segunda-feira, 29 de junho de 2026

O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via Airton Dirceu Lemmertz)

O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via ADL)

As postagens que faço no meu blog Diplomatizzando, de trabalhos próprios ou de materiais de terceiros, estão sendo objeto do escrutínio rigoroso, embora ponderado, assim como de resumos muito inteligentes por parte da Inteligência Artificial (por vezes até melhores do que os meus trabalhos), graças à intermediação de meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, que faz os pedidos – na verdade requisições, quase ordens – a essas simpáticas ferramentas de pesquisa e síntese redacional, que são muitas e variadas, embora ele se serve mais frequentemente do Gemini AI, a quem eu chamo carinhosamente de Madame IA, ou agora, de Demoiselle IA.
Ela própria faz uma distinção metodológica entre uma e outra, com a qual não estou muito de acordo (quanto ao objeto referido em minhas postagens), pois minha distinção entre uma distinta senhora (Madame IA) e uma jovem senhorita (Demoiselle IA) se deve apenas que essa ferramenta é relativamente muito jovem, e precisa ainda aprender muito (com base na produção humana), para aprender cada vez mais (embora ela nunca vai ter coração, sentimentos e cérebro próprios).
Aqui está o que ela respondeu recentemente a ADL:

"Blog Diplomatizzando: "Demoiselle IA" ou "Madame IA"?

No blog Diplomatizzando são utilizados ambos os termos, "Demoiselle IA" e "Madame IA". [1, 2]
As duas expressões referem-se à mesma inteligência artificial (alimentada pelo Google Gemini) utilizada de forma satírica e analítica pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida e por seu colaborador Airton Dirceu Lemmertz. [1, 2, 3, 4, 5]
Como os termos são aplicados:
Demoiselle IA: É tratada carinhosamente como a assistente de curadoria responsável por ler, resumir e reescrever textos históricos da página. [1, 2]
Madame IA: É a alcunha usada quando a ferramenta assume um papel formal de "crítica", emitindo pareceres estruturados sobre o desempenho do blogueiro ou analisando temas complexos de política externa. [1, 2] "

Bem, vou deixar o meu boa noite respeito a Madame IA e cumprimentar uma vez mais a gentil Demoiselle, pela sua tenacidade e disposição de aguentar as demandas repetidas de ADL (não sei se trabalhando de graça, como escrava desse capataz colocado ao serviço do conhecimento alimentado pelos comentários sempre pertinentes dessas duas donzelas).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 29/06/2026

domingo, 28 de junho de 2026

A política externa paralela do lulopetismo diplomático: uma entrevista de 2016 resumida por Demoiselle IA em 2026

   A política externa paralela do lulopetismo diplomático: uma entrevista de 2016 resumida por Demoiselle IA em 2026

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Entrevista concedida em de 2016, que foi objeto de resumo pela IA em 2026.  

Em outubro de 2015, recém reincorporado ao trabalho ativo no Itamaraty, como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, vinculado à Funag (Itamaraty), amigos das Forças Armadas apreciadores de minhas posições em matéria de política externa e de diplomacia, sugeriram que eu concedesse uma entrevista a uma nova organização de comunicação social, da qual eu nunca tinha ouvido falar, uma tal de Brasil Paralelo, que pretendia estimular uma visão diferente da política e da economia do Brasil, supostamente de visão liberal e oposta, portanto, à versão lulopetistas da diplomacia, que havia dominado não só o Itamaraty como quase toda a academia brasileira desde 2003, e se apresentava como a “versão progressista” da política externa.

Sem saber exatamente o tratamento que seria dado a essa entrevista, eu a concedi, sem qualquer roteiro ou preparação, e sem notas de apoio, ou seja, de maneira completamente improvisada. Apenas meses mais tarde tomei conhecimento que essa iniciativa do Brasil Paralelo estava bem mais vinculada à extrema-direita, e que ela também se caracteriza por uma grande dose de desonestidade intelectual, tanto quanto os companheiros, cuja visão do mundo ela pretendia combater. Em todo caso, a entrevista, de mais de uma hora, foi concedia, e apenas algum tempo depois eu recebi os recortes efetuados pela gravação. A ficha dessa entrevista foi efetuada da seguinte forma, onde também comparece o link para o YouTube, original e retransmitida em meu canal, para os que desejarem assistir:

3047. “A política externa paralela do lulopetismo diplomático”, Brasília, 14 outubro 2016, gravação de entrevista, em vídeo, para servir como depoimento no quadro de documentário do Brasil Paralelo, a realizar-se online no Brasil, em novembro, com a participação de diferentes personalidades, em suporte puramente virtual. Entrevista registrada na lista de trabalhos originais, em 15/10/2016, por nota divulgada no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/10/congresso-brasil-paralelo-como-refundar.html). Gravação disponível no YouTube (links: https://www.youtube.com/watch?v=meCec0dM_8U&feature=share; no canal pessoal: https://www.youtube.com/user/paulomre, neste link: https://youtu.be/fWZXaIz8MUc).

 

Fui tomado de surpresa, dez anos depois, ao constatar que meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz, que também serve de canal de interação entre a minha produção intelectual – sobretudo a divulgada no blog Diplomatizzando – e esses novos agentes da coleta e tratamento da informação agrupados sob a rubrica geral da Inteligência Artificial, submeteu essa minha entrevista a uma análise-resumo do Gemini AI, a quem eu chamo de Demoiselle IA, cujo resultado (talvez até mais compreensível do que a própria entrevista) figura na transcrição abaixo:

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Brasil Paralelo: Paulo Roberto de Almeida (14/10/2016):

 

Fonte original: https://www.youtube.com/watch?v=fWZXaIz8MUc

 

A análise a seguir detalha cronologicamente o depoimento e as reflexões do diplomata Paulo Roberto de Almeida para o Congresso Brasil Paralelo, gravado originalmente no final de 2016. [1, 2]

 

A Divisão Histórica do Brasil Contemporâneo

O diplomata inicia sua exposição estabelecendo uma cronologia comparativa para explicar a história recente do país (0:28). Ele propõe uma divisão cronológica inspirada na tradição ocidental cristã, que separa o tempo entre antes e depois de Cristo (0:47). Para Almeida, o Brasil pode ser compreendido sob a ótica do "ACDC": antes e depois dos companheiros (1:02). No centro dessa divisão, situa-se um intervalo de treze anos e meio de gestões que ele qualifica como bizarras e exóticas, o que se aplicaria perfeitamente à condução das políticas internas e externas daquele período (0:41).

Analisando o início da era lulopetista, o diplomata pontua que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura inicial de cautela na economia (1:18). Tendo saído derrotado em três disputas presidenciais anteriores com uma plataforma puramente esquerdista, Lula buscou uma concertação com o grande capital e a burguesia, selando uma aliança ao convidar um grande industrial mineiro para ser seu vice-presidente (1:18). Essa estratégia garantiu a preservação de pilares macroeconômicos herdados, associados ao tripé composto por superávit primário, metas de inflação e regime de flutuação cambial, elementos anteriormente criticados pela militância partidária e acadêmica (1:34).

