segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Uma nova declaração unilateral, para uso dos distraídos e mal-informados - Paulo Roberto de Almeida

Uma nova declaração unilateral, para uso dos distraídos e mal-informados

        Cabe não esquecer uma coisa: o narcisista maligno, paranoico, psicopata e sádico personagem que está infelicitando o povo americano, destruindo o multilateralismo econômico e politico, ameaçando metade ou mais do mundo (menos o seu amigo russo), esse louco tem prazo para sair ou ser chutado para fora do poder, pois a democracia americana resistirá, a despeito de ter sido reduzida a escombros com o comportamento supremacista e nazista das tropas despachadas pelo candidato a ditador e imperador do mundo, patético e risível como possa ser, a despeito de ser tão ameaçador quanto tiranetes ao redor do mundo. Ele tem prazo de validade, após o que americanos lúcidos terão de fazer um enorme esforço para restaurar a confiança destruída pelo patético criminoso comum, xenófobo, racista e machista eleito pela massa inculta para dirigir a ainda mais poderosa potência global. Vai demorar para que o mundo retome confiança nessa nova Roma decrépita e entregue a rufiões demenciais.

        Mas cabe não esquecer também, e mais importante, que o criminoso de guerra e contra a humanidade, sob mandado de arresto pelo TPI, o tirano de um outrora poderoso império opressor e totalitário que ele tenta reconstruir, esse outro maligno personagem não tem prazo de validade, a não ser sua própria morte, por morte matada ou morrida, foi justamente ele quem começou a perpetrar a violação da Carta da ONU e as regras mais elementares do Direito Internacional, quase 20 anos atrás, quando passou das declarações à ação, invadindo países soberanos, deslocando tropas para assegurar domínios ilegítimos e empregando agressões militares contra a soberania de vizinhos. 

        Cabe tampouco não esquecer que países que incluíram dispositivos centrais da ordem politica global do pós-guerra em sua Constituição estão hoje, por antiamericanismo anacrônico e infantil, coonestando e apoiando objetivamente as ações desse tirano brutal, ao decidir subsidiar os esforços de guerra do supracitado criminoso pelo aumento maciço de importações de produtos do Estado terrorista, mesmo quando existem alternativas de mercados e quando a dependência é parcial e contornável. 

        Acima e além da Carta da ONU e dos imperativos do Direito internacional, existem certos princípios éticos e de moral pública à disposição de qualquer estadista responsável em qualquer época e lugar do mundo.

        Está feita minha declaração unilateral em respeito a determinados princípios e valores à disposição de qualquer pessoa dotada de um mínimo de honestidade intelectual, capaz de observar dados da realidade visivel na atualidade internacional e de julgar, como acabo de fazer, a postura de certos personagens que ainda pontificam no noticiário da mídia.

        Como sempre, assino embaixo do que afirmo e defendo:

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 19/01/2026


Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida mais descarregados na plataforma Academia.edu

 Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida mais descarregados na plataforma Academia.edu

Compilação feita em 19/01/2026 (superior a 100 downloads)

Title - All-Time Downloads
A Constituicao Contra o Brasil: Ensaios de Roberto Campos: 1,593
14) O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (2006): 1,509
Marxismo e Socialismo (2019): 1,438
16) O Moderno Príncipe: Maquiavel revisitado (2010): 1,385
1297) Contra a antiglobalização: Contradições, insuficiências e impasses do movimento antiglobalizador (2004): 1,280
2258) O desenvolvimento do Mercosul: progressos e limitações (2011): 1,108
(...)
13) Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (2005): 101
060) A formação econômica brasileira a caminho da autonomia política: uma análise estrutural e conjuntural do período pré-independência (2007): 100

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 19 janeiro 2026, 9 p.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Disputa entre China e EUA exige nova estratégia do Brasil - Editorial, O Globo

Disputa entre China e EUA exige nova estratégia do Brasil

Doutrina Trump desafia Itamaraty a renegociar termos que tragam benefícios ao país
Editorial, O Globo, 18/01/2026
https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2026/01/disputa-entre-china-e-eua-exige-nova-estrategia-do-brasil.ghtml

