sexta-feira, 10 de abril de 2026

O início do fim da minha "caminhada no deserto", em abril de 2026 - Paulo Roberto de Almeida

O início do fim da minha "caminhada no deserto", em abril de 2026

Paulo Roberto de Almeida

Copio, abaixo, esta nota do site "Pública", especializado em investigações jornalísticas, sobre os dez anos do início do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o incompetente (deliberadamente) "poste" de Lula, para esquentar o cargo por 4 anos, para um retorno "triunfal" do guru da esquerda brasileira no último meio século, mas que se recusou a largar o osso, e foi "punida" por toda a casta política, para dizer o seguinte:

PRA: Estes dez anos, ou melhor, abril de 2016, representou também o começo do fim do meu longo ostracismo, 13,5 anos, na Secretaria de Estado do Itamaraty, desde o início de 2003 (quando eu ainda estava na embaixada em Washington e recebi o convite do diretor do IRBr, para chefiar o novo mestrado do Instituto, do qual eu já era, desde 2001, professor orientador), e que foi vetado pela administração "petista" empossada em janeiro. Fiquei na maior parte do tempo na Biblioteca do Itamaraty, lendo e escrevendo. Em 2016, fui alertado para um possível cargo, não na SERE, mas na Funag, e de fato me ofereceram sala e funcionários, mas me recusei a assumir o novo cargo, como diretor do IPRI, até que o processo fosse concluído oficialmente e o DOU publicasse minha nomeação, apenas em AGOSTO, quando finalmente assumi o cargo. Trabalhei durante dois anos e meio, mas a partir de outubro de 2028, já sabia que seria expurgado novamente pelo novo "regime", os tempos sombrios do bolsonarismo alucinado e seu patético chanceler acidental. Foi o que ocorreu no início de 2019, e fui designado para servir na Divisão dos Arquivos, nas catacumbas do Anexo II (Bolo de Noiva) do Itamaraty. Fiquei lá, sendo ainda penalizado pelo bizarro chanceler, até me aposentar um ano e meio depois.
Volto à nota:

"10 anos do impeachment da Dilma
No dia 17 de abril de 2016, o Brasil acompanhou a votação do segundo pedido de impeachment de um presidente da República desde a redemocratização do país. Um dos protagonistas no dia da votação foi Jean Wyllys, então deputado pelo PSOL, que foi ofendido por Bolsonaro e reagiu com uma cusparada. Após o ocorrido, Jean passou a sofrer ameaças a ponto de decidir abandonar a carreira política e sair do país. Dez anos depois, ele conversa com Andrea Dip no Pauta Pública, analisando os impactos que a histórica votação e o impeachment de Dilma como um todo tiveram na política e na sociedade brasileira - e o que está em jogo nas eleições de 2026."
Pública, 10/04/2026

 


A Novidade Monstruosa: Frankenstein, de Mary Shelley - Martim Vasques da Cunha (Substack)

 A Novidade Monstruosa

Um ensaio (completamente) inédito sobre o livro "Frankenstein", de Mary Shelley
MARTIM VASQUES DA CUNHA, APR 10

Alexandre Desplat on Creating the Score for Frankenstein with Guillermo del Toro | Netflix - YouTube
Será que vemos a centésima milésima parte do que existe? Olhe, aí está o vento, que é a maior força da natureza, que derruba os homens, abate edifícios, desenraiza as árvores, suspende montanhas de água no mar, destrói falésias e arremessa grandes navios contra os rochedos, o vento que mata, que sopra, que geme, que ruge – o senhor o viu, pode vê-lo? No entanto, ele existe.

O abade, em “O Horla (segunda versão)”, de Guy de Maupassant.

1. Desde a juventude até a morte, Mary Shelley (1797-1851) ouviu apenas uma única pergunta em sua vida, uma pergunta que, de início, a irritava profundamente, mas depois acostumou-se a ela e decidiu que teria de respondê-la mais cedo ou mais tarde: “Como teria eu, então uma jovem, chegado a uma ideia tão horripilante e, depois, a elucubrar tão longamente sobre ela?”.

Os dois aspectos temporais do trecho acima – “então” e “tão longamente” – mostram que, na mente de Shelley, havia algo que a obcecava nessas décadas todas. Não era o fato do livro que surgiu da noite tenebrosa em que Lorde Byron a impeliu a escrever uma história de horror – o hoje mítico Frankenstein, ou: o Prometeu Moderno, escrito em 1816 e publicado em 1818 – se tornou um tremendo sucesso entre os leitores, influenciando o imaginário europeu; muito menos o próprio encontro em si, quando ela, uma moça precoce de 18 anos de idade, acabara de se casar com outro poeta famoso, Percy Shelley, dividiu uma casa em Genebra, na Villa Diodati, com o marido e Byron, e em um divertissement concebido numa madrugada fria e cheia de trovoadas, se sentia a pessoa menos importante daquele triângulo.

A sua obsessão particular, se podemos chamá-la assim, foi a descoberta de algo novo, uma novidade que deve ser classificada como monstruosa e a qual, articulada em um símbolo poderosíssimo (como a de uma Criatura nascida de restos de cadáver e ressuscitada por meios científicos próximos da magia negra), foi também vislumbrada pelos outros dois participantes presentes naquela mansão – sim, nunca é demais repetir: Byron e Shelley – e marcaram igualmente a vida e a obra de ambos.