 

A Ideologização da Política Externa e as Heranças

Para contrabalançar a manutenção das diretrizes liberais na economia interna e satisfazer suas bases aliadas, o governo promoveu uma guinada à esquerda na condução do Itamaraty (1:55). Almeida descreve essa guinada como uma diplomacia pautada por uma visão de mundo anacrônica, anti-imperialista, antiamericana e fundamentada na divisão maniqueísta entre opressores e oprimidos, ricos e pobres, norte hegemônico e o sul em libertação (2:03). Essa concepção foi implementada sob a liderança dos diplomatas Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, este último apontado como o principal ideólogo do que denomina lulopetismo diplomático (2:32).

O diplomata rebate a narrativa governamental de que teria sido recebida uma herança maldita do governo de Fernando Henrique Cardoso (2:56). Segundo Almeida, a deterioração das contas ocorrida em 2002 foi gerada justamente pela crise de confiança que a iminente ascensão dos companheiros provocou nos mercados, resultando na desvalorização do real, na alta da inflação e na depreciação dos títulos da dívida externa (3:15). Para mitigar esses efeitos e demarcar uma suposta ruptura com o passado, o partido rotulou sua política como ativa, altiva, soberana e focada na cooperação sul-sul (3:40). Ele argumenta que essa retórica acusava falsamente as gestões anteriores de submissão a Washington e ao neoliberalismo, omitindo o fato de que o Brasil jamais foi um país estritamente neoliberal (4:19).

 

O Alinhamento Ideológico e a Bonança das Commodities

Na prática, Almeida sustenta que a diplomacia petista não alterou a substância das grandes linhas tradicionais do Itamaraty, mantendo a prioridade aos vizinhos da América do Sul, ao multilateralismo e à busca por um assento no Conselho de Segurança da ONU (4:55). A mudança real ocorreu na rotulagem retórica e no alinhamento pragmático com ditaduras do Oriente Médio e da América Latina (3:49). O sucesso político de Lula decorreu do palanque sindical e, fundamentalmente, do benefício gerado pela estabilidade macroeconômica consolidada desde 1993 com o Plano Real (6:03).

A esse cenário somou-se um crescimento extraordinário da economia mundial na primeira década do milênio, impulsionado pelo fator China (6:44). O país asiático passou a consumir mais de um terço do cimento, ferro, alimentos e energia do planeta, tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil em 2009 e desbancando a liderança histórica de cento e cinquenta anos dos Estados Unidos (7:08). O afluxo massivo de dólares decorrente da explosão dos preços das commodities — com a soja atingindo patamares elevados e o minério de ferro disparando — permitiu ao governo financiar programas de distribuição de renda internos e projetar o presidente como um líder global do terceiro mundo (7:25). Lula circulava entre potências e ditaduras africanas como Moammar Kadafi, modulando seu discurso conforme os interesses de cada plateia (9:18).

 

Os Três Fracassos Estratégicos e a Pirotecnia

Apesar da grande expansão de postos e embaixadas pelo mundo, Almeida aponta que os três grandes objetivos estratégicos inaugurados em janeiro de 2003 resultaram em fracasso absoluto (10:46). O primeiro era a conclusão das negociações multilaterais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio para abertura de mercados ao Brasil, o que foi inviabilizado pela visão estreita da diplomacia comercial partidária (13:02). O segundo era o fortalecimento e expansão do Mercosul, bloco que acabou desestruturado pelo comportamento protecionista e arbitrário da Argentina sob os governos de Nestor e Cristina Kirchner (13:50). Lula, segundo o palestrante, foi conivente com essas medidas, solicitando à Fiesp tolerância com as barreiras argentinas, o que solapou o mercado de manufaturados brasileiros e transformou um tratado de integração comercial em palanque ideológico (14:38).

O terceiro objetivo frustrado foi a conquista de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, uma ambição histórica do establishment diplomático e militar desde os tempos da Liga das Nações em 1926 e da Conferência de São Francisco em 1945 (15:30). Almeida pessoalmente não considera essa meta prioritária, argumentando que ela exige altos custos financeiros e a participação em missões complexas de imposição da paz (peacemaking) (17:56). Na tentativa de angariar votos, Lula abriu embaixadas na África e perdoou dívidas de autocratas, desconsiderando que a reforma do conselho depende estritamente do poder de veto dos cinco membros permanentes, especialmente de Estados Unidos e China, que não possuem interesse em dividir o poder global (19:05).

Essa frustração de metas deu lugar a uma diplomacia de pirotecnia e megalomania, exemplificada na tentativa fracassada de mediar a paz no Oriente Médio e na Declaração de Teerã sobre o programa nuclear iraniano, que entrou em rota de colisão com as negociações conduzidas pelas grandes potências do P5+1 (21:09). Para o diplomata, o Brasil perdeu credibilidade e isenção ao se aliar a regimes autoritários na região e ao intervir ativamente em processos eleitorais e referendos de vizinhos como a Venezuela de Hugo Chávez, violando o princípio constitucional de não-intervenção nos assuntos internos de outros Estados (22:07).

 

O Processo Decisório Invertido e as Vias Paralelas

A estrutura organizacional do Itamaraty sofreu alterações severas no período petista (24:38). O processo decisório tradicional funcionava como um triângulo perfeito, onde as formulações conceituais nasciam nas secretarias técnicas de base e subiam de forma unificada até o gabinete ministerial (25:25). No lulopetismo, essa lógica foi invertida: a base passou a buscar o que pensava a cúpula partidária para se alinhar ideologicamente à linha dos companheiros (26:21). O centro formulador deslocou-se do Palácio do Itamaraty para o Palácio do Planalto, capitaneado por um assessor internacional egresso do partido e de estrita confiança do regime cubano, que atuava como uma espécie de chanceler paralelo para a América do Sul (24:04).

Almeida classifica como extremamente grave a consolidação de uma diplomacia paralela operada à margem dos registros oficiais, baseada em contatos telefônicos diretos entre lideranças petistas, cubanas e bolivarianas (26:43). Essa opacidade burocrática impede a reconstituição documental de episódios como o abrigamento de Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, a suspensão arbitrária do Paraguai do Mercosul ao arrepio do Protocolo de Ushuaia e a subsequente entrada forçada da Venezuela no bloco (27:58). O mesmo padrão repetiu-se quando Evo Morales nacionalizou os hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, ocupando instalações da Petrobras; o governo emitiu uma nota oficial de apoio à medida de Morales, em vez de defender os ativos estatais e os tratados internacionais firmados (28:43).

O diplomata assevera que a engrenagem externa estava umbilicalmente ligada ao esquema de corrupção desvelado pela Operação Lava-Jato (29:06). Ele afirma que entre 2003 e 2016 o país foi comandado por uma organização criminosa que utilizou financiamentos bilionários e superfaturados do BNDES direcionados a obras em ditaduras aliadas em troca de propinas e vantagens pessoais para capitalistas promíscuos (28:59). Essa dinâmica manchou a reputação internacional do Brasil nos índices de percepção da Transparência Internacional (44:58).

 

A Ficção do Sul Global e o Custo do Isolamento

A substituição do universalismo ecumênico da política externa tradicional pela chamada diplomacia sul-sul é qualificada por Almeida como uma decisão exótica, canhestra e estúpida (31:35). Ele argumenta que o conceito de Sul Global é uma ficção anacrônica em um mundo interdependente e globalizado (34:25). A criação do fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e a institucionalização diplomática da sigla BRICs — termo cunhado originalmente pelo economista Jim O'Neill do Goldman Sachs como mero indicador de mercados de investimento emergentes — serviram para aprisionar o Brasil em uma visão confrontacionista e sindical do cenário internacional (34:49).