A nova doutrina geopolítica de Donald Trump impõe desafio não trivial à diplomacia brasileira. A captura do ex-ditador Nicolás Maduro pelos americanos e a intenção declarada de Trump de assumir o controle do petróleo venezuelano deixaram claro para a América Latina que a reedição da Doutrina Monroe com seu Corolário Trump não é bravata.
Enquanto os Estados Unidos mantinham distância do continente, a China aproveitou para fincar raízes. Passou a financiar projetos de infraestrutura, a erguer fábricas e a firmar parcerias em setores estratégicos, como energia, mineração ou agronegócio. Agora, o Itamaraty será testado na defesa dos laços brasileiros com a China, maior parceiro comercial brasileiro, mas também na negociação de termos vantajosos na maior aproximação com Washington.
Será preciso desenvolver uma estratégia que leve em conta várias questões. O Brasil conta com a segunda maior reserva mundial de terras-raras e outros minérios críticos para a transição energética. A economia brasileira apresenta alto grau de digitalização, que torna o país mercado crucial para o desenvolvimento de tecnologias como a telefonia celular de sexta geração (6G) ou a inteligência artificial (IA). Em todas essas áreas, há um conflito latente entre os interesses chineses e americanos, que será preciso saber mediar em favor do Brasil.
O país aproveitou a aproximação com a China apostando num mundo multipolar — ela se tornou o maior importador da soja brasileira, mercado em que o principal concorrente são os Estados Unidos. Esse quadro começou a ser abalado a partir da negociação entre chineses e americanos depois do tarifaço de Trump — os Estados Unidos exigiram da China prioridade à soja americana. Caso situações desse tipo se repitam no futuro, será difícil para o Brasil fazer valer seus interesses diante de países com muito mais poder.
Outra preocupação da diplomacia deve ser melhorar a qualidade das transações comerciais. No relacionamento com a China, o Brasil basicamente exporta matérias-primas e importa manufaturados. A pauta do comércio com os Estados Unidos é mais diversificada, com mais industrializados nas exportações brasileiras. O recuo de Trump na imposição de tarifas ainda não contemplou boa parte desses produtos. Ainda é possível alcançar resultados mais satisfatórios com negociações bem conduzidas.
A estratégia brasileira deve se estender a minerais cobiçados, como terras-raras. O Brasil engatinha na exploração de suas reservas, e seria frustrante converter-se em mero fornecedor primário. Deveria aproveitar o momento para atrair refino e beneficiamento desses minérios, absorvendo a tecnologia hoje controlada pelos chineses.
O mesmo objetivo deve ser almejado na atração de data centers para processamento dos dados necessários ao funcionamento dos sistemas de IA. Há interesse em localizá-los no Brasil, em razão da matriz energética limpa (tais centrais são consumidores vorazes de eletricidade). Novamente, o país precisará saber aproveitar a oportunidade para desenvolver recursos humanos e incorporar tecnologia dos americanos.
Não será fácil redefinir o ponto de equilíbrio entre Washington e Pequim. Mas um fato deve ser evidente: a pior forma de atingi-lo é guiar as decisões diplomáticas por preferências ideológicas. Se fizer isso, alinhando-se a um dos polos, o Brasil só terá a perder.

Crítica às ideias de Christian Lynch sobre as ideologias políticas do brasileiro - Madame IA se ocupa de fazê-la, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz

A crítica que Madame IA faz aqui se dirige às ideias do cientista político e historiador Christian Lynch, não a este "apropriador" de ideias alheias (no que não vejo nenhum crime". Mas registro que eu mesmo não me pronunciei a respeito, apenas transcrevi uma nota que achei interessante. PRA 


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"A ideologia política no Brasil: as dez ideologias brasileiras. Dez jeitos distintos de compreender o país — e o mundo. Aqueles conjuntos de valores encontram eco na sociedade brasileira. Dos dez tipos, quatro predominam. O conservadorismo societário e o conservadorismo estatista, o socialismo cosmopolita e o socialismo nacionalista. Pois é: 70% dos brasileiros se distribuem nestes quatro. Destes quatro, são os conservadores societários que definirão as eleições de 2026. São desconfiados do Estado, põem a família no centro, têm uma rígida bússola moral ancorada pela religião. Este grupo, ligeiramente mais feminino do que masculino, periférico, com baixa escolaridade, é perfeitamente capaz de votar na esquerda ou na direita. O que buscam é estabilidade. Paz. Ideologia varia de acordo com região do país. Sua religião também é um forte determinante de qual ideologia terá, assim como renda. Nível de escolaridade e idade, porém, determinam pouco. Não é ter lido mais ou menos, ser mais velho ou mais novo que vai mudar sua inclinação.".
 CONSIDERANDO O TEXTO ACIMA, ENTRE ASPAS, RESPONDA DE MODO CRÍTICO E DETALHADO: 

Quais as ideologias que compõem o Brasil? Quais as que dão base eleitoral para Lula? E quais as que alicerçam a família Bolsonaro?