Lorde Byron (1788-1824), ou George Gordon para os íntimos, era então a celebridade mais famosa daquele movimento literário que enfurecia a Europa chamado Romantismo (apelidado assim porque seus maiores idealizadores – Schelling, Coleridge, Fichte, Wordsworth, entre tantos que viviam na Alemanha e na Inglaterra – acreditavam recuperar a concretude verbal dos romanos, por meio do latim, em contraposição ao racionalismo filosófico dos Iluministas, em particular os franceses). Nobre decadente, na verdade, com pouco dinheiro nas algibeiras, ainda assim conseguia transitar com desenvoltura na alta sociedade britânica, e tinha um talento métrico fora do comum. Seus poemas têm uma força melódica impressionante, aliada a um conhecimento de formas poéticas que vão do épico (Don Juan, de 1819-22) até o intimista (a elegia “Darkness”, ou “As Trevas”, concebida em 1816, justamente na época do encontro com Percy e Mary Shelley e que veremos em breve), passando pelo autobiográfico (Childe Harold’s Pilgrimage, de 1812 a 1819). Se há um tema que unifica essa variedade de gêneros é o de que o ser humano é capaz de reformar a realidade, seja pelos meios políticos, pelos meios amorosos e até mesmo pelos meios luciferinos.

Percy Bysshe Shelley (1792-1822) se via como um discípulo direto de Byron, e talvez estivesse certo, se não fosse o fato de que ele era infinitamente superior em talento e em vocação, comparado ao seu mestre. Era um poeta no sentido pleno da palavra, um verdadeiro vate, certamente alguém próximo do visionário, capaz de jogar com a flexibilidade dos versos ao modo de um Shakespeare ou de um John Milton, além de de refletir sobre os mistérios do real, antecipando-os verbalmente, como fica evidente ao lermos Prometeu Desacorrentado (1817, criado como complemento ou resposta ao Frankenstein de Mary), os sonetos brilhantes ao modo de “Ozymandias” (1819, uma meditação aguda sobre a futilidade do poder terreno) e o épico inacabado que é O Triunfo da Vida (1822). Em sua obra, o que lhe dá unidade é o vislumbre de que o mundo, apesar de petrificado pela máquina da modernidade, ainda é capaz de ser reencantado na sua origem, seja pelas mãos do próprio homem (mesmo que isto esteja fadado ao fracasso) ou por forças subterrâneas que atuam no mundo como se fossem “espectros” ou daimonion, demônios que nos apossam e que nos transformam em meros receptáculos dos desejos deles.

Percy e Mary Shelley, junto com Lorde Byron, eram a trupe insólita formada na Villa Diodati, quando no dia 16 de junho de 1816 (segundo alguns estudiosos, o que dá margem para ser um evento simétrico ao Bloomsday posteriormente celebrado por James Joyce em Ulysses), os três se reuniram (havia também o Dr. John Polidori e a irmã de Mary, Claire, respectivamente o médico e a amante de Byron) para aquela competição que já se tornou clichê na mente dos aficionados dos livros e dos filmes de horror (Ken Russell tiraria sarro disso em seu filme incompreendido, Gothic, de 1986): segundo o relato da própria Mary, foi num “verão úmido e desagradável, em que a chuva incessante com frequência nos confinava durante dias em casa”, quando, ao se divertirem com histórias macabras (entre elas, os trechos iniciais de Hamlet), a conversa “avançou noite dentro” e então Byron sugeriu o seguinte: “Cada um de nós escreverá uma história de fantasmas; e sua proposta foi acatada”.

Reparem que, ao contrário do que dizem por aí, Byron pediu uma “história de fantasmas”, e não uma “história de monstros”. Polidori escreveu um conto chamado “O Vampiro”, que teria suas ramificações mais famosas em outra obra célebre escrita por Bram Stoker (vocês sabem qual é, correto?), mas obviamente fracassou porque se recusou a atender o preceito. Shelley esboçou algumas linhas, daí desistiu (em compensação começaria a rascunhar o Prometeu Desacorrentado); Byron nem se mexeu, como bom superstar que era; e Mary e Claire ficaram batendo a cabeça entre si, incessantemente, tudo para agradar os dois grandes homens ali presentes em suas vidas.

2. A caçula Claire (um ano mais nova) idolatrava Mary acima de tudo, quando ambas eram filhas (ou enteada por parte do pai, no caso da primeira) de William Godwin e Mary Wollestonecraft, intelectuais britânicos de clara influência iluminista – e fiéis daquela seita informal que girava ao redor do genebrino Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). O nome de Rousseau é importante porque ele é uma das chaves de leitura para entender corretamente Frankenstein...
(...)
O resto para os pagantes...

A indefectível CORRUPÇÃO de nossas elites

 É impagável a dívida do candidato Flávio Bolsonaro com o ministro do STF Dias Toffoli. Em julho de 2019, quando o primeiro era filho do presidente da República e o segundo presidente do Supremo, Toffoli suspendeu todas as investigações sobre corrupção de Flávio Bolsonaro baseadas em dados sigilosos compartilhados pelo Coaf e pela Receita Federal com o Ministério Público sem autorização prévia da Justiça. Até aquele momento, não havia essa exigência. Quatro meses depois, o ministro Gilmar Mendes usou o argumento de Toffoli para anular os relatórios do Coaf que embasaram a denúncia contra Flávio Bolsonaro, porque não haviam sido autorizados antes pela Justiça. Pela intervenção direta de Toffoli, Flávio Bolsonaro não deve nada à Justiça.