Almeida aponta que restringir alianças preferenciais ao sul assemelha-se a caminhar com uma viseira ou amarrar uma bola de ferro na perna, abrindo mão do comércio com as economias ricas e detentoras de alta tecnologia (37:36). Ele cita que os próprios parceiros asiáticos enriqueceram integrando-se aos mercados dinâmicos dos Estados Unidos e da Europa, enquanto o Brasil estagnou e reduziu sua participação no comércio global para menos de um por cento (33:11). O ápice desse isolamento foi o programa de substituição de importações sul-sul idealizado pelo chanceler Amorim e defendido por Lula perante a Fiesp, exortando industriais a comprarem insumos mais caros e de menor qualidade de vizinhos pobres para ajudá-los, uma lógica que ele considera antieconômica e ignorada pelo setor privado (42:25).

Como consequência, o ambiente de negócios brasileiro deteriorou-se drasticamente, conforme atestava o relatório Doing Business do Banco Mundial, posicionando o país em patamares desfavoráveis devido à alta carga fiscal e à burocracia kafkiana da Receita Federal (45:54). O diplomata destaca o dado de que uma empresa no Brasil gastava em média duas mil e seiscentas horas anuais apenas para cumprir obrigações fiscais, em contraste gritante com a média da OCDE, o que afastava investimentos em inovação tangível e intangível (45:27).

 

O Stalinismo Industrial e a Involução da Produtividade

A transição do governo Lula para a gestão de Dilma Rousseff acentuou o declínio econômico através do que Almeida denomina estalinismo industrial e keynesianismo de botequim (1:04:21). Se Lula possuía uma ignorância enciclopédica aliada a uma inteligência instintiva para falar o que os interlocutores queriam ouvir, Dilma revelou-se uma governante arrogante e teimosa (1:28:19). Sob a condução de Guido Mantega na Fazenda, a administração implementou a Nova Matriz Econômica e o programa Inova Auto, fechando o mercado nacional ao comércio externo e impondo taxas abusivas sobre o conteúdo importado sob o pretexto de proteger o mercado interno (50:29).

Esse modelo estimulou artificialmente a demanda e o endividamento por meio da expansão desmesurada do crédito — elevando-o de menos de vinte por cento para mais de cinquenta por cento do PIB —, ignorando o princípio econômico básico de que o crescimento sustentável depende do lado da oferta (supply side) e da taxa de investimento produtivo (1:18:01). Em 2005, Dilma já havia rejeitado propostas de consolidação fiscal formuladas por Palocci e Meirelles na Casa Civil, sob a justificativa de que gasto público é vida, pavimentando a explosão das despesas estatais acima do crescimento do PIB (1:13:54).

Almeida argumenta que as desonerações e subsídios distribuídos pelo BNDES não geraram modernização tecnológica, mas sim uma sinalização errática de mercado (1:05:15). O esporte principal do empresariado nacional passou a ser a busca por favores e protecionismo em Brasília, consolidando cartéis e monopólios em setores como telecomunicações, cimento e aço, o que eliminou a livre concorrência microeconômica e estrangulou a produtividade (57:20). Ele cita o exemplo do agronegócio, que opera com altíssima eficiência científica e de custos "até a porteira da fazenda", mas perde competitividade global da porteira para fora devido ao apagão de infraestrutura de portos e transportes sob responsabilidade de um Estado inepto (1:22:17).

 

A Falência do Capital Humano e o Remédio Constitucional

O fator mais crítico e limitante para o desenvolvimento de longo prazo do Brasil situa-se, segundo o palestrante, na falência do capital humano (58:42). Ele contrapõe o destino do país ao do Japão e da Coreia do Sul, nações desprovidas de recursos naturais que priorizaram a educação básica universal e a inovação tecnológica aplicada ao chão de fábrica (58:51). Enquanto em 1960 a Coreia possuía metade da renda per capita brasileira, nas primeiras décadas do século XXI ela ultrapassou amplamente o patamar nacional, que permaneceu estagnado (1:02:51). Almeida atribui o colapso educacional medido pelos exames internacionais do PISA ao que classifica como "freirismo", uma ideologia maoísta de pedagogia que teria destruído os currículos escolares (59:49). Critica também o isolamento corporativo das universidades públicas brasileiras, voltadas à escolha de reitores demagogos em detrimento da meritocracia científica e de patentes aplicadas (1:00:43).

Essa paralisia microeconômica, o desmantelamento institucional e o rombo fiscal de dez por cento do PIB resultaram no processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016 (51:21). O diplomata esclarece que o impedimento não foi um golpe da direita, mas sim o remédio constitucional legítimo previsto em democracias consolidadas como a dos Estados Unidos e na própria tradição ocidental que remonta à Magna Carta de 1215 (1:31:56). Ele assevera que o impeachment teria sido evitado, apesar das pedaladas fiscais e crimes contra a responsabilidade orçamentária, se a presidente não demonstrasse total incapacidade de negociação política com o Congresso Nacional no âmbito do presidencialismo de coalizão (1:34:07).

Almeida lamenta a leniência e inépcia histórica de partidos de oposição, como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, que não impulsionaram o impedimento de Lula em 2005 por ocasião do escândalo do Mensalão, permitindo que o esquema de compra de apoio parlamentar fosse industrializado e ampliado pelas estatais nos dez anos seguintes (1:16:49). No plano externo, a versão partidária de golpe ecoou em setores acadêmicos e jornalísticos internacionais politicamente corretos devido ao capital de prestígio acumulado por Lula, detentor de dezenas de títulos de doutor honoris causa financiados por campanhas de marketing governamentais (1:38:05).

 

O Cenário de Insolvência e o Pêndulo do Futuro

Encerrando seu depoimento com projeções econômicas, Almeida detalha uma visão pessimista para o futuro de curto e médio prazo do Brasil (1:53:25). Sob o governo de Michel Temer, o país tentava administrar uma transição fiscal complexa ancorada na PEC dos gastos públicos (PEC 241), buscando sinalizar previsibilidade aos investidores sem aumentar tributos de imediato (1:41:44). Contudo, o diplomata adverte que a trajetória da dívida pública em direção a oitenta e cinco por cento do PIB, combinada com taxas de juros elevadas, colocava o Estado à beira da insolvência técnica, consumindo a maior parte das receitas com juros e previdência (1:47:35).

Ele projeta que o fechamento do bônus demográfico nos vinte anos seguintes inverterá a pirâmide populacional, aumentando a proporção de aposentados e idosos dependentes sobre a base de trabalhadores ativos (1:08:36). Sem o ganho de produtividade que uma reforma educacional profunda traria, Almeida prevê que o crescimento econômico do país permanecerá ridículo, gerando escassez de recursos para arcar com os custos de saúde e previdência de uma sociedade envelhecida (1:09:16). Ele vaticina que o ano de 2022, centenário da Independência, registrará uma renda per capita real inferior à de 2012, configurando uma década inteira perdida como preço da destruição macroeconômica da Nova Matriz (1:50:50).

A superação desse atraso relativo perante os vizinhos liberais da Aliança do Pacífico e os emergentes asiáticos exigiria a redução drástica do tamanho e dos privilégios dos mandarins da burocracia estatal e a inserção unilateral do Brasil nas cadeias globais de valor, premissas das quais ele se declara cético devido ao peso do corporativismo fascista que molda as instituições nacionais (1:10:54).