O texto fornecido estabelece uma tipologia baseada no estudo do Instituto Locomotiva e da Ideia Inteligência, que mapeia o cenário ideológico brasileiro em dez vertentes, rompendo com a dicotomia simplista de "esquerda versus direita".
Abaixo, a análise detalhada e crítica solicitada:

1. As Dez Ideologias que Compõem o Brasil:
De acordo com o framework do texto, o Brasil é fragmentado em dez perfis, dos quais quatro são predominantes (somando 70% da população):
Conservadorismo Societário (Predominante): Focado na família, religião e desconfiança do Estado. Busca estabilidade e paz social.
Conservadorismo Estatista (Predominante): Valoriza a ordem e a autoridade, mas vê o Estado como provedor necessário de infraestrutura e segurança.
Socialismo Cosmopolita (Predominante): Alinhado a pautas progressistas globais, direitos de minorias e liberdades individuais.
Socialismo Nacionalista (Predominante): Focado na soberania nacional, papel do Estado na economia e desenvolvimento interno.
Outras seis vertentes: O texto cita que existem mais seis (como o Liberalismo Econômico puro, o Progressismo Libertário, entre outros), mas enfatiza que estas quatro definem o "grosso" da opinião pública.
Crítica: A análise sugere que escolaridade e idade são determinantes fracos, o que desafia a visão tradicional de que o ensino superior "esquerdiza" ou que jovens são naturalmente mais progressistas. O fator determinante é a identidade (religião e renda) e a localização geográfica.

2. A Base Eleitoral de Lula:
Embora o texto não nomeie diretamente os eleitores de Lula, a ciência política brasileira e o cruzamento dos dados apresentados indicam que a base do atual presidente ancora-se em:
Socialismo Nacionalista e Cosmopolita: Grupos que veem o Estado como motor de redução de desigualdades.
Segmentos do Conservadorismo Societário (Voto Pragmático): Como o texto menciona, este grupo (periférico e de baixa renda) pode votar na esquerda se associar o governo à estabilidade econômica e paz. Para Lula, o desafio é manter o apoio deste grupo através de políticas de bem-estar, sem colidir com sua "bússola moral rígida".
Renda como determinante: A base de Lula é historicamente mais forte nos estratos de menor renda, independentemente da escolaridade.

3. O Alicerce da Família Bolsonaro:
O Bolsonarismo encontra seu sustento mais sólido nas vertentes conservadoras descritas:
Conservadorismo Societário: É o núcleo duro. A ênfase na família tradicional, a pauta religiosa (especialmente evangélica) e a desconfiança das instituições estatais "aparelhadas" ressoam diretamente com o discurso de Jair Bolsonaro.
Conservadorismo Estatista: Setores que pedem "lei e ordem" e valorizam a presença militar ou policial, vendo em Bolsonaro uma figura de autoridade contra o caos social.
A Religião como Norte: O texto destaca que a religião é um forte determinante ideológico. O Bolsonarismo transformou a identidade religiosa em uma plataforma política, capturando o eleitor que prioriza valores morais sobre propostas econômicas técnicas.

* Conclusão Crítica para 2026:
O ponto central do texto é que os Conservadores Societários (o maior grupo) são o "fiel da balança". Eles não possuem lealdade partidária fixa; sua bússola é a estabilidade. Se em 2026 o governo Lula entregar uma economia estável e não ameaçar os valores familiares, poderá reter esse voto. Se houver crise ou percepção de "ataque à família", esse grupo tenderá a retornar ao campo bolsonarista ou a uma alternativa de direita conservadora.

Fonte: Gemini (a IA do Google).

Madame IA se empenha, mais uma vez, em contestar minhas provocações, via Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida


"Vamos convir o seguinte: somos todos, como intelectuais irrelevantes de classe média, absolutamente inócuos do ponto de vista de uma possível resolução dos mais graves problemas da nação brasileira, não muito diferente do panorama social que assustava Monteiro Lobato mais de cem anos atrás: um país de Jecas, iletrados e carentes de qualquer educação de qualidade. É isso que perpetua as oligarquias do poder, de direita e de esquerda, todas predatórias dos recursos públicos, inclusive os militares e, sobretudo, a aristocracia do Judiciário. Temos um longo caminho pela frente: a educação das massas, o que vai demorar para ocorrer. Calculo que ainda temos duas ou três gerações de mediocridade pela frente. Sorry pelo pessimismo realista.".