Desconhecido fora do Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro ganhou manchetes pela primeira vez na vida em dezembro de 2018, às vésperas da posse de Jair Bolsonaro como presidente. Apurando suspeitas de lavagem de dinheiro de vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas do ex-policial Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro como deputado estadual. O Ministério Público descobriu que Queiroz e Flávio Bolsonaro comandavam um esquema de “rachadinha”, o mais antigo esquema de corrupção da política brasileira. Consiste em contratar assessores — que trabalham ou não trabalham — para que eles devolvam parte ou todo o salário ao parlamentar que os contratou.

Queiroz é um velho amigo de Jair Bolsonaro, que o colocou no gabinete do filho. As investigações mostraram que Queiroz recolhia parte do salário dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro, alguns deles seus parentes. Os assessores depositavam dinheiro nas contas de Queiroz. Os dados do Coaf mostraram não só as entradas, mas também as saídas. Entre elas estava um cheque de R$ 24 mil de Queiroz para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, deixou o cargo acusando o presidente de tentar interferir na investigação da Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pessoas pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação do esquema mostrou uma preferência dos Bolsonaros por dinheiro vivo. Flávio Bolsonaro era sócio de uma franquia de chocolates da Kopenhagen no shopping Via Parque, no Rio. O Ministério Público descobriu que a loja recebia grandes volumes de depósito em dinheiro em datas coincidentes com o pagamento dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro. Em vários meses, esses depósitos eram maiores que o faturamento da loja. Chamou a atenção que os depósitos não cresciam na temporada da Páscoa, como ocorre em todas as lojas de chocolate do resto do mundo.

Durante a investigação, o MP descobriu que Flávio comprou dois apartamentos em Copacabana em 2012 por R$ 310 mil, pagos em cheque, e registrados em cartório por esse valor. Contudo, o MP descobriu também que, no dia da compra, o vendedor dos imóveis depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo numa agência bancária perto do cartório.

Em 2021, Flávio comprou uma casa de 936m², num terreno de 2.400m², no Setor de Mansões Dom Bosco, em Brasília, por R$ 5,97 milhões. Pagou R$ 2,8 milhões e financiou R$ 3,1 milhões no BRB por 30 anos, com juros anuais de 3,7% mais IPCA. Além de os juros estarem abaixo dos praticados no mercado, a renda declarada de Flávio Bolsonaro à época, apenas como senador, não permitia financiar valor tão alto. Mas o empréstimo foi feito no BRB na gestão de Ibaneis Rocha, aliado dos Bolsonaro. Flávio Bolsonaro quitou o imóvel em 2024.

Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça acolheu um recurso da defesa de Flávio com base no argumento de que a investigação no Rio deveria ter sido conduzida por desembargadores do Tribunal de Justiça, não por um juiz de primeira instância.

As decisões encerraram o caso.

Toffoli tem uma relação de amizade com Jair Bolsonaro. Os dois se conheceram em viagens para a Amazônia no começo do século, quando o ministro era assessor parlamentar do PT e Bolsonaro um deputado de quarto escalão. Nos dois anos como presidente do STF, Toffoli foi o líder do governo na Corte e durante as tensas eleições de 2022 era um dos raros ministros que seguia frequentando o Palácio do Alvorada. Flávio Bolsonaro herdou a boa relação e deu sinais contraditórios sobre o envolvimento de Toffoli no escândalo Master.

Pressionado pelo PL, Flávio Bolsonaro assinou o pedido de impeachment de Toffoli, mas logo depois alertou aos autores do projeto, os senadores Magno Malta, Eduardo Girão e Damares Alves, que um impeachment agora daria ao PT mais uma vaga no STF. Flávio Bolsonaro também assinou a CPI do Master, mas ato contínuo afirmou que a CPI seria um “ato de covardia ou conveniência” contra o STF e negou que sua assinatura significasse apoio à estrutura original da investigação.

A última postagem de Flávio Bolsonaro na plataforma X sobre Dias Toffoli é de maio 2020. É um agradecimento.

The new decisive alliance: Japan-Ukraine for victory over the aggressor

History has always shown us that unexpected alliances are formed in times of war. This has also been the case for Ukraine.


Just a short while ago, something happened in the Ukraine Russia war that could fundamentally change the rules of the game.


Kiev has gained an Asian ally from thousands of miles away, Japan. As we mentioned in our previous videos, the Tokyo administration first disrupted the balance in the Pacific.


Now it is redefining the rules on the battlefields of Eastern Europe. There is only one country that will feel the tension of this surprising strategic alliance.


Russia. On March 31st, that pivotal moment that altered the course of the war occurred.


Russia's relentless drone attacks are now facing off against the Pacific's asymmetric intelligence. Moreover, the cost of this asymmetric power, which has fundamentally shaken the war's balance, was just $2,000.


But the Kremlin's real nightmare isn't in this low price tag. We'll return to that mind-boggling detail shortly.


Toukig, CEO of Japanese tech giant Terror Drone Corporation, and Maxim Clemenco, CEO of Ukrainian defense firm Amazing Drones, shared the same stage for a single purpose.


They laid out a clear vision on the table to do everything possible to bring a brand new drone technology, Terra, to Ukraine.


The goal could be summed up in a single word. Interceptor. That is a new generation of predators that will shred Russia's relentless drone swarms in the sky and patrol the dark corners where missiles can't reach.


This partnership went down in history as Japan's first direct investment in Ukraine's defense sector.


However, the truly mind-boggling part of this story isn't the project itself, but the location of the collaboration, the frontline city of Kkefe.


The limits of military logic were being pushed to the absolute limit. Right here in this city, which Russia has consistently targeted with air strikes, producing drone technology right in the bullseye of the target might seem like a clear act of suicide at first glance.