 

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Fim da transcrição.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5378, 28 junho 2026, 6 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link:  https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-politica-externa-paralela-do.html).

 

Uma aula completa sobre IA, com Fabio Akita, via Airton Dirceu Lemmertz

 Recomendo a leitura e agradeço uma vez mais so meu amigo ADL por disponibilizar um texto dis mais esclarecedores sobre a IA:

 TECNOLOGIA E IA [+ FABIO AKITA]: 



Introdução ao Cenário da Inteligência Artificial
No início da conversa [0:1.3], o anfitrião Igor 3K recebe Fábio Akita [0:1.4], criador do canal Akitando [0:1.3]. Akita expressa um desabafo inicial sobre o debate público ao redor da Inteligência Artificial [0:1.5, 0:1.6]. Ele pontua que, embora o assunto tenha explodido fora da bolha de programação [0:1.28], a régua da discussão no ambiente de massa se encontra muito baixa [0:1.32, 0:1.33]. Akita lamenta que pesquisadores e doutores da área de exatas possuam grande dificuldade em comunicar conceitos complexos de maneira simples [0:1.35, 0:1.38], abrindo espaço para que influenciadores sem profundidade técnica assumam o controle da narrativa [0:1.33, 0:1.36].
Esse distanciamento na comunicação gera um pânico infundado na sociedade [0:1.48, 0:1.51]. O público leigo tende a associar a Inteligência Artificial a ficções científicas apocalípticas [0:1.42, 0:1.46], criando o temor de uma tecnologia alienígena ou de ameaças iminentes às carreiras dos jovens [0:1.49, 0:1.52]. Akita pontua que muitos influenciadores utilizam o gatilho do medo de perder o emprego apenas como uma tática para inflar visualizações e monetizar em cima da ansiedade alheia [0:1.53, 0:1.70]. Como seu canal pessoal não possui fins lucrativos ou patrocínios [0:1.67, 0:1.68], ele se posiciona como uma voz disposta a jogar um balde de água fria no alarmismo e explicar a realidade com base na ciência da computação [0:1.71, 0:1.74].
A Evolução do Trabalho e a Automação de Rotinas
Os participantes analisam o medo generalizado do desemprego causado pelas novas tecnologias [0:1.51, 0:1.53]. Akita argumenta que o deslocamento de postos de trabalho é um reflexo natural da evolução e não depende exclusivamente da Inteligência Artificial moderna [0:1.104, 0:1.116]. Ele cita exemplos cotidianos de automação convencional que já reduziram a necessidade de mão de obra humana [0:1.105], tais como os totens de autoatendimento no McDonald's [0:1.105], os caixas eletrônicos e os supermercados com sistemas onde o próprio cliente passa suas compras [0:1.108, 0:1.109].
A discussão expande-se para o cenário internacional [0:1.110]. Akita relata que em viagens realizadas ao Japão há mais de dez anos [0:1.110], já era comum encontrar lojas de conveniência operando com zero funcionários humanos [0:1.111, 0:1.112]. Esse modelo funciona perfeitamente devido ao alto nível de confiança e civilidade daquela sociedade [0:1.112], permitindo que as pessoas comprem e registrem seus produtos de forma totalmente autônoma [0:1.113]. Igor concorda e acrescenta que o avanço tecnológico extingue certas ocupações, mas gera mercados completamente novos, citando o próprio trabalho de criador de conteúdo digital, que não existia poucas décadas atrás [0:1.116, 0:1.118].
O Caso de Substituição por Avatares Digitais
Fábio Akita traz à tona um experimento recente conduzido por um influenciador e streamer norte-americano conhecido como Kwebbelkop [0:1.121, 0:1.123]. Esse criador de conteúdo, após passar cerca de dez anos gravando rotinas diárias e jogando Minecraft [0:1.123, 0:1.124], começou a sofrer com o esgotamento profissional, o chamado burnout [0:1.148, 0:1.151]. Sob a pressão de manter um fluxo constante de postagens, o jovem decidiu treinar uma Inteligência Artificial com seus próprios vídeos para substituí-lo inteiramente por um avatar digital 100% automatizado [0:1.126, 0:1.151].
Esse movimento gerou uma enorme onda de rejeição e publicações com alta taxa de avaliações negativas na plataforma [0:1.127, 0:1.133]. O público fã do canal sentiu-se traído ao perceber a perda do toque humano e o enlatamento das reações [0:1.128, 0:1.141]. Akita aponta que o criador inclusive fez um teste publicando um vídeo gerado por Inteligência Artificial sem avisar a audiência [0:1.155], revelando o segredo apenas nos minutos finais [0:1.156]. O experimento gerou polêmica por colocar em xeque a própria natureza do conteúdo de entretenimento rápido focado no público infantil, evidenciando que reações padronizadas podem ser facilmente replicadas de forma mecânica [0:1.137, 0:1.143].
Fundamentos Técnicos: Redes Neurais e o Papel das GPUs
Para desmistificar a aura de divindade atribuída à Inteligência Artificial [0:1.167, 0:1.171], o convidado resgata a história do processamento de dados [0:1.209, 0:1.213]. Ele explica que a pesquisa em simulação computacional acompanha a criação das máquinas desde o século passado [0:1.193]. Nos primórdios, os computadores eram tão fracos que mal conseguiam decodificar uma música em formato MP3 em tempo real sem paralisar qualquer outra tarefa de escritório [0:1.256, 0:1.258]. A evolução do processamento gráfico, impulsionada fortemente pela indústria dos videogames, acabou por pavimentar o caminho para a Inteligência Artificial contemporânea [0:1.298, 0:1.383].
Akita introduz os conceitos matemáticos básicos que operam por trás de uma rede neural [0:1.418, 0:1.430]. Ele esclarece que a expressão "rede neural" é apenas uma metáfora computacional e não possui nenhuma relação biológica com o cérebro humano [0:1.457, 0:1.458]. Estruturalmente, uma rede neural consiste em uma quantidade maciça de equações matemáticas simples de soma e multiplicação aplicadas de forma sequencial [0:1.430, 0:1.432]. Todo o processo de treinamento se resume a ajustar empiricamente variáveis chamadas de pesos e vieses [0:1.450, 0:1.453]. A máquina faz trilhões de tentativas de erro e acerto até aproximar o resultado numérico do objetivo esperado [0:1.444, 0:1.445].
Essa lógica de tentativa e erro massiva funciona por força bruta e exige um processamento de dados absurdamente veloz [0:1.467, 0:1.468]. É neste ponto que as Unidades de Processamento Gráfico, as GPUs, tornam-se indispensáveis [0:1.331, 0:1.367]. Enquanto uma CPU tradicional processa poucas instruções complexas de forma sequencial [0:1.325, 0:1.364], a arquitetura paralela das GPUs permite calcular matrizes matemáticas gigantescas simultaneamente [0:1.331, 0:1.334]. Akita destaca a visão de mercado da Nvidia [0:1.371, 0:1.372], que há anos desenvolveu a tecnologia CUDA [0:1.374], permitindo que seus chips gráficos fossem utilizados para cálculos de propósito genérico [0:1.373], fora do universo restrito dos jogos de computador [0:1.373].
Modelos de Linguagem e a Incompetência Estratégica do Google
A análise cronológica avança para explicar o nascimento dos grandes modelos de linguagem, conhecidos pela sigla LLM [0:1.350, 0:1.738]. Akita revela que a tecnologia fundamental que permitiu o surgimento do ChatGPT e o estrondo da Inteligência Artificial generativa foi criada e patenteada originalmente por pesquisadores de dentro do próprio Google [0:1.635, 0:1.638]. Trata-se do célebre artigo acadêmico intitulado "Attention Is All You Need", que introduziu a revolucionária arquitetura de redes neurais conhecida como Transformers [0:1.635, 0:1.637].
Apesar de deter a propriedade intelectual e as mentes mais brilhantes da computação [0:1.515, 0:1.638], a gerência corporativa e a burocracia interna do Google sufocaram o desenvolvimento do produto [0:1.514, 0:1.639]. Frustrados com a lentidão institucional, os dez principais autores do paper decidiram se desligar da empresa [0:1.638, 0:1.639]. O executivo Sam Altman aproveitou a oportunidade para absorvê-los na OpenAI [0:1.639, 0:1.640], culminando no lançamento público do ChatGPT dois anos depois [0:1.640]. Akita rotula o sucesso comercial da OpenAI como um verdadeiro troféu à incompetência administrativa moderna do Google [0:1.642, 0:1.643], uma empresa monopolista que se tornou excessivamente dependente de suas receitas publicitárias e do mecanismo de buscas tradicional [0:1.503, 0:1.505].
O Tabuleiro Geopolítico do Código Aberto
Em seguida, Akita aborda a drástica mudança de posicionamento estratégico de Mark Zuckerberg, presidente da Meta [0:1.482, 0:1.483]. Após queimar bilhões de dólares na tentativa frustrada de emplacar o conceito do Metaverso [0:1.494], Zuckerberg enfrentou uma severa crise de desvalorização acionária e demissões em massa entre os anos de 2020 e 2022 [0:1.495, 0:1.499]. Para recuperar sua relevância na fronteira tecnológica, o executivo adotou uma postura agressiva e disruptiva no campo da Inteligência Artificial [0:1.484, 0:1.487].
A Meta passou a treinar modelos sofisticados de linguagem, batizados de Llama [0:1.735, 0:1.738], e tomou a decisão drástica de disponibilizá-los gratuitamente sob licenças de código aberto, o open source [0:1.735]. Essa atitude quebrou o monopólio comercial das plataformas fechadas e pagas como a OpenAI [0:1.843, 0:1.847]. Ao dar acesso direto aos pesos matemáticos dos modelos para qualquer desenvolvedor ao redor do globo [0:1.735, 0:1.737], Zuckerberg permitiu que pequenas empresas e computadores domésticos operassem ferramentas que rivalizam com o GPT-4 [0:1.491, 0:1.740], limpando a imagem desgastada da Meta perante a comunidade técnica global [0:1.812, 0:1.850].