 FAÇA UMA ANÁLISE DE MODO DETALHADO E CRÍTICO DO TEXTO ACIMA.


O texto apresenta uma visão profundamente pessimista e provocadora da realidade sociopolítica brasileira, fundamentada em um ceticismo sobre o papel da intelectualidade e a estrutura das instituições.
Abaixo, uma análise detalhada e crítica dividida por eixos temáticos:

1. O Papel do Intelectual e a Autocrítica de Classe:
O autor inicia com uma "confissão de irrelevância", posicionando os intelectuais de classe média como figuras inócuas. Essa perspectiva ecoa críticas históricas sobre o distanciamento entre a elite pensante e a realidade prática das massas. Ao se rotular como "absolutamente inócuos", o texto sugere que o debate acadêmico ou teórico não possui capilaridade para alterar as estruturas de poder, servindo apenas como um exercício de "falar para si mesmo".

2. O Diálogo com Monteiro Lobato e o "Jequismo":
A menção a Monteiro Lobato e à figura do Jeca Tatu é o cerne sociológico do argumento. O autor sugere que, passados cem anos, o Brasil permanece ancorado no subdesenvolvimento educacional e sanitário (moral e intelectual).
Crítica: Embora o diagnóstico da precariedade educacional seja real, a comparação com o "Jeca" pode ser interpretada como uma visão elitista que desconsidera as resistências culturais e as transformações sociais ocorridas no último século. O "pessimismo realista" do autor flerta com o determinismo geográfico e social lobatiano, que muitas vezes ignorava as causas estruturais da pobreza em favor de uma visão de "atraso intrínseco".

3. A Crítica Institucional: "Oligarquias Predatórias":
O texto é contundente ao amalgamar diferentes espectros políticos e instituições em um único bloco parasita.
Esquerda e Direita: São vistas como faces da mesma moeda, cujo objetivo principal é a manutenção do poder e a extração de recursos públicos.
Militares e Judiciário: O autor destaca a "aristocracia do Judiciário" e o papel dos militares, apontando para o que a ciência política chama de Extrativismo Institucional, onde as elites burocráticas priorizam seus próprios privilégios (salários, pensões, influência) em detrimento do bem-comum.

4. O Horizonte Temporal e a Educação:
A projeção de que serão necessárias "duas ou três gerações" para superar a mediocridade situa o problema brasileiro no campo da longa duração. O autor identifica a educação não como uma solução mágica de curto prazo, mas como um processo geracional lento que é deliberadamente sabotado pelas oligarquias para garantir a perpetuação do poder através da ignorância das massas.

5. Análise Crítica do "Pessimismo Realista":
O texto encerra com um pedido de desculpas pelo seu tom, mas se autodenomina "realista".
Pontos Fortes: A análise acerta ao identificar o patrimonialismo (a confusão entre o público e o privado) e a falha crônica do sistema educacional como motores da desigualdade brasileira.
Pontos Fracos: O risco dessa visão é o imobilismo. Ao decretar a irrelevância total do intelectual e a mediocridade inevitável pelas próximas décadas, o texto pode servir como uma profecia autorrealizável. Se a mudança é impossível no horizonte de uma vida, o pessimismo torna-se um álibi para a inércia.

* Conclusão:
O texto é um desabafo que reflete o sentimento de exaustão cívica. Ele descreve um Brasil cíclico, onde os nomes no poder mudam, mas as estruturas de privilégio e a carência educacional permanecem estáticas. É uma crítica ácida ao sistema de "ganha-ganha" das elites brasileiras, que prosperam justamente sobre o solo da deseducação das massas. 
Para verificar dados atuais sobre a educação brasileira e os índices de desenvolvimento, você pode consultar o portal do INEP ou os relatórios de transparência sobre gastos públicos no Portal da Transparência.

Fonte: Gemini (a IA do Google).

PRA: Vamos continuar provocando Madame IA...