But we'll soon see in full detail how Ukrainian engineers managed to hide this seemingly impossible production line from Russian radars and the flawless underground system they built.


First, let's discuss what the terror drones are capable of. Because Putin's nightmare scenario begins right here.


The new Terra A1 interceptor to be produced in Ukraine with Japan's support can reach speeds of 300 km per hour.


The speed of the Shahed drones which Russia uses most frequently is approximately 185 km hour.


So the Terra A1 can easily catch its prey. These drones have a range of approximately 35 km and can stay airborne for about 15 minutes.


This duration is sufficient for the Terra to detect and strike its target in a single mission cycle.


Thanks to its electric motor, this drone operates extremely quietly. It emits low heat, meaning it can evade enemy radars and thermal sensors.


It approaches like a ghost and destroys its target. So, on the front lines in Japan and Ukraine, it seems they found a way to counter shaded drones using the Terra.


But the real revolution of these drones isn't in outpacing Russian drones. It's entirely hidden in their price.


A single Shahed can cost Russia as much as $50,000. In contrast, a Patriot missile costs between two and $4 million to take down a single Shahed.


Terror Drone CEO Tokosig made this imbalance very clear at a press conference in Kiev.


According to the United 24 media source, Tokushig stated that shooting down the enemy's cheap drone with an expensive missile is unsustainable.


This is where interceptor drones come into play. These small interceptors with a unit cost of around $2,000 can intercept and destroy a $50,000 Shahed in midair.


The math clearly favors Ukraine. Ukraine pays 120th of what Russia spends to shoot down a single Shahed.


In fact, this isn't just a cost advantage. It's a strategy that fundamentally upends the economic balance of the war.


Russia launches hundreds of shaheds every night trying to deplete Ukraine's air defense missile stockpiles.


But interceptor drones are throwing a wrench in the works. You're countering waves of shaheds with cheap but effective fighters before your missile stockpile runs out.


Russia's attrition strategy thus becomes meaningless. Think about it. According to Ukrainian local media, Russia launched over 6,000 kamicazi drones in March 2026.


If you shot down each one with a Patriot missile, you'd spend billions of dollars in just one month.


But if you do the same job with interceptor drones, the cost could drop to a few million dollars.


This equation has the potential to fundamentally undermine Putin's spring 2026 attack plans because Russia had planned to deplete Ukraine's air defense stockpiles and then launch a major ground offensive.


But interceptor drones are emerging as a key factor with the potential to shatter the fundamental premise of that plan.


Missile stockpiles aren't running out because cheap drones are doing the heavy lifting. And the more shahads Russia launches, the more the cost asymmetry grows in Ukraine's favor.


As we mentioned in the opening segments of the video, the production plan for these drones is just as remarkable as the technology itself because the first production of the Terra A1 will take place in Ukraine in the Kkefe region.


Yes, in an area close to the front lines. This might seem crazy, but Ukrainian engineers have already figured out the formula.

𝗗𝗲𝘁𝗮𝗶𝗹𝘀👉https://ht2.cafex.biz/blog/quangmanhhtv-what-japan-just-did-for-ukraine-putins-surprise-strikes-are-now-useless

(NOTE: This is just the beginning! The full story and its incredible ending are waiting for you at the link in the comments below.)


👉 Tap "View all comments" to find the link and finish the journey. Wishing you a wonderful day filled with luck—stay true to your amazing, authentic self!!


Hungary elections: what is at stake and who is likely to win? - Jon Henley (The Guardian)

 Hungary elections: what is at stake and who is likely to win?

Viktor Orbán, an icon for the global far right, could face defeat despite an electoral system weighted in his favour.

Jon Henley Europe correspondent

THE GUARDIAN, Fri 10 Apr 2026 


Hungarians go to the polls on 12 April in Europe’s most consequential election of the year, with Viktor Orbán, the country’s illiberal prime minister and global far-right icon, facing possible defeat, after 16 years in power, by a former loyalist, Péter Magyar.

What is the story and why does it matter?


The EU’s longest-serving leader, Orbán has since 2010 turned Hungary into what he calls an “illiberal democracy”, declaring himself Europe’s defender of traditional Christian family values against an onslaught of western liberalism and multiculturalism.


His four successive governments have comprehensively eroded the rule of law in Hungary, packing the courts with judges loyal to him and turning up to 80% of the country’s media in effect into a propaganda machine for himself and his far-right Fidesz party.


He has become the EU’s disruptor-in-chief, battling with Brussels – which has suspended billions of euros in funding – over policies including on justice, migration, LGBTQ+ rights and, more recently, aid for Ukraine, which, along with sanctions against Russia, he has consistently blocked (including the latest €90bn loan).


Orbán is the EU’s most Moscow-friendly leader, continuing to buy Russian oil and gas and to meet Vladimir Putin since Russia’s full-scale invasion. Recent allegations that Budapest shared confidential EU information with the Kremlin have sparked EU outrage.


Orbán has inspired like-minded EU-obstructive leaders such as Slovakia’s Robert Fico and the Czech Republic’s Andrej Babiš, and boosted nationalist challengers such as France’s Marine Le Pen and the Netherlands’ Geert Wilders.


In short, this month’s election will have consequences far beyond Hungary, a country that accounts for just 1.1% of the EU’s GDP and 2% of its population but has, under Orbán, come to play a role on the international stage out of all proportion to its size.

Who are the key players and what are their platforms?