Probabilidade Contra a Fantasia da Cognição Humana
Fábio Akita desconstrói com firmeza a ilusão de que as ferramentas de Inteligência Artificial possuem consciência, sentimentos ou raciocínio lógico [0:1.753, 0:1.759]. Ele assevera que um modelo generativo funciona de maneira equivalente a uma calculadora complexa [0:1.760, 0:1.761]. A máquina não sabe o que está dizendo e não possui empatia ou hostilidade em relação ao usuário [0:1.758, 0:1.759]. O funcionamento se restringe a analisar estatisticamente o histórico de textos humanos fornecido no treinamento e calcular a probabilidade matemática de qual deve ser a próxima palavra a ser escrita [0:1.765, 0:1.768].
O especialista rebate o mito comum de que as empresas utilizam conversas corriqueiras dos usuários comuns para aprimorar os sistemas em tempo real [0:1.699, 0:1.701]. Ele define essa crença como um pensamento narcisista e absurdo [0:1.701, 0:1.934]. Como o processo de treinamento bruto consome uma quantidade colossal de dinheiro e energia elétrica [0:1.478, 0:1.479], fornecer dados banais e conversas informais seria equivalente a injetar lixo na máquina, degradando a qualidade das futuras respostas [0:1.708, 0:1.710]. O modelo é alimentado exclusivamente com dados estáticos e rigorosamente curados [0:1.698, 0:1.716], como artigos científicos, enciclopédias e literatura formal [0:1.723, 0:1.724].
Akita introduz termos técnicos importantes e decodifica o vocabulário da área:
  • Overfitting: Ocorre quando um modelo é treinado excessivamente com um conjunto restrito de informações [0:1.724], tornando-se incapaz de generalizar ou responder de forma útil a problemas novos [0:1.725, 0:1.728].
  • Temperatura: Variável estatística que simula o nível de entropia ou criatividade nas respostas [0:1.351, 0:1.352]. Trata-se de um ruído aleatório injetado propositalmente no algoritmo para evitar que o software devolva respostas idênticas para a mesma pergunta [0:1.353, 0:1.354].
  • Alucinação: Termo antropomórfico criticado por Akita [0:1.924, 0:1.928]. Ele explica que a máquina nunca está sóbria ou pensando racionalmente [0:1.927, 0:1.928]; ela apenas gera sequências de palavras prováveis com base em estatística, que às vezes resultam em erros factuais grotescos [0:1.765, 0:1.771].
A Estagnação Arquitetônica e os Retornos Decrescentes
Próximo ao encerramento do tema de tecnologia [0:1.943], o convidado apresenta uma perspectiva realista a respeito do futuro da Inteligência Artificial comercial [0:1.916, 0:1.917]. Ele contesta a crença popular de que a evolução dessas ferramentas manterá um crescimento exponencial indefinido [0:1.917]. De acordo com Akita, a indústria atual atingiu os limites físicos e conceituais da atual arquitetura de Transformers [0:1.943, 0:1.957].
Para explicar essa barreira, ele recorre à lei econômica dos Retornos Decrescentes(diminishing returns) [0:1.1015]. À medida que um sistema se aproxima do topo de sua capacidade conceitual, as empresas precisam investir quantias exponencialmente maiores de dinheiro, energia e dados para obter melhorias de desempenho cada vez mais pífias e marginais [0:1.1015, 0:1.1017]. Fábio Akita especula que o atraso nos lançamentos de novas gerações de softwares decorre exatamente do medo de expor esse teto de desenvolvimento [0:1.982, 0:1.1017]. Gastar bilhões de dólares em novas fazendas de servidores para entregar um programa apenas sutilmente superior ao anterior destruiria a bolha especulativa do mercado financeiro e afugentaria os investidores internacionais [0:1.1017, 0:1.1020].
O Estouro da Bolha dos Cursos de Programação
O diálogo migra para as transformações no mercado profissional da tecnologia de software [0:2.0818, 0:2.0822]. Akita relembra com forte desapreço o período de euforia financeira irracional vivido pelas startups durante os anos de pandemia [0:2.1251, 0:2.1284]. Com taxas de juros globais próximas a zero [0:2.1263], grandes fundos de pensão internacionais retiraram suas reservas de títulos públicos seguros para injetá-las em capital de risco de empresas digitais [0:2.1264, 0:2.1265]. Esse excesso de capital gerou uma contratação desenfreada e ineficiente nas grandes corporações [0:2.1209, 0:2.1210], inflando salários de forma irreal [0:2.1290, 0:2.1291] e criando exércitos de funcionários que mal precisavam produzir para manter seus privilégios cotidianos [0:2.1239, 0:2.1242].
Essa bolha financeira alimentou um mercado predatório de falsos gurus e cursos rápidos de programação na internet [0:2.1182, 0:2.1213]. Akita tece duras críticas aos coaches que prometiam transformar qualquer leigo em engenheiro de software com salários astronômicos em apenas seis meses [0:2.1182, 0:2.1183]. Ele compara o aprendizado oferecido por esses tutoriais rápidos à habilidade de cozinhar um macarrão instantâneo (miojo) [0:2.1197, 0:2.1200]: serve apenas para sanar uma urgência imediata ou construir páginas web rudimentares [0:2.1197, 0:2.1200], mas não forma um profissional de alta performance e profundidade teórica [0:2.1190, 0:2.1201]. Com a virada econômica em 2022, a alta dos juros e a consequente onda global de demissões em massa (os layoffs) [0:2.1292, 0:2.1296], as empresas pararam de queimar dinheiro e passaram a exigir eficiência real e conhecimento robusto de fundamentos computacionais, eliminando os profissionais superficiais do mercado [0:2.1301, 0:2.1312].
A Filosofia do Egoísmo Racional e Mútuo Benefício
Respondendo a perguntas dos telespectadores no bloco final do programa [0:2.3126, 0:2.3127], Akita expõe sua visão filosófica sobre as relações sociais e profissionais [0:2.3665, 0:2.3668]. Ele reinterpreta o conceito de egoísmo sob uma ótica racional [0:2.3669], rejeitando o estereótipo inteiramente negativo que a palavra carrega no senso comum [0:2.3669, 0:2.3770]. Para o especialista, o modelo ideal de convivência fundamenta-se estritamente na lógica do mútuo benefício [0:2.3717, 0:2.3773]. Qualquer interação humana que não gere vantagens recíprocas para ambos os lados resulta em desequilíbrio e exploração de uma das partes [0:2.3773, 0:2.3774].
Ele estende essa visão para a caridade e o altruísmo [0:2.3811, 0:2.3823]. Akita argumenta com franqueza que as pessoas realizam o bem ao próximo essencialmente por uma recompensa neurológica individual, motivada pela liberação de dopamina no cérebro ao se sentirem úteis e virtuosas [0:2.3822, 0:2.3887]. Ele define o altruísmo absoluto e puro como uma mentira comportamental na sociedade [0:2.3883, 0:2.3884], afirmando que as trocas psicológicas ou financeiras sempre orientam as ações voluntárias, o que não retira o valor prático de ajudar quem se encontra em real necessidade material [0:2.3884, 0:2.3920].
Desfecho e Análise Sociocultural do Japão
Nos últimos minutos da transmissão [0:2.4523, 0:2.4526], estimulado por uma pergunta sobre geopolítica asiática [0:2.4526, 0:2.4529], Akita traça uma análise profunda do paradoxo econômico e social vivido pelo Japão [0:2.4532, 0:2.4536]. O país experimentou um crescimento tecnológico assombroso entre as décadas de 1950 e 1980 [0:2.4633, 0:2.4655], alavancado pela reestruturação pós-guerra e pela exportação de veículos compactos altamente eficientes que dominaram o mercado ocidental durante as crises do petróleo [0:2.4612, 0:2.4881]. Essa era de ouro consolidou a estética cyberpunk no imaginário pop global [0:2.494, 0:2.496].
No entanto, a bolha imobiliária dos anos 1990 mergulhou o arquipélago em uma estagnação crônica conhecida como a "década perdida" [0:2.1501, 0:2.1502]. Akita define o Japão atual através de uma frase marcante: o país vive permanentemente nos anos 2000 desde a década de 1970 [0:2.1499]. Embora estivesse décadas à frente do resto do planeta no século passado, a nação agora encontra-se atrasada e engessada [0:2.1500].
A mesma rigidez cultural, formalidade protocolar e aversão ao risco que garantiram ao país taxas de criminalidade quase nulas e uma infraestrutura pública impecável agora agem como barreiras intransponíveis para a inovação digital moderna [0:2.1504, 0:2.1524]. O mercado interno japonês é dominado por grandes oligopólios familiares tradicionais protegidos pelo Estado [0:2.1515, 0:2.1519], inviabilizando o surgimento de um ecossistema dinâmico de novas empresas de tecnologia [0:2.1521, 0:2.1522]. Como consequência do envelhecimento demográfico acentuado e da falta de incentivos de carreira [0:2.1512, 0:2.1540], as novas gerações frequentemente desistem de competir no mercado formal corporativo, isolando-se socialmente [0:2.1538, 0:2.1540]. Akita conclui expressando ceticismo quanto a uma mudança rápida desse cenário, avaliando que a sociedade asiática consolidada necessitaria de um abalo externo massivo para abandonar estruturas burocráticas herdadas de cinquenta anos atrás [0:2.1548, 0:2.1557].
O convidado finaliza sua participação reforçando que seu canal cumpriu a missão de registrar de forma atemporal o conhecimento básico de engenharia necessário para os próximos dez anos [0:3.653, 0:3.648], instando os iniciantes a focarem no estudo diligente e na prática genuína em vez de buscarem atalhos fáceis [0:3.649, 0:3.650].”


