi cortada e apenas os europeus dão apoio aos ucranianos. Essa guerra está sacrificando um número importante de jovens desses dois países.
Calcula-se em 500 mil o número de mortos, incluindo-se soldados e a população civil. A perda maior, 350 mil, é entre os invasores. Entretanto, essa guerra não tem grande impacto na opinião pública e nem provoca manifestações.
O quadro é desolador, praticamente todos os dias, além dos combates nos fronts, drones russos bombardeiam a população civil. Essa invasão criou um clima de insegurança entre os países que decidiram se rearmar e alguns vão recriar o serviço militar obrigatório, temendo outras invasões russas. Quatro anos de reportagens na tevê, casas destruídas, mulheres idosas chorando vão se tornando cenas comuns e banais e fazem pensar na banalidade do mal, como escreveu Hannah Arendt.
Essa abstenção do Brasil, na ONU, numa votação em favor de uma paz imediata e duradoura entre Rússia e Ucrânia, é assim tão importante? Talvez não, porque hoje uma votação desse tipo na ONU funciona mais como uma mera sondagem de opinião entre países, sem condições para obter resultados práticos. Desgastada, sem recursos financeiros, depois de deserdada por Trump, fechando serviços, demitindo funcionários e agora sofrendo concorrência do Conselho da Paz de Trump, a ONU não tem condições de impor paz em lugar nenhum, só sugerir!
Mas, mesmo assim, votar pela paz, votar pelo fim de uma guerra, tem um valor moral.
No caso da guerra Rússia-Ucrânia não haveria nenhum problema em termos de direito internacional, porque o próprio assessor do presidente Lula para questões internacionais, Celso Amorim, já havia declarado, numa entrevista para o canal Brasil 247, ter havido invasão da Ucrânia pela Rússia – “você não seria coerente em condenar a invasão do Iraque pelos EUA e não condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia, disse Amorim. A Ucrânia é um país independente, você invadir um território independente, usar a força sem autorização da ONU é algo com o que não podemos concordar. A outra parte é a de se tentar uma solução pacífica, e essa solução só vem pela negociação”. Isso foi há três anos.
A sequência é lógica: para se garantir um bom clima de negociação é necessária uma cessação de hostilidades entre as partes. E nesse caso, a iniciativa da ONU de propor uma paz imediata ocorre no momento certo, pois existem negociações em curso. Essas negociações, envolvendo também interesses de Trump, disposto a negociar com a Rússia partes do território ucraniano sem autorização de Zelensky, podem demorar. Um clima de paz durante as negociações, mesmo hipotético, seria benéfico para a população e evitaria o sacrifício contínuo de jovens ucranianos e russos.
Mas o Brasil, agora presidente do Brics, se tornou praticamente um dos líderes da ideologia do pós-colonialismo e do Sul Global. A socialista Renée Fregosi, filósofa e politóloga francesa, professora na Sorbonne, conhecedora do Brasil, já falava desse desejo do presidente Lula se tornar o principal líder do Sul Global. Outro professor, Gilles Kepel, especialista no mundo árabe, ex-Sciences Po, Paris, critica a própria estrutura do Sul Global e sua luta contra o Ocidente por se constituir, na sua maioria, de ditaduras.
Nesse contexto, Celso Amorim só poderia orientar o governo brasileiro para se abster da votação na ONU por uma paz durável na Ucrânia, para não desagradar os países do Brics e do Sul Global.
Algumas referências
Celso Amorim
Votation na ONU
https://press.un.org/fr/2026/ag12752.doc.htm
Roberto Freire
https://x.com/freire_roberto/status/2026691326436057364
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