Uma proposta modesta: como superar nossas dificuldades atuais - Paulo Roberto de Almeida

 Uma proposta modesta: como superar nossas dificuldades atuais

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre uma via para superar a polarização política do Brasil atual, pela conformação de uma equipe relativamente similar ao “shadow cabinet” da tradição britânica, dedicada a propor políticas racionais para o desenvolvimento nacional

        Minha proposta modesta tem muito pouco, na verdade nada, a ver com aquela que já foi chamada de maior sátira política da modernidade. Refiro-me ao texto de 1729, do irlandês Jonathan Swift, intitulado “A Modest Proposal for Preventing the Children of Poor People In Ireland from Being a Burden to their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public”, no qual ele sugeria, baseado nos relatos sobre canibalismo no Novo Mundo, que as famílias muito pobres de agricultores da Irlanda, desprovidas de suas terras para abrir os campos para as pastagens de gado (vacas e ovelhas) das elites proprietárias, entregassem seus filhos recém nascidos para alimentação do público em geral. Horrível, mas uma possível “solução” ao comportamento opressivo das classes dominantes numa Irlanda famélica.
        Estou, na verdade, me referindo às dificuldades patentes do eleitorado brasileiro bem-informado de escapar do círculo vicioso da atual polarização política, tendo de se decidir por um “mal menor”, que é escolher um dos lados para evitar a vitória do outro, seja à esquerda, seja à direita. As elites econômicas, as maiores interessadas numa normalização política do Brasil, com vistas a efetuar reformas e recolocar o Brasil num caminho saudável de desenvolvimento sustentado, com base em políticas fiscais rigorosas e uma atenção especial aos ganhos de produtividade, não têm sido capazes de selecionar os melhores candidatos numa casta política notoriamente medíocre para comandar o país numa nova fase de seu processo de recuperação e integração à economia mundial.
        O Brasil certamente está exibindo uma fase notoriamente medíocre de sua liderança política, com parlamentares continuamente focados no estupro orçamentário das emendas compulsórias – grande parte das quais estão vinculadas a ganhos paralelos em favor de todos os envolvidos num plano puramente municipal –, o que transforma os representantes políticos em vereadores federais, um quadro lamentável do ponto de vista da governança nacional. O que o Brasil precisa, nas próximas eleições gerais e presidencial, é uma renovação completa, ao menos ampla, dos novos eleitos. Para preparar essa mudança, permito-me apresentar a minha proposta modesta.
        Ela se baseia na experiência consagrada da política britânica de manter um “shadow cabinet”, espelhando a governança setorial dos incumbentes do poder nacional, com vocação direcionada à análise responsável e cuidadosa das políticas sendo implementadas, à crítica daquelas políticas que podem não responder às melhores soluções com base num exame de “custo-benefício” de cada uma delas, apresentando, a partir daí, propostas de políticas alternativas às que estão sendo implementadas. O “gabinete paralelo” seria constituído com base numa participação voluntária de pesquisadores, economistas, cientistas políticos e mesmo políticos atuantes, sem um “líder” principal, mas com uma direção colegiada, a partir daquelas forças políticas mais interessadas em superar o impasse da polarização atual.
        Eu chamaria esse “gabinete paralelo” simplesmente de “Governança Alternativa”, a partir de uma exposição sintética de seus propósitos, claramente os de superar os impasses da polarização atual em favor de um conjunto de propostas sensatas, com intenção de fornecer “munição” qualificada para candidatos comprometidos com a elevação do nível político da próxima campanha eleitoral, não a de insistir nos dois polos atualmente em confrontação. Entidades promotoras do centrismo democrático, do reformismo econômico, partidários de uma política externa não alinhada com nenhuma das grandes potências atualmente em fase de nova “Guerra Fria”, poderiam ser convidadas a contribuir para a formação de um núcleo inicial de pensadores e analistas comprometidos com o fim da polarização e com a promoção de uma verdadeira Governança Alternativa.
        Esta é a minha proposta modesta, que não passa pelos atuais partidos políticos, todos comprometidos com a preservação dos mecanismos predatórios existentes, não apenas as emendas compulsórias, mas também os dois fundos ilegítimos sustentando os partidos e suas campanhas eleitorais. Ela passa pela congregação dos melhores subsídios a uma nova política econômica e social não comprometida com nenhum dos dois polos atuais do cenário eleitoral, mas voltada para as reformas fundamentais de que o Brasil necessita, inclusive na área mais sensível da legislação partidária eleitoral, assim como na alocação de recursos orçamentários. Na área da política externa e da diplomacia passa pela superação da atual postura de aliança com um bloco dominado por duas grandes potências autocráticas, em favor da manutenção de nossa tradicional autonomia decisória nos grandes temas da política mundial.
        A Governança Alternativa, ou qualquer outra designação que venha a ter, precisa se firmar como uma via de escape à atual prisão da polarização política.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5190, 18 janeiro 2026, 2 p.