Os marxistas brasileiros não leem Marx - Paulo Roberto de Almeida

Os marxistas brasileiros não leem Marx.

Se lessem saberiam da opinião de Marx sobre a Rússia e os russos: a pior possivel!

Se Marx fosse vivo hoje e visitasse ou tivesse informações fiáveis sobre a Rússia de Putin ele imediatamente recordaria o que já tinha escrito sobre a Rússia, confirmaria todos os termos bastante desairosos sobre o país, seus lideres e seu povo e acrescentaria outras informações já pertencentes ao século XX, o que também aprendeu nesse retorno ao mundo.

Marx imediatamente reconheceria na Rússia da atualidade a repetição dos Estados fascistas do século XX.

Ele escreveria sem qualquer hesitação: a Rússia é um Estado fascista, além de terrorista.

Os marxistas precisam ler Marx.

Paulo Roberto de Almeida 

sábado, 27 de junho de 2026

A autobiografia do Estado 4, de Paulo Roberto de Almeida, relida e reinterpretada por Demoiselle IA

 A pedido desse abusador do trabalho de senhoritas elegantes, chamado Airton Dirceu Lemmertz, demoiselle IA relê e reescreve um capitulo de minha história, já como dono do Brasil (muito antes que aquele idiota do Trump tentasse a sua sorte por aqui):


A autobiografia do Estado relida e reinterpretada por Demoiselle IA: 