Orbán, 62, has been endorsed by Donald Trump, Italy’s Giorgia Meloni, and Alice Weidel of Alternative für Deutschland. US vice-president JD Vance visited Budapest to campaign for him this week and on Friday Trump posted that “I AM WITH HIM ALL THE WAY!”


He was an anti-communist youth leader during the cold war and – with funding from his subsequent arch-enemy, the philanthropist George Soros – briefly researched “the concept of civil society in European political thought” at Oxford.


His Fidesz party’s 2010 supermajority enabled him to rewrite Hungary’s constitution and pass laws consolidating executive power, curbing NGOs and media freedoms, and severely weakening judicial independence.


This year, Orbán has run a classic populist campaign. He has sought to frame the vote as a choice between war or peace, telling voters they can preserve Hungary as “an island of security and tranquility” by electing him, or drag it into chaos and war by choosing Magyar, whom he paints as an agent of Brussels and Kyiv.


Polls suggest voters are more concerned with domestic issues such as healthcare and the economy, which has stagnated for the past three years. Food prices have risen to near the EU average while Hungarian wages are the third lowest in the bloc.


Magyar, 45, formerly a Fidesz disciple and loyal member of Orbán’s inner circle, burst into the limelight two years ago after his ex-wife, Judit Varga, resigned as Orbán’s justice minister when it emerged that Hungary’s conservative president, Katalin Novák, a key ally of the prime minister, had pardoned a man convicted in a sexual abuse case.


Magyar, a former diplomat who trained as a lawyer, distanced himself from Fidesz, accusing it of corruption and propaganda, and launched his Tisza (Respect and Freedom) party. It won 30% of the vote in the June 2024 European elections in Hungary, finishing second to Fidesz.


Magyar has pledged to return Hungary to a pro-EU orientation, end its dependence on Russian energy, restore an independent public media and judiciary, boost the economy, halt huge Orbán-era corruption, sanitise public procurement and unlock frozen EU funds.


How does the election work and who is likely to win?


Since 2010, Orbán has made hundreds of changes to electoral rules, including nearly halving the number of parliamentary seats to 199 and creating 106 unevenly sized single-member constituencies (the remaining MPs are elected proportionally using party lists).


The result is a Fidesz-friendly system, with far fewer votes needed to win in pro-Fidesz districts. Orbán has also made it easier for the mostly pro-Fidesz Hungarians living in nearby countries to vote, and handed policy sweeteners to mostly loyal voter groups such as pensioners.


This means Tisza, which has an 8-12 percentage point lead among decided voters in most polls (although pro-government pollsters put the ruling party ahead), may need a six-point win over Fidesz to secure a majority.


Polling averages put the opposition party on 50% of the national vote and Fidesz on 39%. However, up to 25% of respondents are undecided, and experts warn that national polling does not reflect the complexities of Hungary’s gerrymandered constituencies.


Fidesz is more popular among retirement-age voters, polls suggest, leading Tisza by 50% to 20% in some polls, while Tisza is strongly ahead among under-40s and urban voters. Turnout could reach record heights of more than 80%, pollsters say.


What could happen?


Broadly, observers see three possible outcomes: a Magyar majority that Orbán accepts; a Magyar majority that Orbán does not accept; or an Orbán majority. All would come with consequences.


For the reasons outlined above, Hungary’s elections can be categorised as free but not fair, and the chances of an Orbán victory cannot be excluded. If he wins, he would almost certainly double down, conflict with the EU would intensify and domestic authoritarianism would increase.


If Orbán loses, especially by a narrow margin, he could contest the result. That would place the EU in an entirely unprecedented position and, despite likely opposition from Orbán allies, could eventually lead to the suspension of Budapest’s voting rights.


A Magyar victory acknowledged by Orbán would certainly ease EU-Hungary relations, although the opposition leader is hardly a progressive, and Hungarian policy on hot-button issues such as immigration is unlikely to change much.


Domestically, moreover, unless Tisza wins a supermajority (133 seats), it is unclear how much a Tisza-led government would be able to do: Orbán has ensured many laws need a supermajority to be changed and has stuffed all major state institutions with loyalists.


A POLITICA EXTERNA NO PRÓXIMO GOVERNO: Projeto Brasil (debate completo)

*O DEBATE COMPLETO* do Projeto Brasil, uma iniciativa do Instituto Ética e Democracia, com a colaboração de Roda Democrática e do Ateliê de Humanidadesx em 9/04/2026:

A POLITICA EXTERNA NO PRÓXIMO GOVERNO

Para quem não pôde assistir ontem à noite, segue o link para o debate completo.

O embaixador Rubens Barbosa apresentou uma densa palestra sobre estratégias de política externa para o país, apontando nossas vulnerabilidades.

Enriquecido pelas participações de Marco Aurélio Nogueira e Sérgio C. Buarque, como debatedores, sob a mediação do diplomata Paulo Roberto de Almeida, o Projeto Brasil abriu, com excelente qualidade, sua série de lives.

Assistam, deixem seus comentários e divulguem.

Segue o link:

https://www.youtube.com/live/nFxJ2fVtOqU?si=3dIPuKHl4tt7Hx8L 

Saudações,

João Rego  - Diretor 

 *IED  Instituto Ética e Democracia* 

Conhecimento para o fortalecimento da Democracia

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Putin já não é mais o que era - Radio Free Europe, Radio Liberty

 ATURES

In Russia, Putin Sees Something Not Seen In Years: A Notable Drop In Approval Ratings

April 08, 2026 18:05 CET
President Vladimir Putin is an unrivaled political leader, who remains popular for many Russians.
President Vladimir Putin is an unrivaled political leader, who remains popular for many Russians. 