Lula: This Hemisphere Belongs to All of Us - Luiz Inácio Lula da Silva (The New York Times) - Comentário preliminar por Paulo Roberto de Almeida

Comentário preliminar de Paulo Roberto de Almeida ao Artigo assinado pelo presidente Lula (certamente preparado no mais alto nível diplomático) publicado neste domingo no New York Times

        Deve ser lido com cuidado, refletido e aguardar repercussões, que podem ser positivas, ao demonstrar um posicionamento claro contra o arbítrio e a arrogância unilateral, ou negativas, ao atrair reações retaliatórias de quem é acusado de violações do Direito Internacional.

        Cabe registrar, porém, que muitos argumentos substantivos se aplicam não apenas a Trump e ao hemisfério, mas também, e sobretudo, a quem começou violando a Carta da ONU em outras partes do mundo, em especial a Putin e sua guerra de agressão na Ucrânia e, antes, na Georgia, Moldova e outras provocações contra países anteriormente dominados pelo opressivo império soviético (que parece estar sendo reconstruído).

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 18/01/2026

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“*The New York Times - Lula: This Hemisphere Belongs to All of Us*

Jan. 18, 2026

By Luiz Inácio Lula da Silva

The United States’ bombings in Venezuelan territory and the capture of its president on Jan. 3 are yet another regrettable chapter in the continuous erosion of international law and the multilateral order established after World War II.

Year after year, major powers have intensified attacks on the authority of the United Nations and its Security Council. When the use of force to resolve disputes ceases to be the exception and becomes the rule, global peace, security and stability are jeopardized. If norms are followed only selectively, anomie sets in and weakens not only individual states but the international system as a whole. Without collectively agreed-on rules, it is impossible to build free, inclusive and democratic societies.

Heads of state or government — from any country — can be held accountable for actions that undermine democracy and fundamental rights. No leaders have monopolies over the suffering of their peoples. But it is not legitimate for another state to arrogate to itself the right to deliver justice. Unilateral actions threaten stability around the world, disrupt trade and investment, increase refugee flow and further weaken the capacity of states to confront organized crime and other transnational challenges.

It is particularly worrying that such practices are being visited on Latin America and the Caribbean. They bring violence and instability to a part of the world that strives for peace through the sovereign equality of nations, the rejection of the use of force and the defense of the self-determination of peoples. In more than 200 years of independent history, this is the first time that South America has come under direct military attack by the United States, though American forces previously intervened in the region.

Latin America and the Caribbean are home to more than 660 million people. We have our own interests and dreams to defend. In a multipolar world, no country should have its foreign relations questioned for seeking universality. We will not be subservient to hegemonic endeavors. Building a prosperous, peaceful and pluralistic region is the only doctrine that suits us.

Our countries must strive for a positive regional agenda that is capable of overcoming ideological differences in favor of pragmatic results. We want to attract investment in physical and digital infrastructure, promote quality jobs, generate income and expand trade within the region and with nations outside it. Cooperation is fundamental to mobilizing the resources that we so desperately need to combat hunger, poverty, drug trafficking and climate change.

History has shown that the use of force will never move us closer to these goals. The division of the world into zones of influence and neocolonial incursions for strategic resources are outdated and damaging.

It is crucial that the leaders of the major powers understand that a world of permanent hostility is not viable. However strong those powers may be, they cannot rely simply on fear and coercion.

The future of Venezuela, and of any other country, must remain in the hands of its people. Only an inclusive political process, led by Venezuelans, will lead to a democratic and sustainable future. This is an essential condition for the millions of Venezuelan nationals, many of whom are temporarily sheltered in Brazil, to be able to safely return home. Brazil will continue working with the Venezuelan government and people to protect the more than 1,300 miles of border that we share and to deepen our cooperation.

It is in this spirit that my government has engaged in constructive dialogue with the United States. We are the two most populous democracies on the American continents. We in Brazil are convinced that uniting our efforts around concrete plans for investment, trade and combating organized crime is the way forward. Only together can we overcome the challenges that afflict a hemisphere that belongs to all of us.”


Postagem em destaque

Um mergulho no passado: volto a consultar um livro que me formou 60 anos atrás: Caio Prado Junior, Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira (1954)

Estou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, mais exatamente na Biblioteca, onde, em 1966, 60 anos atrás, portanto...