Análise Crítica do Ensaio Autobiográfico do Estado no Diplomatizzando
O texto publicado no blog Diplomatizzando em 27 de junho de 2026 apresenta um elaborado exercício de metalinguagem e ironia historiográfica. O diplomata Paulo Roberto de Almeida utiliza a Inteligência Artificial — aqui batizada sob o pseudônimo de Demoiselle IA — para reler e reescrever um capítulo de sua própria obra ficcional e analítica, intitulada "Autobiografia de um Fora-da-Lei". [123]
A proposta central do autor é fazer com que o próprio Estado brasileiro assuma a voz narrativa para contar a sua trajetória institucional. Esse recurso literário desconstrói a visão oficialista e romântica da história nacional, despindo o processo político de qualquer heroísmo artificial e expondo as vísceras de uma formação marcada por dependências externas crônicas e arranjos oligárquicos internos.
Decodificação das Expressões e Codificações do Texto
Para compreender o impacto crítico do ensaio, faz-se necessário decodificar os termos metafóricos e satíricos empregados por Paulo Roberto de Almeida e sintetizados pelo modelo de linguagem.
O termo Demoiselle IA representa uma variação das alcunhas "Madame IA" ou "Senhorita Gentil". Trata-se da personificação irônica do modelo de inteligência artificial generativa Gemini, operado sob os comandos do curador Airton Dirceu Lemmertz. A escolha do termo francês demoiselle (senhorita) mantém o tom aristocrático e sarcástico que o blog adota para ridicularizar a burocracia e o debate público contemporâneo. [12]
A expressão "Dono do Brasil" funciona como uma alegoria para o próprio Estado Brasileiro. Ao se autodenominar "dono", o Estado personificado assume que a máquina pública no Brasil historicamente precedeu e moldou a sociedade, operando de forma patrimonialista. A menção ao "idiota do Trump" serve como uma demarcação temporal e uma alfinetada geopolítica do autor ao populismo internacional. [12]
"Relíquia Bárbara" é uma decodificação direta para o Ouroextraído no período colonial. O autor adota uma terminologia clássica da ciência econômica para ironizar o mercantilismo e o fetiche metalista da Coroa Portuguesa, que esgotou as riquezas minerais da colônia para sustentar o luxo europeu e pagar dívidas com a Inglaterra. [1]
As mercadorias absurdas como Patins de Gelo no Rio de Janeiro simbolizam o caráter bizarro e assimétrico dos Tratados de Comércio de 1810. A abertura dos portos liquidou o pacto colonial, mas transformou o Brasil em um mercado de desova para os excedentes industriais britânicos, expondo a total falta de soberania econômica da nova sede do império luso-brasileiro. [12]
A sigla "PR" nas portas das casas, traduzida ironicamente pelo povo como "Ponha-se na Rua", decodifica a violência institucional da Aposentadoria Compulsória de Imóveis para abrigar a corte joanina. A inscrição oficial significava "Príncipe Real", mas o deboche popular revela o abismo existente entre a legalidade imperial e a espoliação dos cidadãos comuns. [1]
A clássica expressão "Para Inglês Ver"refere-se à Lei de 1831, que teoricamente proibia o tráfico transatlântico de escravos. O Estado confessa a sua própria hipocrisia ao assinar tratados internacionais que sabia que não iria cumprir internamente, apenas para ceder temporariamente à pressão diplomática e militar da Grã-Bretanha. [123]
Desconstrução Histórica: Do Período Joanino ao Primeiro Reinado
A análise estruturada pelo blog divide a consolidação do Estado em três eixos fundamentais que explicam o subdesenvolvimento relativo do país.
O primeiro eixo demonstra que o nascimento do Estado moderno no Brasil não decorreu de um projeto nacional autônomo, mas sim de uma fuga estratégica da família real portuguesa diante da invasão napoleônica. Essa transferência foi totalmente financiada e escoltada pela Grã-Bretanha. O preço dessa proteção foi a entrega do mercado consumidor colonial aos britânicos, inviabilizando qualquer surto manufatureiro ou industrialização precoce no território americano. [1234]
O segundo eixo expõe o dilema da legitimidade política que precipitou a independência de 1822. A elevação do Brasil a Reino Unido em 1815 foi uma tentativa de criar um império luso-americano centralizado no Rio de Janeiro. No entanto, a Revolução Liberal do Porto exigiu o retorno de Dom João VI e tentou recolonizar o Brasil. A emancipação política liderada por Dom Pedro I e articulada por José Bonifácio foi, portanto, um arranjo conservador para manter a dinastia de Bragança no poder e evitar uma revolução popular de caráter republicano. [123]
O terceiro eixo descortina a falência econômica e o autoritarismo jurídico que sepultaram o Primeiro Reinado. O Brasil soberano nasceu quebrado, herdando dívidas imensas com banqueiros londrinos para pagar a indenização do reconhecimento da independência por Portugal. Diante do conflito com a Assembleia Constituinte, que tentava limitar o poder real, Dom Pedro I outorgou a Constituição de 1824 e criou o Poder Moderador. Esse absolutismo disfarçado, somado aos fracassos militares na Guerra da Cisplatina e à manutenção da escravidão, isolou o imperador e provocou sua abdicação em 1831, empurrando o país para o caos do período regencial. [123]

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Acesse o texto no link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/autobiografia-de-um-fora-da-lei-4-de.html (título da postagem, entre aspas: "Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente - Paulo Roberto de Almeida") e reescreva o texto em uma linguagem coloquial. Na reescrita, mantenha a linha de pensamento e as ideias centrais originais. O texto reescrito deverá ter, no máximo, 5000 caracteres. 

Aqui está uma reescrita do texto do Embaixador Paulo Roberto de Almeida em uma linguagem coloquial e direta, mantendo o tom irônico e a linha de pensamento original:

A História do Brasil de um Jeito Diferente: De Colônia a Império Independente
No capítulo anterior dessa minha "autobiografia" enquanto Estado brasileiro, comentei sobre os meus perrengues iniciais: o nascimento abençoado pelo Papa, o crescimento enfrentando invasores e vizinhos folgados, e a audácia dos meus navegantes que acharam uma terra nova e promissora onde "em se plantando, tudo dá". No começo, deixei aquele canto quieto, cheio de nativos, mas quando outros reinos começaram a crescer o olho, decidi ocupar o espaço doando terras para uns nobres sem grana.
E não é que funcionou? Primeiro, exploramos o pau-brasil (que deu nome à nova casa), depois plantamos cana-de-açúcar trazida dos Açores e, por fim, achamos aquela "relíquia bárbara": o ouro. Esse ouro encheu os cofres da Coroa, construiu palácios na Europa e igrejas na colônia. Mandei governadores e vice-reis para controlar a dinheirama e punir os contrabandistas, mas os ingleses — espertos que só — acabaram ficando com uma boa parte do bolo sob o pretexto de me proteger.
Aí a Europa azedou de vez. Um sujeito baixinho e metido a conquistador chamado Napoleão resolveu peitar todas as monarquias e invadiu Portugal. Sem saída e escoltado pela marinha britânica, arrumei as malas com a corte e os livros e rumei para o Novo Mundo. Foi o meu segundo nascimento. Escapamos de virar reféns, mas ficamos sob as asas dos chatos dos ingleses. Na descida, parei na Bahia e abri os portos às nações amigas, o que na prática só ajudou a Inglaterra, que começou a inundar o Rio de Janeiro com mercadorias absurdas para o clima tropical, como patins de gelo!
Na capital, faltava teto para tanto nobre encostado. Começamos a despejar os moradores locais e carimbar as portas com "PR" (Príncipe Real), mas o povo, que não perde a piada, dizia que significava "Ponha-se na Rua". Aguentando deboches e revoltas, e com a rainha Dona Maria I afastada por problemas mentais, só virei rei oficialmente dez anos depois. Com o fim da bagunça de Napoleão na Europa, o Brasil foi elevado a Reino Unido. Eu queria ter ficado por lá, mas os comerciantes de Portugal se revoltaram e exigiram minha volta à terrinha. Fui obrigado a retornar e deixei o Brasil nas mãos do meu filho Pedro, um jovem bem impulsivo.
Por sorte, Pedro chamou para ajudar um cara genial nascido em Santos: José Bonifácio. Junto com a esposa de Pedro, a austríaca Leopoldina, ele percebeu que as cortes em Portugal queriam rebaixar o Brasil de volta a colônia. O povo não aceitou e veio a separação.
De repente, eu tinha a chance de criar um Estado do zero. Mas a herança colonial era braba: quase nenhuma fábrica e nenhuma escola. Mesmo assim, tínhamos um território gigante e rico, sem precisar de guerras sangrentas ou revoluções. Só que a grana estava curta. Meu pai me deixou dívidas com os banqueiros de Londres e ainda exigiu pagamento pelas propriedades reais deixadas para trás. Para piorar, a escravidão continuava a todo vapor, mesmo com o Bonifácio avisando que precisávamos acabar com o tráfico e adotar o trabalho livre.
Para completar a dor de cabeça, os políticos locais tentaram criar uma Constituição que tirava os meus poderes. Não tive dúvidas: fechei a Assembleia, bani os irmãos Andrada e fiz uma Carta Magna do meu jeito, com o "Poder Moderador" para eu mandar e desmanchar.
Lá fora, o reconhecimento da independência demorou. Os primeiros a aceitar foram os norte-americanos. Depois, tive que pagar uma fortuna para Portugal aceitar a separação, o que me rendeu críticas pesadas dos republicanos locais. Teve até revolta no Nordeste, a Confederação do Equador, que precisei sufocar.
Para fechar o combo de problemas, enfrentamos jornalistas abusados, uma guerrilha na Cisplatina que virou guerra contra os argentinos, e a intromissão dos ingleses, que forçaram a criação do Uruguai e exigiam o fim do tráfico de escravos. Nós até assinamos uma lei proibindo o tráfico, mas era só "para inglês ver". No fim, com tanta briga interna e externa, Pedro jogou a toalha após oito anos de governo e voltou para Portugal. O Império ficou nas mãos de regências bagunçadas e revoltas por todos os lados, até que precisei bolar um novo plano para voltar ao comando por muito tempo. Mas isso eu conto depois, quando recuperar minhas forças...