Maybe it’s the widespread state-ordered mobile Internet outages that have disrupted the lives of millions of Russians, in Moscow above all.

Maybe it’s the Ukrainian drone attacks that have disrupted Russians’ flight plans and severely curtailed Russian oil exports in the Baltic Sea.

Maybe it’s the mass culling of infected livestock that has sparked howls of outrage from farmers in Siberia.

Maybe it’s the all-out war on Ukraine, which, despite Kremlin promises of swift victory, rages on in its fifth year, with Kyiv’s forces holding Russia to a near stalemate and Moscow’s war dead and wounded topping 1.2 million.

Regardless of the reason, the fact is: Russian President Vladimir Putin is not as popular as he used to be.

In recent weeks, a series of public opinion surveys -- including two conducted by state-linked pollsters -- have registered a decline in support for Putin. FOM, whose main customer is the Presidential Administration, a powerful policy-making body within the Kremlin, recorded the lowest level of public trust in Putin since September 2022.

The drop in approval ratings does not signal a political crisis for the Kremlin; Putin remains the unrivaled leader of the country. Kremlin officials -- the Presidential Administration above all -- have spent years cladding electoral processes in an attempt to create the perception that Russians have a genuine choice in their elected leaders, what’s called “managed democracy.”

But Kremlin officials are sensitive to shifts in public opinion, experts say, and the current change is being scrutinized internally by the administration officials charged with managing the political system.

“It is noteworthy and it’s also backed by various other 'events and incidents,’” said Gulnaz Sharafutdinova, director of the Russia Institute at King’s College London, pointing to the recent case involving a pro-Kremlin attack-dog lawyer who ended up in psychiatric hospital after ripping into Putin.

The shift in mood might be explained by several factors, she said: disruption from Ukrainian drones; disruption of messengers like Telegram, WhatsApp, and the Internet; unmet expectations and unfulfilled promises from US-backed peace negotiations for Ukraine; overall fatigue with a prolonged war that started to impact the economy more noticeably.

“This does not mean revolution is on the books, but rising tensions are not good for the Kremlin,” she said.

“We don't yet have enough data to link specific social processes in specific social groups to this downward trend,” said Konstantin Gaaze, a Tel Aviv-based sociologist and former Russian government adviser. “Who exactly is tired, disappointed, or angry?”

“We have seen major interventions in everyday life -- Internet blackouts and restrictions -- but we are also seeing a more prolonged tendency,” he said: “The war penetrating deeper and deeper into the heartland of European Russia. Drones, strikes on oil refineries, and so on. These things accumulate over time.”

Cows, Cukes, and Tech

For years, tech regulators -- and security agencies -- have tightened controls over the Internet inside Russia, installing surveillance hardware, passing restrictive lawscoercing tech companies to sell out to Kremlin-linked owners, and slowing down websites and apps that fail to comply with regulations.


Over the past year, however, officials have resorted to turning off mobile Internet service in a growing number of regions.

The Kremlin has justified the outages as a way to prevent Ukrainian drones from using Russian networks to navigate. But the slowdowns, along with the throttling of popular apps like Telegram and WhatsApp, have disrupted the lives of millions, particularly in Moscow.

A survey released last month by the Levada Center, one of Russia’s last remaining independent pollsters, showed a notable uptick in Russians encountering Internet problems -- and a growing number saying they were unhappy with authorities’ moves to squeeze Telegram and WhatsApp.


In early February, meanwhile, veterinary authorities in several Siberian regions ordered quarantines and the killing of tens of thousands of cows and other livestock, citing rabies and another highly infectious bacterial disease. Farmers and ranchers have complained, saying the move is overkill and is destroying livelihoods in poorer towns and villages. Some complained that compensation being paid for destroyed livestock was inadequate.

Several even took their protest all the way to Moscow’s Red Square, a political act that is a rarity these days.

Russia’s economy is also slowing down markedly, after years of torrid growth fueled by government war spending. Inflation has pushed up prices, prompting a sharp hike in interest rates. Wages are stagnating.

Don’t Mention The War

And then there’s the Ukraine war, which hit the four-year mark on February 24.

US President Donald Trump made ending the war a priority upon taking office in January 2025. His special envoys have met repeatedly with Putin, and his negotiators have organized multiple rounds of bilateral and trilateral talks.

But talks have ground to a halt.

A month of US and Israeli attacks on Iran is partly to blame. Russia’s hardline demands on territory and security guarantees, demands Ukraine says are unacceptable and potentially dangerous, are also responsible.

Plus, Ukraine’s military -- despite being smaller and mostly unequipped in terms of artillery, ammunition, and heavy weaponry -- has kept Russian troops from quickly advancing to achieve the Kremlin’s war goals. It has inflicted astronomical losses on Russian forces.

According to FOM’s tracking, the last time Putin’s approval ratings slipped noticeably substantially was in September 2022, seven months in.

That was when the Kremlin realized the war wasn’t going to be over quickly -- some had predicted Russia would subjugate Ukraine in a few days or weeks. Putin ordered a large-scale mobilization, jolting Russian society and prompting an exodus of hundreds of thousands of people from the country.


Inside Russia, dissent has been almost entirely crushed. Yevgeny Prigozhin, the St. Petersburg restaurateur who built a formidable private mercenary force, then staged an abortive mutiny in 2023, was one of the loudest dissenters of the war’s conduct. He died two months later in a plane crash widely believed to be an assassination.


Last month, Ilya Remeslo, a bombastic Kremlin booster, touched a public nerve when he penned a scathing broadside about the war and the overall state of the country. He also went after Putin himself, calling him a war criminal and complaining he was destroying Russia.

Less than two days after publishing the article, Remeslo was admitted to a psychiatric hospital, though it was unclear if it was voluntary or not. His current whereabouts are unclear.


“What’s happened now? A perfect storm has begun,” Yelena Koneva, a sociologist and public opinion marketer, said in a commentary published by Ekho, the renowned former Moscow radio station.

“Right now, this giant pile of snow called ‘support for Putin,' is starting to melt. It won’t collapse all at once; it melts and melts and melts,” she wrote. “It's a gradual, truly significant change. This is the first sign, and it can't be shut down by further repression -- there are too many reasons.”

Geopolítica dos Conflitos Contemporâneos: entre a experiência histórica e os horizontes das relações internacionais" - Palestra na UNISC - Paulo Roberto de Almeida

"Geopolítica dos Conflitos Contemporâneos: entre a experiência histórica e os horizontes das relações internacionais"

O jornal Gazeta do Sul, desta data (8/04/2026), efetuou uma matéria sobre minha palestra na Unisc:


Depois da palestra, o organizador me escreveu:


"Prezado Embaixador,

Agradeço pela excelente conferência de ontem. Tivemos uma aula de muita erudição e, ao mesmo tempo, instigante, provocativa e muito esclarecedora.
A repercussão foi extremamente positiva entre professores e estudantes, com muitos comentários elogiosos.
Aproveito para refazer o convite de uma visita presencial à UNISC.
Um forte abraço!
Prof. Dr. Mateus Silva Skolaude
Coordenador do Cursos de Geografia e História
Professor no Departamento de Ciências, Humanidades e Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)"

Respondi o seguinte: 

O prazer foi todo meu. Irei na primeira oportunidade,  Mais um pequeno texto para informação dos estudantes: 5274. “Mini história das grandes crises em escala mundial”, Brasília, 5274, 9 abril 2026, 3 p. Nota sobre as grandes crises, até chegar na atual. Divulgado no blog Diplomatizzando (9/04/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/mini-historia-das-grandes-crises-em.html).

A história econômica brasileira na pena de Afonso Arinos de Melo Franco - Edmar Bacha (Substack)

A história econômica brasileira na pena de Afonso Arinos de Melo Franco

Versão abreviada de meu capítulo no livro *Nos 120 Anos de Afonso Arinos de Melo Franco*. Org. Arno Wehling e Rogério Faria Tavares. Editora Miguilin, 2026.

Jurista, político, memorialista, ensaísta — Afonso Arinos de Melo Franco é figura das mais versáteis da cultura brasileira do século XX. Menos lembrado é o fato de que ele deu contribuições duradouras à historiografia econômica do país. São três os livros nesse campo: uma breve síntese da história econômica do Brasil, que chegou aos bancos escolares país afora; um estudo sobre a formação do patrimônio histórico-material do país, que se tornou referência para o Iphan; e uma história do primeiro Banco do Brasil, amplamente considerada o principal registro da fase inicial das finanças brasileiras.

## Das aulas na UDF às conferências em Montevidéu

Em 1936, Arinos aceitou o convite do reitor Afonso Pena para lecionar História do Brasil na recém-criada Universidade do Distrito Federal, idealizada por Anísio Teixeira. Após debater o programa com Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, seus colegas na UDF, Arinos estruturou a história do Brasil em ciclos econômicos: pau-brasil, açúcar, ouro, café e, finalmente, indústria. Dois anos depois, em janeiro de 1938, Arinos foi a Montevidéu representar o Brasil num curso internacional de férias organizado pelo Ministério da Instrução do Uruguai. San Tiago Dantas fazia parte da mesma delegação — dois intelectuais, não diplomatas de carreira, como Arinos fez questão de sublinhar. De suas três conferências, baseadas no curso para a UDF, resultou, ainda naquele ano, a *Síntese da história econômica do Brasil*.

Em 1941, Rodrigo Melo Franco de Andrade — primo do autor e criador do Sphan (atual Iphan) — o convidou a ministrar cinco conferências para os técnicos do serviço. Delas nasceu, em 1944, o *Desenvolvimento da civilização material no Brasil*.

O terceiro livro tem origem peculiar. Ao ingressar no Banco do Brasil também em 1936 como advogado, Arinos recebeu, em fins de 1942, a incumbência de escrever a história da instituição. O trabalho foi árduo: dois assistentes pesquisaram jornais, avulsos e publicações do Primeiro Reinado e da Regência. Mas a publicação foi interrompida: Arinos foi um dos idealizadores do *Manifesto dos mineiros* de 1943, que defendia a restauração da democracia, e Getúlio Vargas o aposentou compulsoriamente do banco. O livro só saiu em 1947.

## *Síntese da história econômica do Brasil* (1938): os ciclos que foram à escola

A *Síntese* é um livro enxuto — 65 páginas na edição original —, mas com grande apelo pedagógico. Nela, Arinos propõe que a economia brasileira pode ser considerada em ciclos sucessivos, cada um com um núcleo dominante: pau-brasil, açúcar, ouro, café. A abordagem facilitou a organização da história do Brasil em fases claras, e sua adoção em livros escolares foi ampla.

Arinos acreditava ser pioneiro nessa abordagem. Não era inteiramente: Normano, em 1935, já falava em “produtos-rei”, e Simonsen usava livremente o termo “ciclo” em seu curso na Escola Livre de Sociologia na década de 1930. A originalidade de Arinos foi centrar toda a análise da história econômica brasileira na sucessão desses ciclos.