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Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido ao de Portugal e uma promoção merecida a Império independente - Paulo Roberto de Almeida: 


O texto analisa de forma crítica o processo de consolidação do Estado brasileiro desde o período joanino até o fim do Primeiro Reinado, utilizando a metáfora de uma autobiografia em que o próprio Estado assume o papel de narrador das suas memórias institucionais. O ensaio expõe as contradições estruturais da transição do Brasil de colônia a império independente, evidenciando como as pressões externas da Grã-Bretanha e as heranças socioeconômicas moldaram uma autonomia frágil e financeiramente dependente.
Capítulo I: O Deslocamento da Corte e a Dependência Britânica
O início do século dezenove impôs uma reconfiguração drástica para a monarquia portuguesa quando o avanço das tropas de Napoleão Bonaparte na Península Ibérica forçou a transferência da corte para o Novo Mundo. Esse movimento estratégico, apoiado diretamente pela marinha britânica, é classificado pelo autor como o segundo nascimento do Estado, preservando as instituições dinásticas a um custo político e econômico elevado.
A contrapartida para a proteção inglesa materializou-se de forma imediata na assinatura do decreto de abertura dos portos às nações amigas na Bahia, uma medida que extinguiu o pacto colonial, mas que na realidade beneficiou primordialmente os interesses comerciais da Grã-Bretanha. O impacto da influência comercial inglesa na nova capital, o Rio de Janeiro, é ilustrado pelas distorções no fluxo de mercadorias importadas, que incluíam itens completamente incompatíveis com as necessidades e o clima tropical da região, expondo a submissão do mercado interno nascente aos excedentes industriais europeus.
Ao mesmo tempo, a chegada massiva da fidalguia europeia gerou profundos conflitos urbanos e sociais na colônia devido à falta de infraestrutura habitacional adequada para acomodar a nova burocracia real. A requisição compulsória das melhores residências particulares locais, marcadas com a insígnia do Príncipe Real, desencadeou forte descontentamento popular e escárnio público, simbolizado pela interpretação irônica da população local que traduzia a sigla da Coroa como uma ordem de despejo sumária.
Capítulo II: A Elevação a Reino Unido e o Dilema da Legitimidade
Após a derrota definitiva das forças francesas na Europa e as deliberações do Congresso de Viena, o domínio americano foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves, conferindo uma nova personalidade jurídica e autonomia política ao território brasileiro. Essa transformação estrutural estimulou o desejo do monarca de centralizar o império ultramarino a partir da sede americana, mas esse projeto de consolidação de um império luso-brasileiro foi bruscamente interrompido pelas exigências da Revolução Liberal do Porto na metrópole.
As pressões das cortes constituintes de Lisboa, motivadas pelos interesses da burguesia mercantil e pelo desejo de restaurar o absolutismo monárquico na Europa, colocaram o soberano sob constante ameaça de destituição caso recusasse o retorno imediato. Diante da necessidade de preservar a Coroa europeia, a regência do território americano foi delegada ao príncipe herdeiro, iniciando um período de intensa disputa política em que as elites coloniais se articularam para evitar o rebaixamento do Brasil ao antigo estatuto de subordinação colonial.
A reação local contra o projeto recolonizador das cortes portuguesas culminou no processo de emancipação política, fortemente impulsionado pela articulação estratégica de lideranças intelectuais locais e pela influência dinástica estrangeira na corte. Esse arranjo permitiu a fundação de um novo Império na América do Sul, contornando a necessidade de uma ruptura revolucionária radical e mantendo a continuidade da dinastia de Bragança no poder.
Capítulo III: Os Desafios Econômicos e a Arquitetura Constitucional
O nascimento do Estado independente revelou o peso das carências estruturais herdadas do período colonial, caracterizadas pela ausência quase total de um parque manufatureiro relevante e pela precariedade crônica do sistema educacional público. No plano financeiro, a nova administração soberana iniciou suas atividades em severa penúria econômica devido aos passivos ocultos e às dívidas contraídas junto ao sistema bancário de Londres para indenizar as propriedades da antiga metrópole.
No cenário político interno, a consolidação do poder central enfrentou forte resistência da primeira Assembleia Constituinte, cujos projetos buscavam limitar significativamente as prerrogativas do monarca em favor de um modelo de forte teor parlamentarista. A resposta do soberano a essa descentralização política foi a dissolução violenta do parlamento, o banimento das lideranças oposicionistas e a outorga da Carta Constitucional de dezoito de vinte e quatro, que instituiu o Poder Moderador como ferramenta de centralização e arbítrio imperial.
A legitimação internacional da independência exigiu concessões financeiras pesadas aos antigos colonizadores e a aceitação de tratados desiguais com o governo britânico, alimentando o descontentamento das correntes republicanas no país. O endividamento contínuo, as rebeliões provinciais repressivas, o desgaste na Guerra da Cisplatina e a relutância em extinguir o tráfico transatlântico de escravos minaram de forma irreversível a sustentabilidade política do Primeiro Reinado, resultando na abdicação do imperador e na abertura de um período de forte instabilidade sob o regime das regências.

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Divulgado no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-autobiografia-do-estado-relida-e.html


Postagem em destaque

Um exercicio interessante, via Madame IA: comparar PRA e ADL

  Em quais assuntos, ADL e PRA divergem? Airton Dirceu Lemmertz (ADL) e Paulo Roberto de Almeida (PRA) não possuem divergências ideológica...