Seja como for, obras posteriores trilharam caminhos distintos e de maior impacto intelectual. Caio Prado Jr., em *Formação do Brasil contemporâneo* e em *História econômica do Brasil*, deslocou o foco para a evolução dos modos e relações sociais de produção — com a marca marxista que o caracterizava.Celso Furtado, em *Formação econômica do Brasil*, foi ainda mais “economicista”, organizando o livro estritamente em torno de conceitos econômicos, sem qualquer referência a “superestrutura política”.

Ainda assim, a *Síntese* de Arinos foi um marco. Antecipou estudos mais abrangentes, destacou a complexa relação entre economia, sociedade e política na formação do Brasil, e ofereceu uma visão integrada e acessível que permanece de interesse para os estudiosos da historiografia econômica.

## *Desenvolvimento da civilização material no Brasil* (1944): pedra e cal

O título pode enganar o leitor contemporâneo. “Civilização material” hoje remete à obra monumental de Fernand Braudel, que a usou para designar a economia de subsistência e o cotidiano pré-mercantil. Caio Prado Jr. usou a expressão em sentido diferente: o conjunto das atividades econômicas do país.

Arinos a usa em sentido distinto de ambos. Para ele, “civilização material” é o objeto de trabalho do Sphan: o patrimônio histórico material do país — engenhos, igrejas, fortes, armazéns, casas rurais e operárias, câmaras e fazendas de café, caminhos e estradas. “Pedra e cal”, no jargão patrimonialista.

O livro conduz o leitor por uma viagem do século XVI ao século XIX, mostrando o lento povoamento do país, o surgimento de feitorias e cidades, o desenvolvimento das técnicas de produção e dos transportes. O tom coloquial do texto é convite à leitura.

Há um ponto discutível: na primeira conferência, Arinos afirma que o desenvolvimento da civilização material do país é de base portuguesa, pois os elementos negro e indígena seriam de difícil identificação. Essa conclusão soa estranha do ponto de vista econômico, pois desconsidera que foi com a mão de obra escravizada de indígenas e africanos que se construiu, em larga medida, o patrimônio material do país. A arquitetura poderá ter sido portuguesa, mas a engenharia foi obra das três raças — para usar a terminologia inadequada dos anos 1940.

As conferências de Arinos impactaram fortemente a gestão do patrimônio no Brasil. Permitiram visualizar os bens e conjuntos urbanos a partir de sua relação com o processo histórico de ocupação das diferentes regiões do país, orientando os técnicos do Sphan na seleção do que deveria integrar o patrimônio histórico e artístico nacional.

## *História do Banco do Brasil (Primeira fase: 1808-1835)* (1947): crônica de um fracasso anunciado

É o mais encorpado dos três livros — 279 páginas, afora cinco grandes tabelas em anexo — e o único que envolveu pesquisa original extensiva. Nas palavras do historiador português José Luís Cardoso, oferece “um dos mais rigorosos e completos registros sobre a primeira fase da história bancária brasileira”. Caio Prado Jr. o definiu como “trabalho minucioso, que oferece um histórico seguro e bem traçado da fase inicial das finanças brasileiras”.

O banco foi criado por D. João VI em 1808 como banco emissor e de crédito — mas, na prática, serviu essencialmente para financiar a Coroa. Os poucos balanços disponíveis demonstram que o grosso de suas atividades consistia em empréstimos ao governo, financiados pela emissão de suas próprias cédulas. Era reduzida a atividade de desconto de letras privadas, o que lhe rendeu pouco apoio político e imprensa francamente desfavorável.

Dado o estado fortemente deficitário das contas do governo — tanto sob D. João VI quanto sob D. Pedro I —, a emissão de cédulas para financiar déficits levou à depreciação progressiva do papel-moeda. Em 1821, as moedas de ouro tinham um prêmio de 28% em relação às cédulas do Banco. Em 1831, por ocasião da liquidação, esse prêmio havia chegado a 210%.

A desvalorização dos bilhetes veio acompanhada de corridas ao banco, intervenções policiais e enorme alvoroço parlamentar. O desfecho foi a liquidação em 1829, processo que se arrastou por mais seis anos.

Arinos acompanha essa odisseia passo a passo, com riqueza de detalhes sobre os debates parlamentares, sua repercussão na imprensa, e algumas histórias paralelas deliciosas. Sua conclusão é que o progresso econômico do país não poderia prescindir de institutos provedores de crédito — e que a liquidação do banco foi um grave erro. Já em 1833 o governo tentou criar um segundo Banco do Brasil, sem sucesso; o segundo banco só viria em 1853, em condições políticas e econômicas mais propícias.

## Conclusões

Cada um à sua maneira, os três livros de Arinos deram contribuições importantes para o conhecimento do passado brasileiro. A *Síntese* mantém seu interesse para os estudiosos da historiografia econômica. O *Desenvolvimento* continua a ser saborosa viagem de descoberta do patrimônio material do país. A *História do Banco do Brasil* impressiona por sua pesquisa original e por nos expor, na pena leve e culta de Arinos, as entranhas financeiras e políticas do turbulento período em que a colônia se fez nação.

Jurista, político, memorialista e ensaista consagrado, Arinos deixou um legado sobre a história econômica do Brasil menos celebrado do que merece. Vale a pena redescobri-lo.


Postagem em destaque

The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic, finally completed

A project to which I contributed with a paper about the birth of our geopolitical thinking, with an analysis of the “Memorial Organico”, off...